quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

Porque não gosto dos CTT (88): que ricas férias!...

 
Na passada sexta-feira, segundo parece, não se trabalhou na empresa CTT. Esta semana, na segunda e na terça-feiras, não houve distribuição de correspondência e hoje só me apareceu um jornal regional que costuma chegar (quando os carteiros estão para isso...) às quartas-feiras. O outro, das sextas-feiras (que teria sido antecipado) não o vi.
Presumo que nesta sexta-feira também não se trabalhe nessa empresa de luxo que é os CTT. Vamos ver, depois, a correspondência que deve ter ficado parada vários dias, à espera que terminassem as férias do "serviço público".

A "nova dinâmica" das obras paradas

 
Uma das coisas que mais me surpreende nas obras de degeneração urbana de Caldas da Rainha, que começaram da dar cabo da cidade desde 2013, é o facto de não se notar que as coisas avancem.
Hoje à tarde na Rua de Camões (a que já aqui me referi) a situação era exactamente a mesma de há uma semana.
Pode argumentar-se com o Natal e o Ano Novo e mais um par de botas mas já lá vão quatro (4) dias ditos "úteis" e hoje, e não deve ter sido caso único, não se notavam quaisquer trabalhos.
Uma Câmara Municipal dirigida por gente normal fiscalizaria as obras e exigiria outro ritmo para as obras. E cairia em cima das empresas incumpridoras.
Mas não é o caso desta câmara, que até andou a arejar o "slogan" de "uma nova dinâmica" e onde ninguém se envergonha por ir adiando de mês para mês a conclusão de trabalhos que acabam por levar muitos meses de atraso para mal de toda a gente... menos os empreiteiros amigos, claro.



 

A Câmara Municipal de Caldas da Rainha chama a isto "regeneração urbana" e há quem acredite

E afinal onde é que ele estava?!


Aqui:


Um equívoco que um pouco de rigor poderia ter evitado

Mas não é o que parece. Ou aquilo que alguns se apressaram a garantir, num dos habituais delírios pouco profissionais que assolam a imprensa nacional.
O actor americano George Clooney apareceu associado à série televisiva "Downton Abbey", com as palavras "episódio especial" e "Natal" pelo meio. Mas ontem, passado o extenso episódio (que mais parecia um espectáculo de variedades do que uma série de qualidade mediana) de Natal, não dei por ele. Nem disfarçado.
A notícia existia, no entanto:
Só que a tal "participação especial" não passou de um curto segmento filmado a apelar a uma causa social, à margem da série, que deixou o rasto de uma "selfie" e que deve poder ser encontrado algures no ciberespaço.
E teria bastado uma pesquisa minimalista a quem anunciou o que não era para se perceber que o que parecia ser não era, realmente. Mas isso já daria muito trabalho.
 

terça-feira, 30 de dezembro de 2014

"Vermelho como o Sangue" é, como quem diz, "Vermelho da Cor do Sangue", não é?









Quando escolho um título para um livro meu, tenho o cuidado de tentar saber se ele já existe como título de livro ou de filme em Portugal ou no Brasil.
Pode ser sempre útil ir à boleia de outro título mas há, no mínimo, uma questão de honestidade que é básica. Quanto mais não seja, esta: se alguém se apropria, literalmente ou aproximadamente, de um título, não estará a apropriar-se também do conteúdo da obra?
"Vermelho da Cor do Sangue" foi publicado em 2011 na Asa (Leya) e foi o meu sexto "thriller". Para Janeiro de 2015 está anunciado "Vermelho como o Sangue", na Presença, que não é meu.
Mais facilmente se falará aqui de apropriação do que de honestidade.
Mas pode ser que quem procure um vá ter ao outro, porque "Vermelho da Cor do Sangue" ainda está à venda e, pelas críticas como sempre favoráveis que teve, até pode ser de leitura mais proveitosa do que a incursão encarnada da Presença.

segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

A despacho

 
A romaria de "notáveis" do PS ao Estabelecimento Prisional de Évora, que tem todo o aspecto de ser coisa organizada com comunicados às agendas da comunicação social, parece mais uma ida a despacho do que outra coisa.
Até porque há aqueles que não vão lá, e começa a ser cada vez mais estranho que a mesma comunicação social não se interrogue sobre esses, a começar pelo silencioso António José Seguro...

 

domingo, 28 de dezembro de 2014

Uma pergunta sobre a romaria eborense

 
A romaria dos "notáveis" do PS ao ex-primeiro-ministro ora arguido e detido preventivamente é objecto de alguma comunicação oficial do partido aos serviços de agenda da imprensa ou são as televisões e os jornais que mantêm piquetes à porta do Estabelecimento Prisional de Évora para "apanhar" os visitantes?
Seria interessante saber-se, pelo menos por uma questão de transparência...


© "i"
 

sábado, 27 de dezembro de 2014

3 coisas estranhas e 3 coisas factuais sobre as obras de degeneração urbana de Caldas da Rainha


Porque será que eles não prestam contas?

Três coisas estranhas:
 
- O presidente e o vice-presidente da Câmara Municipal de Caldas da Rainha não prestam contas sobre as obras (valores e empresas contratadas).
- A Câmara Municipal de Caldas da Rainha não impõe penalizações às empresas que se vão atrasando nos prazos de conclusão das obras (que o presidente da Câmara Municipal de Caldas da Rainha vai sucessivamente anunciando e desmentindo, mês após mês).
- As obras começaram em grande coincidência com a campanha das eleições autárquicas de Setembro de 2013.
 
Três coisas factuais:
 
- Há fases das obras e obras no seu conjunto onde, dias a fio, não há trabalhos ou os trabalhos se desenrolam com mão-de-obra que é claramente insuficiente.
- Nenhum prazo das várias empreitadas foi cumprido.
- Estas obras ditas "de regeneração urbana" foram privilegiadas em vez das obras de menor dimensão que poderiam beneficiar de facto os habitantes (e os comerciantes) da cidade e do resto do concelho, desde vias de circulação a passadeiras de peões.

quinta-feira, 25 de dezembro de 2014

"Portugal Protocolo."

