sábado, 30 de julho de 2016

Brincar à política à sombra de 2 milhões de euros



É confrangedor ver a polémica que se desenvolveu a propósito de um empréstimo de 2 milhões de euros a contrair pela Câmara Municipal de Caldas da Rainha para obras nas estradas e para construir um teatro.
A câmara tem uma dívida actual de 3,9 milhões de euros, parece querer amortizar uma parte e diminuí-la para 3,3 milhões... mas com o empréstimo passará, obviamente, para os 5,3 milhões de euros. É uma ninharia, claro, desde que haja munícipes à disposição do poder municipal para serem esmifrados à vontade.
O PS, o CDS e o PCP estiveram contra, com argumentos básicos. O MVC, estranhamente, votou a favor. São pormenores irrelevantes porque o PSD tem maioria absoluta e faz o que quer. E às vezes bem à vista de quem devia estar mais atento. Os pormenores estão contados pelos jornais "Jornal das Caldas" e "Gazeta das Caldas".
Sendo importante a questão do empréstimo, em si, é talvez mais importante olhar para ele em função do que câmara municipal quer fazer e do que já fez, no que se refere a obras públicas.
Recordemos as intermináveis obras feitas na capital do concelho, que começaram em 2012 (em função das eleições autárquicas do ano seguinte) e que chegaram a prolongar-se até 2014, delas resultando, basicamente, dois fenómenos urbanos bizarros: uma avenida de passeios alargados e desertos e um parque de estacionamento subterrâneo. E recordemos que, com as obras, foram beneficiadas numerosas empresas de construção que, em vários casos, não asseguraram os respectivos trabalhos.
A situação (e agora suportada por um empréstimo que todos deveremos pagar) repete-se: em 2017 há eleições autárquicas, é sempre conveniente "fazer obra" e... haverá mais (ou as mesmas?) empresas de construção a serem beneficiadas.
Em termos práticos, digamos que a gestão da Câmara Municipal de Caldas da Rainha procura tornar-se atractiva para os eleitores que se deslumbrarão com mais obras e para empresas que ganharão mais dinheiro. E o que é que a gestão de uma câmara municipal ganha com isso? Votos, pelo menos...
Se a oposição a este desastrado PSD da "nova dinâmica" fosse, no mínimo, competente e profissional, teria concentrado as suas atenções nestes pormenores, para lá da questão contabilística. Aliás, o MVC (que se entregou ao "canto de sereia" de um caudilho demagogo, hipotecando os votos recebidos em 2013) devia estar especialmente atento a uma situação destas. Se também fosse competente e profissional.
A política neste município é, no entanto, uma espécie de brincadeira de crianças. A oposição (que não se esforça muito por parecer que quer derrotar o PSD nas eleições) fica-se por jogos florais e a "situação" também nem precisa de se esforçar muito. Estão bem uns para os outros.




Título do "Jornal das Caldas" e uma obra mal executada numa "rua" do interior por uma das empresas "amigas" da câmara... há dois anos.



terça-feira, 26 de julho de 2016

Os críticos de cinema, o sofá da avó e os filmes (e séries) à borla

César Mourão, actor e apresentador de televisão (e que rejeita a classificação de humorista) recupera uma eterna polémica sobre a crítica, a propósito do "remake" de "A Canção de Lisboa", em que é um dos actores, numa entrevista ao suplemento "b.i." do jornal "Sol" do passado sábado.
Mourão, cuja proficiência profissional não posso apreciar, faz a dado passo umas afirmações interessantes:

"A única coisa que separa um crítico da minha avó é o sofá em que cada um se senta. O da minha avó se calhar é um sofá mais antigo, onde ela se senta há muitos anos, e gosta daquele maple, e se calhar já viu mais filmes do que um crítico. O que é que é um crítico? Uma pessoa que viu mais filmes e que sabe mais? (...) É uma pessoa normal que tem a cabeça dela e tem uma opinião (...) O crítico normalmente não paga um bilhete de cinema (...) Se calhar, se tivesse gasto cinco euros no filme, que muitos deles não têm dinheiro para os pagar, se calhar via o filme com outros olhos e dizia: 'espera aí que isto custou-me cinco euros, ainda assim'."

