terça-feira, 19 de setembro de 2017

A dinâmica das ilusões (10): sexo, mentiras e vídeo















A inovação tecnológica entrou na campanha eleitoral de Caldas da Rainha pela primeira vez com dois candidatos a recorrerem a vídeos, embora de sentido muito diferente.
O vídeo do presidente da Câmara Municipal e candidato de novo à presidência, Tinta Ferreira (PSD), é uma peça de descarada e banal propaganda, onde só falta dizer que o sol se levanta e se põe graças à intervenção magnânima do bonzo caldense. Enfadonho e irritante, pode ser visto aqui. Mas não o recomendo. 
Rui Gonçalves (candidato do CDS à presidência da Câmara Municipal), com três vídeos já divulgados, é necessariamente mais crítico e incisivo.
Os seus vídeos, para já muito concentrados na capital do concelho, abordam questões fundamentais como a limpeza, a desgraçada situação da zona industrial e as entradas da cidade. Podem ser vistos aqui e resumem bem aquilo que toda a gente vê: o estado de degradação generalizado da cidade de Caldas da Rainha. Com eles, Rui Gonçalves mostra duas coisas: que sabe o que diz e que tem soluções. Venham mais, com referências ao interior!


Rui Gonçalves: uma boa campanha que começou bem




Notas de prova



Andreza — Tinto 2013 Reserva DOC Douro
Touriga Nacional, Touriga Franca e Tinta Roriz
Lua Cheia em Vinhas Velhas, Ílhavo
13,5% vol.
Muito bom.

Notas de prova


Aspias — Tinto 2009 Vinho Regional Alentejano
Aragonês, Trincadeira e Alfrocheiro
Sociedade Agrícola de Pias, Pias
14% vol.
Bom!

segunda-feira, 18 de setembro de 2017

A dinâmica das ilusões (9): pois eu sou o Pedro e o Bairro da Ponte não é aqui



Entrou-me hoje na caixa do correio, deixado por alguém numa motoreta fanhosa, um luxuoso folheto do PS a anunciar-me "Muito mais para esta União de Freguesias".
O programa é vago, e dá para tudo. Mas o mais significativo é o modo como se apresenta o candidato do PS à presidência da Junta de Freguesia:




... E a quem dá vontade de responder do seguinte modo: e eu sou o Pedro, não sou seu vizinho e (desde que para cá vim) sempre morei aqui, no Cabeço da Vela, na Serra do Bouro, e o Bairro da Ponte não é aqui.
Se a candidatura do PS não me convence, muito menos me convence esta espécie de neocolonialismo paternalista da freguesia urbana sobre a freguesia urbana. Bem podem poupar nas deslocações...

domingo, 17 de setembro de 2017

A dinâmica das ilusões (8): brincadeiras de rapazes







Ainda pensei em ir a isto, mas a ideia de ir ver homens crescidos (porque não há mulheres nestas eleições) a brincarem às eleições não me convenceu. Não há aqui nada a fazer e só um debate a dois (Rui Gonçalves, do CDS, e Tinta Ferreira, do PSD) é que seria realmente interessante. O resto é uma brincadeira pegada.
Os resultados estão definidos à partida e devidamente controlados e a dúvida, neste caso, é só uma: o PSD ganha (e sem ter mérito para isso) e o segundo lugar poderá vir a ser do CDS e não do PS (os outros não interessam para nada). Disto falarei mais tarde.

A dinâmica das ilusões (7): a demagogia do candidato Varela








As freguesias do concelho de Caldas da Rainha foram acasaladas em 2012 de uma forma completamente idiota, sem consideração pelas semelhantes entre freguesias (litoral atlântico, carácter rural, carácter urbano), sem vantagens para ninguém (o interior ficou mais abandonado) a não ser, talvez, para as "nomenklaturas" partidárias locais.
Houve dois casos em que esta "agregação de freguesias" uniu duas com uma terceira pelo meio. É o caso (como se pode ver pelo mapa) das freguesias da Serra do Bouro (rural, no litoral atlântico) e de Santo Onofre (urbana, na capital do concelho). No meio ficaram as freguesias do Nadadouro e da Tornada, num gesto político completamente imbecil.



