domingo, 31 de agosto de 2014

Revisitando a Nazaré... e a Casa Pires

 
... Ou, melhor, o Sítio. Vista do miradouro, a Nazaré é mais interessante do é quando vista de muito perto, com a sua paisagem simétrica. A igreja, a Igreja de Nossa Senhora da Nazaré, é um edifício muito interessante por dentro e por fora. E a "Casa Pires" (de nome completo "Casa Pires A Sardinha", com site aqui) é local de peregrinação regular.


O Sítio, a Igreja de Nossa Senhora da Nazaré e, à direita, a Casa Pires (de cujo site foi retirada esta fotografia)

Não sendo entusiasta da caldeirada, a Casa Pires é o único local onde me desloco para a comer e, talvez mais do que o peixe fresco que este simpático restaurante propõe, é um prato absolutamente notável. Cuja apreciação faz, mesmo, esquecer a visão horrenda, numa mesa ao lado, de um casal de jovens a comerem sardinhas assadas regadas a Coca-Cola. Ou mesmo o aspecto desértico do Sítio quando os comerciantes, mesmo em Agosto, levantam estranhamente as suas bancas mal cai a noite.
Depois, o que também não deslumbra, antes pelo contrário, numa descida à própria Nazaré, é o acolhimento enfadonho e desdenhoso com que me deparo no pomposo "Taverna do 8 ó 80".
É um restaurante da moda, com uma lista extensa de gins "gourmet", onde já jantei e fui só para beber e que, nesta visita, tratou os dois clientes com um desinteresse sobranceiro.
A casa estava cheia de pessoas a jantar, que decerto terão merecido outras atenções, e dois espanhóis que na esplanada se deixaram ficar com dois copos de vinho foram melhor tratados do que os dois portugueses que lá deixaram quase 20 euros por dois desses gins "gourmet". Não devem precisar de clientes, possivelmente. Destes não precisam, pelo menos.

sexta-feira, 29 de agosto de 2014

Desvarios




A "obra do regime" de Fernando Costa/Tinta Ferreira: 4 milhões de euros enterrados
num estacionamento subterrâneo cujas receitas não vão dar para pagar a conta...

Mal vai uma cidade, um concelho, um regime ou uma câmara municipal que, no início do século XXI, tenha um parque de estacionamento subterrâneo como "uma das [suas] obras mais importantes".
Talvez o fosse se escavar solos fosse ainda feito à mão. Ou se a situação do trânsito fosse tão caótica como a de Lisboa num dia em que chovesse e todos os transportes públicos estivessem em greve. Ou, se essa imensa caverna fosse uma obra de arte. Mas não parece ser o caso.
Não obstante, esse estacionamento subterrâneo (localizado mesmo diante do edifício da Câmara Municipal para eventual deleite orgasmático dos seus dirigentes), onde vão ser literalmente enterrados 4 milhões de euros, é "uma das obras mais importantes de Caldas da Rainha", segundo a preclara opinião do jornal "Gazeta das Caldas", que nos oferece na edição de hoje um extraordinário desvario de informações.
A saber:
 
- o parque subterrâneo estará concluído "a 3 de Outubro" (segundo o jornal, p. 6, que não cita fonte);
- o parque subterrâneo estará concluído "em Outubro, Novembro" (segundo o presidente da câmara, citado pelo jornal, p. 32);
- houve atrasos nas obras que resultaram "do mau tempo durante o Inverno passado" (segundo o jornal, p. 6, que não cita fonte);
- houve atrasos nas obras que resultaram "do mau tempo e das infraestruturas encontradas, que não coincidiam com o que estava no cadastro" (informação atribuída ao mesmo presidente, p. 32).
 
Quanto a outra das obras, a repavimentação da Praça da Fruta, essa terminará "em finais de Setembro". Afirma-o o esforçado alcaide que, há duas ou três semanas, nem se arriscava a dar uma data. As obras deviam ter estado prontas em... 22 de Junho. Deve haver quem acredite, a começar pela "Gazeta".
E de quem é a culpa?
Do "mau tempo".
Sempre do "mau tempo".
Até admira que a "Gazeta" não ponha uma imagem de São Pedro na "Semana do Zé Povinho" para criticar o meteorologista divino. Mas já deve ter faltado mais tempo...

quinta-feira, 28 de agosto de 2014

O que deve fazer a oposição contra a "dinâmica" da estagnação do PSD caldense

O PSD ganhou as eleições autárquicas de Setembro do ano passado em Caldas da Rainha apregoando uma “nova dinâmica”. A dinâmica da dupla Tinta Ferreira/Hugo Oliveira está cada vez mais à vista por todo o lado: uma incompetência realmente dinâmica, porque nunca cessa, e o mergulho também imparável numa estagnação que ameaça tornar este concelho uma verdadeira irrelevância.
Mas os partidos que se declaram da oposição podem impedi-lo. Serão cúmplices se não o fizerem.



Para esta gente o lixo é fixe... não é?
 