 
No blogue Malomil e com o título que aqui se cita ("Portugal Protocolo.") um texto admirável de ironia, com fotografias excelentemente comentadas: aqui.

quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

O Natal das Caldas

 
aqui falei da morte da Rua de Camões, em Caldas da Rainha, onde as desastradas obras municipais destruíram o comércio local e onde sobrevive a Pastelaria Machado (que já vi com fila à porta para o bolo-rei e que hoje estava às moscas).
Com a rua transformada num miserável caminho de terra batida, bloqueada por uma rotunda de obras paradas e com uma pífia iluminação da Natal pendurada na estátua da Rainha D. Leonor (que, se pudesse voltar à vida, não havia de querer ficar associada a esta cidade desfigurada), cujo tom cinzento é realçado pelo verde emporcalhado dos caixotes de lixo nojentos de que a Câmara Municipal tanto gosta, não há melhor "postal de Natal" do que esta triste imagem:
 



Há quem entenda que não se deve falar do que está mal nesta época. Não sou dessa opinião. 
É aviltante e não merece condescendência o que a Câmara Municipal de Caldas da Rainha fez a uma cidade que ainda conheci interessante e a um concelho que em absoluto despreza.

"Gazeta das Caldas": o Acordo Ortográfico é mau, a asneira é que é boa (2)




... E inaugura o quê? Ou seja: o que é que o parque de estacionamento vai inaugurar?
A pergunta é legítima porque os objectos (que eu saiba...) não inauguram nada, nem se inauguram a eles próprios. Portanto, um parque de estacionamento (mesmo que seja a maravilhosa obra que vai imortalizar a capital do concelho de Caldas da Rainha) não "inaugura" coisa nenhuma. 
Um título correcto (sem erro, asneira ou burrice) só poderia ser neste caso (e havia espaço na segunda linha!): "é inaugurado" ou "será inaugurado".
É melhor repetir e só em caixa alta, para perceberem melhor: "É INAUGURADO" ou "SERÁ INAUGURADO".

terça-feira, 23 de dezembro de 2014

Uma obra-prima anónima

 
Apesar de ter havido alguns "crossovers" em papel que juntaram, normalmente em confronto, super-heróis da DC e da Marvel, é pouco provável que vejamos estes encontros, que nunca poderiam deixar de ser épicos, no cinema.
Mas um fã que dá pelo nome de Alex Luthor resolveu fazer o seu próprio "crossover" e o resultado, reunindo imagens habilidosamente editadas, de filmes e episódios de televisão, põe, por exemplo, o Super-Homem em luta com o Hulk, o Homem de Ferro em combate com o Batman e, entre outras preciosidades, a Mulher-Maravilha a enfrentar o ladino Rocket Racoon.
É, à sua maneira, uma pequena obra-prima. Podem ver, com explicações adicionais, aqui.
Ou directamente aqui:
 




Fazer as coisas pela metade

A Câmara Municipal de Caldas da Rainha ou a GNR ou as duas distribuíram com a conta da água (metade é consumo de água, metade é dinheiro que não percebo para que serve) um papel com recomendações de segurança.
Entre elas encontram-se algumas que são básicas, como fechar portas e janelas, pôr corrente de segurança e não deixar acumular correspondência na caixa do correio, e uma outra que se refere à necessidade de ter "sempre à mão" os números de telefone "úteis", que são listados do seguinte modo: "GNR ou Polícia" (de Segurança Pública, Judiciária, Marítima?...), Bombeiros, "Serviços de Emergência Médica" e "das Forças de Segurança".
É importante e é uma recomendação bondosa e cheia de boas intenções.
O pior é que, como tantas vezes acontece (e quando se mete ao barulho a Câmara Municipal de Caldas da Rainha já é regra), fica tudo pela metade: por que carga de água é que (sendo a iniciativa ao nível concelhio) não se põe no folheto a lista dos telefones citados relativos ao concelho de Caldas da Rainha? A GNR deve conhecer os seus números de telefone (mas pode é não saber que "Polícia" indicar....), a Câmara deve conhecer os dos Bombeiros e o... 112. Ou daria muito trabalho? 

segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

"Orange Is the New Black": atrás das grades...

 
 
A jovem Piper Chapman andou em negócios de droga com a sua namorada Alex, deixou a má vida, ficou noiva de um namorado e... vai parar à prisão porque Alex a denuncia. O que se passa fora dos muros da prisão interessa pouco. O que interessa é o que se passa nesse universo fechado, onde Piper é, verdadeiramente, uma estranha em terra estranha, onde se multiplicam habitantes estranhas.
É daqui que parte a série televisiva "Orange Is the New Black", uma coqueluche divertida sobre o quotidiano de uma cadeia de mulheres, com pitadas bem doseadas de emoção, dramas pungentes, complicações amorosas, negócios escuros, equívocos religiosos, paixões difíceis, funcionários prisionais que parecem sempre diferentes do que são e, além do mais, diálogos inteligentes e divertidos e uma soberba galeria de personagens onde se destaca, porque tem de ser e o merece, Taylor Schilling (Piper Chapman).
"Orange Is the New Black" partiu de um caso real e tem tudo para ser uma grande série, a avaliar pela primeira temporada. A segunda temporada já passou nos EUA e está contratada uma terceira. Por cá, parece que não existe.


[Vi "Orange is the New Black" numa edição em DVD (temporada 1), da Lionsgate Home Entertainment UK, legitimamente adquirida.]

Sol de Inverno





A aproveitar o calor do meio-dia.

sábado, 20 de dezembro de 2014

Idiotas com cão (10): presentes de Natal como objectos?!


Na questão "adopção ou compra" no que se refere a cães, e que não pode ser vista de forma simplista, um dos problemas é o da compra em loja e, recentemente, a versão portuguesa da conceituada revista inglesa "Time Out" (conheço a original mas nunca me senti motivado a comprar a versão doméstica) mostrou até que ponto podem ir os equívocos sobre a matéria e da pior maneira possível.