Nenhum dos partidos pôs em causa o acasalamento das freguesias, nem nas eleições de 2013 nem agora. É-lhes indiferente o interior rural. Até porque o desconhecem.
O que conhecem é a cidade de Caldas da Rainha, que consideram ser todo o concelho ("as Caldas", como dizem) e o caminho mais curto para se irem mostrar aos sábados à tarde nos cafés da Foz do Arelho.
Se o desconhecimento é mau, pior é a tentativa de inventar promessas eleitorais sobre a realidade que desconhecem.
Como o demonstra esta pérola do estreante Jorge Varela, o candidato do PSD caldense à presidência da junta de freguesia fundida da Serra do Bouro e de Santo Onofre:


"Gazeta das Caldas", 15/09/2017


Acontece, porém, que se a Serra do Bouro tem falta de várias coisas, não tem falta de acessos, reais e concretos e já existentes. 
São três, para quem não saiba e expressamente para o candidato Jorge Varela, as vias de acesso à cidade, numa distância média de 15 quilómetros e num tempo de percurso que pode ir dos 10 aos 20 minutos. A saber:

1 - A via mais longa é da Estrada Atlântica - Variante Atlântica. Aproveita a vista panorâmica da Estrada Atlântica em todo o seu esplendor e vai desembocar na (informalmente designada) Rotunda da Greenhill. Para a direita desce-se para a Foz do Arelho e para a esquerda pela via rápida (a Variante Atlântica) em direcção à cidade de Caldas da Rainha. E antes da cidade está a zona industrial. 


A Estrada Atlântica, na direção da Foz do Arelho

A "Rotunda da Greenhill". Para a esquerda fica a Estrada Atlântica e um acesso à Serra do Bouro.
Em frente é a via rápida que vai ter a Caldas da Rainha. Não tem sinalização.


2 - A segunda via de acesso vai também ter à via rápida, com passagem por uma povoação chamada Espinheira. Tem uma estrada recentemente asfaltada tipo via rápida (mas que parece estar por concluir). É um caminho relativamente mais curto que, por via da Circular Atlântica (a via rápida Caldas da Rainha - Foz do Arelho), conduz directamente à zona industrial.


A rotunda que liga o segundo acesso à via rápida, passando pela Espinheira.

E nesta rotunda até há um sinal a indicar Serra do Bouro.


3 - A terceira via de acesso é a mais curta se, como frequentemente acontece, houver pouco trânsito. Atravessa a povoação do Campo e é uma estrada secundária que, por acaso, nem é muito acidentada. Ao sair do Campo, ou antes de chegar à povoação, há duas estradas que vão ter à zona industrial. 


À esquerda fica a Serra do Bouro e à direita a via para a estrada secundária do Campo. É o fim da "autoestrada da Serra do Bouro".


Como pode ver, portanto, o senhor candidato Jorge Varela, a Serra do Bouro não tem falta de acessos.
Não precisa de mais nenhuma estrada. Precisa, sim, é de obras que melhorem as suas infraestruturas.
Mas a demagogia é mesmo assim: a realidade interessa pouco e o que cai bem são as promessas, por mais tontas que sejam.

EDP - A Crónica das Trevas (74): mais um


Apagão às 6h07. Porquê?

sexta-feira, 15 de setembro de 2017

A dinâmica das ilusões (6): a campanha eleitoral escondida





Fazem-se entrevistas, debates, coisas públicas mas a realidade é esta: o actual presidente da Câmara Municipal de Caldas da Rainha, candidato de novo ao cargo pelo PSD local, tem direito a 12 (doze) fotografias no "Jornal das Caldas" (32 páginas) desta semana, à conta de um debate entre candidatos e das numerosas ações públicas em que se vai mostrando.
É tudo um jogo de ilusões, de viciação alegre e consentida das regras da democracia.
Quanto aos outros candidatos, aceitam a discriminação e nem sequer se manifestam. Pois, também não vale a pena.




