sexta-feira, 31 de maio de 2013

Caldas da Rainha: água de luxo, serviço de merda (17): pavimentação à moda dos Serviços Municipalizados!





Uma rua pavimentada...
A "Gazeta das Caldas" desvenda hoje o mistério do que tomei ontem por um remendo e que a imagem documenta: publicando a minha carta (que agradeço), publica uma "resposta" dos Serviços Municipalizados de Caldas da Rainha onde se afirma que "será [o troço da rua?] pavimentado na próxima semana".
Na "próxima semana"?! Não, já começaram, como está à vista!
Na mesma "resposta", os Serviços Municipalizados tentam dar-me aquilo que habitualmente se designa por "bofetada de luva branca", argumentando em mau português que "os transtornos para a população (...) advêm da execução das obras (...) para melhorar as suas condições de vida".
É pena que os Serviços Municipalizados não tenham esclarecido, além desta "resposta" manhosa:
1 - quais os motivos que levaram à interrupção das obras por quase três semanas;
2 - porque é que as obras foram, ao que se disse, por concurso público e os próprios Serviços Municipalizados me forneceram telefonicamente a informação de que as obras estavam paradas porque quem as fazia era "o empreiteiro que trabalha com a Câmara" e tinha sido deslocado para outro sítio;
3 - se garante a salubridade da água que circula na canalização apodrecida. (Nunca os Serviços Municipalizados quiserem responder a esta pergunta...)   

Porque não gosto dos CTT (56)


Pode ser a única maneira:
 

quinta-feira, 30 de maio de 2013

Caldas da Rainha: água de luxo, serviço de merda (16): remendos muito artísticos

As obras de substituição da conduta de distribuição de água na minha rua começaram há 52 dias. Estiveram interrompidas cerca de três semanas.
As valas abertas para meter a canalização foram cobertas com terra grossa e pedras soltas que a passagem dos carros e da chuva tem estado a levantar paulatinamente.
A rua, que já esteve alcatroada antes de os Serviços Municipalizados se limitarem a ir pôr remendos à medida que a canalização ia rebentando, parece agora uma estrada de terra batida.
Mas, para repor o antigo "look" remendão, estiveram hoje a lançar alcatrão sobre uma dessas valas. E, como não podia deixar de ser, o serviço ficou a meio.
O resultado do trabalho destes "artistas" foi o que a fotografia mostra.
Pela má qualidade da coisa não é assim que gastam o que arrecadam com o preço de luxo a que vendem a água "pública".







"Quero andar a pé! Posso?"

Eis uma boa ideia: um blogue (link aqui), aparentemente com razoável implantação e não apenas circunscrito a Lisboa, com imagens e comentários sobre o estacionamento ilegal e abusivo que se pratica todos os dias.
O título é bom ("QUERO ANDAR A PÉ! POSSO?", assim mesmo, em caixa alta), os comentários e as iniciativas têm força para ser eficazes (as matrículas ficam bem à vista e os autocolantes deviam ser mais simples) e algumas propostas não são as melhores (portagens em Lisboa não disciplinam o trânsito, só o reduzem) mas globalmente é de aplaudir.



quarta-feira, 29 de maio de 2013

Uma aventura nos transportes públicos de Lisboa


1 - É impossível ver horários e comprar bilhetes "on line" na Rede Expressos. Telefonar é um serviço pago a preço de luxo. Há lugares marcados nos autocarros mas ninguém se rala com isso. Eu também já me deixei de me ralar.
2 - No Metropolitano de Lisboa não se emitem facturas. Se alguém as quiser, tem de ir à procura do Gabinete do Cliente, numa qualquer estação. E parece que depois ainda demoram cinco dias a emiti-la.
3 - As viagens entre estações são rápidas. Mas circular pelas estações, feitas de vastos corredores vagamente decorados, é um processo demorado. São poucas as passadeiras e as escadas rolantes e alguma estão avariadas (e pelo lixo que aí se acumula percebe-se que pararam há muito tempo). Uma viagem de metro não demora o tempo de viagem entre as estações mas sim o dobro, devido ao que é preciso andar. Quando a pessoa não se perde, claro.
4 - No terminal rodoviário de Sete Rios (cujo nome não coincide com o nome existente na nomenclatura do metro) as "linhas" e os autocarros têm números que não correspondem aos que saem nos bilhetes.
5 - Na viagem de regresso de Lisboa para Caldas da Rainha, o autocarro "expresso" (de matrícula 20-EP-89) parou por três vezes na A8 e por duas à entrada na cidade, sem que se percebesse porquê. E não parou na berma porque a viatura não cabia. Houve quem dissesse que era falha nos travões e que já era costume. Quanto mais o autocarro parava mais cintos de segurança se apertavam. No fim da viagem, os passageiros bateram palmas. Eu não.

segunda-feira, 27 de maio de 2013

Parece que o turismo nas Caldas da Rainha tem de ser assim...

No miradouro que existe na Estrada Atlântica entre a Foz do Arelho e Salir do Porto (concelho de Caldas da Rainha), de onde se pode ver uma grande extensão de mar que inclui o porto de Peniche e as Berlengas, ancorou há mais de um ano esta "rólote", que funciona como snack-bar/café/casa de pasto, com esplanada e tudo.
O espaço é público e não está licenciado para exploração de actividades de comes-e-bebes.
A ocupação da via pública por esta gente não está sujeita às mesmas taxas e obrigações das dezenas de restaurantes, cafés e snack-bars no resto do concelho.
Não há preservação do património paisagístico, cobrança de taxas municipais, aplicação de regulamentos, bom gosto ou preocupação turística que ponha termo a este desaforo.
E ninguém protesta, das elites citadinas que talvez nem saibam que o local existe, aos outros comerciantes, sobrecarregados com taxas, regulamentos e impostos.

Gocaldas: uma boa ideia com o problema do costume

O portal Go Caldas é uma boa ideia.
Pretende servir de guia para Caldas da Rainha e percebe-se a dimensão que quer atingir embora ainda não esteja completo. Será ainda uma obra em progresso e não vem mal ao mundo que muitos dos seus campos só venham a ser gradualmente preenchidos.
O leque de informações que visa divulgar está bem pensado e cobre muitas domínios que ajudam, mesmo contra a indiferença das entidades oficiais, a abrir Caldas da Rainha aos seus visitantes.
Tem, no entanto, um problema infelizmente habitual: quer ser um guia... mas o seu alcance fica limitado à cidade. O resto - disparate comum às presunçosas elites citadinas - não existe.
E será por desconhecimento? Ou por falta de iniciativa?
Tome-se o melhor de todos os exemplos: num dos três percursos sugeridos, há uma deslocação à Foz do Arelho e à Lagoa de Óbidos. E chega.
Para norte ficam a Estrada Atlântica, uma visa panorâmica do Oceano Atlântico e até Salir do Porto, mesmo à beira da baía de São Martinho do Porto. Será possível que os dinamizadores do Go Caldas nunca tenham ido para essas paragens? Ou não sabem que existe?

domingo, 26 de maio de 2013

Movimento Independente Viver o Concelho: uma esperança para as Caldas da Rainha


O Movimento Independente Viver o Concelho, que tem Maria Teresa Serrenho por candidata à Câmara Municipal das Caldas da Rainha, já se apresentou e tem o seu site aqui.
Espero que consiga ser uma alternativa eficaz nas eleições autárquicas ao PSD, ao CDS, ao PS, ao PCP e ao BE.