Nos dias de hoje, em que qualquer pessoa (não apenas nos blogues mas também na imprensa) pode fazer de crítico de cinema (ou de livros), a apreciação é sugestiva. E, independentemente da questão do sofá, talvez seja certeira no que se refere ao cinema à borla. Já era, quando eu fiz crítica de cinema, há mais de vinte anos.
Aliás, aplica-se por inteiro à "crítica" sobre as séries de televisão que vive... de quê? De materiais promocionais? De viagens promocionais para encontros com produtores, realizadores e actores? Do que se "saca" da internet? D
o que tenho visto (no "Expresso", por exemplo) e, ainda hoje, no "Observador", há muita gente a escrever sobre séries de televisão que não tem conhecimento da matéria.
É um domínio onde, aliás, também se reflectem muitas das opções da imprensa de hoje, no que em especial se refere à gritante impreparação de muita gente que dela faz, ou quer fazer, profissão.



Lixo BTT





São muito amigos da Natureza, os rapazes, lestos a pôr mas retardados a limpar...

Porque não gosto dos CTT (99): pelo menos foi entregue...

Uma carta que me era dirigida foi parar à Benedita. O destinatário, foi-me garantido, estava correcto. Bem, pelo menos não desapareceu...

domingo, 24 de julho de 2016

Para arejar o sovaquinho?


Ter a mão esquerda no volante e a direita na alavanca das mudanças não é uma posição de condução recomendável para toda a gente mas é viável. Conduzir com a mão e o braço esquerdos de fora, e num carro de volante à esquerda, é que me parece perigoso.
Pode, no entanto, resultar de uma necessidade imperiosa de arejar um sovaco mal lavado.

sexta-feira, 22 de julho de 2016

Jornal de animais

Descobri, por mero acaso, que o "Público" tem, pelo menos online, uma área (ou suplemento) sobre animais (aqui).
A ideia, embora pareça apenas esboçada, é simpática. Só é pena não se perceber se alguns textos são escritos por pessoas ou por... cães e gatos.

Porque não gosto dos CTT (98): três dias entre Porto e Lisboa


Perante isto, a viagem de três dias de uma carta do Porto para Caldas da Rainha é um verdadeiro recorde - foram só 180 horas para percorrer 230 quilómetros!

quinta-feira, 21 de julho de 2016

Reconstruindo "Orange is the New Black"




aqui me referi a "Orange is the New Black", a série ligeiramente iconoclasta em que ninguém parece ter reparado em Portugal: baseada no drama pessoal de uma jovem condenada por ajudar a traficar droga, relata a sua chegada e a sua estadia numa prisão, em cumprimento da pena.
A série, na sua origem, é talvez mais cómica do que dramática e nisso afasta-se do texto original do livro, com o mesmo título, da jovem Piper Chapman que, apesar de tudo, não cumpriu uma pena muito pesada.
Perante essa divergência, e com o livro (no tom e no conteúdo) a esgotar-se, os produtores da série fizeram na terceira temporada uma inflexão inteligente: deixaram Piper em roda livre (agora a lançar um negócio de cuecas muito usadas, a partir da prisão, para os entusiastas do olfato) e começaram a concentrar-se nos dramas pessoas das outras reclusas. A maior parte já as conhecemos das temporadas anteriores (1 e 2) e esse conhecimento torna mais fácil a aceitação deste novo rumo. Piper (Taylor Chilling), na sua perfeição imaculada, fica para trás e a série desenvolve-se ainda melhor e ganha uma nova vida.

[Vi a temporada três de "Orange is the New Black" numa edição em DVD da Lions Gate Television legitimamente adquirida.]


Condomínio de aranhas





























quarta-feira, 20 de julho de 2016

Porque não gosto dos CTT (97): 100km/1090,9h!


