terça-feira, 31 de dezembro de 2013

Chuva, 1 - incompetência, 0

Caleiras que a chuva (mal comportada...) não respeita e que foram assentes num terreno obviamente instável, uma encosta escavada à balda, 440 mil euros do erário público gastos ou a gastar numa "repavimentação" remendona, duas empresas que não acertam uma, uma câmara municipal incompetente, acidentes à espera de acontecerem (carros ou pessoas a escorregarem nas pedras soltas)... E o folhetim não acaba.
 
Hoje às oito horas, e quando já chovia menos, era assim:
 





Porque não gosto dos CTT (65): a irrelevância da imprensa regional

Depois de uma semana sem correio ("serviço público" + "tolerâncias de ponto" + greve em cima do fim-de-semana) recebi ontem os dois jornais regionais (de Caldas da Rainha, concelho onde moro), da semana passada, de que sou assinante.
Um (o "Jornal das Caldas") devia tê-lo recebido na passada quarta-feira (25 de Dezembro) e o outro (a "Gazeta das Caldas") devia ter chegado na sexta-feira (dia 27, uma greve estrategicamente marcada entre uma "tolerância de ponto" e o fim-de-semana).
Nunca gostei de ver jornais atrasados e ontem não foi excepção.
Os jornais regionais envelhecem depressa, as suas notícias perdem relevância, sobressaem os títulos sem desenvolvimento, notam-se as fotografias repetidas, encontra-se aquilo que já se foi percebendo pelo Facebook. Horas depois de os folhear já pouco recordo de interessante.
Como assinante (um ano custa-me pouco mais do que 20 euros, salvo erro) eles aparecem-me na caixa do correio (embora nem sempre).
Vê-los torna-se um problema de disponibilidade. Não é o jornal que ainda não existe "on line" e que vou comprar e me sinto em geral obrigado pelo menos a folhear. Mas é sempre nestas ocasiões que me interrogo sobre a manutenção da assinatura: de que me serve estar a gastar 40 euros por ano para ler jornais desta maneira?
Tenho as assinaturas pagas até Agosto. Se não as renovar ainda os recebo, de certeza, por algum tempo. E, comprados à unidade, saem-me mais caros. Mas vale a pena manter isto quando tenho muito mais para ler e muito menos tempo?
A questão, aparentemente, não preocupa quem faz, quem dirige e quem é proprietário dos jornais.
Haverá sempre assinantes, haverá sempre quem os leia dias depois, na semana seguinte, quando calhar. Mas essas pessoas desaparecem, desinteressam-se, deixam de ser assinantes.
Além de tudo o resto (conteúdos irrelevantes, opinião a mais, incapacidade de sair da cidade que é sede do concelho, a publicidade a diminuir e a circulação da informação "on line" a aumentar), este "serviço público" da empresa CTT só reforça a irrelevância da imprensa regional.
Tenho pena, depois de ter sido jornalista durante mais de vinte anos, de que os próprios não o percebam. Mas, de qualquer modo, isso é lá com eles. Para mim, poupar 40 euros é bom.  

O "novo" Código da Estrada não é bom para os ciclistas...



... porque ainda não os deixa andar nas autoestradas.

segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

De como o material tem sempre razão... e a incompetência nunca a tem


E ainda há mais terra para cair...

O solo é argiloso e tem rochas bem firmes quando menos se espera.
E o resultado de obras (designação que, de certa forma, pressupõe uma intervenção bem pensada e adequada às circunstâncias para ser possível alcançar o seu objectivo e que por isso será errado aplicar neste caso) como as que se arrastam, e desnecessariamente, há oito meses nesta rua da Serra do Bouro, em Caldas da Rainha, está à vista... porque a especificidade do terreno não foi considerada.
Ao montar estas caleiras, talvez adequadas a uma via plana mas não a uma via com diversos acidentes topográficos, a empresa Cimalha (que ganhou 440 mil euros para fazer isto e logo se verá mais o quê) raspou a base desta colina miniatura.
A chuva e o sol desagregaram a terra argilosa.
A terra começou a cair.
E fica, naturalmente, na caleira.
Se a chuva for mais forte, a terra será empurrada até ao escoadouro mais próximo onde, como se verifica noutros locais, fica tudo entupido, impedindo a passagem da água.
Se não for, a terra vai ficando por aqui, aumentando o entupimento.
Em qualquer dos casos, tudo isto continua a parecer um pouco estranho.
Mas é o retrato da desgraçada incompetência de uma câmara municipal que, muito obviamente, se está completamente nas tintas para os interesses da população.

domingo, 29 de dezembro de 2013

Gostei de "A Gaiola Dourada"... e sei que parece mal

 
Gostei de "A Gaiola Dourada", da articulação hábil entre a comédia (e em vários registos, de situações e de personagens e de interpretações, de Rita Blanco a Maria Vieira) e o melodrama, da história (simples e bem contada), do sentido impecável de "timing" do seu realizador, Ruben Alves.
O filme foi um êxito de bilheteira e ainda bem. Até porque aponta um caminho ao cinema português: ir sem problemas, e inteligentemente, ao encontro do público, procurar co-produções (para garantir outros mercados), voltar costas à desgraçada dependência dos subsídios estatais para tudo (do experimentalismo à arte e ensaio, passando pelo assim-assim) e aos padrões de gosto da elite intelectual dominante.
"A Gaiola Dourada" tem pontos de contacto com o cinema de Pedro Almodovar (que à comédia e ao melodrama associou todos os fantasmas sexuais espanhóis) e isso não lhe fica mal. O terreno cultural e social não é muito diferente.
Parece mal, no entanto, gostar de "A Gaiola Dourada".
Ontem mesmo, um representante da secção professoral da crítica de cinema lisboeta rematava um seu escrito, em que rasgava as vestes pelo facto de "o financiamento público do cinema português ter ficado pelas ruas da amargura" este ano, com uma observação razoavelmente depreciativa para os 750 mil espectadores que compraram bilhetes para ir às salas de cinema ver "A Gaiola Dourada": "Nada contra o trabalho e ambição do filme mas... se é disto que o Zé Povinho gosta!..."
Pela minha parte, apesar de nem me importar de ser "Zé Povinho" (até porque resido no concelho de Caldas da Rainha...), respondo ao distinto docente com um manguito apropriado e fico à espera de mais filmes assim, saudando o realizador e a sua óbvia coragem.

