quinta-feira, 30 de abril de 2015

Câmara Municipal de Caldas da Rainha: menos 2,1 milhões de euros

 
aqui e aqui me referi à previsível situação económica e financeira negativa que vai ser gerada pela gestão da Câmara Municipal de Caldas da Rainha.
Os pormenores que saíram no "Jornal das Caldas" desta semana, sobre o relatório de gestão de 2014 desta câmara e o seu debate na Assembleia Municipal, confirmam que há motivos de preocupação. Vamos a eles, em discurso directo, seguindo o alinhamento do "Jornal das Caldas":
 
"O resultado líquido do exercício do Município em 2014 situou-se no valor negativo de 2,1 milhões de euros. Face ao resultado líquido do exercício de 2013, cujo valor foi negativo em 433 mil euros, podemos concluir que, com o resultado negativo de 2014, se começa a verificar uma situação global negativa incómoda," - Manuel Nunes (PS),
 
"A dívida total da autarquia era em finais de 2014 de mais de sete milhões de euros, mais dois milhões do que em 2013." - Edgar Ximenes (MVC).
 
"É uma tendência que se agravou desde o ano passado e que pode piorar com o pagamento da compra da Expoeste e a concessão do património termal (...) Por outro lado, obras que há muito são essenciais para o desenvolvimento do concelho continuam adiadas: Parque Urbano, arranjo das entradas da cidade, Parque de Feiras e Mercados, estrada Caldas/Santa Catarina/Benedita, instalações adquiridas à Fábrica Bordalo Pinheiro, Museu Nacional da Cerâmica, Posto de Vacinação Médico-Veterinário, 1.ª Circular, melhorias das condições de trabalho da Assembleia Municipal e gabinetes para a oposição." - Vítor Fernandes (PCP).
 
"Caldas da Rainha continua a ter saúde financeira mas a preocupação aumenta porque continuamos a ter pouca capacidade de arrecadar receita." - Braz Gil (CDS).

quarta-feira, 29 de abril de 2015

Notas em formato de "zapping": nem o Provedor da RTP justifica a ausência de "The Flash"...

1 - Reitero o que escrevi (a RTP não transmitiu o episódio 11 da temporada 1 de "The Flash") e acrescento um pormenor: tendo inquirido o Provedor do Telespectador (é assim que se chama?) sobre o assunto, não tive resposta. Repare-se no seguinte: a RTP comprou os direitos de transmissão da série, assumindo o compromisso de a passar e, tendo começado a fazê-lo, assumiu com o público (e o público da RTP é um público que paga o seu serviço, por via da malfadada taxa mensal de radiodifusão) o compromisso de a mostrar e na íntegra. Mas não o faz. Ou seja: nem sequer corresponde ao que os clientes lhe pagam. 

2 - A temporada 5 da "Guerra dos Tronos" começou lentamente, o que se compreende pela diversidade de personagens que têm de ser postas no terreno, mas o ambiente já se tornou mais animado no episódio 3. Espera-se que não caia na mesma modorra em que caiu "The Walking Dead".

3 - "Powers", em transmissão pelo TV Séries, é uma variante muito interessante das histórias de super-heróis, recorrendo aos universos de certa forma paralelos aos dos super-heróis tradicionais (ou "institucionais"), que estão limitados em muitas coisas. O autor da história original, Brian Michael Bendis, trabalhou durante dez anos na Marvel, tendo participado no desenvolvimento da série "Ultimate" e, nomeadamente, nas histórias do Demolidor. "Powers" é capaz de se ficar apenas por uma temporada única mas isso não significa que não tenha uma qualidade muito própria.
 
 

Um bom dia para evocar Rui Alarcão


Rui Alarcão (n. 1930), jurista e professor catedrático, foi reitor da Universidade de Coimbra e membro do Conselho de Estado. Foi um dos reitores que mais tempo se manteve no cargo durante uma época em que o ensino superior foi especialmente dominado pelo tema do aumento das propinas, revelando-se um negociador hábil e diplomático e um magistrado capaz de ser muito influente.
Noutros tempos, Rui Alarcão podia ter sido um candidato à Presidência da República do PS, mas agora já não, neste ano de "vacas magras" de ideias e de dignidade de um partido que não consegue deixar de ser identificado pela prisão do seu ex-secretário-geral e ex-primeiro-ministro.
Hoje, quando este PS em desespero de causa aposta tudo num ex-reitor que não tem sequer o currículo académico-político de alguns dos seus antecessores, e muito menos do antigo reitor da Universidade de Coimbra, é um bom dia para evocar um homem a quem ouvi em tempos uma frase lapidar: "Se errar é próprio do homem, persistir no erro já é obra do diabo".
 

Cama nova para o lixo velho


Três contentores de lixo, talvez com vários anos de casa, devidamente ensebados e emporcalhados num avenida que levou obras de milhões só para passeios novos e mais largos, que começa (ou acaba) numa estação ferroviária-fantasma e que termina (ou começa?) numa Câmara Municipal que não sabe fazer mais do que isto e que gosta mesmo muito da porcaria.
Os contentores estavam a ocupar um lugar de estacionamento, que continua alegremente a fazer-se em segunda fila como antes, numa avenida de pouco movimento, mas parece que vão ganhar um ninho próprio, que servirá de moldura para o grande ex-libris da Câmara Municipal de Caldas da Rainha: não se controla o lixo, não se dá o exemplo, não se obriga os porcalhões a deixarem de o ser, o que se faz é acautelar os contentores como se fossem objectos de arte e elementos valiosos do património cultural de um concelho reduzido a isto: obras novas com lixo velho.