Uma sugestão idiota

O aviso, com imagem (cão como presente de Natal, que pode ser comprado numa loja...), veio da It's All About Dogs, que critica, e bem, a revista pela asneira, chamando a atenção para a origem de grande parte dos cães postos à venda em lojas de animais, que serão das fábricas de cachorros, as "puppy mills" de designação pejorativa onde se criam cães como frangos em aviários. Acredito que haverá mais criadores de cães pouco escrupulosos do que aqueles que o são e que, embora tenham essa actividade como negócio (que é legítimo), se dedicam à criação de cães com as mais elementares normas do bom senso e das leis.
E se não sei se recorrem todos às lojas para escoar os seus "stocks", o certo é que a situação dos cães ainda muito novos, quase como crianças de colo, nas lojas de animais é, só por si, deprimente. Andam às voltas em caixas de vidro, sem espaço para se movimentarem, em condições de limpeza e salubridade duvidosas. (Numa dada circunstância familiar em que foi necessário ver-nos livres de uma ninhada de cachorrinhos, pusemos dois dos cães numa loja de animais, na expectativa de que alguém os comprasse. Ao segundo ou terceiro dia, foi penoso vê-los fechados numa caixa onde mal se podiam mover e voltaram para casa. Penso que acabaram os dois por ser oferecidos.) 
À questão das lojas acresce, neste caso, a sugestão estúpida da oferta de um cão como presente de Natal, como faz a citada revista.
Fora do âmbito de uma decisão familiar em que sejam pesados todos os prós e contras do acolhimento de um cão (seja em que circunstâncias forem), a ideia de oferecer um cão como presente de Natal não é só redutor (não é de objectos que estamos a falar!) como levanta outros problemas, até sociais: quem oferece sabe se a pessoa a quem é oferecido o cão pode, e quer, ficar com ele? Tem condições, todas elas, para ficar com um? Está disposta a dedicar parte do seu tempo, do seu dinheiro e do seu afecto a um cão? Ou será apenas mais outro cão condenado ao abandono?
A imprensa portuguesa deu em pensar pouco, nos últimos anos, mas... tão pouco?




sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

Como se mata uma cidade




 

 

 



















A Rua de Camões, em Caldas da Rainha, já foi uma rua de comércio. Hoje pouco resta (e é nela que ainda sobrevive a Pastelaria Machado, que faz o melhor bolo-rei que já comi até hoje). Era o principal acesso ao Hospital Termal e, a pé, a melhor via de entrada no Parque D. Carlos I.
As obras municipais (que alguém, só por sarcasmo, designou por "regeneração urbana") fecharam a rua há alguns meses e o pavimento é hoje uma espécie de pântano. Ontem à tarde estavam dois homens no meio das obras e a ninguém poderia parecer que estivessem de facto a trabalhar.
Na rotunda que lhe está pegada, misturam-se umas pindéricas decorações natalícias (ausentes da Rua de Camões) com a melancólica estátua da Rainha D. Leonor e os inevitáveis caixotes de lixo verdes e de ostensivo mau aspeto a que a Câmara Municipal de Caldas da Rainha tem tanto amor.
As obras faraónicas onde esta Câmara Municipal tem estado a enterrar milhões de euros servem, muito objectivamente, para isto: para matar a cidade.
 

Há males que vêm por bem

 
Um bom pretexto... (© "Gazeta das Caldas")
A conclusão do parque de estacionamento que, pelos vistos (esqueçam lá as coisas bordalianas...), vai ser a imagem de marca da cidade de Caldas da Rainha, anda a ser adiada de mês para mês, porque chove ou porque não chove ou por mais isto ou menos aquilo.
E com esses argumentos a valerem cada vez menos, o presidente da Câmara Municipal de Caldas da Rainha teve direito a um "presente de Natal": a queda, no local, de uma grua da empresa construtora. Numa feliz e curiosa lógica de 2 em 1: não só não houve danos pessoais mas já há um pretexto mais sólido do que as condições meteorológicas para mais adiamentos porque, como o próprio se apressou a declarar, a obra fica mesmo suspensa.



... para mais um adiamento nas obras "coreanas"
do "grande líder" da "nova dinâmica" (© Mais Oeste Rádio)




E se fossem eles a pagar a conta?

 
Devia haver uma combinação de mecanismo legal com honestidade intelectual que obrigasse os defensores dos sorvedouros de dinheiros públicos (como a TAP ou a RTP, por exemplo) a pagarem eles a conta.
Se isso acontecesse, a grande maioria desistiria imediatamente de abaixo-assinados e opiniões que só tendem a justificar o desperdício do "dinheiro dos contribuintes" no pagamento do conforto de algumas minorias.

quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

A "nova dinâmica" das obras em Caldas da Rainha é assim: um "dolce fare niente"...





É assim que correm as obras municipais de Caldas da Rainha: na Rua de Camões, às 15 horas, estão só dois homens, um deles com um colete da empresa Constradas, o outro não; o primeiro anda de um lado para o outro a fazer não se sabe o quê, o outro, no cimo da sua "máquina", de perna cruzada, vai "galando" as miúdas que passam enquanto tamborila com um garrafão de plástico. 

quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

"Portanto, o PS quer uma justiça exclusiva para os seus políticos?"


É este o título do meu artigo no blogue Tomate-Combate de Ideias, que pode ser lido na íntegra aqui, e que começa assim:

É o que parece e não há quem o negue. Antes pelo contrário. 
A romaria de dirigentes (alguns dos quais ex-altos dirigentes do Estado) e militantes do PS ao Estabelecimento Prisional de Évora, onde se encontra detido preventivamente o ex-primeiro-ministro, tem-se caracterizado por declarações de um duplo padrão: (a) José Sócrates está inocente e (b) o que estão a fazer-lhe (pela mão de um juiz de instrução e do Ministério Público e depois pela mão do Supremo Tribunal de Justiça) é uma «infâmia».
O outro lado da moeda das declarações de Mário Soares, Manuel Alegre, António Campos, Fernando Gomes, António Guterres e “tutti quanti” é este: José Sócrates não devia estar em prisão preventiva, por ter sido primeiro-ministro e do PS e as normas do processo penal (em que os governos do PS tiveram muito a dizer) não se lhe deviam aplicar porque, por definição, só pode estar inocente.
 