Joaquim de Almeida e Rita Blanco em "A Gaiola Dourada"
(imagem retirada de http://www.agaioladourada.pt/index.html)

 


sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

Porque não gosto dos CTT (64): o "serviço público" tipo Arménio Carlos

Na segunda e na terça-feira desta semana não houve distribuição de correio. Esteve mau tempo.
Anteontem foi Dia de Natal.
Ontem, quinta-feira, foi dia de "tolerância de pontos" para os oprimidos e explorados da empresa CTT.
Hoje é dia de greve.
Amanhã e depois são dias de fim-de-semana.
Para esta gente que enche a boca (e em muitos casos os bolsos) com o "serviço público", o público todo que servem não merece mais do que isto.
É o "serviço público" de que eles gostam e que anima agora o sempre excitado Arménio Carlos, à falta de melhor para aparecer na televisão, a apoiar abertamente a greve da Câmara Municipal de Lisboa que deixa a capital cheia de lixo.

A "repavimentação" dos 844 mil euros do negócio Caldas da Rainha - Cimalha: mais pormenores

Sem que a Câmara Municipal de Caldas da Rainha tenha desmentido esta informação (a de que a empresa Cimalha - Construções da Batalha SA ganhou há cinco meses dois contratos de "repavimentação" no valor de 844 mil euros sem que haja resultados visíveis), eis mais algumas informações interessantes:
 
- Foi o vereador Hugo Oliveira, por delegação de competências do presidente de exercício, Tinta Ferreira, quem assinou os dois contratos, decorrentes de concursos públicos.
 
- O primeiro contrato (012/2013) data de 18 de Junho de 2013 e refere-se à "Repavimentação de Vias na Zona Nascente/2013 (Santa Catarina, Carvalhal Benfeito e Salir de Matos)", tendo o valor de 404 804,93 euros.
 
- O segundo (015/2013) data de 24 de Julho de 2013 e refere-se à "Repavimentação de Vias na Zona Poente/2013 (Salir do Porto, Serra do Bouro, Tornada, Nadadouro e Foz do Arelho)", tendo o valor de 439 130,27 euros.
 
- Pela Cimalha, empresa adjudicatária, assinaram António Augusto Silva Jordão e César Augusto Pereira da Silva Jordão, ambos de Leiria e administradores da Cimalha.
 
- As condições de pagamento estipulam que a verba total é paga por prestações mensais, com início sessenta (60) dias após a apresentação da primeira factura. Seria interessante saber-se se os pagamentos já estão a ser efectuados e qual o conteúdo da(s) respectiva(s) factura(s)
 
- O prazo estabelecido para cada uma das empreitadas é de 270 dias (9 meses), o que parece um prazo estranhamente longo demais quando se considera o interesse público da obra. De qualquer modo, já passaram 180 dias (6 meses) sobre o primeiro e 150 dias (5 meses) sobre o segundo e, no caso da Serra do Bouro, o que se vê são remendos de alcatrão e caleiras obviamente desadequadas.
 
 
Um mês depois...
 
 
 

quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

O Natal triste de Mário Nogueira

O califa sindical dos professores deve ter passado um Natal triste e angustiado.
Os transportes público de Lisboa estão mais uma vez em greve, a cidade ficou ainda mais cheia de lixo do que já é habitual devido a uma greve na Câmara Municipal, a empresa CTT parada durante praticamente a semana toda pelas combinações do costume, e Mário Nogueira não consegue arranjar uma única greve ou manifestação de professores nesta altura. Que maçada...

quarta-feira, 25 de dezembro de 2013

Coisas tecnicamente impecáveis...

 
As caleiras entupidas do negócio da Cimalha com a Câmara Municipal de Caldas da Rainha...





 
404 804,93 euros não dão para fazer melhor? 

EDP - A Crónica das Trevas (63): coisas estranhas num Natal de escuridão

Ontem, um dos monopólios que governam a nossa vida (e que os anti-monopolistas preferem ignorar porque lhes dão jeito as quotizações), a EDP, resolveu oferecer um Natal de trevas a, pelo menos, uma região do concelho de Caldas da Rainha.
A electricidade começou a desaparecer ainda de madrugada, houve vários apagões durante o dia durante mais de duas horas, desde antes das 18 horas até depois das 20, não houve luz.
Os apagões do dia não coincidiram com os períodos de mais chuva ou mais vento. E quando a luz desapareceu, à noite, não estava sequer a chover nem havia vento.
A primeira informação que foi possível obter dizia respeito a uma avaria num posto de transformação. A partir daí, outros contactos para a EDP depararam-se com uma escuridão também informativa.
O mais curioso disto é que, ao longe, à distância de dez ou doze quilómetros, havia luz na cidade de Caldas da Rainha. Mas, nesta região, o negrume era total.
Por outro lado, tem havido vários apagões, recentemente, depois do anoitecer.
Como a EDP nunca fornece explicações (plausíveis) para estas ocorrências pouco dignas da Europa do século XXI, talvez para não ter de admitir as debilidades (e que são legião) do seu serviço, há que concluir uma coisa muito simples - a rede de fornecimento de electricidade não está a suportar o uso que dela faz uma população que até nem é muito vasta porque, apesar de alguns investimentos apregoados, as infraestruturas continuam a ser ineficazes e insuficientes ou as duas coisas.
Não me importaria de estar enganado, para saber o que realmente se passa.
Nem, já agora, de pagar menos do que pago (eu e toda a gente, claro) por um serviço tão reles... e tão caro.