 




 
 

terça-feira, 28 de abril de 2015

A política do mamilo

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É estranho, de certa forma, o silêncio em torno da fotografia jornalisticamente "intimista" do industrial e empresário Henrique Neto, candidato à Presidência da República, publicada no "Expresso" no sábado passado.
A imagem deixa a impressão de ter sido construída para o efeito, o visado já está de relógio no pulso e calças, o mamilo direito aparece bem em evidência entre o braço fotografado e o mesmo braço reflectido no espelho. E a publicação da fotografia também deve ter passado pelo acordo do visado e decerto que pela esfera de decisão de mais do que uma pessoa no jornal porque é invulgar fotografar personalidades públicas na casa-de-banho (e elas deixarem-se aí fotografar).
E se não é uma novidade mostrar aspectos mais íntimos dos políticos, o certo é que o ambiente é diferente: Mário Soares, Cavaco Silva, Marcelo Rebelo de Sousa e Pedro Passos Coelho, por exemplo, foram fotografados em ambiente de praia mas já se sabe: quem vai à praia expõe-se. Mas na casa-de-banho é outra coisa.
Ou será que Henrique Neto quis lançar um desafio? Como se dissesse aos outros: mostrem-se, vá.
E o que poderão mostrar Sampaio da Nóvoa, ou Paulo Morais? Bem, as perspectivas, nestes casos, são inquietantes.
De qualquer modo, não há que ter medo das repercussões públicas e os bons exemplos são sempre para seguir.
Alguém se lembra, a propósito, do exemplo da "entertainer" Cicciolina, que veio a Portugal em 1987 animar a cena política e mostrar alguns dos seus atributos mamilares na Assembleia da República?
 
 

sábado, 25 de abril de 2015

Nunca se deram ao respeito

É obviamente tonta a ideia de pôr a imprensa a submeter a uma comissão político-corporativa as suas ideias para a cobertura das campanhas eleitorais. Mesmo mais tonta do que o regime até agora vigente de obrigar a imprensa a tratar de forma igual aquilo que não é igual.
Mas as brilhantes mentes que na comunicação social se apressaram a criticar os deputados deviam fazer um acto de contrição.
As televisões, os jornais e as rádios (e as suas expressões on line) viveram sempre dos favores dos políticos, prestando-se também a oferecerem-lhes vários favores, da contratação de comentadores ao "trade off" informativo, passando ainda por outras formas menos públicas de intimidade.
Portanto, se nunca se deram ao respeito, como é que esperavam vir a ser tratados?

sexta-feira, 24 de abril de 2015

Muito gosta esta Câmara Municipal da porcaria! (1)

 
A Avenida 1.º de Maio foi um dos campos de batalha das obras de destruição urbana lançadas pela Câmara Municipal de Caldas da Rainha.
Alargaram-se os passeios, sem que se perceba para quê, e até se enterraram contentores de lixo.
Mas se há coisa de que esta Câmara gosta é do lixo e dos contentores verdes de aspecto geralmente nojento.
Pouco tempo depois das obras feitas, lá estavam eles outra vez, mais ou menos por onde calhassem.
 
 

 


Os contentores subterrâneos que não parecem servir para recolher lixo
 

Há dois dias foi escavado o chão da avenida e começada a construir uma estrutura rectangular. Para servir de churrasqueira popular? Para funcionar como bebedouro de equídeos e de muares? Não. Parece que para resguardar... os caixotes de lixo de que eles tanto gostam.

Há dois dias, a coisa nasceu assim... (foto de José Rafael Nascimento)
 
 
Mas, depois de vários protestos (e a estrutura cortava a visibilidade aos condutores), a Câmara resolveu encolher a altura, como se podem ver na fotografia de baixo.
A solução deve ter-lhes agradado: os maravilhosos contentores até ficam a ver-se melhor.
A dúvida que subsiste é se há algum enquadramento legal para esta obra (que deve violar o projecto original, sem nada de positivo lhe acrescentar. Mas que importa. Neste mundo de "amigos", a altura diminui, os automobilistas já se vêem uns aos outros, a estrutura não é tão ofensiva e... ficamos por aqui, em nome da harmonia social.
E em nome da preservação da porcaria.
 
 
Obras de remendo depois das obras sem sentido, de uma Câmara que muito obra...

quarta-feira, 22 de abril de 2015

Há males que vêm por bem


 
O grupo do PSD que conquistou a Câmara Municipal de Caldas da Rainha nas eleições de Setembro de 2013 tem mostrado com toda a clareza que não sabe gerir com um mínimo de competência os órgãos autárquicos e as obras ditas "de regeneração urbana" (começadas há dois anos e ainda não terminadas) revelam todo o seu fracasso.
Em Janeiro deste ano, a Câmara quis também apossar-se da gestão do Hospital Termal e do restante património que lhe está associado e até conseguiu um "sim" de alguns sectores da oposição, depois de o presidente camarário ter até confessado os seus receios pelo milhão de euros que vai ter de ser gasto aí todos os anos e num horizonte de 50 anos (ver pormenores aqui).
Hoje soube-se que o Estado cessou o contrato de exploração da água termal que mantinha com o Hospital de Caldas da Rainha, água essa destinada ao Hospital Termal.
Segundo o "Jornal das Caldas", esta situação pode atrasar a concessão do património termal à Câmara. É de esperar que sim e que o atraso acabe mesmo por inviabilizar a coisa.
Há males que vêm por bem e será melhor esperar mais anos para poder reabilitar as termas do que deixá-las entregues à incompetência reinante.