 

A treta do Orçamento Participativo de Caldas da Rainha


Escrevi-o aqui em 31 de Outubro: a grande maioria das propostas feitas ao abrigo do Orçamento Participativo de Caldas da Rainha referiam-se a obras que são, pura e simplesmente, da competência dos órgãos autárquicos. Ou seja, da Câmara Municipal (que tem estado a enterrar milhões de euros nas obras faraónicas da capital do concelho) e das juntas de freguesia.
Das 30 propostas selecionadas para uma votação que na prática já acabou, eram pouquíssimas as de iniciativa popular e social que não caíam na alçada de competências (tecnicamente falando...) da câmara e das juntas, como se pode ver aqui. E foram essas, em especial, as que ficaram logo de fora.
Duas delas contemplavam iniciativas de apoio e de acolhimento a cães e gatos abandonados e pareceu-me, desde o início, que pela sua importância humanitária e alcance social, deviam ser contempladas.
A visita que hoje fiz ao site da Câmara Municipal onde é possível votar foi decepcionante. As duas propostas a que me refiro foram consideradas não elegíveis e verifica-se que são as propostas de obras (de competência municipal, repito) que ficaram melhor colocadas. Portanto, saí (do site) como entrei - sem votar.
É inútil fazê-lo, em especial quando todos os projectos se referem ou a outras freguesias que não aquela onde moro (e que está cada vez mais abandonada pelo poder autárquico local) ou a zonas da capital do concelho, que é uma espécie de umbigo para onde a elite local olha com grande enlevo.
É possível que o conceito de Orçamento Participativo noutros concelhos tenha uma aplicação bondosa mas, aqui, não há que medir as palavras: na prática, é uma treta.
 
 
Se calhar também é preciso que o Orçamento Participativo
sirva para repavimentar a zona da fonte das rãs...
 
 

EDP - A Crónica das Trevas (66)

Não há iluminação pública. Os candeeiros lá fora estão todos apagados. Portanto, telefono para a linha de avarias da EDP, que oferece a quem telefona várias opções: se é na rua, se é um candeeiro, se, etc.
Depois desta triagem aparece uma voz humana. Avaria na iluminação pública? E onde? O que o idiota me pede é o "código de identificação do local", código que diz respeito à casa. Digo-lhe que a avaria é na rua. Pede-me o número de contribuinte. Digo-lhe que não sou proprietário da via pública. Pede-me o nome da rua e da localidade. Dou-lhe as informações mas acrescento que só a localidade (uma povoação no meio do campo) talvez não chegue e pergunto-lhe se quer o código postal (que indica a freguesia). O idiota responde que "o código postal é para os CTT".
Isto foi ontem à noite. Quase nove horas depois os candeeiros continuam apagados e a rua pertence ao Reino das Trevas da EDP.


Actualização: Menos de meia hora depois de ter publicado este post, as luzes acendiam-se. Às 9h47 (doze horas depois de ter feito o telefonema para a EDP) telefonou-me um sujeito "da EDP" de um telemóvel ("É o sô Pedro?") que andava na zona (não que eu o visse, ou os visse...), à procura da avaria. Os candeeiros, entretanto, já não estavam acesos. 

segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

Moscovo, Dezembro de 1984: o Natal do sargento Ulianov

 
Respeitando o espírito da época e as características do então sargento Ulianov, do KGB, eis "O Natal do Sargento Ulianov", um conto de Natal (publicado agora no blogue Crónicas de uma Leitora, onde pode ser lido na íntegra) que é o prólogo do futuro "Ulianov - A Conspiração das Águas", uma história das origens de Ulianov passada na então União Soviética entre 1984 e 1989.
Eis como começa:


Olho para o espelho e vejo o rosto límpido de um homem que tenta dissimular a sua juventude. Só tenho vinte e dois anos mas quero parecer mais velho. Não quero ter estas faces onde a barba alourada demora a crescer, não quero ter a palidez de um rosto adolescente, nem os olhos verdes que parecem fugir do mundo. E gostava de ter um espelho à minha altura, que não me cortasse a parte de cima da cabeça.
Acabei de ser promovido a sargento no Comité para a Segurança do Estado e dizem-me que sou um dos mais jovens elementos do KGB a alcançar tão rapidamente esta posição.
— Mereceste-a — disse-me o camarada Dolbin. Vladislav Andreevich Dolbin. O major Dolbin, um histórico do KGB. Esteve comigo no último exercício. Impassível, enquanto eu enfrentava o meu oponente: um homem ágil, vindo não sei de onde. Talvez fosse um prisioneiro ansioso por se escapar. Talvez lhe tivessem prometido que o deixariam escapar-se se me vencesse. Tinha preparação militar e movia-se bem. Se não estivesse tão magro seria talvez maior do que eu. Mas não venceu. Deixei-o no chão, onde caiu, com o pescoço partido.
 

domingo, 14 de dezembro de 2014

"American Horror Story": desaparecida

A série "American Horror Story", cuja quarta temporada estava a ser transmitida pelo canal Fox na televisão por cabo portuguesa, desapareceu de repente.
Depois do episódio 7, já estão em falta os episódios 8 e 9 (transmitidos nos EUA nos dias 3 e 10 deste mês). Por cá, mesmo no site da Fox, nada se sabe.
É um dos problema dos canais da televisão por cabo: como não são directamente pagos pelos espectadores, não se sentem obrigados a prestar contas a ninguém.
 
 
 
 

Pai extremoso ou manipulação da justiça?


António Campos deve ser um pai extremoso e só isso justificará as suas declarações portentosas ("bomba atómica da justiça"?!) à porta da versão eborense da Capelinha das Aparições onde foi preencher a vaga deste sábado na romaria do PS ao endeusamento do ex-primeiro-ministro ora detido.
António Campos é pai de Paulo Campos, o secretário de Estado do anterior governo do PS que era o interlocutor do Estado com as empresas de construção e outras (como o Grupo Lena, onde esteve o também detido amigo do ex-primeiro-ministro) em matéria de autoestradas, do qual já se disseram coisas na imprensa (em versão "alegadamente") que não abonam muito a seu  favor.
E se não se aplicar a explicação da condição paterna para este delírio de António Campos (que estará a defender o filho... preventivamente), o que temos é uma coisa muito pior e muito mais grave.
Reiteradamente, um partido que já foi governo, de onde saíram muitos ministros, primeiros-ministros e presidente da República e cujo actual secretário-geral foi ministro da Justiça e é advogado, está, já com carácter de campanha, a dizer que o sistema judicial está a actuar mal e com preconceito político no "caso Sócrates".
A mensagem do PS, a ser isso, é muito clara: quando regressar ao Governo, o PS vai condicionar a justiça para fazer apenas como e aquilo que lhe convier.