A "nova dinâmica" obra isto: tretas

A "reposição total" do pavimento nesta ex-rua da Serra do Bouro foi prometida pela Câmara Municipal de Caldas da Rainha em 22 de Junho de 2013.
A empresa Cimalha - Construções da Batalha SA celebrou um contrato com a mesma câmara em 23 de Julho de 2013 o encargo da "Repavimentação de Vias na Zona Poente/2013 (Salir do Porto, Serra do Bouro, Tornada, Nadadouro e Foz do Arelho)" pelo valor de 439 130,27 euros. Com mais outra empreitada, ganhou 844 mil euros nos negócios com a Câmara Municipal de Caldas da Rainha).
Nas últimas duas semanas, a Cimalha pôs alguns remendos de alcatrão em algumas zonas da via. Noutras zonas não. Depois da chuva de ontem, o resultado, no trajecto mais íngreme desta via de apenas 1100 metros, é este:
 
 
Uma "reposição total" de pavimentos que custa 404 804,93 euros
 

Entretanto, durante mais de um mês, a mesma Cimalha andou a pôr caleiras ao longo da via. Sem pressas, claro. E, pelos vistos, sem perceber o problema da inclinação do piso e a força que a água ganha ao deslizar... de cima para baixo (uma simples lei da natureza que a câmara caldense que apresentou nas eleições o "slogan" da "nova dinâmica" tem óbvia dificuldade em compreender).
O resultado ficou bem à vista. E nem choveu com muita força.
 
 



Obras bem feitas e adequadas ao traçado da via - por 404 804,93 euros pode-se pedir mais?...
 
 

terça-feira, 24 de dezembro de 2013

Caldas da Rainha deu 844 mil euros há 5 meses para obras que não se vêem

A empresa Cimalha - Construções da Batalha, SA, ganhou em Julho deste ano dois contratos com a Câmara Municipal de Caldas da Rainha no valor total de quase 844 mil euros (mais precisamente 843 935, 10 euros) para obras que, cinco meses depois, não se vêem.
Esta empresa, recordista de 36 ajustes directos de câmaras municipais, recebeu em 23 de Julho de 2013 o encargo da "Repavimentação de Vias na Zona Nascente/2013 (Santa Catarina, Carvalhal Benfeito e Salir de Matos)" pelo valor de 404 804,93 euros.
E depois, em 30 de Julho, o encargo da "Repavimentação de Vias na Zona Poente/2013 (Salir do Porto, Serra do Bouro, Tornada, Nadadouro e Foz do Arelho)" pelo valor de 439 130,27 euros.
Só que, até esta data, passados cinco meses, a Cimalha - Construções da Batalha, SA, nada fez.
Ou melhor: numa rua praticamente destruída e com zonas muito íngremes da Serra do Bouro, a que me tenho referido em pormenor, tem estado a fazer caleiras que não parecem adaptadas ao terreno e, agora, a colocar postas de alcatrão em alguns locais, numa manta de remendos. Isto durante mais de um mês.
No que se refere à "Zona Nascente" não verifiquei a inexistência de obras mas uma fonte minha já me disse que aí também não se notam obras de "repavimentação". Fica a dúvida.
Em 22 de Junho, depois de dois meses a substituir uma conduta de água em 1100 metros dessa rua da Serra do Bouro, a Câmara Municipal de Caldas da Rainha prometeu obras de repavimentação até ao "final do verão"... de 2013. Poderia, provavelmente, estar a referir-se a esta empreitada de 30 de Julho.
Mas o certo é que, na "Zona Poente", não se vêem obras.
A câmara mentiu ou foi enganada.
Em qualquer dos casos é estranho. Porque o que se verifica é que, durante cinco meses, a Câmara Municipal de Caldas da Rainha não quis saber (e naturalmente continuará a não querer saber...) porque é que a empresa contratada (que até já poderá ter recebido pelo menos parte dos 844 mil euros) não faz as obras previstas.
Nessa altura, o actual presidente da câmara, Tinta Ferreira, era presidente por sucessão e o actual vice-presidente, Hugo Oliveira, era vereador com o pelouro das obras públicas.
Já dirigi algumas perguntas sobre esta matéria à Câmara Municipal mas ainda não tive resposta.
 
*
 
As informações sobre as contratações e aquisições de bens e de serviços diversos e de empreitadas decididas pela Câmara Municipal de Caldas da Rainha encontram-se aqui, no portal oficial dos contratos públicos. São segredos escondidos com rabos de fora...
 
 
439 130,27 euros para "repavimentação"... e alguns remendos
 
 
 
 
 

EDP - A Crónica das Trevas (62): a EDP a oferecer um Natal às escuras

 
Mini-apagões, a darem cabo dos electrodomésticos e da paciência.
São os presentes de Natal da EDP, que devia afundar-se, ela própria e quem não consegue resolver este estado generalizado de incompetência, nas trevas mais infernais. E para sempre!
 
 

segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

Piratas à solta

À procura de críticas portuguesas sobre o filme "A Gaiola Dourada" (lá iremos) encontrei um blogue onde a sua autora, pelo menos vagamente identificada, pergunta a quem lhe possa responder onde é que pode encontrar o filme na internet. Não no cinema, não na televisão, não em DVD.
A pergunta tem várias respostas, de pessoas que até dizem que a qualidade da cópia obtida por essa via é boa.
A isto chama-se roubo (de direitos de autor, para começar) e pirataria. Mas é comum. 
Há maneiras de o combater e nem todas elas pelos mecanismos punitivos que um ex-inspector da PJ conseguiu vender ao Estado português. Só que cá isso não acontece.
Assume-se que a pirataria é normal e que não faz mal nenhum.
Dos distribuidores às administrações e direcções dos jornais (que promovem tudo como "obras-primas da sétima arte"), passando por muitos realizadores e produtores que dependem dos subsídios e não do público e pelas carpideiras dos cinemas de arte e ensaio fechados, não se ouve uma palavra sobre o assunto.
E depois admiram-se de que a frequência das salas de cinema vá minguando e queixam-se da "crise", que serve para tudo.

Uma promessa de seis meses dá nisto: remendos

Há seis meses (em 22 de Junho), a Câmara Municipal de Caldas da Rainha fez saber que iria proceder à repavimentação completa de uma rua de 1100 metros alcatroados na Serra do Bouro onde, para pôr fim às rupturas que começavam a acontecer quase todas as semanas na rede de abastecimento de água, foi instalada uma conduta nova.
A repavimentação prometida aconteceria "no fim do Verão". (E a esse respeito parece haver pormenores interessantes, que ficam para mais tarde.)
O Verão chegou ao fim. Chegou e passou o Outono e entrámos no Inverno, meio anos depois da promessa que, entretanto, se transformou numa mentira.
Seis meses depois, o que temos é isto: remendos.
Nesta rua que já esteve alcatroada e que hoje é uma verdadeira estrada de terra batida, esburacada e escavacada, onde se acumulam terra e poeira de obras sem norte e de vários actos de insensatez técnica (como tapar buracos numa zona íngreme com terra solta...), o que temos hoje são remendos.