No passado dia 15, ao final da tarde, a cidade de Caldas da Rainha estava cheia de carros. Era feriado, havia tourada e o centro transbordava de trânsito. Um veículo da empresa Resioeste parou nesta rua próxima da Praça da Fruta e despejou os contentores subterrâneos. Mas o lixo que estava no chão ficou no chão. Não sei por mais quanto tempo.
O que se vê na fotografia é puro e simples desleixo, é um puro simples desmazelo, um "estar-se nas tintas" para a limpeza da cidade, uma afirmação de porcaria.
De quem deitou o lixo para o chão mas também das autoridades municipais, que não só não estimulam a limpeza urbana como não a praticam. A preocupação com a imagem que tem a Câmara Municipal de Caldas da Rainha está circunscrita ao seu presidente e ao seu vice-presidente.
O resto não interessa. Nem tão pouco a impressão que os visitantes podem colher.
O descontrolo das obras na capital do concelho (cujas contas parecem, felizmente, começar a suscitar a curiosidade das oposições) e o desmazelo e o desleixo e a indefinição em torno do Hospital Termal são o que mais ressalta ao fim de quase um ano de gestão municipal do PSD caldense.
Como será daqui a três anos? Conseguirão os desastrados estrategas da "nova dinâmica" tirar alguma surpresa da cartola com que parecem querer enfeitar-se?
Os partidos da oposição têm, de maneiras diversas, mostrado a sua incomodidade.
À excepção do PCP (mais preocupado com o "pacto de agressão" e o governo nacional), o PS e o CDS têm tido intervenções esporádicas, indo um pouco mais além das habituais "provas de vida" a que a sua actividade se tem reduzido. O Movimento Viver o Concelho (MVC) foi o primeiro a alertar para o atraso nas obras e tem mantido uma atenção regular à situação.
O progresso do concelho e a correcção do rumo do Município parece ser uma preocupação consensual, que também alastra a sectores sociais e económicos. 
Todos estes aspectos exigem uma intervenção diferente: a concentração de esforços para encontrar uma plataforma para o curto prazo (uma intervenção comum do PS, do MVC e do CDS sobre as obras daria um relevo muito maior à situação) e, se todos souberem pôr os interesses da população e do concelho acima das suas contas de mercearia partidárias, uma dinâmica de consenso que pode abrir a possibilidade de derrotar o PSD caldense nas eleições de 2017.
A hegemonia do PSD caldense e o modo como condiciona o eleitorado não são uma fatalidade.
E quem preza o progresso e o desenvolvimento de Caldas da Rainha é decerto capaz de saber encontrar o que une e de pôr de lado o que divide.
A questão é se o quererá fazer.



Na Praça 25 de Abril, entre o majestático edifício da Câmara Municipal (aqui na fotografia), o Tribunal e uma igreja de perfil simpático, está a ser escavado um monumental parque de estacionamento subterrâneo. Mas, com facilidades de estacionamento por toda a cidade, que se atravessa facilmente a pé, terá clientes que o paguem? Ou tornar-se-á um "elefante branco" onde se enterrou dinheiro inutilmente?



Há poucos anos, o Complexo Desportivo era a coqueluche da Câmara Municipal de Fernando Costa. Os campos desportivos são utilizados mas o cenário exterior é este horror, uma imagem simbólica do que é a gestão municipal do PSD caldense e a sua incapacidade de fazer coisas de jeito.



terça-feira, 26 de agosto de 2014

A “dinâmica” da estagnação: como o PSD está a dar cabo de Caldas da Rainha (8)


O PSD ganhou as eleições autárquicas de Setembro do ano passado em Caldas da Rainha apregoando uma “nova dinâmica”. A dinâmica da dupla Tinta Ferreira/Hugo Oliveira está cada vez mais à vista por todo o lado: uma incompetência realmente dinâmica, porque nunca cessa, e o mergulho também imparável numa estagnação que ameaça tornar este concelho uma verdadeira irrelevância.


O regresso do rei?

Esta fotografia que apareceu no Facebook (e cuja autoria não consigo identificar) mostra um homem atento ao calcetamento da Praça da Fruta em Caldas da Rainha.
Não se percebe se o homem está só a apreciar o trabalho, se está a oferecer os seus "bitaites" ou, até, se deixou cair alguma coisa no chão (uma moeda, um anel, uma chave) e não a encontra.
O mistério foi desfeito pelo próprio, também no Facebook: trata-se do anterior presidente da Câmara Municipal de Caldas da Rainha, Fernando Costa, que fez alarde dos seus raides pela cidade e chegou a convidar um cidadão que o interpelou a ir ter com ele ao local a uma dada hora. E que assumiu o seu interesse pelas obras de calcetamento da Praça da Fruta que, como já sabemos, se arrastam há tanto tempo que o sucessor de Costa já disse que não conseguia prever uma data para a conclusão dos trabalhos.
Esta aparição do anterior presidente (que, depois de 28 anos de cargo, se viu impedido de se recandidatar) é extraordinariamente significativa, pelas interpretações que suscita:
(a) um qualquer cidadão pode, como Fernando Costa, ir atender às obras em curso;
(b) Fernando Costa considera que é necessária a sua intervenção para que o problema da Praça dos Nabos (como jocosamente a classificou outro caldense, José Rafael Nascimento) se resolva;
(c) ao intervir desta maneira, Fernando Costa (que sempre assim agiu no terreno, enquanto presidente) está a passar um atestado de incompetência ao herdeiro que designou (o actual presidente, Tinta Ferreira).
E talvez seja o melhor que pode fazer, se considerarmos esta hipótese.
 