Paulo Campos, com o seu superior Mário Lino (ministro das Obras Públicas),
 de quem José Sócrates também era superior hierárquico
António Campos na romaria eborense a defender o filho...
ou a manipulação dos juízes?
 

sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

Finalmente!





Nunca pensei que isto acontecesse mas aconteceu: a "Gazeta das Caldas", cujo director é amigo do presidente da Câmara Municipal de Caldas da Rainha, põe directamente em causa o dito presidente a propósito do atraso (sete meses!) que já levam as obras de construção do estacionamento subterrâneo (de cuja utilidade muito duvido).
Resumindo (e está bem à vista na primeira página):
 
- esta construção iniciou-se em 16 de Dezembro do ano passado;
- devia estar contratualmente terminada em 30 de Junho deste ano;
- em Agosto o presidente da Câmara garantia que as obras terminariam em finais de Outubro;
- em Setembro a mesma personagem garantia que as obras terminariam em finais de Novembro;
- agora parece que o novo prazo já é Janeiro;
- a Câmara não irá pedir indemnização pelo atraso à sua "amiga" Agrupamento de Empresas Ferreira Edinorte Sul AC (o que é estranho...);
 
O texto é assinado pelo jornalista Carlos Cipriano, que na sua qualidade de correspondente do "Público" já dera uma página desse jornal de Lisboa aos atrasos generalizados das obras camarárias em Caldas da Rainha, e na rubrica de opinião "A Semana do Zé Povinho" aparece pela primeira vez desde as eleições de Setembro de 2013 uma crítica severa à câmara de Caldas da Rainha (e à tal empresa).

quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

Ficar calado é melhor do que deixar entrar a mosca ou sair asneira...

 
E de repente vão mosquitos por cordas devido à "visita-surpresa" do ministro da Saúde ao hospital de Caldas da Rainha (o Centro Hospitalar Oeste Norte).
Isto apesar de, terminada a visita, a administração do CHON  ter dito que se "perspectivava" a "possibilidade de a curto prazo sem desbloqueadas algumas situações pendentes" e "o compromisso para, cumpridas avaliações prévias, avançar com as obras necessárias para o alargamento da Urgência, melhorando de forma significativa as condições físicas de movimento", o que até corresponde a uma manifestação pública que houve há cerca de duas semanas.
A "visita-surpresa", no entanto, excitou os políticos locais. 
Da "situação" à "oposição" lamentou-se como "afronta" a visita, num onde se misturam a fome e a vontade de comer e algum disparate. Porque a visita, feita desta maneira, talvez dê melhor resultado do que num ambiente onde os membros dos órgãos eleitos haviam de querer lucrar alguma coisa. O PSD usaria o ministro para puxar dos seus galões e mostrar que conseguiria, para variar, uma grande coisa. Os seus adversários reivindicariam tudo e mais um par de botas. A visita, em regime de "happening", de pouco serviria. Seria um simples acto de propaganda.
A indignação dos adversários políticos da "nova dinâmica", sobretudo dos que mais atentos e conscientes se têm mostrado, é escusada. Quanto aos outros, a tentativa de se porem em bicos dos pés é, como de costume, um disparate só explicável pela sua ausência de agenda própria. 
E, já agora, a serem verdade os bons resultados anunciados pela administração, não quereriam dar à Câmara a satisfação de se poder enfeitar com eles, pois não?


A "oposição" tem muito mais com que se indignar, em Caldas da Rainha, se quiser...

O "Observador" a descobrir a pólvora

Hoje parte um comboio de Lisboa para o Porto. Hoje parte um comboio do Porto para Lisboa. Isto é notícia? Só o será se este movimento de comboios sofrer alguma alteração e por algum motivo que não uma simples avaria.
Mas para o "online" "Observador" isto é capaz de ser notícia, tipo invenção da pólvora.
É um simples exemplo para ilustrar o que verdadeiramente acontece. É este jornal (de que se esperaria melhor) que noticia com grande destaque que "A tragédia de Shakespeare que fez desmaiar a audiência chega aos cinemas". Como se fosse a primeira vez. Só que não é.
"Titus Andronicus", a peça em questão, já tinha "chegado ao cinema", por exemplo em 1999 (realização de Christopher Dunne) e em 2000 (real. Richard Griffin) e à televisão por várias vezes (num telefilme de 1985, realizado por Jane Howell).
A informação está à disposição de toda a gente no sempre inestimável IMDB. É tão simples como isso.
 

segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

A "jihad" contra os juízes do partido que quer ser governo

Primeiro foi o "pai fundador" Mário Soares ("uma infâmia"), depois um ex-ministro (Silva Pereira, a prestar jura de "inocência"), agora um presidente de câmara: Guilherme Pinto foi de Matosinhos ao Estabelecimento Prisional de Évora garantir também que o ex-primeiro-ministro Sócrates está "inocente" e que "os que o mantêm preso" são "cobardes". Ou seja: o juiz de instrução que, de acordo com a Constituição e o edifício jurídico do Estado, determinou a prisão preventiva do arguido José Sócrates.
E haverá mais, certamente. Uns por legítima amizade, outros para serem vistos (nunca se sabe, as coisas às vezes alteram-se), outros para terem uns minutos de fama nas televisões, outros ainda por conveniência muito própria...
Vamos, com toda a probabilidade, ter o PS inteiro a desfilar pela cadeia de Évora, numa verdadeira guerra santa contra o poder judicial, protestando, desafiando, manifestando-se.
Que um partido marginal o faça (ainda se lembram das campanhas do MRPP a favor dos seus "presos políticos" já depois do 25 de Abril?), é natural. 
Mas que o faça um partido que já foi governo e que quer ser outra vez, que tantos Presidentes, primeiros-ministros, ministros e secretários de Estado (e outros) deu ao mundo é que se torna, no mínimo, estranho.
Se o PS não gosta do poder judicial no "caso Sócrates", o que nos garante que, apossando-se do Governo, não o queira manipular e controlar e, até, vingar-se da "infâmia"?

domingo, 7 de dezembro de 2014

"The Walking Dead": que interessa?