Da primeira página do "Jornal da Caldas" de hoje

domingo, 19 de abril de 2015

Vá, cheguem-se à frente...

A certa altura, o actual governo pôs a hipótese de privatizar a RTP, ou parte dela. Não faltaram as hordas de indignados a defenderem o "serviço público" de uma estação de televisão que, relativamente às estações privadas, só se distingue por ser ainda pior.
Agora, quando se sabe que o novo presidente da coisa vai ganhar uma pequena fortuna (superior às remunerações do Presidente da República e do primeiro-ministro), os defensores do "serviço público" ficam caladinhos. Estão de acordo, com certeza, embora noutros casos rasguem as vestes de furiosos que ficam por causa de outras remunerações.
Só que, estando de acordo, bem podiam oferecer-se para serem eles a pagarem os custos da RTP.
Também na TAP há uma situação semelhante. A decisão do Governo de a privatizar (e esta, ao menos, talvez o fosse) desencadeou o mesmo coro de protestos. Quando agora os pilotos já avançam com a ameaça de nova greve (que servirá para depauperar ainda mais a empresa e que afastará qualquer comprador de bom senso), lá se remetem eles ao silêncio. Aparentemente, sabe-se o que não querem, mas não se sabe o que querem.
Era bom que também aqui se pronunciassem.

sábado, 18 de abril de 2015

Pior é mesmo possível...


Imaginem a recuperação do património termal
nas mãos da "nova dinâmica"...

 
O jornalista Carlos Cipriano, que tem prestado alguma atenção ao calamitoso estado das obras de degeneração urbana de Caldas da Rainha, levanta na edição desta semana da "Gazeta das Caldas" uma questão fundamental: "Imagine-se agora a Câmara Municipal a gerir uma eventuais obras de milhões de euros de recuperação dos Pavilhões do Parque ou das áreas de reabilitação urbana!"
As obras que devastaram a cidade de Caldas da Rainha (da Rua de Camões, especialmente visada nesta edição, à catástrofe financeira que vai ser o parque estacionamento subterrâneo) têm sido feitas no meio de grande descoordenação e sempre com atrasos. Nada se aproveita, como toda a gente já percebeu. A "nova dinâmica" que o PSD caldense quis promover deu nisto: uma incapacidade pantanosa.
A Câmara Municipal de Caldas da Rainha quis ficar com a reabilitação da gestão do hospital termal e dos pavilhões arruinados do parque contíguo, embora numericamente impotente, a oposição acabou, na prática, por passar um cheque em branco aos políticos da "nova dinâmica". Talvez os seus representantes devessem ter levantado o problema que Carlos Cipriano agora levanta.

quinta-feira, 16 de abril de 2015

Idiotice em dose dupla

 
Os plásticos pendurados nas árvores a anunciar festas, festarolas e bailes são uma das piores pragas da região: quem os pendura é rápido a fazê-lo mas depois tirá-los... nunca dá jeito.
As autoridades municipais estão-se nas tintas. Quanto às autoridades policiais, há de haver um motivo qualquer para que ignorem a porcaria.
Porque é mesmo de porcaria que se trata. Os plásticos ficam a apodrecer nas árvores e nos postes, durante semanas, meses, anos, até que um acaso os leve. Acabam transformados em lixo, em detritos, em porcaria que as terras não absorvem. É possível que quem os concebe, faz e pendura tenha o mesmo tipo de procedimento em casa.
Neste caso, o acto é duplamente idiota.
Aos plásticos que, passada a festa (comercial, pelo que parece), vão ficando junta-se a ocultação de um sinal de trânsito. É um cruzamento com estradas que vão em vários sentidos e onde eram comuns os acidentes. Até à colocação dos sinais de stop.
Como este, tão diligentemente encoberto.
 
 

 

quarta-feira, 15 de abril de 2015

E se além da TSU também falássemos do PEC?

 
A Taxa Social Única (TSU), aquilo que as empresas e os trabalhadores pagam à Segurança Social, não devia ocupar sozinha o palco do debate político no que se refere a eventuais alterações à fiscalidade das empresas e bom seria que se lhe juntasse o Pagamento Especial por Conta (PEC).
Não é difícil perceber a preferência governamental por uma redução da TSU na parte da participação das empresas e numa perspectiva de atracção de empresas estrangeiras. Para as grandes empresas, devido ao número de trabalhadores que têm, a TSU é um encargo pesado.
Só que para as micro e pequenas empresas nacionais, a TSU não tem essa relevância. Funcionando não poucas vezes com um número de trabalhadores que não preenchem os dedos de uma mão, a maior parte das empresas que formam o tecido económico português suporta bem a TSU. Pagá-la por um, dois ou três trabalhadores é uma coisa. Pagá-la por cem ou mil é outra.
Para as micro, pequenas e médias empresas, também, o problema é outro e chama-se PEC. E se se compreende que seja assunto de que o Governo não quer falar, já se compreende mal que os partidos da oposição ignorem o PEC mas depois deixem escorregar o pé para a chinela da demagogia política à conta do IVA da restauração, por exemplo.
Ao invés da TSU, o PEC pode ser um desastre para as pequenas empresas. E, para as grandes, pode ser pouco importante.
Pelo mecanismo do PEC, as empresas são chamadas (a partir do terceiro ano de actividade) a entregar ao Estado anualmente 1000 euros (ou 500, em duas prestações, a começar em Março). Se tiverem lucros, descontam esse valor no IRC mas, se não conseguirem, arriscam-se a perdê-lo. Todos os anos.
O PEC transformou-se numa espécie de financiamento do Estado a fundo quase perdido. A vida comercial é feita de ganhos e de perdas e muitas vezes as empresas precisam mais de dinheiro para pagar a quem nelas trabalha e para se manterem a funcionar e não para entregarem ao Estado, lutarem o resto do ano para terem receitas e esperarem um ano para ver se, no caso de terem tido lucros, poderem recuperar o PEC, no todo ou em parte.
Só que, para qualquer governo, o PEC dá jeito. É dinheiro que entra, sem grandes maçadas. Para um partido que já foi governo e que quer voltar a ser, como o PS, é a mesma lógica: preferem ter o dinheiro do lado deles.
Mas não deixa de ser revoltante, já agora, que não se veja a "esquerda" a falar do assunto (alinhando mais facilmente na demagogia do IVA da restauração) e que a CGTP, com a sua fixação imbecil por um passado que já se alterou, não repare que existe um universo de pessoas que é capaz de ser superior em número aos seus sindicalizados, que trabalham todos os dias para fazerem pela vida, que nem podem pensar em fazer greve (porque são eles os seus próprios patrões) e que até são capazes de estarem economicamente mais debilitados do que os trabalhadores por conta de outrem que a CGTP tanto defende. 