 
 
Remendos que não chegam para todos, aliás.
E que são remendos remendados e mal enjorcados de gente remendona.
Numa parte da ex-rua os buracos estão bem à vista e são, já agora, um perigo. (Aliás, este blogue é um bom testemunho para, no caso de um acidente, ficar bem claro de quem é a responsabilidade.)
Como se pode ver:
  



E as caleiras? As magníficas caleiras pronto-a-vestir, aplicadas a esmo em vias íngremes e em estradas planas?
A chuva ainda não veio tirar teimas e demonstrar que elas, em plano (muito) inclinado, de pouco servem.
Mas já dá para ver que onde estiver o lixo... a água não circulará ou fará com que ele se amontoe ainda mais, bloqueando o caminho.
Poderá argumentar-se que quem "inventou" esta solução é celestialmente competente.
Pois, deve ser e o problema é da malvada gravidade que faz com que a chuva caia para baixo quando, na cabeça destes iluminados, a água da chuva cai para cima e as terras e as pedras levitam...



domingo, 22 de dezembro de 2013

Cidade fantasma


Comecei a fazer ontem a minha peregrinação natalícia à Pastelaria Machado (nunca conheci bolo-rei tão bom!), na Rua de Camões (que ao longo do parque e vai até ao moribundo Hospital Termal de Caldas da Rainha) e o panorama é surpreendentemente desolador.
Com a "praça da Rainha" (Largo Conde de Fontalva) em obras tipo "obras de Santa Engrácia", o movimento diminui e as lojas, todas fechadas à excepção das duas de cerâmica e porcelana, dão ao local um ar de cidade fantasma.
Não sou dos exigem aos órgãos de poder autárquico ou ao Governo que resolva tudo e mais alguma coisa mas se a Câmara Municipal de Caldas da Rainha não pode reabrir lojas, embora possa desenvolver iniciativas de incentivo, pode pelo menos evitar complicar a vida às pessoas e aos lojistas e comerciantes.
As obras, nesse local como noutros, são um convite a que as pessoas não parem, se vão embora, não se queiram meter na confusão de obras cuja necessidade prática não se percebe e onde se gastam milhões de euros.
O desprezo pelas pessoas, as manifestações que sugerem uma incompetência grande demais para ser verdadeira e a arrogância dos gestores locais da coisa pública não explicam tudo...
 




Feliz Natal!

Com a devida vénia, e agradecimento, à Topseller, editora que muito bem me acolheu e onde me orgulho muito de estar como autor (e em boa companhia), faço meu este cartão de Boas Festas - Feliz Natal!




 

sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

"Gazeta" a 40 por cento...

A "Gazeta das Caldas" de hoje é, de certa forma, mais boletim publicitário do que jornal: cerca de 60 por cento das suas 40 páginas, contando anúncios de página inteira e outros dispersos, é de publicidade.
O jornal, em segundo lugar depois do "Jornal das Caldas", precisa de dinheiro (todos nós precisamos, claro) e, mesmo que esta abundância de anúncios seja com desconto sobre os preços fixados, como é habitual na imprensa, ou com pagamento a prazo, as receitas são sempre fundamentais.
Mas há aqui um exagero notório, que deixa o potencial leitor à procura de qualquer coisa que justifique a compra do jornal. E essa "qualquer coisa" é exígua.
É interessante ver esta atitude de sujeição ao "vil metal" por parte de quem anda sempre a criticar esses paladinos do capitalismo que são a "troika" e o actual governo mas a vida tem destas bizarrias...

EDP - A Crónica das Trevas (61)


A ameaça é permanente: apagão às 17h29. Os filhos-da-puta não perdoam...

Direitos adquiridos

É pena que a lógica dos "direitos adquiridos" não valha para o IVA, por exemplo, cuja taxa normal tem vindo a subir paulatinamente dos 17 por cento para os 19 por cento e depois para os 21 por cento (e num momento de demagogia pré-eleitoral desceu para os 20 por cento) e depois para os 23 por cento e...

quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

Duas confirmações






A notícia da primeira página de hoje do "Jornal das Caldas" confirma aquilo que aqui escrevi:
 
- os partidos políticos de Caldas da Rainha ignoram o assunto;
 
- os passeios do PSD e do CDS na Lagoa de Óbidos na campanha eleitoral de Setembro ficaram "esquecidos".
 
Mas, pelo menos, já há uma notícia, e com destaque.

A prova em que a contestação dos professores "chumbou" os próprios professores


Pode ser que a prova de avaliação de conhecimentos decidida para os professores contratados seja um erro, embora, a mim, me pareça mais uma tentativa de limitar o número de candidatos aos postos de trabalho que têm diminuído pelo muito simples motivo de o número de "clientes" (os alunos) ter diminuído.
Mas qualquer razão que pudessem ter os professores que a contestaram foi pura e simplesmente desbaratada com as atitudes irreflectidas (de quem as fez, em horda) e reflectidas (dos sindicatos que as forçaram) hoje durante o dia.
A tentativa de impedir que outros professores fizessem a prova é um gesto agressivo voltado contra os outros professores, que tinham tanto direito a fazê-lo como tinham os contestatários de não a fazer.
A invasão das escolas, os boicotes e as cenas com os polícias foram o pior de todos os exemplos que os professores puderam dar a quem os vê nesses preparos nas televisões: os alunos e os pais, mães e encarregados de educação dos alunos.
A partir deste momento qualquer grupo de alunos pode boicotar uma aula, um teste e talvez mesmo um exame (embora neste caso o controlo seja diferente).
E os encarregados de educação têm nessas cenas próprias de adolescentes bons motivos para continuarem a pôr em causa a autoridade dos professores.
Além do mais, este tipo de contestação a uma prova de avaliação de conhecimentos (independentemente de outras considerações) junta-se à impressão geral de que os professores não querem ser avaliados.
A Fenprof e os professores que, por desespero e/ou convicção, foram atrás dos seus apelos belicosos prestaram um mau serviço a todos os outros professores.
Mas talvez esteja bem assim...