 
Fernando Costa, o responsável
 
Porque, mais do que Tinta Ferreira e o seu número 2, Hugo Oliveira, Fernando Costa é o primeiro responsável pela degradação a que o PSD caldense já está associado, em todo o concelho e na sua capital (onde a Praça da Fruta, inacessível a comerciantes e visitantes, é um local emblemático).
Fernando Costa escolheu Tinta Ferreira, que era o seu número 2, para candidato do PSD à Câmara. Conhecia decerto as suas debilidades. Empurrou Hugo Oliveira para número 2 do seu número 2, sabendo talvez que Oliveira se moldaria a Ferreira como Ferreira se moldou a Costa. E o resultado é desastroso.
Em quase um ano não há, como temos demonstrado, um único domínio em que se possa elogiar a actividade municipal de Tinta Ferreira e de Hugo Oliveira.
Não se percebe o que levou Costa a escolhê-los, a não ser uma qualquer "D. Inércia" que possa habitar o PSD caldense como um esqueleto num armário. Por isso, o manifesto desaire de Ferreira e de Oliveira é o manifesto desaire de Costa.
Num meio político ideal (em que alguns ingénuos ainda acreditam), Fernando Costa teria percebido que não tinha um sucessor à altura (e talvez não seja arriscado dizer que Tinta Ferreira já fez mais em desfavor de Caldas da Rainha desde Setembro do ano passado do que Costa terá feito em 28 anos) e afastar-se-ia da contenda eleitoral. Ou então indigitaria, na qualidade de chefe regional do PSD, uma pessoa competente, capaz e inteligente.
Mas a política não é feita, na prática, de idealismos. E Fernando Costa, professor, advogado e presidente de câmara durante 28 anos, tem de sabê-lo. E de compreender, agora, que da sua escolha resulta o mergulho de Caldas da Rainha num pântano de estagnação.
E não lhe basta ir oferecer "bitaites" para a Praça da Fruta para limpar as mãos do desastre a que abriu as portas, quando escolheu tão desastrados sucessores. Tem de ir mais longe do que fazer de fantasma.

A seguir: Os outros partidos políticos


segunda-feira, 25 de agosto de 2014

A “dinâmica” da estagnação: como o PSD está a dar cabo de Caldas da Rainha (7)

O PSD ganhou as eleições autárquicas de Setembro do ano passado em Caldas da Rainha apregoando uma “nova dinâmica”. A dinâmica da dupla Tinta Ferreira/Hugo Oliveira está cada vez mais à vista por todo o lado: uma incompetência realmente dinâmica, porque nunca cessa, e o mergulho também imparável numa estagnação que ameaça tornar este concelho uma verdadeira irrelevância.


As três fotografias que se vêem em baixo, e que foram tiradas hoje, são de caleiras apresentas como solução milagrosa para o escoamento de águas pluviais num pequeno nó de ruas de acentuada inclinação numa povoação da freguesia da Serra do Bouro.
Estas caleiras (cuja história contei, no que é público, aqui) encontram-se obstruídas pela folhagem seca (e não só) e pela terra que vai deslizando de uma das encostas que a empresa construtora resolveu recriar com os riscos que estão à vista.





As caleiras foram dadas como solução milagrosa para o escoamento das águas pluviais.
Mas servem de reservatório de entulho e de vaso de flores... para canas
 
 
Não há, aqui, qualquer tipo de trabalho de manutenção. Também se pode dizer que, além dos moradores e de eventuais visitantes, ninguém repara.
A fotografia em baixo foi tirada a poucas dezenas de metros da rua das caleiras milagrosas, depois de um corte de vegetação na berma da estrada. Como se pode ver, a palha seca ficou onde caiu. É material altamente combustível.





 
Estes casos não são isolados. Há situações piores por todo o concelho, que têm a ver com construções deficientes e sem qualquer tipo de estudo prévio, fiscalização praticamente inexistente e ausência de manutenção.
E também com a desastrada reorganização das freguesias que, depois de um processo repleto de atitudes tão infantis como imbecis, deu origem a um concelho onde se concentrou tudo no interior urbano.
Fundindo à força freguesias por cima de freguesias, com outras freguesias pelo meio, o novo mapa rejeitou também uma perspectiva integrada para as suas quatro freguesias do litoral atlântico (Salir do Porto, Serra do Bouro, Foz do Arelho e Nadadouro), revelando os seus promotores (o ex-presidente da câmara, Fernando Costa, e o seu PSD amestrado) o maior desprezo pelo potencial turístico da região.



O que escrevi, em Novembro de 2012,
sobre a reorganização das freguesias de Caldas da Rainha, pode ser lido aqui.

Isto aconteceu em Novembro de 2012 e, desde então, a degradação tem sido a que se antevia.
Não se trata, apenas, do abandono das freguesias desprezadas e a transferência das reuniões das novas assembleias de freguesia para a cidade.
É, também, a transformação dos velhos serviços das freguesias numa espécie de correio: num dia entrega-se um documento (para carimbar e pagar) e dois dias depois vai-se buscar porque o documento tem de ir passear até à capital do concelho.
A reorganização das freguesias foi precedida por um debate pouco inteligente em que presidentes e membros de juntas de freguesia se apegaram aos seus lugares como cães vadios agarrados a um osso. Acenaram com o interesse e os direitos das populações. Depois desapareceram. E os interesses e os direitos das populações ficaram para trás como um osso já sem carne.
Este abandono do interior foi promovido pelo PSD, com motivações que não parecem ter passado da tentativa de perpetuar funções, e teve o apoio tácito dos outros partidos.
A "dinâmica" da estagnação conduzida pelo PSD caldense tem recolhido, em geral, o apoio (tácito, objectivo ou directo, pouco importa) das restantes forças partidárias. Há sinais ténues de que isso possa alterar-se e talvez devido aos esforços do movimento independente que no ano passado concorreu pela primeira vez à Câmara e à Assembleia Municipais.
Mas o apoio, como escrevemos ontem, também provém de quem tem a ganhar, muito ou pouco, com os actuais ocupantes do poder municipal.
Esses, a elite caldense, há muito que olham mais para os seus interesses e para o "chapéu-de-chuva" do PSD caldense do que para os interesses das populações.