Ler jornais já não é saber mais (32): assim, sim



O título é factual: "Verão com mais mortes".
A informação de suporte é simples e clara e também factual: "Vinte pessoas perderam a vida nas praias. No ano passado foram 14".
É assim, e sem ser aos gritos ("cada vez mais...", etc.), que deve ser feito


"JN", hoje

quinta-feira, 14 de setembro de 2017

Ler jornais já não é saber mais (31): português mal resolvido

O "Observador", que não precisava de ter estes pecadilhos de quem lida mal com português, espraia-se hoje com uma série de caneladas na língua:

- Em vez de "evacuação" (de pessoas) prefere "remoção";
- Insiste no já nauseante "É oficial";
- Em vez de correcto "insistir em", prefere "insistir com";
- E lá vai o estúpido "icónico" em vez do "emblemático" (mas isto não é para quem nem sabe ler...).

Talvez por esquecimento, não houve "alegado", "supostamente" e "resiliência".

quarta-feira, 13 de setembro de 2017

LGGBDTTTIQQAAPP


Com esta mania de classificar tudo em função do sexo, já vamos na ridícula combinação de "LGGBDTTTIQQAAPP" para designar variantes, explicação que encontrei em inglês, parvoíce que nem me apetece estar a tentar traduzir: "Lesbian, Gay, Genderqueer, Bisexual, Demisexual, Transgender, Transsexual, Twospirit, Intersex, Queer, Questioning, Asexual, Allies, Pansexual, Polyamorous".
Com sorte, a coisa resolve-se pela aplicação de um código de barras a cada nascituro.

Notas de prova

Castelo do Sulco — Tinto Reserva 2015 Vinho Regional Lisboa
Touriga Nacional, Tinta Roriz e Syrah
Quinta do Gradil, Cadaval
13,5% vol.
Bom!

segunda-feira, 11 de setembro de 2017

A dinâmica das ilusões (5): longe é que é bom





Um foi presidente da junta de freguesia durante anos demais, o outro foi presidente de junta de freguesia da cidade com a freguesia rural (ou que dela resta) durante tempo suficiente para dele se perceber que ignorava o interior da freguesia.
O que agora os vai substituir só queria "embelezar" os campos. 

Riem-se de quê? De terem a vitória garantida?
Pelo menos compreendam que ganham por falta de comparência dos adversários.

Até agora não se lhes notou a presença nesta parte da freguesia. Nem deles nem de outros. É o costume. Também... esforçarem-se para quê? Estes, lamentavelmente, já ganharam. Os outros estão-se nas tintas. 



domingo, 10 de setembro de 2017

Notas de prova




Plainas — Tinto 2016 Grande Escolha Vinho Verde DOC
Vinhão
Casa de Santa Eulália, Mondim de Basto
13% vol.
Bom!

sexta-feira, 8 de setembro de 2017

A dinâmica das ilusões (4): serviços mínimos, comunicação da treta




Faltam pouco mais de três semanas e não vi, além das várias entrevistas dos candidatos aos dois jornais locais e uma intervenção pública tonta de um candidato de freguesia, um único programa, esboço programático ou linhas programáticas ou o que quer que seja, das candidaturas autárquicas em Caldas da Rainha.
É possível que haja qualquer coisa "on line" (e que eu até poderia encontrar se fosse à procura) mas ponho-me na pele dos eleitores que deviam, de uma forma ou de outra, ser contactados. E nada. Não há nada.
Num concelho onde o partido político hegemónico, que controla a Câmara Municipal e outras estruturas, quase nem precisa de se mexer para ganhar outra vez (e sem mérito nenhum), o trabalho político não se faz em três semanas, nem em quatro nem em dois meses.
Pensar que basta andar a pôr "outdoors" por aí, ou tentar dizer aquilo que durante quatro anos nunca se preocuparam em dizer, é fazer dos eleitores parvos. E revelador do que pensam sobre os eleitores, cuja abstenção talvez até, secretamente, desejam.

quarta-feira, 6 de setembro de 2017

A dinâmica das ilusões (3): quando o voto não serve








Quando hoje abri a caixa do correio vi um folheto com o emblema do PS e ainda pensei, com grande dose de ingenuidade, que poderiam ser as propostas eleitorais do PS de Caldas da Rainha para a minha freguesia e/ou para a Câmara Municipal. 
Mas não, era só um folheto... a apelar ao voto, em termos muito genérico.
É extraordinário: quanto mais pessoas votarem em Caldas da Rainha, mais reforçada estará a posição do PSD local e do seu candidato, que é presidente da Câmara Municipal desde 2013 e que a oposição não quis esforçar-se por derrubar.