É assim que se faz oposição (e com perspectivas correctas)



Da 1.ª página do "Jornal das Caldas", hoje

Eis uma boa iniciativa, correcta e certeira: apontar o que esteve, está e continuará a estar mal nas obras que começaram há dois anos a devastar a capital do concelho de Caldas da Rainha... e que ainda não terminaram.
O CDS de Caldas de Rainha fez um livro (cujo conteúdo, ao pormenor, não se fica a conhecer pela notícia de hoje do "Jornal das Caldas") sobre aquilo que a Câmara Municipal pomposamente intitulou "Obras de Regeneração Urbana", passando em revista os vários erros e manifestações de arrogância e de falta de estratégia de planeamento, de falta de rigor e o esbanjamento de recursos destas obras a que, atendendo às suas características superficiais, chama "de repavimentação urbana".
Os atrasos constantes e permanentes, as ruas que continuam devastadas e sem prazo de abertura (a Rua de Camões é o exemplo mais escandaloso), a inutilidade do arranjo da Praça da Fruta e da Praça da República (com o seu estacionamento subterrâneo supletivo que será, diz o CDS como eu próprio aqui já escrevi, "um buraco financeiro") e a manutenção dos contentores de lixo à superfície em vez da recolha localizada de lixo (também já aqui escrevi que muito deve esta Câmara Municipal gostar de exibir os emporcalhados contentores verdes por tudo quanto é sítio) são os principais aspectos destacados pelo CDS, que é também o primeiro partido da oposição a fazer um balanço das obras que decorrem, sem fim à vista, desde 2013.
Era bom que sobre isto, e tudo o resto, a restante oposição também se pronunciasse e com carácter sistemático.
Aliás, ainda há muita coisa a dizer sobre o assunto, desde o impacto financeiro da "degeneração urbana" até ao modo como as várias empresas de construção foram poupadas pela Câmara Municipal, apesar dos atrasos que nunca foram verdadeiramente explicados...


domingo, 12 de abril de 2015

RTP omitiu episódio de "The Flash"

No passado domingo, dia 5 de Abril, a RTP não transmitiu o episódio 11 da série televisiva "The Flash", substituindo-o por uma longa-metragem sobre um tema "pascal": a Bíblia.
Esperar-se-ia que hoje fosse transmitido esse episódio. Mas não. Saiu o episódio 12.
Isto é o serviço público de televisão: uma merda.
 
 
Recordando: já há um ano, aproximadamente, a RTP transmitiu, no seu segundo canal, seis episódios de uma série que tinha sete episódios, "Margens do Paraíso" ("Top of the Lake"), sem que se percebesse o porquê da discrepância e permitindo a dúvida - a RTP2 terá passado a versão integral de "Margens do Paraíso"?

quarta-feira, 8 de abril de 2015

Onde comer em Caldas da Rainha (e arredores): as minhas recomendações

Para não pensarem que só digo mal, eis um exemplo de dizer bem e por bons motivos: os 8 melhores restaurantes que nesta altura recomendo no concelho de Caldas da Rainha e arredores (por ordem alfabética).





O Cabeço
Bemposta (Alcobaça), www.ocabeço.pt, tel.914 500 202
Situado já no concelho de Alcobaça, mas a cerca de 20 minutos da cidade de Caldas da Rainha, O Cabeço é um restaurante de aspecto agradável e com boa vista para os arredores e para Alcobaça (salvo quando o pequeno parque interior está repleto de carros), serviço simpático, boa cozinha e bom ambiente e uma lista de vinhos exígua mas de preços bastante razoáveis. Do já provado destaca-se uma bela cataplana de bacalhau. Convém marcar (e perguntar como lá se chega).










Da Maria - De Mar em Mar
Salir do Porto, www.damaria.pt, tel.932 579 179
"Filho" do Naco na Pedra, o Da Maria é um restaurante de peixe e de marisco, mantendo uma parte da sua anterior oferta de saborosos hambúrgueres. Com o Naco na Pedra dedicado às carnes, o Da Maria tem uma oferta a condizer com a zona de costa onde está localizado (Salir do Porto, de onde se pode ver, e no Verão é suficiente, São Martinho do Porto), deixando a rota habitual do peixe grelhado para oferecer outros pratos, com destaque para as sumptuosas cataplanas, das quais a de bacalhau é um exemplo perfeito de como se pode cozinhar com simplicidade mas com imensa qualidade. Com uma enorme vantagem sobre outras casas idênticas: há pratos que, sendo habitualmente confecionados para duas pessoas, se apresentam aqui para uma só pessoa. A lista de vinhos, monumental e bem organizada, é a do Naco na Pedra e, só por si, justifica uma visita. E tem talheres de peixe para o peixe!