Amanhã: Fernando Costa

 

domingo, 24 de agosto de 2014

A “dinâmica” da estagnação: como o PSD está a dar cabo de Caldas da Rainha (6)

O PSD ganhou as eleições autárquicas de Setembro do ano passado em Caldas da Rainha apregoando uma “nova dinâmica”. A dinâmica da dupla Tinta Ferreira/Hugo Oliveira está cada vez mais à vista por todo o lado: uma incompetência realmente dinâmica, porque nunca cessa, e o mergulho também imparável numa estagnação que ameaça tornar este concelho uma verdadeira irrelevância.
 
 
Pode haver eleições verdadeiramente livres quando um dos contendores domina grande parte do eleitorado pela via económica e pela influência que exerce na sua opinião? As eleições podem ser livres na medida em que o acesso às urnas de voto não é limitado. Mas o voto expresso pode não ser livre. Ou decidido em consciência. 
Por outro lado, se ninguém controla o preenchimento do boletim de voto, uma coisa é certa: na mente de muitos eleitores estará o receio de que um voto num partido, ou movimento, que não é o que domina a Câmara Municipal, se possa repercutir na sua própria situação económica. Porque a Câmara é o seu patrão ou sustenta o seu patrão.


O controlo quase absoluto
garante uma satisfação razoavelmente absoluta

 
Os resultados das eleições do ano passado em Caldas da Rainha ainda podem decorrer de uma imagem mais favorável, em termos de resolução de problemas, do anterior presidente da Câmara, Fernando Costa. Mas já será estranho que a preponderância do PSD se mantenha (apesar dos dois mil votos perdidos) nas eleições de 2017. Embora haja factores que o favoreçam.
Caldas da Rainha não é um concelho de grandes empresas, de centenas de postos de trabalho. O tecido empresarial local não é muito diferente do tecido empresarial nacional, onde as micro, pequenas e médias empresas constituem a maioria.
E essas empresas dependem, em muito, das estruturas municipais, da câmara e das juntas de freguesia. As contratações de serviços e a compra de bens e produtos sustentam essas empresas.
Mas a influência económica do poder camarário não se faz sentir só deste modo. A Câmara Municipal de Caldas da Rainha, contando os seus próprios funcionários e os postos de trabalho externos que sustenta, deve ser a maior entidade empregadora do concelho.
Os dados que constam do portal Base (relativos aos contratos por concurso público e por ajuste directo e que podem ser consultados aqui ao pormenor) dão uma ideia da actividade municipal neste domínio. É inevitável, sobretudo quando se repetem os adjudicatários, que a tendência dominante seja: "eu quero que estes ganhem porque voltarão a contratar-me".
Mas a influência da câmara não se faz apenas pela via económica. Ela faz-se também por via de uma comunicação social que lhe é abertamente favorável (o semanário "Gazeta das Caldas") ou cautelosa (o semanário "Jornal das Caldas") e até pelas relações de poder pessoais que se tornam fundamentais num meio pequeno.
A "Gazeta das Caldas" é o exemplo extremado do que a imprensa nunca deveria fazer. E é uma versão tardia de como era a imprensa (o "Diário de Notícias", por exemplo, antes do 25 de Abril.
Os erros desastrosos (em matéria de obras), as más opções políticas e a inépcia e a incompetência da actual gestão camarária não merecem a censura deste jornal, que tanto gosta de criticar. Nem tão pouco existem.
E, sem qualquer subtileza, o seu director aceitou o encargo de fazer o tal estudo sobre as termas de Caldas da Rainha em 2035. Não sendo jornalista, e talvez não compreendendo os princípios básicos da deontologia do sector, o economista que dirige a "Gazeta das Caldas" leva periodicamente aos seus leitores uma imagem de glorificação coreana do presidente da câmara, influenciando assim a opinião pública e o eleitorado.
 

O presidente da Câmara Municipal e o director da "Gazeta das Caldas", que nunca critica o presidente

Finalmente, um terceiro canal de influência do PSD de Caldas da Rainha na teia de influências que condiciona o eleitorado é o dos relacionamentos pessoais: o mesmo "prato de Petri" formativo (a experiência da Universidade Autónoma de Lisboa com os seus cursos à distância), a convivência nos meios mais selectos e discretos (religiosos e não confessionais), os conhecimentos mútuos num concelho pequeno, as trocas de favores que tudo isto permite, as amizades de cariz diverso que travam as críticas e que geram censuras aos que vêm de fora e ousam criticar.
Em certa medida, e a este nível, a permanência do PSD no poder é bem recebida pela elite caldense, que já sabe com o que conta e a que portas bater. E, por isso, ajuda à sua perpetuação.
Fechada na capital do concelho, presa do seu próprio provincianismo, a elite caldense (que se julga o umbigo do mundo conhecido) deixa-se enlear nessa teia de cumplicidades. Sem perceber que, com a degradação manifesta do concelho, está a cavar a sua própria sepultura.
 
 
Amanhã: O abandono do interior

sábado, 23 de agosto de 2014

A “dinâmica” da estagnação: como o PSD está a dar cabo de Caldas da Rainha (5)

O PSD ganhou as eleições autárquicas de Setembro do ano passado em Caldas da Rainha apregoando uma “nova dinâmica”. A dinâmica da dupla Tinta Ferreira/Hugo Oliveira está cada vez mais à vista por todo o lado: uma incompetência realmente dinâmica, porque nunca cessa, e o mergulho também imparável numa estagnação que ameaça tornar este concelho uma verdadeira irrelevância.