A minha conta da água foi emitida no passado dia 12 de Julho.
Vamos pensar que só foi para o correio no dia seguinte, 13 de Julho.
Chegou a minha casa ontem, dia 19.
Descontando sábado e domingo, a carta demorou 5 dias a chegar.
Os Serviços Municipalizados de Caldas da Rainha ficam a cerca de 11 quilómetros de distância da minha casa.
Isto significa que a carta se deslocou, digamos assim, à velocidade de 100km... em 1090,9 horas. Um caracol talvez chegasse mais depressa.

segunda-feira, 18 de julho de 2016

Elsa Karabas



Já me referi aqui à Elsa, uma cadela "gigante" que faz parte da família desde Janeiro deste ano, depois de ter aparecido a vaguear aqui na região.
Não me pareceu que pudesse ser um cão de raça "pura" e, pouco familiarizado com raças de dimensão superior aos sempre admiráveis cockers, até pensei que fosse aparentada de rafeiro do Alentejo. O contraste directo com outra cadela dessa raça, por sinal simpática, mostrou-me que não era.
Serra da Estrela? Foi outra hipótese. Depois de duas tentativas falhadas de obter a opinião de duas associações, pessoa amiga emprestou-me uma edição de um livro sobre esses cães e, pelo contacto directo, sugeriram-me que poderia ser arraçada. Com influência de pastor belga na versão "malinois", pela cor? Talvez.
Em Abril e em Maio, em duas deslocações a Nelas, vi de relance um cão, ou cadela, igual à Elsa. Corpulento, ágil, bastante senhor de si. Podia haver uma coincidência, claro, e a Elsa ter um irmão ou primo a 250 quilómetros de distância. Que podia eu pensar quando as minhas pesquisas, um pouco às cegas, nada me diziam.
Mas há pouco tempo vi no Facebook um GIF com outro cão igual. Poderia ser o mesmo? Poderia ser a Elsa?! Ou haveria mesmo cães assim?
Há raças autóctones e, porque os cães não viajam muito, torna-se difícil conhecer todas as raças e, em especial, saber qual a designação de uma determinada raça... se não a conhecemos. No Google comecei por fazer duas procuras: raças americanas e africanas (a separação por continentes não facilita a migração de certas raças pelo que haverá algumas que não se encontram por cá) e por imagens. E lá começaram a aparecer as imagens de outras "Elsas". E o mistério desfez-se.
A Elsa é um "Çoban köpegi", um cão-pastor da Anatólia (Turquia), da variedade dos "karabas" ("karabash", "máscara negra"). É um cão de guarda de rebanhos, na sua origem, mais conhecido noutros países do que em Portugal, um especialista em segurança e defesa que transfere todas as suas qualidades para a guarda da matilha humana em que se integra.
E o que já li, em sites americanos, franceses e num estudo quase académico de um especialista turco, aplica-se por inteiro à jovem Elsa, que aqui ganhou uma matilha... e um chefe de matilha.
Se a sua qualidade ficou assim reconhecida, o mistério continua num nível diferente: de onde é que saiu, sem chip, sem que ninguém o reclamasse, aparentemente pouco nutrido, um exemplar tão perfeito de uma raça que deve ser quase inexistente no nosso país?
Quem, logo ao vê-la, recolheu a Elsa, sem poder ficar com mais um cão, disse, com toda a simpatia, que ela tinha tido sorte por ter vindo aqui parar. Quando observo a Elsa, penso que poderemos ter sido nós a ter sorte com este encontro tão inesperado.
   

domingo, 17 de julho de 2016

Je suis...



Não sei quem é o(a) autor(a) mas, com essa ressalva, aqui fica um dos mais oportunos comentários ao mais recente acto de terrorismo em França (em Nice). A questão é mesmo esta: menos "je suis" e mais acção, porque não é possível deixarmos de estar todos fartos disto...

sexta-feira, 15 de julho de 2016

Je suis whatever?

