terça-feira, 19 de setembro de 2017

A dinâmica das ilusões (10): sexo, mentiras e vídeo















A inovação tecnológica entrou na campanha eleitoral de Caldas da Rainha pela primeira vez com dois candidatos a recorrerem a vídeos, embora de sentido muito diferente.
O vídeo do presidente da Câmara Municipal e candidato de novo à presidência, Tinta Ferreira (PSD), é uma peça de descarada e banal propaganda, onde só falta dizer que o sol se levanta e se põe graças à intervenção magnânima do bonzo caldense. Enfadonho e irritante, pode ser visto aqui. Mas não o recomendo. 
Rui Gonçalves (candidato do CDS à presidência da Câmara Municipal), com três vídeos já divulgados, é necessariamente mais crítico e incisivo.
Os seus vídeos, para já muito concentrados na capital do concelho, abordam questões fundamentais como a limpeza, a desgraçada situação da zona industrial e as entradas da cidade. Podem ser vistos aqui e resumem bem aquilo que toda a gente vê: o estado de degradação generalizado da cidade de Caldas da Rainha. Com eles, Rui Gonçalves mostra duas coisas: que sabe o que diz e que tem soluções. Venham mais, com referências ao interior!


Rui Gonçalves: uma boa campanha que começou bem




Notas de prova



Andreza — Tinto 2013 Reserva DOC Douro
Touriga Nacional, Touriga Franca e Tinta Roriz
Lua Cheia em Vinhas Velhas, Ílhavo
13,5% vol.
Muito bom.

Notas de prova


Aspias — Tinto 2009 Vinho Regional Alentejano
Aragonês, Trincadeira e Alfrocheiro
Sociedade Agrícola de Pias, Pias
14% vol.
Bom!

segunda-feira, 18 de setembro de 2017

A dinâmica das ilusões (9): pois eu sou o Pedro e o Bairro da Ponte não é aqui



Entrou-me hoje na caixa do correio, deixado por alguém numa motoreta fanhosa, um luxuoso folheto do PS a anunciar-me "Muito mais para esta União de Freguesias".
O programa é vago, e dá para tudo. Mas o mais significativo é o modo como se apresenta o candidato do PS à presidência da Junta de Freguesia:




... E a quem dá vontade de responder do seguinte modo: e eu sou o Pedro, não sou seu vizinho e (desde que para cá vim) sempre morei aqui, no Cabeço da Vela, na Serra do Bouro, e o Bairro da Ponte não é aqui.
Se a candidatura do PS não me convence, muito menos me convence esta espécie de neocolonialismo paternalista da freguesia urbana sobre a freguesia urbana. Bem podem poupar nas deslocações...

domingo, 17 de setembro de 2017

A dinâmica das ilusões (8): brincadeiras de rapazes







Ainda pensei em ir a isto, mas a ideia de ir ver homens crescidos (porque não há mulheres nestas eleições) a brincarem às eleições não me convenceu. Não há aqui nada a fazer e só um debate a dois (Rui Gonçalves, do CDS, e Tinta Ferreira, do PSD) é que seria realmente interessante. O resto é uma brincadeira pegada.
Os resultados estão definidos à partida e devidamente controlados e a dúvida, neste caso, é só uma: o PSD ganha (e sem ter mérito para isso) e o segundo lugar poderá vir a ser do CDS e não do PS (os outros não interessam para nada). Disto falarei mais tarde.

A dinâmica das ilusões (7): a demagogia do candidato Varela








As freguesias do concelho de Caldas da Rainha foram acasaladas em 2012 de uma forma completamente idiota, sem consideração pelas semelhantes entre freguesias (litoral atlântico, carácter rural, carácter urbano), sem vantagens para ninguém (o interior ficou mais abandonado) a não ser, talvez, para as "nomenklaturas" partidárias locais.
Houve dois casos em que esta "agregação de freguesias" uniu duas com uma terceira pelo meio. É o caso (como se pode ver pelo mapa) das freguesias da Serra do Bouro (rural, no litoral atlântico) e de Santo Onofre (urbana, na capital do concelho). No meio ficaram as freguesias do Nadadouro e da Tornada, num gesto político completamente imbecil.