João - Restaurante do Coto
Rua Principal, n.º 14, Coto
tel. 262 180 142
Facebook
Ambiente simpático e amável, com uma lista pequena mas eficaz e mão sabedora na cozinha, entradas saborosas, bom vinho a copo e a jarro e uma carta pequena mas sugestiva, numa sala onde já funcionou um grande restaurante de muito boa memória (Dona Alentejana). Ao serviço, profissional e atento, não falta um pormenor que tem mais significado do que parece: pratos aquecidos.




A Lareira

Rua da Lareira, n.º 35, Alto do Nobre, Nadadouro, 
tel. 262 823 432
A Lareira tem uma particularidade interessante: apresenta, tanto ao almoço como ao jantar, uma ementa de entradas, peixe, carne e sobremesa com alternativas, a um preço bastante moderado, funcionando à margem de uma carta fixa. A qualidade da cozinha é boa e afirma-se bem nesta ementa. A lista de vinhos é imensa, a precisar, no entanto, de ser actualizada e reforçada (no Dão, por exemplo, onde abundam as marcas comerciais tradicionais). Dada a sua dimensão, seria útil ter informações sobre castas. A decoração consegue ser simpática, apesar de alguns exageros neoclássicos. Em tempo mais ameno, A Lareira pode ter um encanto suplementar: uma pequena esplanada protegida, para estar antes ou depois do jantar.


O Melro - Pão Quente e Petiscos
Bairro Senhora da Luz, Óbidos, tel. 262 958 083, Facebook
Fica de certo modo na zona de "fronteira" entre Caldas da Rainha e Óbidos e a qualidade justifica por inteiro o desvio. A entrada, de pastelaria, esconde uma sala de refeições acolhedora e de decoração simples mas eficaz, uma cozinha de grande qualidade e um óptimo saber-fazer em matéria de pão (a broa com frutos secos é deliciosa) memorável. Para quem gosta, os caracóis (na sua época) são inexcedíveis mas o melhor, no domínio das carnes grelhadas, é uma extraordinária posta de vitela grelhada, que merece todos os elogios, bem como o bife de veado. Tem uma boa cerveja espanhola ("1906") e vinho a jarro, com os vinhos à vista num armário da sala. O serviço é simpático e quase personalizado. Convém, naturalmente, marcar.




Naco na Pedra
Salir do Porto, Facebook, www.naconapedra.pt, tel. 262406147
O Naco na Pedra é um restaurante de carnes, dos bifes ao naco na pedra que lhe deu nome, passando pelas morcelas (que são surpreendentes) e pelo muito que o saber do seu chef António Flores vai arranjando. As carnes, de qualquer modo, são o melhor e são de excelência, do melhor que existe. Renovando-se com frequência, e para melhor, tem um serviço simpatiquíssimo e o ambiente é agradável, tanto dentro de casa como na esplanada. A lista de vinhos é magnífica e muito bem apresentada e a secção dos digestivos tem duas verdadeiras jóias que, neste contexto, são de prova obrigatória: aguardentes de Valle Pradinhos e do Mouchão. Não há melhor, por aqui.














Porrinhas dos Leitões
Salir do Porto, Facebook, tel. 262 989 996
A ementa é extensa mas o Porrinhas é uma casa onde se vai para comer leitão. É razoavelmente bem assado (os mais entusiastas deverão telefonar a perguntar quando é que é assado), as batatas fritas são bem fritas, o serviço tende a ser simpático, a lista de vinhos é relativamente curta mas pode ter surpresas.


O Recanto
Cidade de Caldas da Rainha, www.restauranterecanto.com,
tel. 262 282 559
É um pequeno restaurante de cariz popular, com um bom trabalho de cozinha num espaço exíguo onde arranjar lugar é às vezes tarefa impossível (eu costumo telefonar a reservar, à cautela). Há petiscos, pratos que convém encomendar e pratos mais "clássicos" e as enguias (fritas e em ensopado) são uma maravilha. A lista de vinhos não entusiasma mas há vinho a jarro.





Solar dos Amigos
Salir de Matos, Facebook, www.solardosamigos.com, tel. 262 877 135
A lista é vasta e o ambiente, em geral, é agradável mas o essencial do Solar dos Amigos é a sala grande (a Sala do Cavaleiro) com a lareira aberta onde se grelham as carnes e o bacalhau, e onde se está melhor no tempo mais frio. O bacalhau assado, a Tiborna de Bacalhau, é imprescindível para os apreciadores deste peixe. As doses são enormes (pormenor a que convém tomar atenção na altura de pedir) e há vinho a jarro.



Taverna do Manelvina
Cruzes, Facebook, www.tabernadomanelvina.com tel. 262 870 014
Apresentando-se como "A casa do grelhado e do aficionado", tem uma sala pequena e uma cozinha duplamente grande, no espaço e na qualidade. Os grelhados, em jeito de rodízio, são realmente bem feitos e a salada com que recebe os clientes (de tomate, com um delicado tempero de ervas) é óptima. A entremeada é uma maravilha e a posta de vitela não lhe fica atrás. O serviço às vezes torna-se confuso, e a sala tem mesas a mais para ser completamente confortável, mas é pelo menos rápido. O vinho a jarro é bom e a refeição encerra com mimos sólidos e líquidos.