Série: Eleições autárquicas de 2013 nas Caldas da Rainha (13)

Alguns contributos para os candidatos autárquicos em prol das freguesias do interior (5): ouçam as pessoas

... Não se limitem a meter propaganda nas caixas do correio (a prometer máquinas multibanco, por exemplo). Falem com as pessoas, procurem saber as suas opiniões e o que pretendem dos órgãos autárquicos. E depois de as ouvirem digam-lhes o que está ao vosso alcance e o que podem efectivamente fazer.
Dá trabalho, apenas. Mas é mais digno.
 
 
 
 
Série: Eleições autárquicas de 2013 nas Caldas da Rainha (12)

Perigo mesmo à porta da escola no Campo


 
 
 
Foi do lado direito, mesmo junto das cadeiras amarelas (onde também costumam estar pessoas sentadas) que se deu o acidente. Em primeiro plano vê-se o que resta da passadeira. À esquerda está o muro da escola.


Esta notícia do "Jornal das Caldas" do passado dia 22 refere-se a uma colisão entre dois veículos automóveis na rua que atravessa a povoação de Campo. Acidentes destes acontecem em todo o lado mas, neste caso, ele aconteceu no outro lado da rua em frente da escola básica.
Até ao Verão do ano passado havia aqui uma passadeira de peões elevada que obrigava os automobilistas a reduzirem a velocidade.
As rupturas do costume na rede de abastecimento de água deram origem a isto que se vê na fotografia de baixo: a passadeira foi arrasada pela intervenção do costume dos Serviços Municipalizados e as marcas que a assinalavam na rua desapareceram.
Ficaram os peões em perigo, os carros mantêm a mesma velocidade de passagem e as crianças que frequentam a escola estão mais expostas a um acidente.
Passaram mais de dez meses e ninguém (Serviços Municipalizados, Câmara, Junta de Freguesia) se preocupa. Se alguma criança for colhida por um carro já se preocuparão?













sábado, 25 de maio de 2013

Alguns contributos para os candidatos autárquicos em prol das freguesias do interior (4): o potencial turístico do concelho

O potencial turístico do concelho de Caldas da Rainha não está apenas dentro dos muros da cidade, quer se trate das termas, do património museológico ou da capacidade de promover arte e cultura.
O potencial turístico do concelho está essencialmente na paisagem rural e marítima, na agricultura, na produção de vinho e no enoturismo, no turismo de habitação e no agroturismo, no desenvolvimento do artesanato e na definição de circuitos paisagísticos.
Está também nas várias praias e zonas de beira-mar que constituem toda a fronteira ocidental do concelho, da Lagoa de Óbidos a Salir do Porto.
Está ainda na ordenação e arrumação visual do que existe e no fim das ocupações selvagens de terreno público sem o cumprimento das obrigações legais estatuídas pelo município (que as impõe a todos os comerciantes mas depois isenta os manhosos que são capazes de estragar uma boa ideia que é um miradouro em local privilegiado). 
Está, finalmente, na indicação pública dos melhores e mais significativos restaurantes, de modo a estimulá-los e apoiá-los e a facilitar a divulgação da sua oferta gastronómica.
 
Série: Eleições autárquicas de 2013 nas Caldas da Rainha (12)

sexta-feira, 24 de maio de 2013

Caldas da Rainha: água de luxo, serviço de merda (15): no protestar é que está o ganho

 
 
 
Protestei, neste blogue e em cartas aos jornais regionais ("Jornal das Caldas" e "Gazeta das Caldas") contra a interrupção das obras de substituição da rede de abastecimento de água na rua onde moro, que pararam no começo deste mês.
E as obras lá recomeçaram ontem.
Fica o agradecimento ao "Jornal das Caldas", que publicou a minha carta anteontem. A "Gazeta das Caldas" ignorou o assunto.

Um diagnóstico para o Oeste que "custa" 5,7 milhões de euros

(...) 30% da população do Oeste vive em média com menos de 367 euros por mês, após as transferências sociais, de acordo com o diagnóstico da região entre os anos de 2007 e 2013.
[É necessário] elevar o ganho médio mensal ‘per capita', que é de 864 euros, abaixo da região Centro (890 euros), da região de Lisboa (1365 euros) e da média nacional (1034 euros).
O aumento do rendimento deverá ser alcançado, segundo a estratégia, com o reforço da competitividade regional pela aposta em três setores com maior potencial económico no Oeste, direcionados para o mercado externo e acompanhados pela investigação científica para responder às necessidades de inovação do tecido empresarial.
Segundo o diagnóstico, os níveis de produtividade e as exportações estão abaixo da média nacional e existe uma fraca valorização dos seus produtos.
O turismo (náutico, do golfe, cultural e paisagístico, enoturismo, doçaria e aventura) e a economia do mar, através de projetos de aquacultura, da exploração de recursos subaquáticos e das atividades turísticas ligadas ao mar, são considerados estratégicos.
Junta[m]-se a agroindústria, com a potenciação da produção e transformação de produtos hortofrutícolas e dos vinhos, da indústria de conservas e de produtos frescos e congelados embalados, desde o peixe aos hortícolas, e do desenvolvimento de tecnologias de conservação e embalamento.
A aposta na qualificação da população é outro dos objetivos, uma vez que os diplomados do ensino superior correspondem apenas a 8,7% da população e do ensino secundário 13%. Espera-se que até 2020, 40% da população entre os 30 e os 34 anos tenha formação superior.
Outras metas passam por reduzir de 23% para 10% o nível de abandono no ensino obrigatório e aumentar de 69 para 75% a taxa da população com emprego numa região cuja taxa de desemprego é de 11,5%.

Este excerto faz parte de uma notícia da Lusa publicada no "i" a partir de um documento intitulado "Oeste 2020", uma das poucas coisas aparentemente interessantes que a Comunidade Intermunicipal do Oeste terá feito nos últimos tempos.
O documento, que aguarda contributos, vai ser debatido em Torres Vedras e em Alcobaça. Em Caldas da Rainha parece que não.
Esta Comunidade integra os concelhos de Alcobaça, Alenquer, Arruda dos Vinhos, Bombarral, Cadaval, Caldas da Rainha, Lourinhã, Nazaré, Óbidos, Peniche, Sobral de Monte Agraço e Torres Vedras e tem um orçamento anual de 5,7 milhões de euros.
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quinta-feira, 23 de maio de 2013

Alguns contributos para os candidatos autárquicos em prol das freguesias do interior (3): vencer o isolamento pelo apoio às comunidades locais


Os idosos são as pessoas mais afectadas pelo afastamento a que a cidade vota as freguesias do interior.
Obrigados, como todos, a deslocarem-se à cidade onde estão concentrados os serviços para tratar dos seus problemas, ficam muitas vezes limitados na sua mobilidade.
O actual sistema de transportes colectivos é insuficiente e há que encontrar outro capaz de facilitar a deslocação dos idosos.
O alargamento dos transportes públicos existentes com tarifas muito mais favoráveis para idosos é fundamental para vencer o seu isolamento.
 
