quinta-feira, 27 de julho de 2017

Notas de prova



Quinta da Fata — Tinto 2009 Touriga Nacional (Talhão do Alto) DOC Dão
Touriga Nacional
Quinta da Fata (Vilar Seco, Nelas)
Garrafa n.º 1646
13,5% vol.
Magnífico!

Notas de prova


Pacheca— Tinto 2009 Superior DOC Douro
Touriga Nacional, Touriga Franca e Tinta Roriz
Quinta da Pacheca (Cambres, Lamego)
14% vol.
Bom!

segunda-feira, 24 de julho de 2017

A propósito de “Guerra de Tronos”: cristãos-novos e parolice snob



A "Guerra dos Tronos" pode ser um fenómeno de entretenimento audiovisual e de televisão em todo o mundo mas em Portugal é um fenómeno muito especifico que cai por inteiro no domínio da parolice: num extremo agitam-se os cristãos-novos do entretenimento televisivo e no outro os snobs botas-de-elástico, orgulhosos por nunca terem visto um episódio.
E, para quem sabe, a "Guerra dos Tronos" não é uma inovação em termos televisivos embora, numa perspectiva global (e só depois de terminada), até possa ser comparável à trilogia "O Senhor dos Anéis".
A produtora norte-americana HBO, que lançou esta série, já tinha feito "Roma" há 12 anos. Durou duas temporadas, escandalizou e assustou. Foi cancelada.
"Duna" (os seis romances de Frank Herbert, que parece estar a caminho da televisão) é mais sugestivo do que Maquiavel em termos políticos.
"The Wire" (2002) abordou, como nenhuma outra série ou filme de longa-metragem, os vários aspectos (droga, política, imprensa, sindicalismo, etc.) das sociedades modernas.
"Prison Break" (2005), delirante na história, foi um marco na definição da narrativa televisiva.
"Big Little Lies" (2015) é uma crónica contemporânea com tempo para respirar, tal como "The Night Of" (2016) se deu ao luxo de filmar silêncios com toda a calma do mundo, o que seria praticamente impossível no cinema.
E há "House of Cards" (2013), delirante mas ilustrativo. Ou o shakespeareano "Sons of Anarchy". E tantas outras séries…
O audiovisual mudou radicalmente. A famosa realizadora Jane Campion, que já se estreou na televisão (com a série “Top of the Lake", a que acrescenta agora uma segunda temporada) disse à “Total Film” (edição de Agosto): “É tão excitante na televisão: pode-se dizer o que raio se quiser. E não há problema. No cinema, insistem e insistem: ‘Oh, meu Deus, disse mesmo isso? É tão agressiva!’”.


O que cá não se vê

A televisão contemporânea, em matéria de ficção, é isto e muito mais, da narrativa às histórias, da liberdade de temas à fantasia mais desbragada, da qualidade absoluta às histórias mais fantásticas.
O cinema em geral está hoje, no que se refere aos conteúdos, numa encruzilhada. O cinema "mainstream" raramente mostra filmes acima da média. O cinema independente procura colmatar-lhe as brechas, mas anda atrás da tendência maioritária. A televisão é hoje o elemento audiovisual mais inovador e de maior futuro.
Claro que não é isso o que cá se vê. O panorama da produção televisiva nacional é deprimente. A imprensa vive à conta das promoções das distribuidoras de cinema e ignora o resto. Os críticos de cinema existentes, que vivem à conta dos "visionamentos", fazem gala em ignorarem a televisão. Enaltecem as virtudes das salas às escuras, dos "dark rooms" do prazer cinéfilo. O resto não vêem, não conhecem. Mas já os houve, profissionais e atentos.
Ver as séries de televisão não tem mal. Não faz mal a nada.
As boas séries correspondem, como “The Wire” bem mostrou, à narrativa dickensiana. A televisão de ficção é uma irmã da literatura de ficção. Dão-se bem, e até se complementam. Há sequências perfeitas, interpretações admiráveis, narrativas enleantes, temas para todos os gostos. E qualidade, muita qualidade, em quase tudo.
Vá, vejam televisão, vejam a “Guerra dos Tronos”, mas também “The Walking Dead”, “Billions” ou “Arrow”. Entretenham-se.
E sem preconceitos, já agora, que é coisa com que muitos "opinion makers" disfarçam a sua parolice.