Abandono com vasos secos e cagalhões viçosos


Na povoação de Cabeço da Vela, onde moro, na freguesia rural da Serra do Bouro do concelho de Caldas da Rainha, foram feitas obras em redor de uma antiga fonte em 2009. O espaço (denominado Fonte do Cabeço da Vela) até conseguiu ficar aprazível.
Oito anos depois está tudo votado a um miserável abandono. 
A placa que assinala a inauguração precisa de ser limpa, os bancos de madeira substituídos, a fonte reaberta (ainda haverá água?), os nojentos vasos de plástico substituídos, as flores renovadas.
O presidente da Junta de Freguesia da Serra do Bouro que parece ter tido a ideia até está na lista que, infelizmente, pode ganhar as eleições para os órgãos desta freguesia. Mas já nem se lembra, ou então está-se nas tintas.
A propósito: na pouca relva existente no local havia hoje de manhã um cagalhão. Podia ser de cão ou de pessoa. O nível é este.



EDP - A Crónica das Trevas (73)


Apagão às 22h15. 
Puta que os pariu!

Não, não é um bom conselho




A democracia, para mim, inclui o direito de não votar. Aceito, obviamente, os princípios dos votos nulo e branco mas o certo é que estas opções traduzem sempre uma participação no processo eleitoral.
Na ausência de uma candidatura que lhe diga alguma coisa ou numa situação de bloqueio político-eleitoral, o cidadão tem o direito de não ir votar.
Por exemplo: no concelho onde moro, a candidatura do actual presidente da Câmara Municipal vai claramente ganhar e nenhum dos candidatos da oposição conseguirá ter uma votação que se aproxime sequer da votação do presidente.
Não desejando a continuidade da desastrosa gestão deste presidente, mas sabendo que nenhum dos outros candidatos o conseguirá derrotar (e que nenhum candidato quis a unidade contra o presidente), vou votar para quê?! Neste caso, não votar é que será um bom conselho.





domingo, 3 de setembro de 2017

A dinâmica das ilusões (2): como o PSD já ganhou, e sem mérito





PSD
PS
MVC
CDS
PCP
BE
AM
8603
4766
2078
1986
1146
786
CM
9203
4866
1856
1967
1089
601

O quadro que aqui publico refere-se aos resultados das eleições de Setembro de 2013 para a Câmara Municipal e a Assembleia Municipal de Caldas da Rainha (sendo a fonte a Comissão Nacional de Eleições). Utilizei-o em Maio de 2015, aqui e num desafio aos partidos, que o "Jornal das Caldas" publicou.
Defendi, nessa altura, o que defini como uma aliança de boas vontades, assente no pressuposto muito simples de que o PS, o então MVC (Movimento Viver o Concelho, de independentes, entretanto desaparecido) e o CDS tinham votos suficientes para, em conjunto, vencerem o PSD.
Bastaria uma personalidade consensual, um programa credível e uma plataforma programática que também fosse consensual.
Mais de dois anos depois, o que existe nas eleições caldenses é a habitual dispersão de candidaturas, com cinco candidatos diferentes à presidência da Câmara Municipal.
Também já o escrevi: é um jogo de ilusões. 
Não tanto para uso interno porque não acredito que alguma das cabeças que, nos principais lugares, povoam as listas do PS, do CDS e do PCP, acredite que conseguirão vencer estas eleições.
Basta olhar para o quadro: o PS precisaria de duplicar a sua votação (com um candidato que já nem é o de 2013, que ainda foi tendo alguma visibilidade) e o CDS precisaria de ter quase cinco vezes mais votos (com um candidato que, tendo visibilidade e demonstrando alguma competência, também só apareceu mais tarde). Nem os votos "órfãos" do ex-MVC chegariam para esse efeito.
Portanto, em termos práticos, estas eleições terão um único resultado: a vitória do PSD caldense e a reeleição do seu candidato. Graças ao PS e ao CDS, em primeiro lugar.
O que gera uma questão pertinente: quem não quer que o PSD caldense continue no poder e sabe que nenhum dos outros vencerá, vai votar para quê? 