O apoio aos idosos, em algumas das suas obrigações essenciais, também pode ser prestado através de centros comunitários instalados nas sedes da juntas de freguesia ou nos antigas sedes da juntas, onde as freguesias foram “anexadas” pela cidade.
Recorrendo a voluntários para aumentar a sua capacidade de intervenção, esses centros comunitários podem, por exemplo:
 
- apoiar e esclarecer os idosos e os habitantes mais isolados sobre os problemas do dia-a-dia (e sobre as entidades a que devem dirigir-se para tratar de certos assuntos);
- assegurar o funcionamento de postos de venda de produtos agrícolas de produtores da freguesia em determinados dias (descentralizando a oferta e não sobrecarregando a praça no centro da cidade);
oferecer um serviço de empréstimo de livros (em articulação com a Biblioteca Municipal).
 
Série: Eleições autárquicas de 2013 nas Caldas da Rainha (11)

quarta-feira, 22 de maio de 2013

Eleitoralismo filho-da-puta

Tornou-se tradição nacional para os ocupantes das câmaras e das juntas de freguesia fazerem toda a espécie de obras nos anos eleitorais, concentrando nos últimos meses antes das eleições muitas obras que podiam e deviam ter feito antes.
Para não fugir à regra, a Câmara Municipal das Caldas da Rainha esvai-se agora em obras que levantam pó (quando não chove) e se desfazem em lama (quando chove), cortando ruas a eito em trabalhos de construção civil que se eternizam, ou ficam depois parados (como acontece com a substituição da apodrecida rede de abastecimento de água na minha rua), beneficiando verdadeiramente mais quem faz as obras do que os habitantes, sujeitos aos efeitos nefastos de uma acumulação de obras manhosas em dose concentrada.
Esta filha-da-putice eleitoralista, que não tem outro, só não me tira a vontade de votar no partido que domina a Câmara Municipal e nas oposições que se estão nas tintas para a população porque já não o tencionava fazer.


Série: Eleições autárquicas de 2013 nas Caldas da Rainha (10)

As trapalhadas da Endesa - à atenção da Deco

A Endesa, a tal empresa que se limita a cobrar a electricidade sem ter qualquer responsabilidade na sua distribuição e na manutenção da rede, atrasou-se três semanas a enviar a factura que devia ter sido paga no final de Abril e que acabou por ter como data-limite de pagamento o dia 15 de Maio.
Depois, mostrando o desprezo que nutre pelos consumidores e as trapalhadas de que não desiste, atirou logo com a factura seguinte os seus clientes deparam-se agora com a despesa da electricidade de 15 de Maio e uma nova conta a liquidar a 28... de Maio.
Eu, que a certa altura tive de suspender o débito directo da Endesa depois de muitas destas (com cobranças sem facturas), vi-me "castigado" com o pagamento multibanco. Mas até é uma vantagem porque imagine o leitor o que será ter um débito directo de electricidade em 15 de Maio e logo outro em 28 de Maio, eventualmente sem factura... o que já me aconteceu meses a fio.
A Endesa compareceu sozinha ao "leilão" da Deco e parece vai ganhar de uma assentada muitos clientes novos. Repito o que já escrevi: espero que a Deco consiga impor um mínimo de respeito pelo consumidor a esta gente.

Sábado, 1 de Junho, na Feira do Livro de Lisboa

 
 

Alguns contributos para os candidatos autárquicos em prol das freguesias do interior (2): dignificação e dignidade


- As povoações das freguesias do interior devem estar bem sinalizadas e indicadas com rigor nas vidas rodoviárias, para desse modo ser facilitada a mobilidade dos seus habitantes, a entrega de produtos comprados à distância e a realização de serviços ao domicílio e mostrar a realidade do concelho.

- As ruas e as vias rodoviárias e as zonas adjacentes não podem ser mantidas como lixeiras e devem realizar-se actividades de limpeza que valorizem os núcleos habitacionais do interior

- As comunidades rurais são aquelas onde mais se encontram, à vista, situações de tratamento desumano de animais domésticos, sobretudo cães. É possível, em articulação com os serviços municipais de veterinária, com a GNR e com voluntários, lançar iniciativas que visem o tratamento correcto dos animais de companhia, dignificando, desse modo, a própria existência humana.
 
Série: Eleições autárquicas de 2013 nas Caldas da Rainha (9)

terça-feira, 21 de maio de 2013

Alguns contributos para os candidatos autárquicos em prol das freguesias do interior (1): água e luz

Os habitantes do concelho de Caldas da Rainha pagam uma factura do consumo de água excessivamente elevada devido ao peso das verbas vampirizadas por rubricas como “serviços” e “taxas” cuja utilidade não se vê no dia a dia, em especial nas zonas não urbanas onde a canalização subterrânea está mais apodrecida e ocorrem as maiores perdas e as rupturas mais frequentes, que só de forma pontual são resolvidas, e mal.
 
Os candidatos aos órgãos autárquicos devem assumir dois compromissos neste domínio:
1 - descida significativa do valor das taxas diversas associadas ao custo do abastecimento de água de modo a baixar o valor mensal da água;
2 - levantamento rigoroso de todas as situações de falta de manutenção e/ou substituição dar ede de abastecimento em todas as povoações, com um plano de obras racional e sustentável para os próximos quatros anos.
No que se refere ao abastecimento de electricidade, os candidatos aos órgãos autárquicos devem contactar as populações do interior para fazerem um levantamento rigoroso da debilidade da rede eléctrica que se traduz em apagões frequentes e assumirem o compromisso de levar à EDP a exigência do concelho de obras de manutenção e/ou de substituição da rede eléctrica que evite os apagões.
 