quarta-feira, 19 de julho de 2017

3263





O número de alunos tem vindo a diminuir e tem vindo a diminuir pela mais simples das razões: os portugueses e os imigrantes cá radicados em idade de procriar não fazem mais filhos. E também não se supõe que figuras como o "chefe" Costa, a actriz Catarina e o camarada Sousa sejam afrodisíacas. 
As escolas portuguesas não precisam de mais professores. Precisam, sim, de estabilidade, de boas práticas de gestão e de autoridade interna (para com os seus próprios alunos) e externa (para com as famílias dos alunos que largam as crias nas escolas como quem as arruma por umas horas).
Quem precisa de mais professores é a Federação Nacional dos Professores (Fenprof), organização sindical ligada ao PCP, que tem vindo, e desde há muito, a perder associados e, com isso, dinheiro. Já não cativando os professores dos escalões superiores (a quem nada têm a oferecer), olham com ar guloso para os novos, os "contratados", de onde esperam receber a devida paga em quotizações sindicais.
E, já agora, convém não esquecer uma coisa: os encargos do Estado com professores que não são necessários nas escolas desvia recursos financeiros que podiam ser aplicados no descongelamento das carreiras de que já está há muitos anos "nos quadros". Mas com estes a Fenprof já não prospera...

Notas de prova


Cavalo Negro — Tinto 2015 Premium Vinho Regional Tejo
Touriga Nacional, Alicante Bouchet e Aragonez
Parras Wines (Alcobaça)
13,5% vol.
Muito bom.

Notas de prova


Evidência — Tinto 2015 DOC Dão
Alfrocheiro, Tinta Roriz e Touriga Nacional
Parras Wines (Alcobaça)
12,5% vol.
Bom!

Notas de prova


Barão de Vilar — Tinto 2009 Garrafeira DOC Douro
Touriga Nacional, Touriga Franca e "castas de vinhas velhas"
Barão de Vilar (Santa Comba da Vilariça)
14% vol.
Bom!

segunda-feira, 17 de julho de 2017

A porcaria dos BTTs

Não têm emenda: espalham as fitas de plástico por todo o lado, fazem-se de amigos da natureza e do ambiente porque andam de bicicleta e depois deixam ficar o rasto do lixo, talvez cansados demais pelo enorme esforço que fizeram a ajudar a "salvar o planeta".

sexta-feira, 14 de julho de 2017

Ler jornais já não é saber mais (25): a arte perdida dos títulos (2)

Não se percebe se o canibalismo decorre (parte de, com "parte" do verbo "partir") do ritual ou se "faz parte" do ritual. É no "DN" e, claro, que importa, se ninguém vê?







Ganda... título no abandalhado "DN"!
É tipo: "É porreiro fazer férias mais curtas e várias vezes... O quê? Não acreditam?! HÁ PROVAS CIENTÍFICAS!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!"
E depois querem mesmo que haja gente a comprar jornais com isto?

Foto de Pedro Garcia Rosado.


Ou com charadas deste género:




Ler jornais já não é saber mais (24): "É oficial"...

Não há, pela insistência com que é usada, uma frase mais estúpida na débil imprensa nacional do que o "É oficial".
É como se quem escreve, e quem titula, precisasse de se ancorar numa qualquer declaração formal e pública para garantir que o que divulga é mesmo verdade porque, de outro modo, quem é que poderia realmente acreditar?...
Isto diz muito da falta de convicção e de credibilidade da imprensa em geral (e da falta de imaginação dos jornalistas!) que estão na origem, em grande medida, do seu evidente declínio.