Nice, França, 15 de Julho de 2016: a guerra continua

Os guerrilheiros do Islão terrorista estão entre nós.
Estão no seio do Islão que não é terrorista.
Nasceram entre nós, foram criados cá, chegaram de avião (versão Guterres), vieram com os refugiados (nenhuma organização terrorista dirigida por pessoas inteligentes deixaria de aproveitar a boleia).
Tudo para eles é uma arma. Somos alvos a abater.
Enquanto os políticos não perceberem que se trata de uma guerra que só é diferente pelos meios empregues, estamos todos condenados ao massacre e ao "je suis" qualquer coisa para aliviar as consciências.

quinta-feira, 14 de julho de 2016

A8




Uma camioneta de caixa aberta com um motorista cheio de pressa, lá à frente, bem acima do limite legal de velocidade e da velocidade a que o carro do autor da fotografia já ia e que a imagem documenta: é um cenário comum na A8.

Porque é que o PSD vai ganhar as eleições autárquicas em Caldas da Rainha... sem o merecer


1 - O PSD vai ganhar as eleições autárquicas de 2017 no concelho de Caldas da Rainha. Mas não o merece. Ganhará pelas influências que move, pelas iniciativas eleitoralistas e pela absurda falta de comparência das oposições. Nunca por mérito. Em especial dos seus dois principais candidatos.

2 - O mote do PSD nas eleições autárquicas de 2013 foi "Uma nova dinâmica". Três anos depois, o slogan desapareceu. Dito pelos próprios seria uma anedota. Pode ter sido pensado para dizer que o novo candidato a presidente era "dinâmico" por comparação com o anterior, o "dinossauro" Fernando Costa. Mas a única "dinâmica" que se viu do burocrata iluminado que saiu do ovo posto pelo "dinossauro" foi a das duvidosas obras que paralisaram a capital do concelho e que culminaram com a grande "obra de regime" local: um parque de estacionamento subterrâneo numa pequena cidade sem constrangimentos de trânsito.

3 - O concelho de Caldas da Rainha é um concelho que, no que depende do poder camarário, se encontra estagnado. Não há um projecto, um plano, uma imagem de marca. Nem a promoção do turismo nem a criação de condições para, promovendo-o, lhe dar sustentabilidade. A ambição das termas, que tanto gostam de alardear os políticos caldenses, é isso mesmo: uma mera ambição palavrosa que oculta uma decepção, sem projecto nem dinheiro. E tudo o que podia ser bem feito fica mal feito.

4 - Apesar disso, já se sabe, o ano de 2017 vai ser festivo. Não faltarão festas, festarolas e inaugurações. O eleitorado, de memória curta, aceitará o incentivo. E pagará a diversão com votos.

5 - Podia haver oposição. A sério. Mas não há. Nem oposição nem oposições. O PS parece tolhido por problemas internos, depois da saída de cena do seu cabeça de lista de 2013. O CDS tem dias. O PCP preocupa-se sempre mais com os problemas de política geral (e engolindo os sapos do apoio ao governo vigente). O BE desapareceu em 2013, felizmente. E o MVC, que devia ter mantido uma intervenção política regular depois da sua pequena vitória de 2013, deu com os burrinhos na água.

6 - Já aqui demonstrámos, há mais de um ano, que bastaria a união dos apoios e dos eleitores de 2013 para lançar uma alternativa única (uma aliança de boas vontades com um programa mínimo) ao PSD caldense e conquistar a câmara. Já começa a ser tarde para isso e não se nota que haja alguém, nas fileiras da oposição, que o queira fazer. E note-se: esta é a única hipótese de vencer o PSD em Caldas da Rainha.

7 - O quadro é este: a repetição de uma vitória do PSD na eleições autárquicas de 2017 neste concelho. Não por mérito próprio mas por demérito alheio. É uma situação em que o voto se tornará inútil e onde a abstenção será, provavelmente, a melhor expressão de distanciação perante um leque de políticos sem mérito.