Série: Eleições autárquicas de 2013 nas Caldas da Rainha (8)

domingo, 19 de maio de 2013

Donos pequenos, cães grandes

Conheço um casal da chamada "terceira idade" que tem um cão grande. Ou, melhor, conheço um cão grande que "tem" um casal da "terceira idade". O casal já teve vários exemplares da mesma raça (rafeiro alentejano) mas era mais novo.
Agora, o cão obedece quando quer e parece ter condições físicas para levar o dono a voar atrás dele se puxar pela trela.
Em termos práticos são pessoas de tamanho M que têm um cão ainda jovem de tamanho XL que, ao crescer, se transformará num cão XXL. Serão compatíveis? Se se deixarem dominar pelo cão, talvez possam viver todos em paz.
Um amigo meu, alto e forte, quis ter um serra-da-Estrela. Dominava-o, levava-o à noite para casa, mostrava-se satisfeito com o cão e com as suas dimensões. "Era mesmo um cão", dizia. Quando adoeceu gravemente, deixou de poder tratar do cão. O resultado foi trágico.
Tenho espaço em casa e fora dela para ter um cão XL ou mesmo XXL.
E sei que, grandes ou pequenos, o treino de obediência e a aplicação de alguns princípios básicos fazem maravilhas no relacionamento com os cães. Mas não tenho um sofá onde possam instalar-se uma ou duas pessoas e um cão grande. Não tenho carro para transportar adequadamente um cão grande. E também não preciso de um cão grande para me sentir seguro. 
Além disso, quero poder ter a certeza de que serei capaz, numa negociação mais difícil com o meu cão que implique a sua deslocação de um ponto para outro, de pegar nele e deslocá-lo eu. (Esta é mais uma das vantagens dos maravilhosos "cockers".)
Por isso, tendo sido considerada a certa altura a inclusão de um cão XL na família, não foi essa a decisão tomada.
Julgo que o problema da dimensão é um dos muitos que envenenam o relacionamento dos cães com os seres humanos que querem ter um cão, e que depois não sabem o que lhe hão-de fazer.
Em pequenos são todos uma maravilha, parecem bonecos, talvez evoluam para bonecos de peluche quentes e relativamente autónomos. Mas depois os cães perdem a piada e as pessoas perdem toda e qualquer noção de responsabilidade que ainda pudessem ter e os resultados são muitas vezes trágicos... para os cães.
A proliferação de raças já descaracterizadas, devido aos cruzamentos descontrolados e à consanguinidade (como, segundo me dizem, já começa a ser o caso dos "labradores"), a adopção de cães muito jovens de genes misturados que não se conhecem para viverem em casas citadinas exíguas e a proliferação de cães bebés transformados em objectos de consumo nas "pet shops" dos centros comerciais são outros elementos que contribuem para este problema.
E no centro de tudo estão, claro, as pessoas que, por muito bondosas que até possam ser, não fazem a mais pequena ideia das responsabilidades de serem - mais do que donas - tutoras e às vezes "pais" ou "mães" de cães com vontade própria.
O descontrolo dos donos M perante os cães XL que um dia se lembraram de arranjar, os cães "fugidos" ou "desaparecidos" de pessoas que afinal pouca atenção dão aos seus animais de estimação que na realidade pouco estimam e os abandonos premeditados, criminosos e cruéis são tudo peças de um mesmo "puzzle" que muito boa gente se revela incapaz de completar.

Caldas da Rainha: água de luxo, serviço de merda (14) ... e de lama

A destruição de uma rua que ainda tinha uns restos de alcatrão para uma obra que parece ter sido motivada pela necessidade de os Serviços Municipalizados de Caldas da Rainha mostrar que gastam nas infra-estruturas a fortuna que nos roubam com as "taxas" e os "serviços diversos" e não pela defesa da saúde pública dá nisto: lama grossa e espessa, que se pega a tudo e que nos entra em casa.
Para a Câmara das Caldas (e para a elite citadina), quem não vive na cidade pode afundar-se na lama à vontade.

 

Escarrar em quem o alimenta

"A dias da 'destruição' por uma lei incoerente...", "golpada política", "crime turístico", "triste espectáculo", "ganham alguns 'senhores' da Política" - é com estes termos, em mais um dos seus lamentáveis folhetos que alguém paga para circularem com o "Expresso", que o ainda presidente de uma coisa chamada "Turismo do Oeste", promove algumas iniciativas empresariais da Região Oeste.
É natural que quem abra o patético folheto sinta pouca vontade de vir a estas paragens depois de tropeçar no disparate. E há-de ser natural que um dia também se interroguem os que meteram dinheiro neste imprestável folheto se a coisa justifica o investimento.

sábado, 18 de maio de 2013

"Insurgente", de Veronica Roth

 "Divergente", da jovem norte-americana Veronica Roth, era interessante. E "Insurgente", o segundo andamento da sua trilogia de ficção científica para o segmento de público dos jovens adultos, é ainda melhor, esclarecendo alguns mistérios da sua trama enigmática e deixando muitas portas abertas para o que poderá seguir-se.
No centro da história está uma adolescente determinada, que adopta o nome de Tris quando opta por uma das cinco facções em que se estrutura o seu mundo, apesar de ser "divergente" e não se enquadrar em nenhuma delas. O terceiro volume deverá mostrar-nos como é realmente o mundo de Tris e a sua publicação está prevista para Outubro deste ano, nos EUA, correndo diversos rumores quanto ao título, que se mantém por anunciar ("Convergente" parece ser o mais comum).
"Divergente", o filme (possivelmente o primeiro de uma trilogia), já tem estreia marcada para 21 de Março de 2014 nos EUA e na Inglaterra e os pormenores, incluindo intérpretes e duas fotografias bem sugestivas, encontram-se aqui.
"Insurgente" foi publicado pela Porto Editora e a tradução é minha.

Comes e bebes em ambiente de alta qualidade na Foz do Arelho

A Foz do Arelho tem um novo restaurante e, pela qualidade apresentada e pela projecto que traz consigo, é de aplaudir. Valoriza a zona (não há, neste momento, oferta à altura em termos de qualidade e de ambiente) e é uma afirmação de confiança no futuro.
Com o nome de Foz.Vintage Club, situa-se numa zona estratégica de pouco trânsito (o Largo do Arraial), a caminho da praia e da Lagoa de Óbidos, tem esplanada no exterior e no primeiro andar (uma bela ideia), um espaço de restaurante e outro de salão de chá e, nesse primeiro andar, um espaço para música e, pelo ambiente, a convidar à dança.
O restaurante tem uma pequena ementa de pratos normais mas o que mais o valoriza são os petiscos, ou tapas (a denominação espanhola impôs-se), e uma boa selecção delas compõe de modo muito agradável uma refeição razoavelmente acessível e de qualidade esmerada. Há vinho servido a copo, num espaço muito bem trabalhado e com uma parede preenchida pela garrafeira. Esta, com excepção dos vinhos do Dão praticamente ausentes, é sugestiva, embora apresente preços mais elevados do que seria desejável e nem uma única garrafa abaixo do patamar simbólico dos 10€.
O Foz.Vintage Club está na internet aqui, onde ganharia em publicar também a sua ementa, pelo menos a das tapas, a lista dos vinhos disponíveis e, já agora, um mapa com a localização.
 

sexta-feira, 17 de maio de 2013

E viva a Telecão!...

Depois de duas más experiências relacionadas com a compra "on line" de alimentos para cão, fui à procura de alternativas e deparei-me com a Telecão (link aqui), a funcionar desde 1999 com sede em Rio Tinto.
Encomendei (e paguei por multibanco) na terça-feira, ontem fui avisado de que o pedido estava despachado e hoje, três dias depois, já o recebia em casa.
Recomendo!