 
*

 
A propósito: em "O Evangelho segundo S. Nogueira" (no e-magazine "Tomate") abordo os apelos insurrecionais da Fenprof .
.

Menos lixo

 
O malfadado sofá velho que estava na margem  caldense da Lagoa de Óbidos foi retirado. Mais vale tarde do que nunca e o gesto fica registado, com o devido aplauso!


Porque não gosto dos CTT (63): greve a contar para o fim-de-semana

Na empresa CTT não se trabalha no dia 24 de Dezembro, terça-feira, à tarde.
No dia 25 é Natal.
No dia 26, quinta-feira, há "tolerância de ponto" na empresa (ou seja: não se trabalha).
E no dia 27, que é sexta-feira, o seu pessoal teria de trabalhar?!
Que horror, claro que não - e por isso decidem fazer greve, ganhando sete dias e meio de descanso seguidos. 
E o "serviço público" e o público que se lixem. Como sempre.

terça-feira, 17 de dezembro de 2013

Muita calçada, poucos pés, perspectivas rasteirinhas

Aparentemente, mas por motivos que se desconhecem, o pretexto da Câmara Municipal de Caldas da Rainha para as obras que se prolongam há quatro meses na Avenida 1.º de Maio nesta cidade de alargar a zona pedonal da dita avenida parece ter convencido algumas boas almas, que olham para a coisa com alguma complacência e até alguma excitação, que me parece estranha..
Não consigo acompanhar o entusiasmo de quem vai na cantiga porque... o passeio que existia não servia?!
A Avenida 1.º de Maio, entre a Praça 25 de Abril (Câmara Municipal, Finanças, Tribunal e uma igreja) e a estação da CP (que já de pouco serve) tem pouco comércio .
Há pastelarias, já não há um banco que tinha multibanco (coisa que desapareceu do local), há pequenas lojas sectoriais e, claro, a Papelaria Vogal, inestimável, útil e sempre simpática. E uma farmácia e nenhuma loja chinesa.
O que existe de mais interessante, e que é capaz de atrair visitantes dispostos a andar a pé, está longe: o comércio em geral, a Praça da Fruta, restaurantes, pronto-a-vestir, oculistas, o Centro Cultural e de Congressos.
O alargamento da zona pedonal da Avenida 1.º de Maio, que é um verdadeiro luxo sumptuário nos nossos dias, não é mais do que um voto piedoso, uma expressão de vontade política que só pode querer mudar qualquer coisa de visível para deixar uma marca que, como sempre acontece em Portugal, tem de implicar o gasto de dinheiros públicos.
Nas muitas vezes em que, antes das obras, passei a pé na Avenida 1.º de Maio (onde havia estacionamento disponível e agora deixará de haver, ainda por cima), nunca vi movimento que justificasse o alargamento dos passeios.
É uma situação que me faz recordar o alargamento imbecil de passeios da rua onde morei, na Grande Lisboa, que só serviu para dificultar a circulação do trânsito.
 
 
*
 
As obras em curso, que não parecem ter qualquer lógica económica racional, estão analisadas em pormenor num artigo de opinião de Mário Pacheco, engenheiro civil, publicado na "Gazeta das Caldas" na sua edição de 6 de Dezembro, com o título "Mais cidade? Não basta mais ruas calcetadas". Infelizmente, este artigo não está, como muitas outras coisas, disponível no site deste jornal.
 
 

 
As dificuldades causadas pelas obras não chegam lá acima,
ao gabinete do presidente da Câmara
 

As águas (pantanosas) da demagogia



Será que os jornais locais vão recordar estas coisas?

Na campanha eleitoral, o actual presidente da Câmara Municipal de Caldas da Rainha e o seu às vezes rival, e agora vice-presidente da mesma câmara, foram passear de barco para a Lagoa de Óbidos, com risco de se afogarem na demagogia.
Gostava de os ver lá outra vez, agora que a "aberta" se fechou e a Lagoa de Óbidos está em riscos de se transformar no Pântano das Caldas.
Mas é claro que deles talvez se possa dizer, com generoso uso do vernáculo adaptado aos falos e aos manguitos das Caldas, que não os têm no sítio para repetirem a graça...


O Evangelho segundo S. Nogueira - o meu artigo no número 10 do "Tomate"

 
Imagine o leitor uma sala de aula. Com alunos entre os 14 e os 16 anos, por exemplo. Vinte e cinco alunos ou mesmo trinta. Uns são melhores, outros são piores, há alguns problemas de disciplina mas não são muito graves. Imagine agora um dos alunos a levantar-se no meio da aula e, olhando para os seus colegas e apontando para o professor, a proclamar: «Vamos continuar a combatê-los até eles irem para a rua, que isto é uma cambada de malandros e não estão para aqui a fazer nada!»
Como reagiria o professor perante este grito de guerra, perante o apelo ao motim, insultado como membro da «cambada de malandros», desafiado com o apelo ao motim e com a apreciação de que «não estão para aqui a fazer nada»? Limitar-se a dizer que a forma correcta da invectiva seria «não estão aqui a fazer nada» em vez de «não estão para aqui a fazer nada»? Ou levaria o rebelde à direcção da escola, para ele ser castigado e os pais avisados?
Em qualquer dos casos, supõe-se, o apelo ao motim nunca seria aceite por um professor.
Ou seria?
 
É assim que começa o  meu artigo no número 10 do e-magazine "Tomate", a propósito da ofensiva da Fenprof sobre a prova decretada para uma parte dos professores dos ensinos básico e secundário  na condição de "contratados" marcada para hoje. Com o título "O Evangelho segundo S. Nogueira" pode ser lido aqui na íntegra.
 
 
 
 

Assuntos esquecidos... e talvez proibidos (3)

[Na campanha para as eleições autárquicas de 29 de Setembro deste ano, e antes, foram abordados diversos temas que parecem perturbar a maior parte dos protagonistas políticos (e da comunicação social local) de Caldas da Rainha. Significativamente são assuntos por resolver e por esclarecer. É sempre útil recordá-los.]