Tudo o que pode sair mal, sai mal: um mini-parque desportivo no centro da capital do concelho (saído dessa nuvem de confusão que é o Orçamento Participativo)
foi construído sem abrigos, para evitar a exposição solar, bem fonte de água.


quarta-feira, 13 de julho de 2016

Estrume Parte II

O "Jornal das Caldas" foi à procura da notícia e já descobriu que o cheiro a merda que assola uma parte da capital do concelho de Caldas da Rainha não está limitado à cidade, como pensou a "Gazeta das Caldas".
Na aldeia do Campo, a menos de um quilómetro dos extensos terrenos agrícolas onde é habitualmente despejado o estrume, o "Jornal das Caldas" falou com moradores e ouviu as suas queixas, sobre o cheiro e as moscas, que divulga na sua edição de hoje.
É assim que deve ser feito. É assim que se faz jornalismo. E é também assim que se confrontam as autoridades com um problema que deviam saber resolver e que agora, perante a notícia em concreto, até lá deviam ir ver... E cheirar.

terça-feira, 12 de julho de 2016

Os futebolistas são tudo, mas os militares... nem mortos

Um acidente com um avião militar matou alguns militares na segunda-feira, no Montijo. O acidente ocorreu praticamente em cima da recepção congratulatória oferecida pelo Presidente da República aos futebolistas... e a cerimónia continuou.
Os militares que morreram deviam ter merecido outra consideração por parte do Presidente da República, que até é o comandante supremo das Forças Armadas, e a cerimónia devia ter sido suspensa.
Não o tendo feito, o Presidente da República mostrou que há uma diferença de vulto entre os futebolistas que são pagos, e bem pagos, para ganhar um campeonato e os militares que cumprem no dia-a-dia o seu serviço. Uns merecem tudo, os outros não interessam.
O Presidente da República procedeu mal. Mais uma vez.

O estado da nação pateta


O estado da nação pateta

Tantas vezes que devem ter enchido a boca com os "3 éfes" (fado, futebol e Fátima)
para agora terem de engolir o que era visto como a pior alienação das massas.

O estado da nação pateta


Porque não gosto dos CTT (96): 21 dias de Lisboa a Caldas da Rainha


Calor, praia, futebol, 35 horas de trabalho (ou menos, ainda) ou sabe-se lá o quê - nunca há explicações para fenómenos como este: ontem, dia 11 de Julho, entraram na minha caixa de correio nove (9!) cartas com datas nada recentes, das quais a mais atrasada é a de uma editora com data de expedição de 20 de Junho (deste ano). Que demorou (terá vindo a pé?) 21 dias a chegar.

O conjunto da correspondência e das suas datas de expedição mostra bem o péssimo serviço da empresa CTT:

- carta de uma editora - 20 de Junho;
- carta de uma empresa de electricidade (com uma conta para pagar) - 23 de Junho;
- carta de uma empresa de telecomunicações (com uma conta para pagar) - 28 de Junho;
- carta de uma empresa de electricidade (com uma conta para pagar) - 28 de Junho;
- carta de uma companhia de seguros - 29 de Junho;
- carta de uma entidade financeira - 30 de Junho;
- carta da Via Verde - 30 de Junho;
- carta de uma entidade financeira - 1 de Julho;
- carta de uma companhia de seguros - 3 de Julho;
- carta de uma empresa de supermercados sem data mas com cupões de desconto expirados na semana anterior.


O estado da nação pateta

segunda-feira, 11 de julho de 2016

Outros tempos

Poucos anos depois do 25 de Abril, no primeiro jornal em que trabalhei, havia um colega que, com a sua ironia bem comportada, proclamava: "Eu sou do tempo em que ser-se antifascista era não gostar de futebol". Agora também já se deixou entusiasmar pelo futebol.
Eu continuo a gostar da ironia e a não gostar de futebol. 