quinta-feira, 13 de julho de 2017

A propósito das minhas notas de prova

Sou apreciador de vinho e enófilo há muitos anos e consumo vinho regularmente. Já provei e bebi muitos vinhos e, sem perder a recordação dos melhores, ainda não tinha tentado fazer uma tabela que também me permitisse manter uma memória.
Isto e o convite que me fez o meu amigo Alfredo Prado, director do portal de informação económica luso-brasileira Portugal Digital, para escrever regularmente sobre vinhos neste meio de comunicação, levaram-me a abrir neste meu blogue a secção das Notas de Prova.
Nelas figuram os vinhos de qualidade mais destacada que fui bebendo.
Nestas notas também não figuram todos os vinhos que fui provando e, em alguns casos, sem sequer os beber por não gostar deles. A classificação que introduzi é, como todas, subjectiva mas retrata a minha apreciação. Têm, depois disso, o essencial: o nome, a origem, a data, as castas, a região e a graduação. É o mínimo.
E há um pormenor fundamental: todos estes vinhos aqui mencionados são comprados por mim (ou oferecidos no âmbito familiar e das minhas amizades). Não figura aqui uma única oferta de empresas.
Isto circunscreve, naturalmente, os vinhos provados ao limite dos custos que estou disposto a suportar mas dá-me uma rigorosa independência de opinião.

domingo, 9 de julho de 2017

Desolação



Alcobaça, sábado, dez horas da noite.
No Mosteiro de Santa Maria ergue-se (e repercute-se por toda a sua nave central) a música coral de Domingos Bontempo. A fachada do mosteiro está mal iluminada e têm mais luz as suas paredes laterais, o chão de terra em redor do monumento pode ser "típico" mas não ajuda. Apesar disto, assistir a este espectáculo de entrada livre, mesmo que só por instantes, é quase sublime.
Mas, quando se voltam as costas ao mosteiro, o que se vê é deprimente.
Alcobaça pode ser uma cidade animada, talvez cheia de visitantes durante o dia, com pastelarias, restaurantes e lojas talvez a fervilharem de clientes. À noite, porém, é uma cidade quase morta. Mesmo agora, no Verão.
As esplanadas estão vazias, há restaurantes fechados, as lojas (mesmo aquelas que cativariam visitantes ocasionais) estão fechadas, a famosa pastelaria Alcoa está fechada.
Esta imagem de uma cidade desolada não é caso único. Mas o cenário imponente do mosteiro justificaria outra animação.
Poderão dizer, autoridades municipais e comerciantes, que não abrem lojas e outros espaços porque não se justifica. Mas talvez seja necessário fazer ao contrário: abrir, arriscar, insistir, perseverar. O caminho do desenvolvimento é este.

Notas de prova



Castelo do Sulco (Seleção dos Enólogos) — Tinto 2014  Vinho Regional Lisboa
Aragonez, Syrah e Petit Verdot
Quinta do Gradil (Cadaval)
13% vol.
Muito bom.

Notas de prova




Margaça — Tinto (sem data) 
Sem indicação de castas
Sociedade Agrícola de Pias (Pias)
13,5% vol.
Bom!

quinta-feira, 6 de julho de 2017

O Rosé da Tia

  