Caldas da Rainha é uma cidade termal e essa actividade podia garantir notoriedade, receitas e mais emprego ao concelho. Mas o hospital termal continua mergulhado numa situação de indefinição em que vai definhando, num quadro em que as vizinhas Termas das Gaeiras (do turisticamente inteligente concelho de Óbidos) se sobreporão. Disse-se muito e escreveu-se outro tanto antes das eleições sobre as termas das Caldas. Mas era tudo fogo de vista. Na melhor das hipóteses, claro...


segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

Bem-vindos ao Pântano das Caldas





A ténue ligação que existia entre a Lagoa de Óbidos e o Oceano Atlântico, e a que chamam "aberta", fechou-se. Tem acontecido.
Desta vez aconteceu dois anos depois de ter sido reaberta e de há um ano ter havido obras de desassoreamento, pelos vistos insuficientes.
O tempo seco e com sol e as areias gradualmente depositadas no fundo da lagoa vão levar e a ausência de renovação da água que ainda vinha do mar levará, com o tempo, à substituição desta mancha de água por um pântano. 
Nas eleições autárquicas de Setembro deste ano não faltaram os votos mais pios de desvelo pela Lagoa de Óbidos.
O PCP e o BE foram fazer festas para junto da lagoa. O PS, entretido com a "limpeza da cidade", praticamente não se manifestou. O PSD e o CDS foram para lá andar de barco, numa demonstração de demagogia que a realidade mostra ser também um gesto de pura e simples hipocrisia. O MVC fez limpezas no terreno do Penedo Furado e referiu-se ao assunto.
Mas hoje reina o silêncio.
Os partidos já se esqueceram, o presidente e o vice-presidente da Câmara até nem devem querer que alguém se lembre do passeio no "barco do amor", a Junta de Freguesia da Foz do Arelho (de maioria MVC) já mostrou que não consegue pôr um sofá abandonado no lixo.
Quanto à imprensa local... sai pouco da cidade. Devia recuperar as imagens os passeios de barco e confrontar esses marujos de água estagnada com a situação mas não acredito que o faça.
Um dia o nome muda: em vez de Lagoa de Óbidos teremos o Pântano das Caldas.
Já faltou mais.


A Feira das Velharias da Foz do Arelho...

... vai ser enriquecida com esta bela peça de mobiliário que tem estado em estágio na margem caldense da Lagoa de Óbidos:
 
 
 
A ideia da sua venda, sob a forma de leilão, na novel feira de velharias é uma iniciativa conjunta da Câmara Municipal de Caldas da Rainha e da Junta de Freguesia da Foz do Arelho. 
"Vamos leiloá-lo porque, com o estatuto de antiguidade e o valor turístico que já tem, vai dar um bom lucro", disse a este blogue um dos participantes, que não quis ser identificado, na reunião que juntou representantes da câmara, da junta de freguesia e o proprietário do móvel para debater o objecto.
Segundo a mesma fonte, o proprietário do sofá terá dito que o pôs junto à Lagoa para a valorizar, ficando muito satisfeito por continuar a vê-lo lá durante tantos meses, o que era um sinal de como a sua ideia fora bem recebida pelos órgãos autárquicos. O proprietário terá direito a receber 10 por cento do valor apurado (tendo por base o preço de base, sem IVA).

Assuntos esquecidos... e talvez proibidos (2)

[Na campanha para as eleições autárquicas de 29 de Setembro deste ano, e antes, foram abordados diversos temas que parecem perturbar a maior parte dos protagonistas políticos (e da comunicação social local) de Caldas da Rainha. Significativamente são assuntos por resolver e por esclarecer. É sempre útil recordá-los.]

O Hospital. Ou, melhor, o Centro Hospitalar do Oeste Norte (CHON). Deu origem a manifestações, vigílias, acções públicas de noite e de dia, tudo e mais um par de botas. Estaria em causa uma divisão de "valências" entre Caldas da Rainha e Torres Vedras. Quem se manifestava, e quem promovia as manifestações, não queria.
Parece que não serviu de nada. Sobre tudo isto abateu-se um silêncio de chumbo, pouco compatível com a informação pública e do público.. Se calhar por isso mesmo. Porque fica a impressão de que quem protestava, e talvez com razão, deu com os burrinhos na água...

domingo, 15 de dezembro de 2013

Empresa das caleiras é recordista de ajustes directos...

 
A empresa Cimalha - Construções da Batalha, Lda., que tem andado, ou já andou, ou não se sabe, a pôr caleiras nesta rua da Serra do Bouro (cuja repavimentação foi anunciada pela Câmara Municipal de Caldas da Rainha em 22 de Junho para o final do Verão de... 2013) é uma recordista de ajustes directos, trabalhando nos últimos anos apenas para entidades públicas (municípios, na sua grande maioria).
A informação está no site Despesa Pública e por aqui ficamos a saber que a Cimalha ganhou 32 ajustes directos desde 2009 (e um contrato anterior, "sem data"), no valor total de 1 779 181,49 €.
Esta obra de caleiras tipo pronto-a-vestir é a primeira realizada em Caldas da Rainha e demorou, para 1100 metros de rua, mais de um mês. Até agora, pelo menos.




Caleiras pronto-a-vestir usadas tanto para estradas planas
como para ruas (muito) íngremes...








Assuntos esquecidos... e talvez proibidos (1)

[Na campanha para as eleições autárquicas de 29 de Setembro deste ano, e antes, foram abordados diversos temas que parecem perturbar a maior parte dos protagonistas políticos (e da comunicação social local) de Caldas da Rainha. Significativamente são assuntos por resolver e por esclarecer. É sempre útil recordá-los.]
 
O inquérito, ou pelo menos aquilo que foi apresentado como tal, sobre o uso relativamente livre de gasóleo pertencente à Câmara Municipal de Caldas da Rainha (e pago pelos dinheiros públicos) foi encarado em silêncio (de alívio?) pelos partidos do "status quo". O silêncio permite todas as dúvidas e todas as suspeitas. O assunto pode ter ficado convenientemente por esclarecer. Além disso, o gasóleo gasta-se e desaparece, também convenientemente, sem deixar rasto...

sábado, 14 de dezembro de 2013

A "madame Lagarde" é uma mazona mas Tinta Ferreira é fofinho...