sexta-feira, 8 de julho de 2016

Estrume





Mostra-se a "Gazeta das Caldas" preocupada por haver "maus cheiros" a assolarem "a cidade". Engana-se nisto, como se engana noutra coisa, o distinto semanário que com frequência se esquece de que o concelho de Caldas da Rainha não é só "a cidade".
O cheiro a merda não flagela só a "cidade" mas, por exemplo, a freguesia do Campo (a cerca de cinco ou seis quilómetros da redacção da "Gazeta"), por cuja estrada basta passar para perceber que os "maus cheiros" provêm do estrume que ocupa uma vasta extensão de terrenos agrícolas. Pelo menos. E não é de agora como, por exemplo, aqui registei. 
Não é preciso perguntar a ninguém. Basta dar corda aos sapatinhos e ir lá cheirar. Chama-se a isso fazer reportagem.
Já agora, e só se pode atribuir o lapso ao estrume, não convém à "Gazeta" esquecer que o mau serviço (de que o próprio jornal se queixou, e queixa) da empresa CTT começou muito antes da privatização que agora verbera. Como, aliás, neste blogue documentei e com muitos exemplos, muito antes de se falar sequer na privatização a sério da dita empresa. Ter isso presente chama-se fazer jornalismo. Sem estrume. 

quinta-feira, 7 de julho de 2016

O futebol, o chefe do Estado e os "afectos" em viagem de luxo

Que conste, para os devidos efeitos:

1- Sou completamente indiferente ao futebol. Sempre fui, continuo a ser. Estes campeonatos, onde não vejo que "o País" ganhe, perca ou empate, muito menos me dizem alguma coisa.

2 - Não considero que as corridas dos chefes de Estado e de Governo, e de outros governantes, aos jogos tenham qualquer relevância prática, a não ser pela negativa, por tentarem levar uma função institucional para acontecimentos do domínio privado.

3 - Considero absolutamente incoerente e ofensivo para com as populações mais carenciadas do nosso país em crise a utilização de um avião particular para o Presidente da República se deslocar a um desses eventos, sobretudo depois do teatro que montou quanto à recusa de um automóvel de função (que o chefe do Governo se apressou a abichar).

4 - Respeito o cargo de Presidente da República e quem o exerce a cada momento. Prefiro a dignidade institucional, por mais formal que seja, à ideologia dos "afectos" tontos.

terça-feira, 5 de julho de 2016

O IVA da restauração e o rigor fiscal



A descida do IVA na restauração dá origem a este belo exemplo de rigor fiscal: em vez de serem discriminados os vários elementos da factura, com taxas de IVA diferentes, sai uma factura de "duas refeições" (com produtos com taxas de IVA diferentes, na fórmula trapalhona que o actual governo despachou) com uma taxa uniforme de 23 por cento, logo no dia 1 de Julho.

O governo provisório de António Costa

É tudo muito giro mas...
      


Há semanas que não se fala noutra coisa: as eventuais sanções em que Portugal pode incorrer, no seio da União Europeia, por não conseguir controlar as suas contas públicas.
Ou seja: as contas do Estado.
Durante bastante tempo, e verdadeiramente nunca despareceu do discurso do Governo e dos comentadores, foi-se falando de um “plano B” para a economia nacional, ou seja, um conjunto de medidas que, na prática, reduzissem as despesas do Estado e conseguissem tornar as contas do Estado mais (auto)sustentáveis.
O “plano A” seria o Orçamento de Estado deste ano, aprovado há poucos meses e já sob a sombra de um possível orçamento rectificativo.
O actual Governo, o do PS com o BE e o PCP, não consegue apresentar um rumo estável. Quer antes, com as reversões de decisões políticas do anterior governo com impacto económico e orçamental e o jorro de benefícios, sempre de carácter económico e com impacto orçamental para grupos bem específicos, quer depois: todas as decisões que queira tomar ficam sempre dependentes do favor do BE e/ou do PCP.
O truque que permitiria ao actual Governo “virar a página” da austeridade seria o crescimento económico. Com ele, cobrar-se-iam mais impostos às empresas e aos consumidores e o Estado teria mais dinheiro. Mas o crescimento económico caiu.
A execução orçamental é virtuosa garante o actual primeiro-ministro. Mas a virtude, neste caso, está em evitar ou atrasar as despesas do Estado, como é o caso dos fornecedores no sector da saúde.
O actual governo já tem mais de seis meses de vida. Mas não se vê nele qualquer potencial de estabilidade. Nada do que fez, do que disse ou (lá está…) do que pode vir a fazer, ou não, inspira tranquilidade. 
E a intranquilidade que gera a instabilidade tem, pelo menos, dois efeitos graves: reduz a confiança dos consumidores e põe-nos a consumir menos; reduz a confiança dos investidores e dos potenciais investidores e põe-nos a investir menos e, com isso, a travar a criação de empresas ou, mesmo, o seu funcionamento.
António Costa, que chegou a primeiro-ministro através de um golpe de Estado parlamentar, chefia um governo em permanente estado de provisoriedade. 
Mas pode ser que o seu desfecho, por mau que venha a ser, tenha duas vantagens: a punição política e eleitoral do seu criador e o choque com a realidade por parte do actual Presidente da República.