Em 14 de Setembro de 2013 escrevi neste blogue: As termas de Caldas da Rainha acabaram. E explicava porquê, em oito pontos, que podem ser lidos aqui.
Onze meses depois, a realidade dá-me razão.


"Transformar Óbidos na melhor zona termal do País"

O Hospital Termal, na sua valência genuinamente termal, continua fechado. Não há um plano para o reabrir.
Durante estes onze meses, além de algumas iniciativas populares e de parte da oposição política à maioria do PSD na câmara, nada se fez.
A Câmara Municipal tropeçou na proposta do Governo que quis transferir, numa espécie de "leasing", tudo o que é património termal (incluindo as vergonhosas ruínas que são os pavilhões do Parque D. Carlos I) para a gestão municipal. Ainda tentou convencer a Santa Casa da Misericórdia de Lisboa a investir mas parece ter dado com os burrinhos na água. Encomendou em Abril um estudo (sobre as termas... no ano de 2035!) e depois desapareceu.
Até que em Julho, como quem muda de ideias apressadamente, levou à Assembleia Municipal a proposta de aprovação da cedência do património termal para a gestão municipal.
Em circunstâncias normais, uma decisão destas seria acompanhada por algo mais do que um simples "31 de boca": um plano, um projecto de protocolo, uma carta de intenções, o anúncio de qualquer parceria para suportar a futura despesa de milhões de euros (já há várias versões) em que a câmara (ou todos nós?...) terá de entrar. Mas não foi, e essa aprovação parece ter servido apenas para garantir que a coisa ficaria nas mãos camarárias tipo "mais vale um pássaro na mão do que dois a voar".
A proposta teve uma votação curiosa.
O PSD votou, obviamente, a favor. O CDS, seu parceiro de governo nacional, também. O Movimento Viver o Concelho (MVC) também. O PS absteve-se e o PCP votou contra.
A posição do PS foi, de longe, a mais coerente. A do MVC foi institucionalmente correcta mas foi também a mais perigosa. Uma coisa é a aceitação da cedência do património termal sem nada de definido, acreditando na bondade de um eventual consenso em torno de uma proposta camarária. Outra é a de um tiro no escuro: todas as dúvidas são legítimas (diria que mesmo obrigatórias) sobre a capacidade dos actuais gestores municipais de fazerem alguma coisa de jeito com o património municipal.
Aliás, se tivessem essa capacidade já o teriam demonstrado, com um plano objectivo, concreto e coerente. Mas nada existe, nem a capacidade nem um plano.
E é este vazio que torna tudo mais complexo.
O anúncio, há um ano, do projecto das Termas das Gaeiras, em Óbidos, a começar do zero e não com estruturas já existentes cuja reabilitação e manutenção podem ser muito dispendiosas, introduz um elemento decisivo: os investidores, os recursos e os clientes irão para Óbidos e não para Caldas da Rainha. E Caldas da Rainha já perdeu um ano.
Em 19 de Setembro do ano passado escrevi aqui o seguinte: Não é possível, nem plausível, que Tinta Ferreira, o candidato do PSD à Câmara Municipal das Caldas da Rainha e presidente da interino da Câmara por herança de Fernando Costa, não soubesse do projecto da Câmara Municipal de Óbidos para as Termas das Gaeiras, que fica mesmo na "fronteira" dos dois municípios.
O vazio que se instalou dá-me razão e só confirma que o PSD de Caldas da Rainha está a encaminhar o concelho de Caldas da Rainha para a mais absoluta, estagnada e degradante estagnação. E talvez deliberadamente.
 
Amanhã: Uma teia de cumplicidades

sexta-feira, 22 de agosto de 2014

Uma imagem vale mais do que mil palavras


O actor Mark Wahlberg recebeu muitos milhares de dólares para aparecer neste anúncio da Calvin Klein:
 





A Câmara Municipal de Caldas da Rainha deu à Cabovisão 12 mil euros para um festival na Foz do Arelho e o presidente da câmara apareceu assim:


A “dinâmica” da estagnação: como o PSD está a dar cabo de Caldas da Rainha (4)

O PSD ganhou as eleições autárquicas de Setembro do ano passado em Caldas da Rainha apregoando uma “nova dinâmica”. A dinâmica da dupla Tinta Ferreira/Hugo Oliveira está cada vez mais à vista por todo o lado: uma incompetência realmente dinâmica, porque nunca cessa, e o mergulho também imparável numa estagnação que ameaça tornar este concelho uma verdadeira irrelevância.




Um serviço de comes-e-bebes bem à portuguesa
com a cagadeira portátil logo à mão de semear...
num miradouro com vista panorâmica para o Oceano Atlântico