Na sua denodada cruzada justiceira contra os "maus" deste mundo, e do outro, "A semana do Zé Povinho" (da "Gazeta das Caldas") atira-se à "madame Lagarde", como designa a directora-geral  do FMI, criticando-a pela austeridade, como se tudo fosse um mar de rosas a nível do concelho.
Nisto tudo, Tinta Ferreira, o actual presidente da Câmara Municipal de Caldas da Rainha, continua a passar incólume.
O magnífico autarca, perante quem a "Gazeta" se derrete, não aplica austeridade nenhuma, não nos prejudica a todos no IRS nem no preço da água nem nas obras principescas onde põe milhões de euros, num gasto discutível em tempos de crise.
É um santo, o presidente fofinho da "Gazeta das Caldas". E bem melhor do que o anterior, claro...
 
 

 
 
 

Como eles... obram

Vou todas as sextas-feiras à papelaria Vogal, na Avenida 1.º de Maio, de Caldas da Rainha, porque tem as publicações que me interessam e pela amabilidade e simpatia dos seus proprietários. Se não fosse isso, deixaria possivelmente de ir à "terra de ninguém" em que a avenida se transformou.
Semana após semana não vejo melhorias nenhumas nestas obras, que parecem ter servido apenas para alargar passeios (como se não houvesse mais nada onde gastar dinheiro) e que se arrastam desde o Verão.
Admira-me, sinceramente, que ninguém proteste (e até há um jornal regional que "mora" lá, mas nem deve querer reparar): nem residentes nem comerciantes.
Quanto a visitantes e potenciais clientes do comércio local... devem ser cada vez menos, provavelmente.
Os prejudicados por esta tolice urbanística bem podiam ir pedir satisfações à Câmara Municipal, em cujo último andar é que se deve estar bem...

Os problemas da rua não chegam ao gabinete do autarca-monarca

Com o Clube de Leitura da prisão de Caxias

Estive ontem no Estabelecimento Prisional de Caxias.
Foi a terceira vez que estive dentro de uma prisão, depois de uma visita em 1980 ou 1981 no âmbito de uma visita às particularidades arquitectónicas da Penitenciária de Lisboa, organizada pelo Centro Nacional de Cultura (que acabou num almoço de pataniscas no Parque Mayer, segundo uma receita de Maria de Lurdes Modesto), e de em 1993 ter ido comprar vinho (sempre muito bom) a Pinheiro da Cruz, onde o então director me proporcionou uma breve visita guiada.
Em Caxias estive a participar num encontro com o Clube de Leitura, uma iniciativa dinamizada pela escritora e tradutora Tânia Ganho, que desenvolve um trabalho extraordinário junto dos reclusos, incentivando-os (e com bons resultados) à leitura e à convivência com os livros.
"Morte na Arena" e "Morte com Vista para o Mar" foram os meus dois livros que estiveram em cima da mesa nesta sessão e a troca de impressões, em especial com dois leitores sagazes e atentos, foi enriquecedora.
Acredito, pelo que vi, que o contacto com os livros (numa pequena biblioteca que talvez precisasse de um apoio mais vivo por parte das editoras e dos próprios autores - eu deixei lá um dos meus últimos exemplares de "Morte com Vista para o Mar, juntamente com os dois exemplares de "Morte na Arena" que a Topseller, sempre atenta, também ofereceu) pode ajudar estas pessoas que estão a viver situações muito difíceis das suas vidas, sempre sob a ameaça de a prometida reintegração social não ser, por vários motivos, aquilo que esperam que seja, e que a sociedade não consegue garantir.




 

quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

Sindicatos: duas perguntinhas para o futuro próximo

Quando, daqui a meia-dúzia de meses, terminar o Programa de Ajustamento, a "troika" se retirar e a austeridade for (talvez quase só simbolicamente) aliviada, terão os sindicalistas a capacidade de fazerem um exercício, mesmo que revisionista, de auto-crítica e perceberem que praticamente nada conseguiram do que reivindicaram com as suas intermináveis greves, a não ser prejudicar os outros trabalhadores e a restante população (como é o caso dos transportes públicos, das escolas e da empresa CTT, por exemplo)?
Que lhes dirão, nessa altura, os sindicalizados que foram atrás dos "amanhãs que cantam" e que, além do resto, foram penalizados nos seus salários pelas greves inúteis?

Mil e cem metros de obras e dois negócios

Ainda sobre as intermináveis obras na Rua Vasco da Gama (na povoação de Cabelo da Vela, freguesia de Serra do Bouro, Caldas da Rainha) iniciadas há oito meses:
 
- A empresa Guilherme & Neves Construtores Lda., de Salir do Porto, esteve entre o início de Abril e meados de Junho a meter no solo uma conduta nova de água durante pouco mais de 1100 metros, com diversas interrupções dos trabalhos. Em Outubro, e por quatro ou cinco vezes, tapou com terra solta os buracos que já tapara com terra solta que as chuvadas fortes desse mês arrastaram.
 
- Entre o início de Novembro e, pelo menos, até esta data foi a vez de a empresa Cimalha Lda., da Batalha, vir fazer caleiras nos mesmos 1100 metros, também com sucessivas interrupções e em algumas surtidas apressadas depois das cinco horas da tarde.
 
- A Câmara Municipal de Caldas da Rainha prometeu, por duas vezes, a "repavimentação" da rua, num primeiro momento só nessa rua e depois numa área mais alargada (que até incluiria o Nadadouro e a Foz do Arelho!) para o final do Verão... do ano que agora está a terminar.
 
- A Câmara Municipal de Caldas da Rainha não tem fornecido, nem forneceu, informações sobre estas obras.
 
 
 

 
Esta coisa está há tantos meses aqui que já pode ser considerada como "mobiliário urbano"
 

terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Incompetência escondida com rabo de fora




O círculo em primeiro plano assinala uma placa toponímica que ficou tapada com terra deixada pelo pessoal da empresa (Cimalha, Lda., da Batalha) que anda há mais de um mês a pôr, sem pressas, claro, as caleiras nesta rua em formato de terra batida da freguesia da Serra do Bouro, em Caldas da Rainha, a mando, supõe-se, da Câmara Municipal de Caldas da Rainha.
O círculo em segundo plano é um sinal de "stop" obscurecido por terra, poeira, sujidade... seja lá o que for.
São duas situações bem típicas do desprezo a que a Câmara Municipal de Caldas da Rainha e a Junta de Freguesia (agora Junta de Freguesia da União de Freguesias de Santo Onofre e Serra do Bouro) votam os residentes no interior do concelho. E exemplos bem claros da "nova dinâmica" apregoada pelo actual presidente da Câmara, Tinta Ferreira...
 





