sexta-feira, 24 de novembro de 2017

Sobre "Mort sur le Tage"

Um texto muito bonito sobre "Mort sur le Tage", a edição francesa de "Ulianov e o Diabo".


Da autoria de Veneranda Paladino no jornal "Les Dernières Nouvelles d'Alsace"

quinta-feira, 16 de novembro de 2017

Sua Majestade o Conde de Vilar Seco!


Não os conhecendo a todos, admito que possa haver no mercado português vinho tinto melhor do que este.
Mas eu, que já tive o privilégio de o beber há oito meses, digo que nunca encontrei nenhum tão bom: eis o Conde de Vilar Seco Touriga Nacional, 2010, Garrafeira, da Quinta da Fata.



segunda-feira, 13 de novembro de 2017

Tempus fugit



Gostava de escrever pormenorizadamente sobre "The Deuce" (a série de TV em que David Simon regressa às ruas, recuperando o espírito da magnífica "The Wire").
Gostava de escrever sobre a mais recente temporada da série "Ray Donovan", com dois grandes actores em grande forma: Liev Schreiber e Jon Voight.
Gostava de escrever sobre "Stalin: The Court of the Red Tsar", que estou a ler.
Gostava de escrever sobre um cãozinho chamado Filipe e que perdeu toda a alegria de viver às mãos de donos que não o merecem. 
Gostava de escrever sobre o estado de abandono a que esta zona interior do concelho de Caldas da Rainha continua votada, apesar das promessas (imbecis, não há outra palavra) dos candidatos autárquicos de "embelezamento".
Gostava de escrever sobre o biltre psicopata que nos governa e sobre as "boas almas" dessa espécie de "esquerda" que alegremente se prostituiu ao PS e sobre o silêncio tão estranho de algumas pessoas, que conheço e que sempre julguei mais inteligentes e menos sectárias.
E sobre outras coisas. Mas por enquanto ainda não.
Estou nesta altura a cumprir em regime intensivo o meu ofício de tradutor o monumental "The Story of the Jews - Belonging", do historiador Simon Schama. Já aqui me referi ao primeiro volume desta sua extraordinária obra ("Encontrar as Palavras"), que também tive o enorme prazer de traduzir. Com cerca de 800 páginas e um prazo desafiador, é um empreendimento que me reduz o tempo de que disponho para, por exemplo, vir aqui.
Haverá quem respire de alívio, haverá quem espere mais. Mantenho uma intervenção esporádica no Facebook mas, por aqui e até Janeiro, haverá menos textos. 
Até lá... Bem, leiam "A História dos Judeus - Encontrar as Palavras", ed. Temas e Debates. É muito bom. E este é melhor!


O segundo andamento da "História dos Judeus"

domingo, 12 de novembro de 2017

Atentas...




Notas de prova


Cortém - Tinto 2012 - Vinho Regional Lisboa
Touriga Nacional e Jaen
Vinhos Cortém - Christopher Price (Vidais, Caldas da Rainha)
13,5% vol.
(Bebido no restaurante Naco na Pedra)
Bom!

Notas de prova


Quinta do Escudial - Tinto 2010 Reserva - DOC Dão 
Touriga Nacional, Tinta Roriz, Alfrocheiro e Jaen
Quinta do Escudial (Vodra, Seia) 
14% vol.
Muito bom.

Notas de prova


Visconde de Garcês - Tinto 2013 - DOC Douro 
Tinta Roriz e Touriga Franca
Sociedade Agrícola Casa de Vila Nova (Castelões, Penafiel)
13,5% vol.
Bom!

Ler jornais já não é saber mais (33): os títulos







Há títulos, nos jornais que hoje se publicam, que parecem ser feitos por quem não sabe ler. O de cima é do "i" e o de baixo do "JN".
A alternativa, mais clara e mais concisa, ao primeiro seria "Vai ser lida hoje sentença do processo que acusa Carrilho". Quanto ao segundo, "coloca" (três sílabas) é uma estupidez da moda que substitui o mais direto e mais fácil "põe". Aliás, em português, costuma dizer-se "pôr fim" e não "colocar fim"...

segunda-feira, 6 de novembro de 2017

Kevin Spacey, que descanse em paz



"House of Cards" (TV), 2013 - 2017 (?)