segunda-feira, 4 de julho de 2016

José Sócrates, 1 - Marcelo Rebelo de Sousa, zero

É certo que todas as pessoas devem ser consideradas inocentes até transitar em julgado a sentença judicial que em definitivo demonstre o contrário e o próprio Presidente da República afirmou-o a propósito de um seu funcionário.
Mas o cidadão José Sócrates não é só um arguido à espera de acusação e, a haver acusação, à espera de julgamento. É um ex-primeiro-ministro que, para contrariar as suspeitas que até o levaram à prisão preventiva, forneceu explicações eticamente duvidosas.
Agiu mal, e provocatoriamente, o presidente de câmara que convidou Sócrates a estar presente na mesma cerimónia em que estaria o Presidente da República.
Agiu mal Sócrates ao aceitar o convite (mas não se esperaria outra coisa de quem quer vencer a justiça fora do seu âmbito específico).
E agiu muito mal o Presidente da República ao sujeitar-se ao encontro. Devia ter cancelado a sua deslocação (e há mil e uma maneiras de uma figura do Estado o fazer) ou feito saber, informalmente e com todo o cuidado, que não poderia ir se a principal figura da Operação Marquês lá estivesse.
Não havia, nem há, motivo nenhum (a não ser uma afinidade político-partidária em que ainda não é possível acreditar...) que justifique este encontro de Marcelo Rebelo de Sousa com o ex-primeiro-ministro arguido que insiste em influenciar políticos e juízes. Ao aceitá-lo, o presidente Rebelo de Sousa deixou-se rebaixar.
Talvez tenha recebido votos a mais.



Há "afectos" que o Presidente da República devia evitar (© José Coelho/Lusa)

O fim do cinema (pelo menos em Caldas da Rainha)


As salas de cinema do centro comercial Vivaci (agora La Vie), em Caldas da Rainha, nunca me entusiasmaram e, pouco depois de me ter mudado para este concelho, ainda cheguei a ir a Leiria vir um filme que muito me interessava. O custo da deslocação (em tempo e dinheiro) não convidou à repetição da experiência.
Ainda fui algumas vezes às salas do Vivaci mas acabei por desistir.
Habituado às grandes salas de Lisboa e arredores, dei-me mal com os seus ecrãs modestos, com o som desequilibrado e com as cadeiras que não me davam espaço para arrumar as pernas.
Acabei por ver cinema em casa, primeiro através de videoclubes, de alguns DVDs que ia comprando e, agora, do serviço de "videoclube" da televisão. E, por vários motivos (nomeadamente, o respeito pelos direitos de autor dos outros e a questão da qualidade), nunca fui "sacar filmes à net".
O fecho, talvez definitivo a avaliar por esta notícia, das salas do agora La Vie não surpreende. O cinema em sala tem estado a perder clientes em todo o mundo e a responsabilidade não é só dos "piratas" mas dos próprios distribuidores e exibidores nacionais.
Neste caso, como terá decerto acontecido em muitos outros concelhos, as salas ter-se-ão tornado pouco atraentes, nunca foram confortáveis, nunca deixaram ver que o cinema em sala pode ser um espectáculo grandioso.
Lamenta-se o fecho, lamentam-se os postos de trabalho perdido, lamenta-se que não haja alternativa. Mas o cinema, por muito que alguns intelectuais não o queiram perceber, é uma actividade comercial e esta, claramente, não rende, pelo menos desenvolvida como tem sido. Ou melhor, subdesenvolvida. Paz à sua alma, portanto.