Este verão, pelo que se tem visto (e sentido no trânsito e por todo o lado), foi de enchentes.
Há mais visitantes, portugueses e estrangeiros, na região do que em anos anteriores. Esta afluência há de traduzir-se numa coisa bem simples: mais dinheiro. E isso é bom para o concelho, para qualquer concelho ou cidade de um país que pode ser, todo ele, um destino turístico de excepção.
Porque (talvez convenha explicar bem explicadinho) há mais pessoas que vêm gastar mais aqui, em bens e serviços, refeições e isto traduz-se em mais receitas para grande parte das actividades económicas do concelho, em mais postos de trabalho (mesmo que sazonais) e um estímulo à criação de emprego no sector turístico, e ao seu desenvolvimento.
A enchente de visitantes também se verificou na cidade de Caldas da Rainha, a capital do concelho. Mas ao encontrar zonas da cidade de Caldas da Rainha transformadas em estaleiros, onde a actividade comercial se tornou impraticável, não gastam. Vão-se embora. Talvez não voltem nos próximos anos.
A devastação da capital do concelho por obras sem prazo tem esta consequência bem clara: não há comércio. E se não há comércio não há dinheiro. Os residentes sabem onde estão as alternativas (nos supermercados fora do centro). Os visitantes talvez não queiram ir meter-se nos supermercados (a maioria não quer) e iriam gastar dinheiro no comércio, nos cafés e nos restaurantes da cidade. Ou na famosa Praça da Fruta, onde se mantém um interminável processo de calcetamento.
E se vieram este ano em grande número... talvez até gastassem mais se a oferta fosse diferente.
Só que os dirigentes municipais de Caldas da Rainha (e a sua elite política e social, que abomina e receia a mudança e tudo o que vem de fora) estão de costas voltadas para o turismo.
Continuam a alimentar o mito de um organismo regional de turismo, já extinto, que só fazia duas coisas: uma espécie de profusa diarreia verbal e as tasquinhas da Expoeste. E olham para os visitantes com um misto de repulsa: até porque ao contrário das empresas locais, os gestores municipais não precisam do dinheiro dos turistas. Embora precisem das empresas locais.
Com esta atitude é como se lhes dissessem: turistas, vão-se embora!
O desleixo, o desmazelo e o lixo acabam por ser as bandeiras do concelho.
E o maior exemplo de todos, quando não se percorre uma estrada ou uma rua onde há sempre lixo no chão e pendurado nas árvores, é o único miradouro que existe no concelho com uma vista panorâmica para o Atlântico. Nele mora há tempo demais uma rulote de comes-e-bebes e, há menos tempo, uma retrete portátil. E, à noite, as indispensáveis caravanas.
O PSD caldense é isto: está ao nível da rulote com a sua retrete portátil e da aprovação de um plano megalómano para a zona da Estrada Atlântica, do qual nunca mais se ouviu falar, e em circunstâncias que a passagem do tempo torna ainda mais duvidosas.
Até por ter envolvido todos os membros da Assembleia Municipal que, sobre o assunto, e depois de terem embandeirado em arco, deixaram que se instalasse um silêncio de chumbo. Ou de ouro?
Talvez seja por isso que ninguém gosta de quem vem de fora...
 
Usam árvores e postes para fazer publicidade à borla
e depois deixam os plásticos a apodrecer
 
 
 
 
Amanhã: O adeus às termas
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
























quinta-feira, 21 de agosto de 2014

Um imposto soviético feito à medida da SPA

O novo imposto sobre os equipamentos electrónicos, empurrado com a barriga pelo até agora malquisto secretário de Estado da Cultura, não vai beneficiar os autores, em geral. Vai apenas, e só, beneficiar a Sociedade Portuguesa de Autores (SPA), que não representa os criadores culturais.
É um imposto feito à medida de uma associação a que nenhum autor é obrigado a pertencer e que andava há muito tempo a pedir ajuda ao Estado devido à situação financeira, que ainda se deve ressentir da gestão de Luiz Francisco Rebello e que tem a ver com a sua estrutura mastodôntica e verdadeiramente soviética, a que preside o "cantautor" José Jorge Letria.
António Costa quis apresentar uma mancheia de intelectuais na sua campanha e o Governo quis mostrar se pode ser mais directo. Vai tudo dar ao mesmo. 
Vamos a ver se a partir de agora se ouvem mais os lamentos dos cantores "desgostosos" e as críticas da esquerda baixa à Secretaria de Estado da Cultura...

A “dinâmica” da estagnação: como o PSD está a dar cabo de Caldas da Rainha (3)

O PSD ganhou as eleições autárquicas de Setembro do ano passado em Caldas da Rainha apregoando uma “nova dinâmica”. A dinâmica da dupla Tinta Ferreira/Hugo Oliveira está cada vez mais à vista por todo o lado: uma incompetência realmente dinâmica, porque nunca cessa, e o mergulho também imparável numa estagnação que ameaça tornar este concelho uma verdadeira irrelevância.


A demagogia...
 
No início foi o “barco do amor”: há um ano, os dois principais candidatos do PSD, Tinta Ferreira e Hugo Oliveira, foram andar de barco para a Lagoa de Óbidos em plena campanha eleitoral.
Duvido de que hoje lá queiram voltar, para não meterem os pés no lixo que aí se acumula, numa espaço natural que as autoridades municipais (e o governo central) estão a deixar morrer.
O desassoreamento parece ter desaparecido da agenda da Câmara (se é que alguma vez lá esteve) e do Governo.
A aberta, talvez pela sua visibilidade, é de vez em quando o único motivo de preocupação.
A margem da lagoa que pertence ao concelho de Caldas da Rainha está, quanto ao resto, em pleno abandono.
O local transformou-se num parque selvagem de caravanas e calcula-se para onde irão os despejos dos muitos caravanistas que ali poisam.
 