Kevin Spacey (1959 - ), actor extraordinário de filmes extraordinários e de uma série extraordinária, morreu para a indústria do entretenimento norte-americana, na nova febre dos ajustes de contas de cariz sexual, onde ao Estado de Direito e às suas leis se sobrepõe a publicitação do que aconteceu, do que não aconteceu, do que pode ter acontecido, do que pode ter sido visto como tendo acontecido, no ano passado, há vinte anos, há quarenta, fosse quando fosse, no meio de gente cobarde e sem préstimo. 
"House of Cards" acabou, o seu mais recente filme fica na prateleira. É como se o actor tivesse deixado de existir.


"Os Suspeitos do Costume"; de Bryan Singer (1995)

"Beleza Americana", de Sam Mendes (1999)

"L.A. Confidential", de Curtis Hanson (1997)

"Seven - 7 Pecados Mortais", de David Fincher (1995)










domingo, 5 de novembro de 2017

Livro de reclamações

É só imprimir, preencher, digitalizar e enviar. Estejam à vontade.



Retirado, com a devida vénia, do mural do Facebook do grupo IRA - Intervenção e Resgate Animal



quinta-feira, 2 de novembro de 2017

Tinha




Traduzir ficção, qualquer pessoa o faz. Não-ficção é que é o cabo dos trabalhos.
E é também por isso que eu cada vez mais gosto de traduzir não-ficção.

quarta-feira, 1 de novembro de 2017

Psicopatia?


Uma pessoa normal, com a responsabilidade (política) da morte de 110 pessoas em incêndios em que o Estado, que gere, falhou, nunca se faria entrevistar num cenário deste: um quartel de bombeiros que parece uma representação de estúdio, com ferramentas de trabalho espalhadas pelo chão em primeiro plano, tipo adereços.
Um dia perceber-se-á melhor. 



terça-feira, 31 de outubro de 2017

Ainda a "campanha negra"...


Lembram-se deste vídeo, nos tempos heroicos do Telejornal da TVI que era apresentado por Manuela Moura Guedes? Era o elo mais directo que unia o "caso Freeport" a J. Sócrates, sendo o receptor do dinheiro o primo. O "Sol" explicou no sábado passado como a divulgação do vídeo tornou "tóxico" o primo e levou o "engenheiro" a recorrer a C. Santos Silva.
Convém recordar isto, porque há muita gente com amnésias estranhas.




O "Sol" (sem link) explica...


segunda-feira, 30 de outubro de 2017

Notas de prova


D. Manuel I - Tinto 2015 Reserva - DOC Beira Interior 
Touriga Franca, Tinta Roriz e Touriga Nacional
Adega Cooperativa de Pinhel (Pinhel)
14% vol.
Bom

Notas de prova


    Ruy - Tinto 2015 - DOC Dão
Touriga Nacional, Tinta Roriz e Alfrocheiro
Casa de Vilar de Ordem (Povolide)
13,5% vol.
Bom!

Notas de prova


Porta do Fontelo - Tinto 2014 - DOC Dão
Touriga Nacional, Alfrocheiro, Tinta Roriz e Jaen
UDACA (Viseu)
13,5% vol.
Medíocre



Bombeiros de São Martinho, perigo de incêndio... e lixo




No passado dia 22, precisamente uma semana depois do grande incêndio que atingiu aqui a Serra do Bouro, os Bombeiros Voluntários de São Martinho do Porto, organizaram um "Passeio de BTT" na região.
As fitas de plástico que servem, parece-me, para delimitar o percurso ainda cá estão, penduradas na vegetação.
É hábito, aliás: são postas pelos activistas dos BTTs mas depois... devem ficar todos demasiado cansados para as recolherem.
Embora me pareça óbvio, nunca é demais dizer o seguinte: as fitas são de plástico, ardem facilmente e, penduradas ou caídas, são lixo, que se acumula, que emporcalha, que desfeia.
E, neste caso, aqui estão, deixadas pelas mesmas mãos que, suponho, também apagam fogos...