Uma das chaves de uma série de televisão de êxito é a existência de uma ou várias personagens capazes de prenderem a atenção dos espectadores (e, mesmo, de permitir que se identifiquem com ela, ou elas) durante as muitas horas de narrativa que se vão seguir.
Como em toda a ficção, os espectadores seguirão com interesse as peripécias, as aventuras, os dramas, os perigos e os humores de uma dada personagem. E de episódio em episódio, de temporada em temporada, renovam-se os laços de interesse.
É aqui que "The Walking Dead", nesta temporada (que fechou para um intervalo na semana passada), começa a falhar.
Depois de diálogos intermináveis e de não ter conseguido, com êxito, substituir a emoção da ameaça dos "zombies" por outros elementos de interesse, a narrativa dispersou-se por várias personagens, desviando-se da personagem fundamental que é o xerife Rick Grimes, que só parece servir para criar situações de clímax no final de cada temporada.
A sequência final do episódio da semana passada, com a morte da jovem Beth (situação apresentada como grande reviravolta), foi uma surpresa daquelas de encolher os ombros e de perguntar: que interessa?
E quando uma série chega a este ponto... que interessa, verdadeiramente, que continue ou que lhe ponham fim, ao começar a perder espectadores?
 
 
Com Rick Grimes (Andrew Lincoln) afastado do centro do palco e zombies já banais,
"The Walking Dead" começa a decepcionar
 

sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

Vai ou não vai?

 
Mário Soares foi secretário-geral do PS, primeiro-ministro e Presidente da República. António Guterres foi secretário-geral do PS e primeiro-ministro (e ainda não é Presidente da República). Almeida Santos foi presidente do PS e ministro. Fernando Gomes foi ministro (e teve um problema com uma fundação, mas disso já ninguém se lembra. Vieira da Silva foi ministro e aparece todos os dias na televisão.
Estes rostos do PS já foram todos a Évora visitar o ex-primeiro-ministro ora detido. Foram por amizade, como disseram. E, até por lá terem ido, os seus passos hão de ser seguidos por muitos outros "notáveis" do PS, e por outros menos notáveis.
E António Costa? Também lá irá?
Se não vai a Évora, estará ostensivamente (como o tem feito até agora com uma prudência pouco inocente) a hostilizar o arguido preventivamente detido que já foi secretário-geral do PS, primeiro-ministro, que já não poderá ser Presidente da República e que o ajudou a tirar o PS a António José Seguro.
Mas, se vai a Évora, estará a prestar vassalagem a um homem que conseguiu a proeza de ser um rosto idolatrado do PS para depois vir a ser indiciado por crimes que não se esperará que um primeiro-ministro cometa de forma tão vistosa.
Portanto, entalaram Costa. E agora?


Entalado numa porta giratória...


Actualizando: o "Expresso" noticia hoje (6.12.14) que o agora secretário-geral do PS irá visitar o detido no Natal, em "visita pessoal". Se vai por decisão e convicção pessoais está a colar o "seu" PS ao do ex-primeiro-ministro ora detido, verificando-se que afinal não separa a política da justiça; se vai também por obrigação, porque os outros já lá foram, é porque não é capaz de se afirmar independentemente da "nomenklatura" do próprio partido. A vida é como é e o PS nunca deixará de ser o partido do primeiro chefe de Governo a ser detido preventivamente por suspeitas de corrupção, branqueamento de capitais e fraude fiscal.

quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

Uma romaria problemática

 
É obviamente defensável que os amigos do ex-primeiro-ministro ora detido o visitem no Estabelecimento Prisional de Évora (mesmo que se possa pensar que o putativo candidato a Presidente da República que se sabe ser o alto-comissário das Nações Unidos para os Refugiados tenha ido à capital alentejana por pensar que o arguido em questão está lá refugiado) mas a romaria, conjugada com o que o detido tem comunicado para o exterior (e vale a pena atender aos termos desta última carta e à sua escrita rasurada e excitada), pode não ser a terapia mais indicada para uma situação bastante instabilizadora.
E, além do mais, haverá que perguntar um dia destes: os "notáveis" visitantes do ex-primeiro-ministro ainda o irão visitar se ele for condenado em tribunal?

quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

Era uma vez "uma pequena cidade"... que só tinha uma boa escola

"Pode ser surpreendente para o país que a escola pública com a média mais alta nos exames nacionais do secundário fique numa pequena cidade, com menos de 30 mil habitantes" - é assim que começa a notícia ("Chegou a hora de Caldas da Rainha") do "Expresso" do passado sábado sobre os "rankings" de estabelecimentos de ensino onde aparece em lugar destacado a Escola Secundária de Raúl Proença, na capital do concelho de Caldas da Rainha.
O tom vagamente surpreendido e até irónico desta notícia do "Expresso" revela a verdadeira imagem de Caldas da Rainha.
Bordalo Pinheiro? A tradição brejeira da cerâmica local? A frente de mar do concelho? A Lagoa de Óbidos? Não, a cidade de Caldas da Rainha não passa de "uma pequena cidade, com menos de 30 mil habitantes".
A educação é, tradicionalmente, uma zona de más notícias e um dos elementos que para isso contribui é, por exemplo, a sombra negra de um sindicalismo que se julga proprietário das escolas.
A boa notícia da Escola Raúl Proença tem um duplo mérito: reconhece o esforço dos profissionais locais e põe Caldas da Rainha (cidade mas também concelho) no mapa, mesmo que por pouco tempo.
Não há, por estas bandas, Câmara Municipal ou outras entidades públicas e privadas, que tenham conseguido fazer algo parecido nos últimos anos. E é por isso que Caldas da Rainha continuará sempre a ser "uma pequena cidade" sem mais nada que a distinga.
Mas deve ser o que querem os caldenses...
 
 
 
O presidente da Câmara (à direita): é tudo uma questão de imagem...
 


O "ranking" dos popós dos papás

Uma das coisas que devia contar para o "ranking" das escolas básicas e secundárias devia ser o parque automóvel dos pais e mães, dos tios e tias e dos avôs e avós, que é exibido sempre à porta das escolas, por cima de passadeiras de peões e de passeios, a bloquear o trânsito e todas as mais pequenas vias de acesso.
É como se as coitadinhas das criancinhas (de todas as idades e de todos os tamanhos) não pudessem andar uns metros para chegar à entrada da escola, nem andar uns metros para saírem dela. É natural o recurso aos transportes particulares, sobretudo nas cidades onde são praticamente inexistentes os transportes públicos (pelo menos na sua periferia) mas este afã dos familiares, de levarem as suas viaturas mesmo até ao portão de cada escola, é no mínimo idiota. Até porque não acredito que estas mesmas pessoas façam o mesmo quando os respectivos jovens saem para a "noite".
É isso também que me faz pensar que a intenção é apenas a de mostrar os popós, para confirmar o seu estatuto social. Será?

segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

E viva o novo estacionamento subterrâneo de Caldas da Rainha


... Que está pronto, não está?
 