Bye bye, Jack Reacher... Bye bye, Lee Child...

"Never Go Back" é a mais recente e a mais fraca de todas as histórias de Jack Reacher e o final é decepionante (os dois criminosos suicidam-se em vez de serem apanhados...).
Se é verdade que o pequeno Tom Cruise vai voltar a apoderar-se da personagem criada por Lee Child para um segundo filme e então com "Never Go Back"...  acho que para mim é o adeus a Lee Child. E a Jack Reacher, claro.

segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

Jornalismo de péssimo exemplo

O jornal "The Guardian", um periódico inculto e com certeza um dos abomináveis "tabloids" da não menos inculta e iletrada Inglaterra que só mostra raparigas nuas na primeira página, separa a sua lista dos "best books" de 2013 em diversas categorias e, horror dos horrores, duas delas são o "policial e a ficção científica/fantástico, géneros que, como todos sabemos, não são literatura nem próprios de gente séria nem, muito menos, dos jornais "de referência".
É uma desvergonha absoluta, uma ignomínia sensacionalista que, para bem das nossas consciências, cá não se faz.
A imprensa nacional cultural e cultíssima não cede, felizmente, a estes medonhos maus exemplos, esclarecendo bem o público de milhões de leitores que continua a ter sobre os caminhos mais iluminados que o povo deve seguir.

sábado, 7 de dezembro de 2013

Espero que não seja verdade...

... que muitas das obras deste género  não têm qualquer projecto ou tipo de estudo ou, por vezes, nem orçamento e que há "contas correntes" estabelecidas com alguns empreiteiros ditos "da câmara" em jeito de "nova dinâmica". Deve ser um mero boato, com certeza.

sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

A "troika" é má, Tinta Ferreira é bom e Fernando Costa... era um malvado, claro!

"A Semana do Zé Povinho" da "Gazeta das Caldas" dispara hoje furiosamente sobre a "troika", numa extraordinária mistura de conceitos e de circunstâncias, chegando a afirmar que "os portugueses não vão esquecer o que lhes foi feito" e esquecendo que foram "os portugueses" que pediram a intervenção da malvada "troika" em 2011.
Isto acontece na última página.
Na primeira, a "Gazeta" anuncia as recentes decisões em matéria fiscal da maioria PSD da Assembleia Municipal. E a mais polémica (que é a redução da percentagem de IRS a devolver aos contribuintes) aparece discretamente nas últimas linhas. Aqui já não há maldade nenhuma.
Voltando ao "Zé Povinho", encontramos o principal responsável local por esta alteração do IRS. Mas criticado por esta medida? Não, nunca.
Tinta Ferreira merece até um elogio indirecto, com uma significativa invocação de um santo, porque garantiu que as obras que vão lançar o caos na cidade vão decorrer no prazo previsto.
Ao contrário, claro, dos "prazos a derrapar"  e das "alterações ao sabor das circunstâncias" que, segundo Tinta Ferreira citado sem aspas pela "Gazeta", caracterizariam Fernando Costa.
Portanto: a "troika" é má mas Tinta Ferreira é bom,
E Fernando Costa? É mau, pois claro. Fazia essas coisas horrorosas às obras públicas e até tinha como bandeira aliviar a carga fiscal em Caldas da Rainha... Aumentá-la, como agora faz o seu herdeiro, é que é bem bom.

A ver se percebem...





Vamos lá a ver se consigo explicar bem o meu ponto de vista para não chocar com os aparentes défices cognitivos de alguns autarcas locais:

 
1- Esta velha peça de mobiliário, danificada e manchada, que se encontra há dois meses na margem caldense da Lagoa de Óbidos, é lixo. É um resíduo sólido. Ninguém o quererá comprar ou usar. Mesmo que alguém o possa encarar como objecto artístico, integrado numa qualquer performance artística tipo "grafiti", é lixo.
 
2 - A Lagoa de Óbidos ainda consegue ser uma das mais bonitas vistas do concelho de Caldas da Rainha (e do concelho de Óbidos), capaz de atrair visitantes, de dentro e de fora do concelho.

 
3 - Esses visitantes deixam sempre dinheiro no concelho (em pastelarias, cafés, restaurantes, bombas de gasolina, hotelaria, supermercados... e, num concelho capaz de olhar inteligentemente para o turismo, lojas de recordações e de artesanato). O turismo pode ser uma fonte de receitas e de criação de emprego.

 
4 - O lixo atrái o lixo. Talvez não seja necessário demonstrá-lo. Basta percorrer o concelho.
 
5 - A permanência deste sofá transmite a toda a gente uma mensagem clara: "Aqui não se valorizam as belezas e os recursos naturais, aqui gostamos de conviver com o lixo, aqui não somos limpos". (A mensagem, por sinal, é verdadeira mas há pessoas que, vindas de fora, devem acreditar que não pode ser.)
 
6 - A remoção do objecto não é difícil. Na Câmara Municipal de Caldas da Rainha sabe-se como se faz. Na Junta de Freguesia da Foz do Arelho (que tem a tutela da zona) também.

 
7 - Mesmo que pedaço de lixo seja votado ao abandono (como, aliás, a Lagoa de Óbidos) e que não seja removido, a sua degradação no local vai atirar para a água tecido natural ou sintético, madeira pintada e envernizada, molas de ferro. A isto chama-se poluição. (Pode ser que os autarcas locais não o saibam, mas é um conceito que já vem da década de 70, do século passado.)

 
8 - A manutenção teimosa deste sofá dá dos poderes públicos de Caldas da Rainha uma imagem tão degradada como degrada está a Lagoa de Óbidos pela sujidade que nela se vai acumulando.

 
Espero ter sido suficientemente claro para que os poderes públicos percebam, embora já duvide de que estejam na plena posse das suas capacidades cognitivas.