 
 
... e a realidade
 
As acções de limpeza parecem ter-se desvanecido e é natural: o estado de abandono e de desleixo do local não é motivador para ninguém.
A Lagoa de Óbidos é um local incomparável e tem todas as condições para ser um pólo de atracção turística. Mas não é. E duvido de que, a este ritmo, o consiga ser.
Ninguém quer convidar visitantes a virem meter os pés na porcaria para apreciarem uma paisagem natural contaminada. Ou não: é possível que os actuais gestores da Câmara Municipal de Caldas da Rainha até gostem da ideia, dado os elevados padrões de rigor que têm revelado ultimamente.
O lixo, que deve ir parar quase todo ao fundo da lagoa, não é o único problema.
Quem seguir ao longo da estrada do Nadadouro que acompanha a Lagoa de Óbidos em direcção ao interior vê facilmente como a terra está a conquistar as águas da lagoa. Bastarão mais alguns anos para provocar danos irreparáveis no local.
Pelo menos por omissão, os passageiros do “barco do amor” eleitoralista estão a fazer tudo para que isso aconteça, e o mais depressa possível.
E têm companhia, em termos políticos: o PCP gosta de ir arejar o seu vocabulário do “pacto de agressão” para as margens da lagoa, dando maior importância a uma estátua de um ex-Presidente da República do que à protecção do património natural; o BE, quando ainda era vagamente relevante na região, gostava de fazer o mesmo; o PS ainda não parece ter dado pela existência da lagoa; o CDS também foi andar de barco mas depois parece ter-se esquecido; e os independentes do MVC na Foz do Arelho (onde ganhou as eleições) e no Nadadouro vão tentando fazer alguma coisa.
O estado da Lagoa de Óbidos precisa de uma coligação de vontades de, pelo menos, alguns dos protagonistas políticos do concelho.


Um espaço natural condenado a morrer lentamente


Amanhã: Turistas, vão-se embora!

quarta-feira, 20 de agosto de 2014

A “dinâmica” da estagnação: como o PSD está a dar cabo de Caldas da Rainha (2)

O PSD ganhou as eleições autárquicas de Setembro do ano passado em Caldas da Rainha apregoando uma “nova dinâmica”. A dinâmica da dupla Tinta Ferreira/Hugo Oliveira está cada vez mais à vista por todo o lado: uma incompetência realmente dinâmica, porque nunca cessa, e o mergulho também imparável numa estagnação que ameaça tornar este concelho uma verdadeira irrelevância.




Avenida nova, problema velho: lixo, desmazelo, desleixo


A Avenida 1.º de Maio é um exemplo da desatenção camarária e da visão distorcida que têm os ocupantes do órgão municipal.
Esta rua, entre a praça (agora cratera) da própria Câmara Municipal e a estação ferroviária, esteve quase um ano em obras. A rua era, e é, de circulação automóvel. O comércio está reduzido. Não era exactamente uma via pedonal. Mas as obras foram feitas para alargar os passeios. E o resultado foi a existência de superfícies desertas, com árvores raquíticas, sem equipamento para as pessoas se sentarem... e lixo.
Numa cidade, para já não falar do resto do concelho, onde a sinalização horizontal e as passadeiras de peões vão ficando invisíveis, a prioridade foi o alargamento dos passeios nessa via. Algumas iniciativas bem intencionadas, ligadas à sobrevivência económica da zona, não retiram a impressão de deserto a que a artéria ficou reduzida.
Nem, tão pouco, a fonte das rãs.
Apresentada, no início, como obra emblemática (e «bordaliana»), a fonte com rãs de louça foi colocada numa rotunda pequena, e onde não era necessária em termos de trânsito, diante do edifício de relativa importância histórica da estação ferroviária.
Ao longe, a fonte fica perdida num deserto de carros que estacionam num parque informal perto e por onde podem (incluindo na própria rotunda). De perto vê-se que a pavimentação da rua e da rotunda está por terminar. Não só o que podia ter sido uma originalidade não fica protegido em termos visuais, e já se sabe que em termos físicos não o está, como a imagem geral é de desleixo absoluto.


Fica sempre qualquer coisa por fazer


 
Além da falta de enquadramento adequado para a fonte, a avenida mantém, por exemplo, um sistema contestado de recolha subterrânea de lixo a par com os contentores verdes de lixo, que sai do seu interior (ou onde não chega a entrar) para ficar bem espalhado. A isto chama-se lixo e porcaria e falta de brio por parte das autoridades municipais, que nem conseguem valorizar aquilo que tentam fazer.
Aliás, o lixo e a porcaria parecem ser uma característica indelével das gestões autárquicas do concelho.
Basta percorrer as estradas, basta ir à Lagoa de Óbidos, para ver o lixo espalhado, os anúncios de plástico dependurados das árvores a apodrecer muito para lá do seu prazo de validade (?), esses e outros plásticos que se amontoam por todo o lado.
É que não é só a degradação do ambiente. É também a imagem de um concelho de gentes desmazeladas.
Para uma Câmara Municipal que dá tanta importância ao “show off” (as festas, as inaugurações, o fazer-se à fotografia), a verdadeira imagem que a caracteriza é esta: lixo, desmazelo, desleixo.
E não apenas material mas também político.
 
A empresa, o presidente da Câmara e a sua assessora: uma imagem idílica



Amanhã: Depois do "barco do amor", a feia realidade da Lagoa de Óbidos



terça-feira, 19 de agosto de 2014

Porque não gosto dos CTT (85): a greve deles é sempre contra nós, o público

Ou seja: o costume. Mas somos sempre nós que somos afectados.

A “dinâmica” da estagnação: como o PSD está a dar cabo de Caldas da Rainha (1)

O PSD ganhou as eleições autárquicas de Setembro do ano passado em Caldas da Rainha apregoando uma “nova dinâmica”. A dinâmica da dupla Tinta Ferreira/Hugo Oliveira está cada vez mais à vista por todo o lado: uma incompetência realmente dinâmica, porque nunca cessa, e o mergulho também imparável numa estagnação que ameaça tornar este concelho uma verdadeira irrelevância.
 