sábado, 2 de setembro de 2017

"A Invenção da Ciência", de David Wootton




823 páginas, em edição meticulosa da Temas e Debates/Círculo de Leitores, numa análise histórica do nascimento da ciência: "A Invenção da Ciência - Nova História da Revolução Científica", de David Wootton.
Ao receber esta livro das mãos de Guilhermina Gomes, directora editorial da Temas e Debates/Círculo de Leitores, não pude deixar de me surpreender. Não tanto com a dimensão da obra (de que me recordava) mas com o facto de continuar a ter trabalho como tradutor, o que significa que tenho trabalhado bem e num domínio mais complexo, como é a não ficção.
E, para não perder o hábito, já tenho comigo o monumental segundo volume da admirável "História dos Judeus", de Simon Schama. Traduzi, e com muito gosto, o primeiro e segue-se este, muito breve, com as suas também 800 páginas.

sexta-feira, 1 de setembro de 2017

Eleições em Caldas da Rainha: de costas voltadas para as freguesias do interior




A "Gazeta das Caldas" fez 12 perguntas em série aos candidatos à presidência da Câmara Municipal de Caldas da Rainha. Nenhuma delas se refere às freguesias do interior e aos seus muitos problemas específicos.
Que os políticos locais só têm olhos para o seu próprio umbigo e para aquilo que, dentro das muralhas da capital concelho, os rodeia já se sabia.
Que um jornal tão vivaço o faça, e desta maneira, é que ainda consegue surpreender.





quinta-feira, 31 de agosto de 2017

Figos (verdadeiramente) biológicos






A terceira apanha deste ano em duas ou três semanas.
Grandes, saborosos, doces e a amadurecerem bem, saíram de uma figueira que precisou de sete anos para atingir este estado de produção.

"Mort sur le Tage": voilà!...


Traduzido, impresso, com uma capa bem sugestiva (reparem na figura de camisa enrugada, punho fechado e "facies" soturno), eis a versão francesa do meu "Ulianov e o Diabo": "Mort sur le Tage", lançado pela dinâmica editora francesa Chandeigne, que tem divulgado a literatura em português em França, com os exemplares acabadinhos de sair das mãos da sua directora, Anne Lima, num encontro em Lisboa.






Uma primeira impressão

E, para já, registo aqui uma primeira opinião muito animadora da autoria de Pascal Didier, representante de editores franceses na empresa Diffusion Volumen Interforum, publicada no Facebook em 20 de Julho:


«Je rentre à l'instant de Lisboa (Lisbonne) après quelques heures passées au bord du Tage, du côté de Cais do Sodré.
Je ne suis pas parti pour de vrai mais j'y étais quand même pour de bon. Dans les pages de "Mort sur le Tage" de Pedro Garcia Rosado. Un polar sombre, rythmé, très bien écrit et absolument captivant. Où passent quelques soldats perdus de l'ex-KGB - l'analyse est passionnante et intéressera sûrement Alexis Prokopiev, Emmanuel Graff et Nicolas Auzanneau - et des ombres effrayantes.
C'est la première fois que cet écrivain de 62 ans, auteur de plusieurs polars, est traduit en français (par Myriam Benarroch) et son livre publié par les Editions Chandeigne sera en librairie le 5 octobre prochain.
Je reconnais un bon polar au moment où pris par l'intrigue, l'écriture et la force des personnages, j'accélère ma lecture pour la ralentir progressivement vers la fin car je sais qu'hélas l'histoire va se terminer, le livre se refermer et qu'il va falloir attendre quelques mois pour relire à nouveau du Pedro Garcia Rosado.
Si vous aimez le polar islandais, suédois, argentin, italien, danois ou vosgien (là c'est un clin d'oeil à Nicolas Mathieu et à son "Aux animaux la guerre"), vous adorerez le polar portugais !
Du lourd et du bon.»

Merci, Pascal Didier... et Anne Lima!