É lindo, não é?...



sábado, 28 de outubro de 2017

Droga, loucura e morte


Julgo que já terá havido algumas referências ao uso de drogas no III Reich mas, se houve, nada terá sido como exaustivo como "Delírio Total".
O seu autor, o jornalista alemão Norman Ohler, partiu de uma ideia que daria uma boa história ficcional para uma investigação aprofundada que o levou a arquivos estatais, sobretudo na Alemanha.
O que desse seu trabalho resultou foi um retrato rigoroso de uma faceta menos conhecida dessa época alemã: o modo como as drogas artificiais foram sendo "descobertas" pela sociedade para depois serem aperfeiçoadas e trabalhadas em laboratório, já sob controlo militar, para uso pelas forças armadas na Segunda Guerra Mundial e, muito em especial, pelo próprio Hitler.
O uso generalizado dos estimulantes químicos no início da ofensiva militar encabeçada pelos blindados, a descrição das experiências nos campos de concentração, a sua aplicação pela marinha já no final da guerra e a horrenda degradação de Hitler, às mãos do seu médico pessoal (que ampliou a loucura de Hitler pelo uso das mais extravagantes substâncias) são páginas inesquecíveis deste livro e a sua descrição da degradação mental e física do Führer não se recomenda aos mais impressionáveis.
Revelando e explicando o uso de drogas na Alemanha nazi, Norman Ohler acrescenta à tenebrosa loucura dos nazis um elemento adicional que nada desculpa: um estado de absoluto delírio em que um ditador e a sua corte mergulharem, em todos os domínios possíveis, na maior abjecção que imaginar se possa.
"Delírio Toral" é uma tradução minha, do alemão, para a Vogais (editora 20|20).


segunda-feira, 23 de outubro de 2017

BTT, risco de incêndios




A poucos metros de uma zona ardida, aqui perto, os grandes "amigos da natureza" que são os BTTs lá andaram, mais uma vez, a espalhar as suas fitas de plástico, que depois vão ficando para emporcalhar mais o terreno e o ambiente.
Não aprendem. Nem há autoridades que os ensinem...

Notas de prova


Aromas de Santar - Tinto 2006 Reserva - DOC Dão
Touriga Nacional, Jaen, Alfrocheiro e Tinta Roriz
Quinta da Alameda (Santar)
13% vol.
Bom!
(Bebido no restaurante O Melro - Pão Quente e Petiscos)

Notas de prova


Seleção de Enófilos - Tinto 2015 - Vinho Regional Península de Setúbal (Intermarché)
Sem indicação de castas
Venâncio da Costa Lima, Quinta do Anjo (Palmela)
13,5% vol.
Bom.

domingo, 22 de outubro de 2017

O desprezo


Souberam andar a pedir votos mas depois votam-nos ao desprezo


Foi há precisamente uma semana que um incêndio numa frente de mais de quatro quilómetros queimou 327 hectares na costa atlântico do concelho de Caldas da Rainha (como aqui dei testemunho). 
Acompanhando a Estrada Atlântica, de onde se via o azul do mar e o verde da vegetação e onde agora quase tudo é negro na terra, as chamas atravessaram a estrada e ameaçaram, de perto e de longe, várias habitações.
Só o vento, de Sul para Norte, terá impedido a destruição de casas e talvez de vidas humanas. Para muita gente, nesta zona (a Serra do Bouro), o que aconteceu meteu medo.
Parece que o presidente da Câmara Municipal de Caldas da Rainha esteve no local (como estiveram muitas centenas de mirones). Não sei se o presidente da Junta de Freguesia da União de Freguesias de Santo Onofre e Serra do Bouro (JFUFSOSB, abreviemos) também lá esteve.
O que sei é que, depois dessa noite, nem o presidente da câmara nem o recém-eleito presidente da JFUFSOSB saíram da capital do concelho para virem falar com a população.
Considerando só as casas da "linha da frente" (incluindo aquelas que só não foram atingidas porque o vento não quis), não precisariam de mais do que um dia para trazerem essa atenção às pessoas que aqui moram, e a quem pedem o voto para depois, nas piores circunstâncias, ignorarem e votarem ao desprezo aqueles a quem prometeram tudo e mais alguma coisa.


O incêndio na Serra do Bouro visto da cidade de Caldas da Rainha:
localmente, foi um susto, mas para os outros foi um espectáculo




sábado, 21 de outubro de 2017

109 mortos e 10 pontos de fácil leitura


A capa da "Sábado" desta semana indignou algumas boas almas que, no passado, teriam aplaudido com os cascos todos se a (triste) figura da imagem fosse de membro do Governo PSD/CDS. Se o actual chefe do Governo é responsável pela devastação e pelos mortos, esta lamentável criatura não o é menos.