Tibino
Foz do Arelho, Facebook, tel. 262 979 047
É um pequeno restaurante à entrada da Foz do Arelho, com uma decoração simpática e acolhedora, uma lista muito razoável e cuidada. Tem esplanada e às vezes apresenta música ao vivo. Sobressai por mérito mas também pela sua qualidade e, embora não esteja em cima da praia, bate toda a concorrência local. Tem vinho a jarro. (Ver nota aqui.)





Três notas em jeito de acrescento:
- Para evitar conclusões apressadas, convirá acrescentar que conheço outros restaurantes da zona e que excluí vários (sem considerar necessário nomeá-los) pelos preços despropositados, pela debilidade da cozinha, pelas opções insatisfatórias em algumas matérias e, até, por não os frequentar há já algum tempo (e, como tal, não ter impressões actualizadas). Algumas pessoas preferirão outras casas e estão no seu direito. Mais longe, mas fora do âmbito geográfico, a Casa Pires, na Nazaré, e o Em Banho Maria, na Serra d'El Rei. Aos restaurantes da capital do concelho, bem como a tudo o resto que pode ser evitado na cidade, não costumo ir, salvo ao Recanto.
- Não recomendo, apesar de ser apresentada como mostra gastronómica, as "Tasquinhas" da Expoeste. Não por falta de mérito de quem aí cozinha, com maior ou menor experiência, mas pelo ambiente. Não é possível ter uma ideia centralizada das ementas e o visitante tem de andar à procura da ementa que lhe pareça mais interessante enquanto a falta de ventilação faz com que baste estar cerca de meia hora no local para ficarmos a cheirar como se estivéssemos a fritar peixe num óleo já com meses de uso.
- Para a minha apreciação conta também o serviço. Não vale a pena ir a um restaurante por uma dada particularidade gastronómica e ser-se depois alvo de atitudes que parecem exprimir o conceito de que os clientes são uma maçada. 

Só vêem a cidade; o resto não existe

"Intervir no património urbanístico e imobiliário, mantendo-o e modernizando-o através de obras de remodelação dos sistemas de infraestruturas, equipamentos e espaços urbanos e verdes de utilização colectiva."
Lindas palavras estas. São do vice-presidente da Câmara Municipal de Caldas da Rainha, segundo o "Jornal das Caldas". E referem-se a um plano sem grandes pormenores que a Câmara quer lançar (aparentemente satisfeita com o estado de guerra em que mergulhou a capital do concelho com o seu plano de obras que, desde há dois anos, ainda não está terminado).
E o plano é para o concelho?
Não. É para a cidade, para a capital do concelho. Porque o resto não existe.


Caldas da Rainha: para eles, só existe a cidade
 
As elites do concelho de Caldas da Rainha abominam o que existe fora da cidade que é a capital. É um provincianismo invertido levado ao extremo. Deixaram degradar a cidade e emporcalhar o interior. Cuidam de relíquias e de sonhos mas não do potencial turístico que oferece a costa atlântica.
Não admira que as reacções das oposições ao PSD da "nova dinâmica" sejam a tristeza que o "Jornal das Caldas" regista: uns querem atender às "questões sociais", outros não sabem, outros ainda que o essencial é "repovoar o centro da cidade".
A ninguém ocorre que o interior do concelho (a quinze minutos da capital do concelho, e em tudo melhor) tem melhores condições para "repovoar" o concelho. Desconhecem a realidade, que talvez lhes meta medo.
Fora das tolices expressas ao momento, o "Jornal das Caldas" regista a única intervenção inteligente sobre o assunto, proveniente de Rui Correia, vereador do PS, que já parece ter aprendido bastante desde Setembro de 2013: "importaria incluir freguesias urbanas que não apenas as da cidade propriamente dita".
 
 
*
 
O PCP caldense deve estar satisfeito com a perspetiva de umbigo do PSD, depois de ter afirmado que a cidade anda a sofrer porque as freguesias do interior são mais beneficiadas do que a cidade porque os seus confrades da "nova dinâmica" têm mais votos no interior.
 
 

Greves nos transportes públicos: os clientes (os outros trabalhadores) tornaram-se o inimigo


No início as greves eram contra os patrões, num mecanismo rigorosamente muito simples: os trabalhadores paravam de trabalhar e os patrões deixavam de ter produtos para vender; não tendo produtos para vender, não ganhavam dinheiro; não conseguindo servir os clientes, arriscavam-se a que eles fossem comprar os produtos dos seus concorrentes. Ou seja: os prejudicados pelas greves eram os patrões.
O sindicalismo era assim e a teoria e a prática marxistas e marxistas-leninistas foram construídas sobre esse princípio.
As greves (praticamente permanentes) dos transportes públicos não seguem estes cânones. Nesta batalha da luta de classes, o inimigo deixou de ser o patronato para passar a ser o conjunto das pessoas que usam os transportes públicos. Ou seja, os seus clientes.
Se os patrões prejudicados podem ser obrigados a ceder em conflitos laborais (com ou sem greves), os clientes nada podem fazer. Não têm os meios para resolver os problemas que poderão estar na origem das greves.
Mas isto não demove os sindicatos.
Os patrões não cedem? Pois hão de massacrar de tal forma os clientes que, com sorte, os patrões podem vir a condoer-se e a ceder. É nisto que apostam os sindicatos: na chantagem pura e simples sobre os clientes.
É como apontar uma pistola à cabeça de alguém para forçar a um familiar seu a fazer uma coisa que não quer. Neste caso, os clientes (na sua imensa maioria, trabalhadores como os grevistas) são impedidos de se deslocarem (para irem trabalhar).
 