Caldas da Rainha, cidade-estaleiro

Caldas da Rainha é uma cidade pequena. Atravessa-se em quinze minutos.
As lojas, os serviços públicos, os supermercados de várias dimensões e o comércio de rua existem vários locais. Estacionar não é difícil até porque a pressão de trânsito é reduzida. E há tolerância, às vezes excessiva, por parte das autoridades para quem usa e abusa dessa facilidade.
Lisboa, Porto ou Viseu suportam obras públicas (as tais que passaram a ser imbecilmente conhecidas por “requalificação”) em simultâneo. Praças fechadas, largos esventrados, ruas fechadas, escavações... tudo isto pode coexistir em grandes cidades. Lisboa pode ter, talvez, vinte grandes obras públicas a decorrer ao mesmo tempo que o trânsito continuará a ser sempre infernal. Ninguém nota a diferença mas, lá está, Lisboa não se atravessa em quinze minutos. Nem em duas horas, talvez.
Como se pode ver pela montagem em baixo, a opção da Câmara foi fazer tudo ao mesmo tempo. Foi como um bombardeamento em grande escala. Quase como o bombardeamento de Dresden.


Um bombardeamento de incompetência
 
As obras começaram pouco antes do verão de 2013.
No mínimo, não houve planeamento. No máximo... talvez um dia se possa perceber se os supermercados ganharam com o afastamento dos clientes do centro da cidade e o encerramento, temporário ou definitivo, de tantas lojas e actividades comerciais.
O Modelo, o E. Leclerc, o Auchan (no centro comercial Vivaci) e os Pingo Doce e as lojas que albergam hão de ter ganho alguma coisa. E quem o facilitou terá sido devidamente recompensado?
Porque a chamada “regeneração urbana” (que foi mais uma verdadeira ruptura, e em alguns casos a destruição, do tecido urbano) não teve apenas um efeito de incómodo de pessoas, dos residentes e dos visitantes (afastados do centro).
Da Praça da Fruta, num caricato processo de calcetamento sem fim à vista, à Rua de Camões, a devastação foi considerável. E o fecho de lojas, bem patente nesta rua, é uma consequência da crise económica e financeira mas é também uma consequência das obras que bloqueiam os caminhos e afastam os visitantes.
As consequências são sociais e económicas.
Nenhuma gestão municipal racional, inteligente, preocupada com o seu concelho e os seus residentes, atenta aos problemas e capaz de planear, se lança num desvario de obras deste tipo na capital do concelho, sujeitas à triste sina dos atrasos sem fim.
A confissão do presidente da Câmara, há pouco tempo, de que “não se comprometia” com o calcetamento (um simples calcetamento de uma pequena superfície urbana sem acidentes de terreno!) da Praça da Fruta é a mais escandalosa confissão de impotência gestionária e política de quem não sabe o que anda a fazer num cargo público. E que desconhece o que é prestação de contas que devia ser a obrigação, pelo menos moral, dos políticos honestos.
Infelizmente, salvo vozes isoladas, não se ouvem os protestos que se deviam ouvir. E talvez seja por isso que a impunidade se mantém.

Amanhã: o desleixo, o lixo e o "show off"



sexta-feira, 15 de agosto de 2014

Na Feira do Livro de São Martinho do Porto

 
 
 
 
Este domingo na Feira do Livro de São Martinho do Porto, a convite dos seus organizadores, a falar do meu mais recente livro, "Morte nas Trevas" (cuja história é ambientada perto de São Martinho do Porto) e da literatura policial, em geral.


Parte da acção de "Morte nas Trevas" passa-se numa zona interior
da freguesia de Salir do Porto, que é vizinha de São Martinho do Porto
 

"Gazeta das Caldas": o Acordo Ortográfico é mau, a asneira é que é boa (1)

 
A "Gazeta das Caldas" não gosta do Acordo Ortográfico e está no seu direito (e neste blogue também não é aplicado, já agora) mas, pelos vistos, também não gosta da língua portuguesa, nem da gramática, nem sequer do bom senso.
Na edição desta semana, aderiu à moda de os verbos reflexivos deixarem de usar o "se" (aplica-se o que aqui escrevi) e escreveu:
- "virou moda [um brasileirismo...] os comboios partirem atrasados porque têm de abastecer de combustível";
- "o comboio (...) pára para abastecer";
-"os comboios continuam a abastecer". 
Como se costumava dizer na escola, quem abastece... abastece alguma coisa; e, que se saiba, os comboios não têm mãozinhas para se irem abastecer de combustível sozinhos, embora até não fosse impossível usar "abastecer-se" nestas frases.
O mais correcto, e de acordo com o bom senso, seria usar a forma passiva, como (na primeira frase) "têm de ser abastecidos".
Porque o que fica é a ideia de que os comboios dessa coisa bizarra em que foi transformada a Linha do Oeste abastecem... alguém, ou outro veículo, de combustível ou outra coisa qualquer.
Mas talvez para a "Gazeta" esteja bem assim...

terça-feira, 12 de agosto de 2014

Economia à portuguesa

Em 18 de Julho pedi informações numa empresa de venda de automóveis sobre os custos de compra de dois modelos de duas das marcas que representam. Já fiz negócio com esta empresa antes disto.
Em 21 de Julho consultei outra empresa, sobre outro modelo, de outra marca.
Os contactos foram presenciais, com a disponibilização de todas as informações consideradas necessárias, além da indicação de não ter pressa e de estar disposto a esperar por uma cor que me agradasse (para não estar obrigado à quase monocromia nacional).
Ainda não tive nenhuma resposta em nenhum dos três casos.
Penso que, a estar no lugar deles, teria todo o interesse em vender carros. Mas posso estar enganado.