Nenhum dos partidos pôs em causa o acasalamento das freguesias, nem nas eleições de 2013 nem agora. É-lhes indiferente o interior rural. Até porque o desconhecem.
O que conhecem é a cidade de Caldas da Rainha, que consideram ser todo o concelho ("as Caldas", como dizem) e o caminho mais curto para se irem mostrar aos sábados à tarde nos cafés da Foz do Arelho.
Se o desconhecimento é mau, pior é a tentativa de inventar promessas eleitorais sobre a realidade que desconhecem.
Como o demonstra esta pérola do estreante Jorge Varela, o candidato do PSD caldense à presidência da junta de freguesia fundida da Serra do Bouro e de Santo Onofre:


"Gazeta das Caldas", 15/09/2017


Acontece, porém, que se a Serra do Bouro tem falta de várias coisas, não tem falta de acessos, reais e concretos e já existentes. 
São três, para quem não saiba e expressamente para o candidato Jorge Varela, as vias de acesso à cidade, numa distância média de 15 quilómetros e num tempo de percurso que pode ir dos 10 aos 20 minutos. A saber:

1 - A via mais longa é da Estrada Atlântica - Variante Atlântica. Aproveita a vista panorâmica da Estrada Atlântica em todo o seu esplendor e vai desembocar na (informalmente designada) Rotunda da Greenhill. Para a direita desce-se para a Foz do Arelho e para a esquerda pela via rápida (a Variante Atlântica) em direcção à cidade de Caldas da Rainha. E antes da cidade está a zona industrial. 


A Estrada Atlântica, na direção da Foz do Arelho

A "Rotunda da Greenhill". Para a esquerda fica a Estrada Atlântica e um acesso à Serra do Bouro.
Em frente é a via rápida que vai ter a Caldas da Rainha. Não tem sinalização.


2 - A segunda via de acesso vai também ter à via rápida, com passagem por uma povoação chamada Espinheira. Tem uma estrada recentemente asfaltada tipo via rápida (mas que parece estar por concluir). É um caminho relativamente mais curto que, por via da Circular Atlântica (a via rápida Caldas da Rainha - Foz do Arelho), conduz directamente à zona industrial.


A rotunda que liga o segundo acesso à via rápida, passando pela Espinheira.

E nesta rotunda até há um sinal a indicar Serra do Bouro.


3 - A terceira via de acesso é a mais curta se, como frequentemente acontece, houver pouco trânsito. Atravessa a povoação do Campo e é uma estrada secundária que, por acaso, nem é muito acidentada. Ao sair do Campo, ou antes de chegar à povoação, há duas estradas que vão ter à zona industrial. 


À esquerda fica a Serra do Bouro e à direita a via para a estrada secundária do Campo. É o fim da "autoestrada da Serra do Bouro".


Como pode ver, portanto, o senhor candidato Jorge Varela, a Serra do Bouro não tem falta de acessos.
Não precisa de mais nenhuma estrada. Precisa, sim, é de obras que melhorem as suas infraestruturas.
Mas a demagogia é mesmo assim: a realidade interessa pouco e o que cai bem são as promessas, por mais tontas que sejam.

EDP - A Crónica das Trevas (74): mais um


Apagão às 6h07. Porquê?

sexta-feira, 15 de setembro de 2017

A dinâmica das ilusões (6): a campanha eleitoral escondida





Fazem-se entrevistas, debates, coisas públicas mas a realidade é esta: o actual presidente da Câmara Municipal de Caldas da Rainha, candidato de novo ao cargo pelo PSD local, tem direito a 12 (doze) fotografias no "Jornal das Caldas" (32 páginas) desta semana, à conta de um debate entre candidatos e das numerosas ações públicas em que se vai mostrando.
É tudo um jogo de ilusões, de viciação alegre e consentida das regras da democracia.
Quanto aos outros candidatos, aceitam a discriminação e nem sequer se manifestam. Pois, também não vale a pena.




Ler jornais já não é saber mais (32): assim, sim



O título é factual: "Verão com mais mortes".
A informação de suporte é simples e clara e também factual: "Vinte pessoas perderam a vida nas praias. No ano passado foram 14".
É assim, e sem ser aos gritos ("cada vez mais...", etc.), que deve ser feito


"JN", hoje

quinta-feira, 14 de setembro de 2017

Ler jornais já não é saber mais (31): português mal resolvido

O "Observador", que não precisava de ter estes pecadilhos de quem lida mal com português, espraia-se hoje com uma série de caneladas na língua:

- Em vez de "evacuação" (de pessoas) prefere "remoção";
- Insiste no já nauseante "É oficial";
- Em vez de correcto "insistir em", prefere "insistir com";
- E lá vai o estúpido "icónico" em vez do "emblemático" (mas isto não é para quem nem sabe ler...).

Talvez por esquecimento, não houve "alegado", "supostamente" e "resiliência".