Segundo garantia a "Gazeta das Caldas" na sua edição de 29 de Agosto deste ano: 
 
- o parque de estacionamento subterrâneo (na Praça do Município) estará concluído "a 3 de Outubro" (notícia na pág. 6, que não cita fonte);
- o parque subterrâneo estará concluído "em Outubro, Novembro" (segundo o presidente da câmara, citado na mesma edição na pág. 32).
 
Estamos a 1 de Dezembro e nada disto aconteceu.
 
 
Numa cidade pequena sem problemas de estacionamento faz mesmo falta um parque de estacionamento subterrâneo gigantesco que custa 4 milhões de euros
 
 

Uma proposta modesta para os autores em "self-publishing"


Títulos pronto-a-vestir tipo Empresa na Hora:


A Cidade dos Pinguins Uivantes (drama social)

O Pico que Pica no Inverno do Nosso Descontentamento (romance histórico)
 

A Ria Que Não Corria (poesia)

O Meu Avô Vivia na Gaveta do Meio da Mesa de Cabeceira (memórias)
 

A Marcha Lenta do Caracol na Parede da Casa (romance)
 

Orvalho Nocturno, Lágrima Diurna (história de amor)
 

Hóstias Fálicas (pedofilia na Igreja)
 

O Flautim do Conquistador (porno para mamãs)
 

A Cadela do Colar Vermelho (porno para papás)
 

Falas como Falo (porno para intelectuais)
 

A Minha Sopa de Peixe É Melhor do que a Tua (receitas ditas por apresentadores esgazeados de televisão)

domingo, 30 de novembro de 2014

O "prato de Petri" dos salvadores da Pátria



 
A sucessão de " casos" que terminaram (as condenações de Armando Vara e de Duarte Lima) e de outros que começaram (as suspeitas sobre Ricardo Salgado e José Sócrates), que corresponde ao funcionamento normal de um dos pilares do Estado de Direito (por coincidência depois de substituído um procurador-geral que ficará para sempre associado ao primeiro primeiro-ministro português detido por suspeitas de vários crimes económicos) abre um vazio quase "espiritual" na relação da população com os partidos políticos.
Enquanto os partidos das "franjas" (o CDS e o PCP) vão passando por entre os pingos, os mais afectados são os do "centrão", o PSD e o PS do "bloco central" de onde saem os governos.
E esse vazio, que precisa de ser corrigido em cada um dos partidos, transforma-se num "prato de Petri" onde medram todos os salvadores: o advogado que anda a saltitar à procura do poiso mais lucrativo, o ex-autarca que se transforma em pregador televisivo, o reitor que disse mal da austeridade, o presidente de câmara que de certeza quer vir a ser mais alguma coisa. E até às eleições legislativas de 2015, para já não falar nas presidenciais, ainda há de aparecer mais alguém.
Só que destes salvadores da Pátria verdadeiramente nada se sabe. O que se propõem realmente fazer não passa de "slogans" nem sempre bem escritos. E talvez seja por isso que conseguem arrastar seguidores, iludindo mesmo pessoas que não se pode dizer que sofram de iliteracia política.
O Estado de Direito, que até precisaria de uma constituição mais pragmática e menos doutrinária, sobreviverá e o sistema político parece suficientemente estabilizado para não favorecer os aventureiros. Mas há riscos.

quinta-feira, 27 de novembro de 2014

Porque não gosto dos CTT (87): serviço "Siga" não, vá bardamerda e volte amanhã

 
A empresa CTT apregoa o maravilhoso serviço "Siga", de reencaminhamento; tem os pormenores (nem todos, claro) nos avisos de recepção; tem uma linha telefónica paga por quem telefona onde é hábito esperar e esperar e esperar. Para depois não haver "Siga" para ninguém porque a informação dada (no caso de um registo) é a de que só se pode pedir o reencaminhamento no dia indicado para o levantamento do registo.
É um "bardamerda" em jeito de "volte amanhã", "vá de volta", "não chateie". Porque podia haver uma indicação bem clara logo a começar.
E não há por incompetência, pura e simples, ou porque os números telefónicos "707" também darão dinheiro a quem recebe as chamadas?

quarta-feira, 26 de novembro de 2014

Um primeiro-ministro feroz

... foi uma das personagens (um dos "bad guys", como se costuma dizer) do meu livro "Triângulo", o terceiro andamento da colecção Não Matarás (Asa/Leya) que saiu em 2012.
O caso deste primeiro-ministro ligava-se a uma rede onde se cruzavam negócios vários (lícitos e ilícitos). Depois de "Triângulo", a Leya decidiu cancelar esta série. O seu herói, o inspector Joel Franco, da Brigada de Homicídios da Polícia Judiciária, reapareceu este ano no meu "Morte nas Trevas".



terça-feira, 25 de novembro de 2014

25 de Novembro


 
A minha evocação do 25 de Novembro, com uma história que começa com um homicídio praticado por militares revolucionários, nesse dia tão especial de 1975: "Vermelho da Cor do Sangue", o número dois da série Não Matarás, Asa/Leya, 2011.




A propósito do "caso Sócrates"...

 
Não percebo o porquê de tantas preocupações sobre o que "lá fora" se pensará de Portugal quando um ex-primeiro-ministro é feito arguido e fica preso a aguardar julgamento por suspeitas de branqueamento de capitais, fraude fiscal agravada e corrupção. O certo é que, a confirmarem-se as suspeitas, Portugal demonstrou que podia pedir responsabilidades por atos que terão sido criminais a uma das principais figuras do Estado. Não é que toda a gente tem andado a exigir?
 
É vergonhoso ouvir algumas criaturas do PS, que decerto sabiam mais sobre o ex-primeiro-ministro ora preventivamente detido do que muita gente, a bramar contra a quebra do segredo de justiça. Não faltaram casos de violação grosseira do segredo de justiça nos muitos anos da governação do PS e essas criaturas mantiveram-se sempre indiferentes.
 