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O PCP manteve durante alguns anos, e por intermédio de uma sua empresa, um matutino chamado “o diário” (onde trabalhei como jornalista), organizando reuniões regulares entre os trabalhadores jornal e o secretário-geral, Álvaro Cunhal. E ainda me lembro do que nessa altura ele dizia sobre as greves que deviam ser objecto de notícias que as apoiassem e das outras que não eram correctas.
Nesta definição cabiam por exemplo as greves dos maquinistas da CP, que eram um sector da CP que os sindicalistas comunistas não controlavam e que consideravam elitista e que conseguia fazer os comboios, o que prejudicava claramente a população. Ou seja, e muito directamente, os seus clientes e de uma forma quase terrorista. Como fazia o MRPP em 1974 e em 1975.
Mas hoje o PCP apoia entusiasticamente as greves que têm os clientes como alvo e que expressam aquilo que, noutros tempos, o próprio PCP e o próprio Álvaro Cunhal consideravam como “desvios oportunistas de esquerda”.
O radicalismo esquerdista do PCP e a impotência dos sindicatos expressam o mesmo desespero que nasce da incapacidade de perceber que o mundo laboral mudou e de encontrar uma alternativa a procedimentos que prejudicam sempre os mais fracos. Ou seja, os clientes.
Nisso, os grevistas que agora querem imitar o MRPP dos tempos do PREC são aliados objectivos dos patrões, sejam eles os capitalistas privados ou o Estado capitalista burguês.

terça-feira, 7 de abril de 2015

Notas em formato de "zapping": "CSI: Cyber", "The Flash", a revista "Empire" e "Fear the Walking Dead"


1 - Consta que há uma internet mais escondida, "negra", normalmente designada por "deep web", terreno fértil para muitas coisas que as leis interditam. É uma ideia que, bem desenvolvida, podia dar uma óptima história e, se calhar, até já deu. Não sendo fã do franchising "CSI", antes pelo contrário, pensei que a recente "CSI: Cyber" (em estreia agora no canal Fox) pudessem, partindo desse terreno de caça sugestivo, ser bastante melhor do que afinal é. Mas não quer ser ou não consegue e o que saiu foi apenas mais uma série de agarra-que-foge, com o mundo da internet por pretexto. Não gosto.
 
 
2 - "The Flash" é uma série para o segmento dos "jovens adultos". Não tem pretensões intelectuais. Facilita em certas situações, talvez mais do que a sua congénere "Arrow", que se leva muito a sério. O Flash recriado por Grant Gustin é divertido. Mas é também mais um passo bem dado na transposição dos super-heróis da DC para o audiovisual. Talvez por isso e por muito mais, dá-se (ou deu-se) mal na RTP. A televisão do "serviço público" que todos nós pagamos não larga alguns hábitos (e programas) intragáveis mas trata com os pés (com as patas, melhor dizendo...) uma série bem interessante como "The Flash". Se calhar, houve alguém que se enganou quando a compraram, pensando que era uma coisa (talvez um programa sobre o "flash" das máquinas fotográficas?) quando afinal era outra.

AXN com "Arrow", 1 - RTP, com "The Flash", 0


3 - As séries televisivas têm ocupado, até agora, poucas páginas nas revistas inglesas de cinema "Empire" e "Total Film". Mas a situação está a alterar-se. Na edição de Abril, a "Empire" proclamava (a abrir diversas páginas sobre novas séries já anunciadas) que "a televisão é o novo cinema. Ficar em casa é a nova saída" ("Television is the new cinema. Staying in is the new going out"). Na edição de Maio, a mesma revista refere-se a "Mad Men" (que chega agora ao fim) e anuncia 30 páginas dedicadas à "Guerra dos Tronos" ("Estrelas entrevistadas! Segredos revelados! Mortes contadas!"). É significativo.

"A televisão é o novo cinema"
 
 
4 - Não, já não "The Walking Dead", mas "Fear the Walking Dead" (primeiro filme-anúncio em baixo), uma nova série que conta como os zombies começaram a aparecer... em Los Angeles. Como todos sabemos, e o declínio de "The Walking Dead" confirma, o mais excitante dos zombies é quando eles começaram a aparecer. George Romero sabia-o bem e, num registo diferente, Richard Matheson também quando escreveu "I Am Legend".
"Fear the Walking Dead" estreia-se no verão deste ano.
 





Nota: No site www.imdb.com encontram-se os pormenores essenciais sobre as séries citadas.

domingo, 5 de abril de 2015

Recordando algumas coisas elementares e uma ideia bondosa mal concretizada


 
 
O concelho de Caldas da Rainha tem uma área de 255,87 km2 e, segundo os números de 2011, uma população de 51 645 pessoas. Como se pode ver pelo mapa, toda a sua "fronteira" ocidental está voltada para o Oceano Atlântico.
É possível fazer todo o caminho entre a praia de São Martinho do Porto (que pertence ao concelho de Alcobaça) e a Lagoa de Óbidos sempre a olhar para o mar pela sua estrada panorâmica.
A Norte, Salir do Porto, colada a São Martinho do Porto, tem uma praia fluvial e uma piscina; há uma zona de praia razoavelmente vasta que vai do extremo norte da Foz do Arelho até parte da Lagoa de Óbidos.
E se há uma miserável falta de investimento municipal no turismo, o certo é que o potencial turístico do concelho, em especial na sua ligação ao mar, já é apoiado e mantido pela iniciativa individual que tem levado à criação de ofertas de qualidade de restauração e de alojamento.
O potencial turístico do concelho, se apoiado e estimulado, permitiria criar emprego e aumentar as receitas locais e dar um outro destaque ao concelho de Caldas da Rainha.
 