Regresso ao Monte Horeb

Um dos mais agradáveis recantos do Monte Horeb
 






O restaurante Monte Horeb, numa encosta acima da Lagoa de Óbidos, na  freguesia do Nadadouro, foi, durante alguns anos, um delicioso porto de abrigo nas minhas vindas para a casa nova no concelho de Caldas da Rainha. 
Chegávamos à quinta-feira ou à sexta-feira à noite e íamos para lá, por vezes já um pouco para o tarde.
Havia um chefe de mesa simpatiquíssimo, uma decoração primorosa e pratos indianos, da tradição goesa.
Os preços eram relativamente elevados mas, como às vezes acontece, pagava-se tudo: a comida, a decoração, a localização, a simpatia do atendimento.
Algum tempo depois, o Monte Horeb começou a funcionar irregularmente e acabou por fechar. 
Agora, felizmente, reabriu.
Mantém-se quase tudo na mesma (da cozinha à simpatia, passando pela decoração) mas nota-se que há um arranque lento, embora seguro.
Que prospere e recupere a glória de outros tempos é o que espero. Para já, tendo ido lá uma vez, hei de voltar mais vezes. 



quarta-feira, 30 de agosto de 2017

Ler jornais já não é saber mais (30): ninguém se acusa?!



Este título, relativamente discreto, do "Jornal de Notícias" oculta as "press junkets" 
com estrelas de cinema que são "pagas" com viagens 

A imprensa (toda ela) e os jornalistas (todos eles) não saem bem desta história das viagens (e outras coisas) pagas por empresas interessadas.
E isto porque há notícias, entrevistas e até mesmo reportagens que ainda devem ser, como já foram, produto de viagens, estadias, visitas turísticas e brindes que têm destinatários jornalistas e outros colaboradores dos órgãos de comunicação social.
O escrutínio destes casos de exercício de influências e de benesses associadas não pode ficar apenas por dirigentes políticos. 
A honestidade e a confiança (ainda?!) da imprensa exigem transparência.

Porque é que Costa e o seu PS precisam de eleições antecipadas



O actual chefe do Governo e secretário-geral do PS precisa, tal como o seu partido, de eleições legislativas até ao final deste ano ou no começo do próximo, dois anos depois das eleições legislativas de Outubro de 2015 e dois anos antes das eleições de 2019.

E eis porquê:

1


O PS foi derrotado nas eleições de Outubro de 2015. Mas está no Governo porque o seu secretário-geral que perdeu as eleições fez um arranjo com os dois partidos da extrema-esquerda parlamentar para lhe sustentarem um governo.
O Governo em funções, e que decorre desse arranjo, tem legitimidade constitucional mas não tem legitimidade democrática. O seu poder não decorre dos votos expressos.
O actual chefe do Governo, depois de dois anos de coligação parlamentar e de um Governo que diz não ter problemas, precisa de legitimar o seu poder nas urnas.
Já mostrou tudo aquilo que pode fazer – tem agora de consultar o eleitorado sobre se deve ser esse o rumo.


2


O PS tem beneficiado do silêncio cúmplice do BE e do PCP, que perante tudo se calam e a tudo dizem que sim. Há uma zona de sombra: estes partidos fazem-no convictamente, consideram que é isto que quer o seu eleitorado ou estão a “pagar” alguma coisa do negócio político que fizeram?
Indo a eleições, o PS tornará completamente clara a relação que mantém com a extrema-esquerda parlamentar (e esta clarificará a sua posição perante o seu próprio eleitorado).


3


Este Governo está, em algumas coisas que até parecem ser essenciais, dependente dos seus aliados da extrema-esquerda. Novas eleições legislativas também esclareceria a situação: o eleitorado quer que o PS governe em minoria no Parlamento ou acha que deve ter a maioria absoluta? Só eleições podem responder a esta pergunta.