Suponho que ninguém acredita que o ex-primeiro-ministro queira ler manuais de filosofia em francês durante a sua estadia prisional em Évora (não é uma leitura nada entusiasmante) mas o pedido de alguns livros desse tipo, relatado pela sua ex-mulher, não deixa de ter graça.
 
Com o ex-procurador-geral da República debaixo de fogo por causa do seu encontro com o ex-primeiro-ministro (e segundo as suspeitas suscitadas por uma escuta telefónica, segundo o "Correio da Manhã"), seria altura, finalmente, de escrutinar o que fez e não fez a Procuradoria-Geral da República sobre as muitas suspeitas que se foram avolumando ao longo dos anos, nomeadamente sobre o "caso Freeport", a licenciatura que nunca existiu e o mais recente "caso 'Face Oculta'". E, claro, sobre o grotesco episódio das tesouradas nas escutas do "Face Oculta". A simpatia que Pinto Monteiro tributa agora a José Sócrates não deve ter nascido ontem.
 
Seria interessante saber o que teriam a dizer Manuela Moura Guedes e António José Seguro sobre tudo isto mas... alguém lhes terá ido perguntar alguma coisa?
 

segunda-feira, 24 de novembro de 2014

A irrelevância

 

Nas eleições autárquicas de Setembro de 2013, o Berloque de Esquerda extinguiu-se, eleitoralmente, em Caldas da Rainha, ao perder votos e presença na Assembleia Municipal.
O seu candidato esfumou-se, depois de vários "números", que incluíram um ataque reles ao autor deste blogue.
Hoje, em Caldas da Rainha, o BE é conhecido pelos elogios do seu novo/velho representante ao presidente da Câmara (PSD) e por uma pouco edificante cena de batatada.
É oportuno recordar isto (e que o então berloque-chefe prometeu tirar desforço da minha reação à sua pequena canalhice em Outubro... do ano passado) quando se vê o estado de degradação do BE e a agonia em que entrou.
De uma liderança bicéfala passou a uma coisa partida ao meio e já não parece conseguir impedir que os seus votos sejam absorvidos por alguns abutres políticos.
Não é uma surpresa. É só a confirmação da sua irrelevância.



domingo, 23 de novembro de 2014

O triunfo de Costa: xeque ao rei, com possibilidades de ser xeque-mate


Mais eficaz do que o seu antecessor
a libertar-se de um passado incómodo? 

Reparem bem: o grande triunfador deste fim-de-semana de facas longas, dominado pela detenção do antigo secretário-geral, é o novo secretário-geral do PS. António Costa, entronizado ontem, é um dos grandes beneficiados pela prisão de José Sócrates e pelas acusações que caem finalmente em cima da cabeça do ex-primeiro-ministro.
O PS ainda pode vir a ser prejudicado eleitoralmente por este caso, se a responsabilidade do ex-primeiro-ministro escorrer para outros camaradas seus, mas António Costa já não.
O novo secretário-geral do PS livrou-se da sombra do anterior rei e da sua corte. Com Sócrates isolado, os apoiantes do ex-primeiro-ministro ficam isolados, perdem uma bandeira agregadora, têm de abandonar (pelo menos durante muito tempo) a esperança de um regresso do paladino deles. Candidato a Presidente da República? Não, Sócrates só se levantará (por "feroz" que seja) no caso de uma absolvição absoluta... e daqui a quanto tempo é que isso poderia acontecer? As acusações são pesadas e o que já se vai sabendo é arrasador.
António Costa é advogado de profissão, foi estudante na Faculdade de Direito de Lisboa e, como tal, colega de muitos magistrados e de muitos profissionais ligados ao Direito. Foi quase sempre um estratega cauteloso no seu percurso político. Foi ministro da Justiça, com a tutela do sistema judiciário.
O xeque ao rei que atirou José Sócrates para os calabouços (como a imprensa gosta de dizer) da PSP foi uma jogada perfeita. É natural que se transforme num xeque-mate.
No seu discurso de ontem à noite, no PS onde agora reina em estado de monarquia absoluta, António Costa foi claro.
Não se mostrou contristado mas afirmativo. Não deixou uma palavra ao rei caído em desgraça. Nem estendeu a mãos aos "socratistas". Foi um dia perfeito. O xeque-mate, depois disto, também será dele.
 
 
 
 

sexta-feira, 21 de novembro de 2014

"Happy Valley": se Ken Loach refizesse "The Wire"...



Sarah Lancashire nas ruas de um vale onde a felicidade é poder sair de lá
 
Uma cidade do interior num vale de Yorkshire, no Reino Unido, onde a única alegria é a certeza de sair de lá (segundo a canção de Jake Bugg) é o cenário da mini-série inglesa "Happy Valley", um exemplo grande do "thriller" que, respeitando todos os cânones do género, dá a maior das atenções às questões sociais.
Criada por Sally Wainwright, argumentista, produtora e realizadora, esta mini-série televisiva de seis episódios e 351 minutos tem como grande intérprete a actriz Sarah Lancashire, sargento da Polícia local que, como mandam as regras britânicas, não usa arma de fogo. Começa com um contabilista a precisar de mais dinheiro, o regresso do violador da filha morta da polícia Catherine Cawood, um rapto e tudo começa a correr mal. A toda a gente.
Sarah Lancashire (Catherine Cawood) é uma polícia inesquecível e, pela sua mão, o "thriller" combina-se com o melodrama e com um retrato seco e frio de um ambiente urbano desolado. Há três sequências de grande violência (a morte de outra mulher-polícia e dois embates físicos entre Catherine e o violador da filha, e raptor e homicida, também) e nem um único momento de tranquilidade. A violência não precisa de tiros (os dois únicos tiros são no fim e um pouco à margem do essencial da história) e os rostos, os diálogos e os ambientes mais sórdidos fornecem os elementos fundamentais.
"Happy Valley" pode ser caracterizado por um simples cruzamento de dois factos: se o realizador britânico Ken Loach fizesse um "remake" da grande série "The Wire" em Inglaterra, seria algo muito parecido com "Happy Valley".
 

[Vi "Happy Valley" numa edição em DVD da BBC para o Reino Unido de 2014, legitimamente adquirida.]