 
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A relevância destes pormenores (que também servem para mostrar que o autor deste blogue não se limita a "dizer mal") justifica-se para recordar o que aqui escrevi há quase dois anos sobre o portal caldense GoCaldas.
Se, visualmente, melhorou, o que antes escrevi (e que tanto indispôs um dos seus animadores, que até me escreveu, a acenar com os seus graus académicos) mantém-se: o portal ocupa-se apenas da cidade que é capital do concelho e ignora tudo o resto, numa pecha comum às elites citadinas que vêem Caldas da Rainha quase como o centro do mundo. 
E é pena, porque a ideia (até por contraste com a falta de comparência da Câmara Municipal nesta matéria) até era bondosa.
 

quinta-feira, 2 de abril de 2015

Uma questão de barriga?

Tinta Ferreira (actual presidente da Câmara Municipal de Caldas da Rainha): "Aquele Fernando Costa já me anda a irritar! Agora deu em aparecer a fazer comentários sobre as nossas decisões na Câmara. Qualquer dia ainda pensam que se vai candidatar outra vez..."
Fernando Costa (ex-presidente da Câmara Municipal de Caldas da Rainha): "Eu ouvi muito bem o que disseste ! Está descansado que não vou voltar porque já voltei! Sou o D. Sebastião das Caldas. Podem chamar-me D. Turquião!"
"Zé Povinho": "É tudo uma questão de sombra! Um homem com barriga grande só faz sombra aos seus pés e um homem grande faz sombra a muitas barrigas!" 
 
São estes os diálogos da caricatura "Caldastoon", da edição de hoje da "Gazeta das Caldas", com uma caricatura de Tinta Ferreira que o faz mais alto do que o barrigudo Fernando Costa.
Mesmo que se diga que o "Zé Povinho" do "Caldastoon" tem cara de alarve (que tem), o que lhe é colocado na boca é significativo: o actual presidente da Câmara receia um eventual regresso do anterior e já lhe faz guerra, sendo "grande" quando o outro é "barrigudo".
 
 
Fernando Costa: "Sou o D. Sebastião das Caldas"

Tinta Ferreira (à esquerda): "Aquele Fernando Costa já me anda a irritar!"
 

"O Diário de Mary Berg"


 
 
Miriam Wattenberg tinha 15 anos quando, em Outubro de 1939, fugiu, com os pais e a irmã, da cidade polaca de Lodz para Varsóvia. 
Os alemães tinham acabado de invadir a Polónia e a prioridade inicial foi a sobrevivência. Depois, quando conseguiram regressar a Varsóvia e já sob o domínio nazi, a prioridade da família Wattenberg alterou-se, ligeiramente. Era necessário, percebe-se, esperar, ir sobrevivendo a cada dia e confiar no fim da guerra. Apesar das fronteiras cada vez mais apertadas do gueto, apesar do terror nazi, apesar da fome, apesar da morte, ocasional e programada.
Por a mãe ter a nacionalidade americana, Miriam conseguiu escapar ao gueto. Levou consigo, na viagem para os EUA, os fragmentos do seu diário, que foi publicado pela primeira vez em 1945.
"O Diário de Mary Berg" (nome adoptado por Miriam a certa altura), título que depois se generalizou e que é publicado agora em edição portuguesa, é uma crónica dos dias de vida e de morte na Varsóvia judaica, um relato impressionante de um quotidiano que, por estranho que possa parecer, ainda conseguia reproduzir os comportamentos e as posturas sociais de uma época em que não se pensava que fosse possível a barbárie nazi.
E é nesse contraste, entre o dia-a-dia relatado pelos olhos da adolescente Mary e aquilo que nós sabemos, ou descobriremos, que vai acontecer, que se ergue esta narrativa por vezes comovedora e que termina numa terrível nota de esperança à chegada ao porto de Nova Iorque, a seguir ao relato impressionante da revolta do gueto de Varsóvia. Trazendo consigo, na limpidez do texto, a maior de todas as interrogações: porque é que isto aconteceu?  E conseguiremos nós verdadeiramente responder? (Ed. Vogais/20|20, tradução minha.) 

Uma perguntinha que se calhar até parece mal...

 
 
 
Porque é que a Câmara Municipal de Caldas da Rainha gasta milhões de euros num estacionamento subterrâneo que, claramente, não era necessário e não atende a problemas tão reais e tao graves que podem mesmo pôr em perigo vidas humanas?
 
 

Um parque que nem com uma hora grátis se enche...



... e uma ponte, usada por muita gente, que um dia pode vir abaixo
(1.ª página do "Jornal das Caldas", de 1.04.15)

quarta-feira, 1 de abril de 2015

A arte da fuga

 
 
As coisas não andavam a correr-lhe bem, e ao PS também não, e António Guterres deixou o Governo em 2001.
As coisas também não lhe andavam a correr bem no Governo e, em 2004, Durão Barroso trocou os problemas nacionais pela alta política europeia.
Francisco Louçã estava com problemas no já minguado Bloco de Esquerda e largou o "filho" em 2012.
Agora é António Costa que, confrontado com problemas na Câmara Municipal de Lisboa (para cuja presidência foi eleito há menos de dois anos) e no PS, se livra das maçadas municipais, na esperança de a vida de primeiro-ministro lhe ser mais fácil.
Será vírus?



Eu piro-me, tu piras-te, ele pira-se, nós piramo-nos...