Os Nossos Livros gostou de "Morte com Vista para o Mar"

Cátia Correia escreve sobre "Morte com Vista para o Mar" no seu blogue literário "Os Nossos Livros", numa crítica de que se reproduz um excerto:
 
(...) Gabriel que é praticamente vizinho, é convidado por Patrícia para colaborar na resolução do caso, e eis que começa uma viagem pelo mundo da corrupção e lavagem de capital em torno de projecto de um empreendimento turístico nas falésias do Atlântico, onde a construção é proibida.
Temos assim apresentado um crime económico onde o dinheiro e os interesses políticos falam mais alto e passam por cima de tudo e de todos, sejam do mesmo partido ou mesmo da oposição. Situação esta que é denunciada num blogue por alguém anónimo que se diz indignado com esta corrupção.. gostei especialmente deste aspecto, tão comum agora nos nossos dias, e que revela a alta importância dos novos meios de comunicação de massas..
Ao longo das páginas surgem-nos dúvidas, mas também pistas que nos ajudam a montar o puzzle, e gosto especialmente de livros que me façam pensar. No final o crime é resolvido e outros segredos escabrosos desmantelados, mas fica a persistir o "passado nebuloso "deste trio - Gabriel, Patrícia e Filomena.
É um livro que se lê muito bem, li-o em dois dias. (...)
 
 

O Tomate gostou de "Morte com Vista para o Mar"

Matilde São Bernardo elogia "Morte com Vista para o Mar" no e-magazine "Tomate":
 
O primeiro livro que li o mês passado e gostei muito foi “Morte com Vista para o Mar” de Pedro Garcia Rosado, editora TopSeller, 2013.
É um policial feito por um português que sabe escrever bem. Sem pretensiosismos, com uma passada correcta e coerente, e uma ampla bagagem cultural. As personagens são muito interessantes e com a densidade necessária. O enredo é rico e bem construído. Aconselho vivamente a sua leitura.
 
 

 

quinta-feira, 16 de maio de 2013

Continente: deficiências redobradas

Vou muito raramente ao exíguo supermercado Continente das Caldas da Rainha desde que me começou a desagradar o completo desinteresse dos responsáveis da loja pela ocupação dos lugares reservados para estacionamento de veículos automóveis de deficientes motores por toda a gente menos pelos deficientes.
Hoje, que lá voltei, encontrei mais um motivo de desagrado, infelizmente comum a outros supermercados dos muitos que esta cidade tem: a existência de produtos congelados queimados pelo frio e, por isso, incapazes de serem vendidos.
É assunto para a ASAE mas... que é feito dela? Talvez nem saiba que as Caldas da Rainha existem...

Já saiu o Tomate n.º 3


Já "saiu" - e ´pode ser lido aqui - o número 3 do Tomate, "a primeira revista política e cultural 100% online", com textos sobre futebol, "o fim da independências dos juízes", a comunicação social ("A imprensa é de esquerda", da minha autoria) e reflexões políticas´, culturais e filosóficas.

EDP - A Crónica das Trevas (55): iluminação "pública"

 
Sara Marques, 40 anos, vive com o coração nas mãos. Reside, com a família, numa urbanização nos Braciais, em Faro, há cerca de três meses. E luta desde então para conseguir iluminação pública na zona. "A Câmara Municipal de Faro diz que o processo está preso na EDP, mas a EDP não liga a luz", explica Sara. Entretanto, "tenho medo de chegar a casa à noite. "Estou grávida e tenho uma filha pequena. Nunca sei se está alguém à espera para nos fazer mal", desabafa.
Sara, grávida de 22 semanas, vive com a filha de oito anos e o companheiro na urbanização nos Braciais. Ao lado, tem apenas um vizinho. "Há luz em todas as urbanizações à volta, menos na minha", afirma. Por ser uma zona isolada, Sara teme pela segurança da família e vive em "medo constante". Além disso, "grávida, não tenho paz. Oiço barulho e já não consigo dormir", descreve. Com os candeeiros da rua desligados, até as tarefas domésticas são evitadas durante a noite. "Não dá para sair de casa sem lanterna", garante.
Contactada pelo CM, a EDP diz aguardar a "indicação de um qualquer comercializador, escolhido pela Câmara" de Faro. No entanto, a autarquia assegura que já fez o pedido à EDP e aguarda que a ligação elétrica seja efetuada.

quarta-feira, 15 de maio de 2013

Política de comunicação para quê?

Há quem critique o Governo por não ter uma política de comunicação. Valerá a pena tê-la - independentemente dos méritos e deméritos das suas políticas - quando o que existe é uma barragem mortífera de opiniões negativas na imprensa como raras vezes se terá visto?
Este exemplo é um dos melhores: "Veja como os cortes em carros do Estado são só para inglês ver", publicado no jornal "i" em 9 de Maio.
 
No texto, o autor
1 - sugere no título que "os cortes" anunciados pelo ministro da Economia não são sequer relevantes;
2 - prossegue, relatando que "Só em 18 empresas públicas encontram-se 72 carros para administradores. Parque automóvel vale 3 milhões e gasta 264 mil euros em gasolina";
3 - argumenta que poupar 3 milhões de euros é irrelevante porque "para pôr em perspectiva o potencial de poupança do Estado com esta medida, falamos de qualquer coisa como 0,1% do buraco criado pelos swaps nas empresas do mesmo ministro" (como se a responsabilidade fosse toda do actual ministro);
4 - assinala que "o longo [longo?!]parque automóvel apresentado por estas empresas causa alguma admiração, especialmente tratando-se de empresas na maioria dos casos altamente deficitárias";
5 - e por fim desce aos pormenores, sem no entanto indicar, por exemplo, anos de aquisição: "No top 5 dos carros mais caros na mão de gestores públicos encontram-se três ao serviço de administrações portuárias, com destaque para as duas viaturas de mais de 64 mil euros que estavam afectos a administradores do Porto deLisboa, segundo o relatório de 2011 da empresa. O primeiro lugar, contudo, é da Metro do Porto [ao lado]. As empresas analisadas foram a AICEP, a Transtejo, a Refer, a STCP, a NAV, os metros de Lisboa e Porto, a Estradas de Portugal, a CP, a Carris, os CTT, a TAP e os portos de Aveiro, Setúbal, Sines, Lisboa e Douro e Leixões".
 
Três milhões de euros a menos neste regabofe é pouco? Talvez seja. Mas eu acredito que a muitas pessoas daria jeito, pelo menos, uma percentagem dessa soma de "inglês ver". Para o autor do texto é que, no entanto, devem ser "peanuts". 