1. O actual primeiro-ministro foi ministro da Administração Interna em época de incêndios (e foi ele que "comprou" o SIRESP";
2. o actual Governo já leva mais de ano e meio de funções e dois verões de incêndios (2016 e 2017);
3. a grande maioria das pessoas que morreram no incêndio de Pedrógão (65, no total) foram vítimas da "estrada da morte" (uma estrada, portanto, para onde foram encaminhados, ou onde puderam entrar);
4. os 44 mortos dos incêndios do passado domingo não foram socorridos a tempo porque mais de metade dos meios disponíveis tinham sido dispensados porque... em Outubro já não há incêndios;
5. ou seja, os 108 mortos de Junho e Outubro morreram por decisões, ou falta delas, do actual Governo e/ou de entidades estatais;
6. é por isso de uma imbecilidade atroz e de um fanatismo medieval culpar o Governo anterior especificamente por estas mortes, como o fazem algumas mentes mais simples mas não menos distorcidas em termos políticos e de valores;
7. é ofensivo a "esquerda" estar a sugerir que o justo protesto de sobreviventes que perderam familiares e haveres é movido pela "direita";
8. o eucalipto pode ser um mito (e um fantasma): o Pinhal de Leiria (ardido em 80 por cento) tinha (vejam lá...) pinheiros; um incêndio de grandes proporções quase à porta de minha casa consumiu uma extensão de terreno de 337 hectares onde quase não há eucaliptais; a zona do Dão (Oliveira do Hospital, Santa Comba Dão, etc.) que mais ardeu não se caracteriza por grandes extensões de eucaliptos mas de pinheiros;
9. o Presidente da República agiu bem ao intervir como interveio (com uma declaração de guerra ao Governo e ao fazer um "roteiro" pelas Beiras ardidas, pondo bem à vista a tragédia humana e económica que aí se viveu, e vive, e que, de outro modo, rapidamente desapareceria das primeiras páginas;
10. é escabrosa e revoltante a atitude do PCP e do BE de apoiarem o Governo do PS neste desfile de incompetências grosseiras que se traduziram, pelo menos, na perda de 109 vidas humanas. 

quarta-feira, 18 de outubro de 2017

Cinzas














Nos escombros dos incêndios de domingo, Marcelo Rebelo de Sousa fez o que precisava de ser feito. Mais vale tarde do que nunca. 

EDP - A Crónica das Trevas (77): seis horas de escuridão

O "apagão" do passado domingo, a que aqui fiz referência noutro contexto, parece nada ter tido a ver com o incêndio da Serra do Bouro, pelo que fica aqui o registo, a juntar aos muitos que vou reunindo: a luz desapareceu às 22 horas de domingo e só regressou às 4 horas de segunda-feira.
Serviu para agravar o incómodo de uma situação de grande risco e, como é habitual, as causas ficam por esclarecer.