4

Foi o PSD do então primeiro-ministro Pedro Passos Coelho que ganhou as eleições de Outubro de 2015. 
Desde então, as sondagens (de uma ou duas empresas) que vão sendo publicadas indicam que o PSD está bastante atrás do PS em termos eleitorais.
No entanto, o chefe do Governo continua a atirar-se ao PSD como se receasse que este partido pudesse recuperar o lugar de vencedor de Outubro de 2015.
A realização de eleições antecipadas também seria clarificadora neste aspecto: uma derrota do PSD seria, obviamente, uma derrota de Pedro Passos Coelho, que poderia, nesse caso, sair do palco político.
É certo que o PS precisa de um bode expiatório para tudo o que lhe corre mal e que esse bode expiatório é o anterior Governo, mas já está na altura de o PS se libertar desse complexo e assumir, com a legitimidade das urnas, tudo aquilo que tem sido e é seu desde Outubro de 2015.


5


O PS aparece demasiado dependente do Presidente da República que, às vezes, até parece ser o primeiro-ministro do primeiro-ministro. Também é certo que, por outro lado, é muitas vezes o PR que parece demasiado dependente deste Governo e do PS, como se alguma coisa houvesse que o estivesse a fazer refém do PS.
Também neste domínio a legitimidade democrática das urnas resolveria o problema e evitaria, caso o PS ganhasse (como o indicam as sondagens, de uma ou duas empresas, que têm sido publicadas), que um dia o PR, por hipótese, lhe atirasse à cara que ele, o PR, ganhou as eleições nas urnas e que o PS só ganhou o Governo nas secretarias parlamentares.


6


As eleições autárquicas de 1 de Outubro traduzir-se-ão numa vitória do PS ou numa vitória do PSD e, respectivamente, numa derrota do PSD ou numa derrota do PS. Ao indicar desde já, e antes de 1 de Outubro, a sua vontade de ir para eleições antecipadas, o secretário-geral do PS e chefe do Governo daria o passo lógico em qualquer um dos cenários: se perder as eleições autárquicas, pode desforrar-se nas urnas nacionais; se ganhar, pode reforçar o seu poder.


7


Derrotado nas urnas em 2015, o PS não pode ter medo de se sujeitar a novo escrutínio.
O seu secretário-geral e chefe do Governo tem de mostrar, com toda a clareza, que não é um homem com medo.
Se não se lançar a eleições para legitimar o seu poder, toda a gente pode concluir que ele é, realmente, um homem medroso.







terça-feira, 29 de agosto de 2017

Ler jornais já não é saber mais (29): copy/paste/traduz... mal


"Diário de Notícias", 28.08.17, link aqui:
As primeiras seis temporadas da série, que estreou em abril de 2011, foram sempre transmitidas de forma consistente na primavera de cada ano, à exceção da temporada atual, transmitida durante o verão. O atraso nas filmagens e produção foi propositado para acomodar os meses de inverno, de forma a facilitar e tornar mais realista as filmagens ao ar livre.

"Business Insider", 27.08.17, link aqui:
For its first six seasons, "Game of Thrones" consistently aired in the spring of each year. 2017 was the first year the show returned during the summer instead. This was due to production being pushed back to accommodate the "winter" needs for outdoor filming.

segunda-feira, 28 de agosto de 2017

Wall of fame









As capas dos meus dez thrillers com duas edições estrangeiras, em Espanha ("Robo a um Banquero", de "Vermelho da Cor do Sangue") e França ("Mort sur le Tage", de "Ulianov e o Diabo").

domingo, 27 de agosto de 2017

Notas de prova

Encosta dos Arcos — Tinto 2013 Vinho Regional Península de Setúbal
Castelão e Trincadeira
Parras Vinhos, Maiorga, Alcobaça
13,5% vol.
Bom!

Ler jornais já não é saber mais (28): os burrinhos na água

O desvario estatístico do "cada vez há mais" e não-sei-quantos-por-hora-por-dia-etc. dá nisto: os pés pelas mãos, os burrinhos na água e uma rectificação. 
Não deve ter sido o único caso de estatísticas manipuladas em nome do sensacionalismo mas, neste caso, o "Expresso" até deu a mão à palmatória, embora num texto revelador das confusões que existem naquelas cabeças.


"Expresso", 26.08.17

Notas de prova


Rendeiro — Tinto, sem indicação de data
Sem indicação de castas
Caves Rendeiro, Freixial do Meio, Aldeia Gavinha
13% vol.
Bom!