Relvas e Sócrates, dois pesos e duas medidas e a mesma falta de idoneidade

Miguel Relvas, ex-ministro do actual governo, foi durante mais de um ano criticado, perseguido pela opinião pública e publicada e até objecto de variadíssimas manifestações de protesto por haver dúvidas sobre a licenciatura obtida na Universidade Lusófona e o ministro da Educação do próprio governo de que fazia parte Miguel Relvas determinou o envio do respectivo relatório da Inspecção-Geral da Educação para o Ministério Público.
Há poucos anos, foram suscitadas numerosas dúvidas sobre a licenciatura obtida pelo então primeiro-ministro José Sócrates na Universidade Independente (mandada fechar pelo governo do próprio Sócrates).
Há cerca de um mês, o ex-vice-reitor da Universidade Independente, Rui Verde, pediu ao Ministério Público a nulidade da licenciatura que teria sido atribuída ao ex-primeiro-ministro (em circunstâncias que pormenorizou em livro e aqui), comparando esse caso com o de Miguel Relvas.
Apesar das notícias publicadas (como aqui, por exemplo), predomina um estranho silêncio de chumbo. As mesmas pessoas que arrepelaram os cabelos, rasgaram as vestes e chamaram tudo e mais um par de botas ao ex-ministro mantêm agora o silêncio em versão de dois pesos e duas medidas. O que, aliás, também lança fundadas dúvidas sobre a sua idoneidade intelectual, política e moral…

Os donos sabem lidar com os seus cães? "Cão Feliz, Dono Feliz" ajuda

Julgo que, na maior parte dos casos, as pessoas que têm cães não sabem como lidar com eles. E isso, infelizmente, não é nada de extraordinário.
Estamos a falar de outros seres vivos, com inteligência própria e uma relação muito especial com o mundo e connosco e que, dependendo em muito de como nós os tratamos e/ou lidamos com eles, assim se relacionam connosco.
Aliás, a experiência que tenho tido nos últimos anos também me tem mostrado como não fui capaz, em certas circunstâncias, de lidar adequadamente com cães que faziam parte da família.
E é interessante observar também o que se passa à nossa volta, recolhendo experiências directamente de uma actividade de treino canino (neste caso através da Casa do Niko, aqui das Caldas da Rainha) e vendo também como agem, interagem e se portam (e muitas vezes asneiram) os donos de muitos cães que só me fazem pensar que não foi por uma questão de convívio e/ou de companhia que arranjaram um cão.
Se a experiência, a prática e a observação são essenciais, também há livros que apresentam, com maior ou menor profundidade, noções essenciais daquilo que é necessário e conveniente fazer para cães e donos conviverem com alguma felicidade mútua (e sim, penso que os cães também têm as suas próprias versões e noções de "felicidade" e de "infelicidade").
"Cão Feliz, Dono Feliz", de Karen Wild (Booksmile) é, nesta perspectiva, um livro essencial. Em menos de 100 páginas, e escrito com rigor e conhecimento, ajuda a perceber o que querem os nossos cães e quais são as sete características fundamentais que podem levar alguém a ser um dono perfeito... ou quase.
Para os que pensam que sabem tudo sobre os cães, "Cão Feliz, Dono Feliz" serve para confirmar que andam a proceder bem e ajuda a lembrar alguma coisa que tenha ficado esquecida. Para os outros... bem, é uma leitura no mínimo obrigatória.

segunda-feira, 13 de maio de 2013

Dead-fucking-wood!

Já tinha considerado a hipótese de ver "Deadwood" (a série criada por David Milch, de "A Balada de Hill Street", para a HBO em 2004) mas guardei sempre algumas reservas: passada em 1876, na época da "conquista do Oeste", pareceu-me vagamente que não passaria de um "western" televisivo de reduzido interesse. Mas a falta de outras séries e algumas recomendações convenceram-me e vi "Deadwood".
E percebi, agora que cheguei ao fim, que esta série, estupidamente cancelada como "Roma" pela agora tão inovadora HBO, é, em tudo, uma das mais espantosas criações televisivas que vi.
É uma crónica do começo dos novos tempos da democracia na América, um mosaico de personagens inesquecíveis e tão complexas como o são as pessoas da vida real, com várias histórias encadeadas e todas elas contadas com o tempo que só a televisão concede.
Em três temporadas de 36 episódios, num total de 1820 minutos, vê-se sem uma quebra de ritmo e deixa para a posteridade uma personagem única e não apenas pela profusão de "fucking" com que anima os seus discursos de uma riqueza quase literária: Albert Swearengen (numa interpretação admirável de Ian McShane) é um "mau" contraditório, letrado, capaz de compaixão mas também de uma cobardia revoltante, que acaba por ser o autor da evolução política, social e económica que transforma a comunidade mineira informal em futura cidade.

Al Swearengen (Ian McShane), o campeão dos "fucking" televisivos
 
Mas "Deadwood" acabou de repente ao fim da terceira temporada sem que as várias histórias chegassem ao fim.
A quebra de audiências (e os extraordinários diálogos devem ter afastado muitos espectadores) terá ditado o seu fim e David Milch não aceitou um simples prolongamento para acabar o que ficara a meio. Ficou assim uma obra de certo modo incompleta mas, de qualquer forma, magistral.
Sobre o seu fim abrupto, que não permitiu nem o castigo do pior "mau" de todos (o magnata George Hearst) nem a redenção do acto de cobardia de Swearengen, só se pode dizer uma coisa verdadeiramente adequada: "Fuck!"

O fim dos videoclubes e as suas causas

 
"Em meados da década passada, havia 1800 videoclubes. Em 2010, eram 3400. Até ao final de 2013, metade dos 100 que ainda resistem acabará provavelmente por fechar" - estes dados são de uma notícia de ontem ("O filme dos videoclubes não tem um final feliz") e revelam uma realidade a que pouca atenção se tem dado.
A frieza dos números esconde, no entanto, as causas principais da situação e, entre elas e bem à vista, estão estas:
 
- o aumento da capacidade de "download" e a incapacidade nacional de controlar os seus conteúdos (sendo que há "downloads" ilegais e outros perfeitamente legais);
- o desinteresse das maiores empresas distribuidoras e exibidoras de cinema pelo "home cinema", que chegam a ver como rival quando são elas que vendem os produtos tanto para a exibição em sala como para o vídeo;
- o preço excessivo imposto aos videoclubes, a quem foi impedida a venda directa em alternativa ao aluguer;
- a idiotice das campanhas terroristas da Fevip (que nunca serviu para nada) e da Inspecção-Geral das Actividades Culturais, que foram um fracasso absoluto;
- a falta de promoção e de esclarecimento sobre as cópias legais, por, em princípio, corresponderem integralmente à obra original (no caso do cinema e da TV) e por serem a única maneira de os direitos de autor serem pagos aos seus criadores e não desviados para fins obscuros;
- a banalização da oferta de filmes em DVD pela imprensa escrita (tudo é um êxito...) a partir da necessidade das distribuidoras se escoarem os seus "stocks" a preços de saldo.
 
Ou seja: nada que não pudesse ter sido evitado.