segunda-feira, 16 de outubro de 2017

Entre as chamas e as trevas


Já ao anoitecer cheirava a queimado. Acontece, por vezes, já que a casa fica numa zona elevada e o vento traz de incêndios que não estão próximos o fumo, o cheiro a queimado e as partículas pretas.
Mas depois das nove e meia, a situação revela-se em toda a sua gravidade e, à distância, na direcção da Foz do Arelho, vê-se um grande clarão avermelhado e fumo a erguer-se. O vento sopra com força e vai empurrando as chamas. Para Norte, ao longo da costa atlântica, mas também com faúlhas que dançam sem rumo.
Fui ver. A Estrada Atlântica, que percorre toda a fronteira ocidental do concelho de Caldas da Rainha e sua freguesia da Serra do Bouro, é balcão e plateia para as dezenas de pessoas que assistem ao espectáculo das chamas vermelhas que não param. Há poucos bombeiros em acção.
Volto para casa, preocupado. Falo com o vizinho da casa de cima, que também está bastante preocupado. A extensão de mato que nos separa das chamas é feita de vegetação seca. Se as chamas atravessarem a estrada, como chegou depois a acontecer, podem avançar rapidamente. Ele começa a regar a casa e a vegetação que a circunda.
Regresso a casa e, de repente, não há luz. Quase às escuras, regamos vegetação e a casa.
Ao longe, continua a ver-se o clarão e o fumo e a ouvir-se o crepitar da vegetação a arder.
Nova incursão: o incêndio já atravessou a Estrada Atlântica e ameaça casas, mais para norte. Dizem-me que os bombeiros já nem combatem as chamas mas que já só se preocupam em defender as habitações.
Regresso a casa. Sempre às escuras. O clarão, o crepitar e o fumo continuam. Há cerca de um quilómetro de mato seco a separar-nos do incêndio mas é como se o perigo estivesse já no jardim.
Saio uma terceira vez. Na Estrada Atlântica as chamas vão ainda pastando nos terrenos ardidos mas pode dizer-se que a situação está controlada, pelo menos aquela que nos ameaçava directamente.
No regresso informo o meu vizinho. Ao longe, a ameaça começa a decrescer. 
É quase meia-noite. Em contactos com a EDP, ouvimos as previsões do regresso da electricidade: meia-noite e trinta, uma e trinta... até ao ponto em que já não dão previsões.
Às quatro horas, a electricidade regressa. As chamas já não se notam.
Um candidato à junta de freguesia queria "embelezar" a região da Serra do Bouro. Fique-se, por ser mais seguro, com o manto negro e ardido deixado pelas chamas: é um retrato trágico da horrenda situação que os seus "padrinhos" deixaram. 



*

De manhã o que se vê é desolador. O incêndio percorreu, muito rapidamente, mais de quatro quilómetros da Estrada Atlântica, passando do lado do mar para o interior em alguns pontos e ameaçando casas.
O que era uma superfície verde, de aspeto encantatório, é uma terra negra, que ainda fumega. Em alguns locais as árvores foram poupadas e só ardeu a vegetação rasteira. Depois de ter sido pasto das chamas, o terreno é agora pasto para mirones e fotografias.
O que nunca os poderes públicos quiseram fazer, fizeram as chamas: o terreno ficou tragicamente limpo e o que ardeu já não voltará a arder.









sexta-feira, 13 de outubro de 2017

Conversa para camelos





Típica conversa para camelos de um Governo que gosta de aldrabar: para os "recibos verdes" seria mais importante aliviar o IRS, garantir acesso ao subsídio de desemprego e consolidar descontos decentes para a Segurança Social.
Os "recibos verdes" têm de cobrar IVA aos seus clientes (que depois o deduzem) e entregá-lo ao Estado, deduzindo desse valor o que gastaram com o IVA dos outros. É só isso.
Esta isenção (que era até agora de 10 mil euros) serve para enganar quem não percebe de "recibos verdes", nem de IVA (nem de economia, já agora).
Infelizmente, há muita gente que gosta de ser enganada por estes idiotas. Ou melhor: que gosta de ser transformada num rebanho de camelos.

quinta-feira, 12 de outubro de 2017

Diziam que era a "campanha negra"










A certa altura, o então primeiro-ministro chamou "campanha negra" às suspeitas que iam aumentando sobre a sua conduta. Estávamos no tempo do "caso Freeport", antes do "caso da licenciatura", ao mesmo tempo que...
Ontem, pela primeira vez na História portuguesa, este homem foi, na qualidade de primeiro-ministro, acusado de 31 crimes no domínio económico (de corrupção a fraude fiscal) e, com ele, mais 27 pessoas e empresas, incluindo um banqueiro e dois administradores, todos eles considerados modelos para a sociedade
Durante alguns anos, o "engenheiro" teve uma legião de companheiros e companheiras em vários campos, do Governo às suas camas passando pelo partido (o PS, por onde tudo passa...) e pelo actual Governo.
Adoravam-no como a um deus, defendiam-no, faziam peregrinações a Évora como se a prisão fosse Meca, só lhes faltou garantir que não foi ele o terceiro chefe de Governo do PS a pedir ajuda financeira externa pela terceira vez.
Mas ontem, salvo algumas declarações repelentes de criaturas igualmente repelentes (mas adequadas a este PS), calaram-se todos. 
E hoje o que fala são as primeiras páginas dos jornais. Ninguém os tem no sítio para voltar a falar em "campanha negra"?