O mistério dos sindicatos... e da imprensa

"Tema para uma reportagem que nunca vi" - é deste modo que Eduardo Cintra Torres, observador atento dos fenómenos da televisão e da informação, titula uma nota pequena mas de grande alcance no "Correio da Manhã TV", da passada sexta-feira, dia 10:
"Já vi muitas reportagens sobre empresas mas nunca sobre a vida sindical: quem salários aos dirigentes? O Estado? Nós? Bancos? Porquê? Porque não os associados? Há ajudas de custo? fazem os sindicatos investimentos? Imobiliários? Porquê? Quem beneficia?"
O novo patrão da UGT já fez saber que se avistou logo no início com Ricardo Salgado, o patrão do BES, que garantiu o pagamento do seu salário como empregado bancário enquanto estivesse aos comandos da central sindical.
Mas falta muito mais, claro. E muitos mais...

domingo, 12 de maio de 2013

A "Gazeta" não é "das Caldas" mas... "da Cidade"

... como se pode ver na página 6 da edição desta semana da "Gazeta [da cidade] das Caldas" (aqui) que, numa reportagem de texto e de 10 fotografias, ilustra "O desleixo numa cidade que se diz turística em vésperas do 15 de Maio", que é o feriado local.
É pena que a "Gazeta", tão atenta, não saia mais da cidade e veja para lá das suas muralhas que o desleixo, a porcaria e o desinteresse dos poderes autárquicos não são características da cidade mas de todo o concelho de Caldas da Rainha.
Infelizmente, tal como a elite citadina (que tem horror ao interior rural e ao litoral), a "Gazeta" também se deixa escorregar e com grande frequência para este absurdo provincianismo de quem não conhece mais do que a sua rua.

sábado, 11 de maio de 2013

Porque não gosto dos CTT (54)

Entre as greves de luxo e uma gestão que não visa a satisfação dos clientes, nós é que vamos ficando sempre mal, em mais uma aplicação do velho princípio de que quando o mar bate na rocha quem se lixa é o mexilhão... 

quinta-feira, 9 de maio de 2013

A legendagem na televisão: suspeita de cartelização, Dialectus e Impresa

A notícia (Investigado cartel na legendagem) é interessante e os comentários ainda mais:
 
A Autoridade da Concorrência (AdC) está a analisar um caso de possível cartelização e de concorrência desleal no setor da tradução e legendagem.
O processo nasceu de uma denúncia apresentada em fevereiro, revela ao CM Miguel Gorjão Henriques, advogado da Dialectus, empresa que "tem colaborado com a AdC, procurando fornecer todos os elementos, para que esta possa cumprir as suas funções e assegurar o restabelecimento da concorrência no mercado português".
A Dialectus considera que foi alvo de um boicote comercial organizado por empresas concorrentes. Contudo, questionado sobre quem é acusado de estar envolvido neste processo, Miguel Gorjão Henriques diz apenas que são "empresas, quer enquanto pessoas coletivas, quer enquanto profissionais liberais, que atuam no mercado da tradução e legendagem". O advogado diz ainda que a Dialectus quer que a investigação da AdC reponha a "liberdade de concorrência, o fim das práticas ilegais e um mercado competitivo, mas com base nos méritos e não em cartéis".
A Impresa, de Francisco Pinto Balsemão, comprou 90% da Dialectus em outubro de 2007 por 500 mil euros, tendo vendido essa participação em março de 2009 por 540 mil euros.
Na altura, as duas empresas estabeleceram um contrato de exclusividade por um período mínimo de três anos (até 2012).
 
 

Caldas da Rainha: água de luxo, serviço de merda (13) ... e um empreiteiro privativo

A lama (graças à chuva miudinha que tem caído de manhã) e a poeira (quando não chove) pouco importam para quem está longe.
As obras (de que aqui falámos) ficaram interrompidas... porque o empreiteiro foi "deslocado" (informação dos Serviços Municipalizados) para outra obra, porque este é o empreiteiro "que trabalha com a Câmara". (O que é estranho, no entanto, porque estas obras foram objecto de concurso público.)
Como isto é o interior e não a cidade e as pessoas quase não protestam - devo ser o único... -, as obras que visam substituir a canalização da água, completamente podre e de duvidosa salubridade, podem esperar.
E quer essa gente o nosso voto...

quarta-feira, 8 de maio de 2013

As eleições autárquicas de 2013 nas Caldas da Rainha (7): entre o pântano e a expectativa

As eleições autárquicas nas Caldas da Rainha ganharam hoje outra dimensão com a divulgação de que há uma candidata independente à Câmara Municipal e do que se propõe fazer o candidato do PSD (notícias desenvolvidas no "Jornal das Caldas", sem link).
O que se podia esperar da candidatura de Tinta Ferreira, o engravatado lugar-tenente do presidente cessante, está todo na notícia e é deprimente. Apesar do cargo de vice-presidente que teve na Câmara, e que se calhar ainda tem, Tinta Ferreira inventaria as mesmas coisas que um qualquer candidato externo da oposição seria capaz de brandir para ganhar votos.
São promessas de quem teve oportunidade de fazer as coisas e não fez, com meia-dúzia de fogachos (um "espelho de água" em Salir do Porto, "desportos náuticos" na Foz do Arelho, "turismo sénior", a "marca 'Caldas'") e piscadelas de olho inspiradas no que vai lendo nos jornais (apanha de bivalves na Lagoa de Óbidos e codornizes no Landal). A realidade (dos preços de luxo da água aos "apagões" da EDP) não tem nada a ver com ele e, parece, com o PSD local de Fernando Costa, que troca as Caldas da Rainha por Loures. Se ganhar - e com o meu voto não conta -, o que irá acontecer será mais pantanoso do que o catastrófico futuro da Lagoa de Óbidos, a cujo assoreamento a Câmara não tem prestado a devida atenção mas que agora, como dá jeito, já figura nas intenções eleitorais de Tinta Ferreira.
A ideia de ter este candidato como presidente da Câmara é realmente assustadora.
Felizmente pode haver uma alternativa e a notícia da candidatura independente de Teresa Serrenho suscita alguma expectativa, depois do que parece ter sido o feliz fracasso de uma tentativa de entendimento entre uma parte dos independentes e o Bloco de Esquerda.
Perante as presumíveis candidaturas "turísticas" do PS, do PCP e do BE e a desinteressante e desinspirada candidatura do PSD de Tinta Ferreira, a candidatura dos independentes pode ser a melhor alternativa, se conseguir fazer um programa que atenda às dificuldades e às potencialidades de todo o concelho, da cidade e das freguesias não urbanas.
Depois de ter escrito isto, espero poder mudar de opinião e encontrar bons motivos, além do perfil da candidata à Câmara Municipal, para votar na candidatura de Teresa Serrenho.

Porque não gosto dos CTT (53)

 
Hoje, além de um jornal regional, de um catálogo e de um carta de que não se consegue verificar a data de expedição, entraram-me na caixa do correio nove (9) cartas, expedidas nos seguintes dias, nenhuma delas correio azul ou registado:
 
- 1 expedida no dia 16 de Abril (demorou 14 dias úteis a chegar);
- 1 expedida no dia 17 de Abril, com indicação de um débito directo cobrado no dia 5 de Maio (demorou 14 dias úteis a chegar);
- 1 expedida no dia 29 de Abril (demorou 5 dias úteis a chegar);
- 4 expedidas no dia 30 de Abril (demoraram 4 dias úteis a chegar);
- 1 expedida no dia 6 de Abril (demorou 2 dias úteis a chegar).
 
Quer alguém tirar conclusões?

Caldas da Rainha: água de luxo, serviço de merda (12)

Há precisamente um mês começaram as obras na rua onde moro para a substituição da apodrecida canalização subterrânea de água.
As obras estão - segundo o plano dos Serviços Municipalizados de Caldas da Rainha - a meio. E encontram-se paradas. Desde a semana passada que parou tudo.
 
 
A rua, que só em parte estava alcatroada mas cheia de remendos devido às sucessivas rupturas, é hoje uma estrada de terra batida, com pedras soltas e poeira encarniçada oriunda de uma mistura de terras e de pedras que os artistas da obra resolveram pôr por cima dos buracos que iam abrindo.
Se chovesse era um lamaçal. Como não chove, é a poeira que anda no ar e que cobre tudo.
No concelho de Caldas da Rainha paga-se a água (e as variadíssimas taxas que engordam a factura mensal) a preço de luxo perante a indiferença dos políticos locais. E o serviço que em troca nos é prestado é uma merda. Nem há que ter medo das palavras...

O leilão da Deco e o prémio imerecido da Endesa

A Deco teve mais uma boa iniciativa com o leilão dos preços da electricidade e, apesar da jogada arrogante de maus perdedores da EDP e da Galp, é favorável que tenha ficado garantido um desconto de 5 por cento para os consumidores aderentes.
O que já não é nada favorável é que tenha calhado o prémio à Endesa dos clientes que, neste mercado desregulado e desequilibrado (em que uma única empresa, a EDP, é dona e senhora das infraestruturas, com os péssimos resultados que se notam), faz apenas figura de intermediário... trapalhão.
Sou cliente da Endesa e estou cansado de facturas que "llegan cuando llegan", de justificações que não "llegan" mesmo e de suspensões manhosas do débito directo e transferência para os pagamentos multibanco sem aviso (talvez na expectativa de o cliente se esquecer de pagar...).
Espero que a negociação com a Deco possa acrescentar algum respeito pelos consumidores ao desconto no preço.

segunda-feira, 6 de maio de 2013

As termas, a cidadania e uma visão de conjunto

António Eloy tem razão ("Cidadania a precisar de termas", na "Gazeta das Caldas"), ao ligar a defesa de Caldas da Rainha como cidade termal a uma nova cidadania que transcenda as actuais forças partidárias, mas tenho como importante (até por viver fora da cidade) que é imprescindível encarar Caldas da Rainha como um concelho completo com um potencial turístico enorme, do oceano e das praias ao interior rural, e não apenas como uma cidade com termas. 

domingo, 5 de maio de 2013

Um intervalo nos Queridos

Eu gostava do restaurante Os Queridos (na Tornada). Têm uma boa meia-dúzia de pratos que nunca falham e um serviço atento.
E tinham uma boa garrafeira. A lista dos vinhos era pujante, com preços muito convidativos (e servidos sempre com correcção) e numa das salas até se encontravam mais que não constavam da lista e a oferta permitia fazer boas descobertas. E até há pouco tempo apresentavam um "vinho da semana", com bons critérios de selecção.
Só que isso acabou. A lista de vinhos ficou reduzida a duas ou três páginas com uma selecção chocantemente medíocre. Nela já não há nada que distinga este restaurante no que toca aos vinhos. Os preços das garrafas aumentaram. Não muito mas significativamente. E a ausência de vinho tinto a jarro (normalmente uma boa opção quando os preços das garrafas têm tendência para chegar a níveis obscenos ou a selecção é banal) prejudica quem não dispensa vinho à refeição.
Um dia hei-de voltar a Os Queridos na esperança de que a situação se tenha alterado.

EDP - A Crónica das Trevas (54): apagões em série

O primeiro foi às 4h43. O segundo foi logo a seguir. Às 6h35 repetiu-se a brincadeira.
Agora é quase todos os dias assim. Sem explicações, sem justificações.
Ainda houve um tempo em que a EDP se desculpava com as condições atmosféricas...
 

sábado, 4 de maio de 2013

Caldas da Rainha: água de luxo, serviço de merda (11)

No distrito de Leiria, o concelho de Caldas da Rainha é o quinto concelho com a água (e as taxas associadas que só beneficiam os Serviços Municipalizados) com a água mais cara.
Antes estão Alcobaça (o mais careiro de todos), Nazaré, Peniche e Leiria.
Mas abaixo de Caldas da Rainha estão os concelhos da Batalha, de Pedrógão Grande, Alvaiázere, Castanheira de Pêra e Marinha Grande. 
O consumo mensal de dez metros cúbicos de água custa 27,68€ em Alcobaça, 20,15€ em Caldas da Rainha e 15,62€ na Marinha Grande.
Estes elementos constam de um trabalho publicado pelo jornal "Público", com os pormenores por concelho (este link refere-se ao distrito de Leiria) e com um texto desenvolvido aqui.
É possível que estes custos até fiquem longe do custo real (é o grande argumento dos municípios, de quem os governa e da generalidade das oposições, que no caso dos preços da água pouco se opõem) mas a questão também se prende com aquilo que recebemos em troca do que pagamos.
E, como sempre tenho escrito sem que ninguém o refute, nas Caldas da Rainha há infraestruturas podres e rupturas de rede com muita água desperdiçada e a salubridade da que circula nas condutas apodrecidas não é garantida por ninguém.
Depois, às vezes, há obras mas, como acontece na rua onde moro de uma povoação rural do concelho de Caldas da Rainha, essas obras ficam paradas, o que temos é lama se chove e poeira no tempo seco... e a água continua a circular na canalização que está podre e não na nova, cuja instalação ficou a meio.
Portanto, nós pagamos mais pela água e pelo resto que entra na factura. Mas para quê?!


"The Racketeer", de John Grisham

"The Racketeer", o mais recente romance de John Grisham, é um livro quase fascinante.
Malcolm Bannister, um advogado a cumprir uma pena de prisão por inadvertidamente ter sido apanhado numa rede de lavagem de dinheiro, troca a prisão pelo apoio que dá ao FBI para apanhar o homem que assassinou um juiz e a sua namorada depois de ter roubado o conteúdo do cofre do magistrado.
Bannister tem direito a ser abrangido pelo programa de protecção de testemunhas, o cadastrado agora acusado pelo homicídio sabe da sua existência e Bannister, com outra identidade e uma cara nova, começa a fugir ao perigo. Ou a desenvolver o plano que inicialmente concebera?
John Grisham constrói, como mandam as regras, um "thriller" com surpresas mas, a certa altura, distrai-nos sem que tivesse havido o mais pequeno aviso.
Se o leitor se impacientar com a alteração súbita do rumo da história, está tudo perdido. Mas se confiar por inteiro no autor lucrará com a reviravolta final. Eu, confesso, adiantei-me para ir perceber, algumas páginas mais à frente, de que estávamos exactamente a falar. E recomendo: é quase fascinante.