Um empresário da restauração, bastante criativo e percebendo a certa altura que a venda de vinho a copo no seu restaurante popular não era tão lucrativa como vender garrafas inteiras com os preços inflacionados a 200 por cento, começou a fazer uma experiência: foi aproveitando os restos das garrafas que ficavam por beber para, misturando-os (tintos com tintos e brancos com brancos), servir de novo em copo e em jarro, como se fosse vinho de bag-in-box.
Como os clientes são, por norma, mais curiosos com as origens e os rótulos das garrafas do que com os vinhos servidos a jarro e copo, respondia em termos genéricos com “Palmela”, “Alenquer” ou “Alentejo”, se alguém fazia perguntas sobre o “pedigree” desses vinhos. E toda a gente tomava a resposta como boa.
Quando o calor começou a apertar, e ao ver aumentar as propostas dos fornecedores de ter à venda mais vinhos rosés, lembrou-se de levar mais longe a sua criatividade. Começou por reunir restos de tintos e de brancos, em separado, para depois, numa primeira experiência, os ir despejando para um jarro de vidro transparente, em quantidades iguais. A cor foi evoluindo, consoante o equilíbrio dos vinhos: castanho claro, amarelado, cor de salmão, cor de rosa, bordeaux…
Comparou o resultado final da sua mistura com a cor dos rosés engarrafados (mais a tender para a cor de salmão) e achou-a a satisfatória. Feita a coisa a olho, não mediu as quantidades para ter uma receita única, mas achou que chegava.
Só faltava um pormenor: o gosto. Os rosés têm um sabor adocicado que não aparecia no seu rosé improvisado, nem mesmo se misturasse mais vinhos alentejanos. Acrescentaria açúcar? Não, podia correr o risco de transformar a coisa em sangria. E moscatel? Talvez. Pouco alcoólico, com um tom doce equilibrado, de gosto mais conhecido graças ao limão e por isso, não o tendo, de presença mais discreta.
Deitou fora parte da mistura e acrescentou moscatel. Com cuidado, para não desequilibrar o resultado. E, da cor ao gosto, obteve o rosé perfeito. Bem fresco, sairia bem. Ou não?
Começou a promover o seu rosé «caseirinho» junto de alguns clientes mais assíduos. Vendido a jarro, muito fresco, saiu realmente bem. Quando lhe perguntavam pela origem, remetia, para variar, para a zona de Pegões (Setúbal, de onde, aliás, provinha o moscatel).
Um dos seus clientes, mais cuidadoso na escolha dos vinhos, provou-lhe o rosé quando a sua companhia de jantar quis beber um copo de rosé, até gostou e ficou intrigado. Fez perguntas ao nosso empresário, sobre a origem, a região, a marca. O inventor do rosé esquivou-se até onde pôde e, por fim, viu-se mesmo obrigado a responder.
Alto, rotundo, em geral amável mas de gestos bruscos e bastante liberal na linguagem depois das horas de fecho, o empresário fitou o cliente e atirou-lhe: “É o Rosé da Tia!”
O cliente hesitou. E depois, juntando os seus conhecimentos básicos de vernáculo à boa imagem da única tia que ainda lhe restava e que muito estimava, retirou-se em boa ordem. E nunca mais voltou à casa de pasto.

quarta-feira, 5 de julho de 2017

Em resumo...

Há duas semanas e meia morreram 64 pessoas num incêndio no centro do País, que deixou um rasto de prejuízos, feridos (mais de 200) e devastação como nunca antes se vira. Os responsáveis do Ministério da Administração Interna, do topo à base, andaram descontrolados. O Presidente da República disse que era o melhor que se podia fazer e depois tentou emendar a mão. Foi, praticamente, a última vez que apareceu em público o ainda primeiro-ministro. Os seus parceiros PCP e BE perderam o pio, mais ou menos ao mesmo tempo.
Uma semana depois, o primeiro-ministro mandou fazer um estudo de opinião, achou que toda a gente estava satisfeita com ele e pirou-se para férias, para uma ilha espanhola. Entretanto, os mortos continuaram mortos, o rasto de destruição continua à vista de todos e o Presidente da República começou também a perder o pio. A ministra da Administração Interna fez saber que o incêndio florestal tinha sido grande, verteu umas lágrimas parlamentares e deixou que se generalizasse a guerra civil entre os organismos sob o seu comando.
De um paiol militar desaparece, neste rescaldo, uma impressionante quantidade de material de guerra que dá, entre outras coisas, para guerrilha urbana, atentados terroristas e crimes (mesmo) violentos. O ministro da Defesa disse que já tinha havido roubos piores, o chefe do Estado-Maior do Exército afasta meia dúzia de oficiais intermédios e fica todo contente. Mas o oficialato reage mal ao afastamento dos seus camaradas sem culpa formada. O comandante-chefe das Forças Armadas, que é o Presidente da República, perde de vez o pio.
O primeiro-ministro continua de férias e em silêncio. O PS, formalmente, diz que a culpa de tudo é do Governo anterior, apesar de ter sido o actual Governo que já aprovou dois Orçamentos de Estado (com sortes em toda a máquina do Estado… e nos dispositivos de segurança da Defesa). O PCP e o BE continuam mudos. O Presidente da República suspira que só ele é que não pode ir de férias e diz que trata dos assuntos domésticos com o ministro dos Negócios Estrangeiros, como substituto do veraneante, que fez saber que andava a tentar recuperar o material roubado, talvez através do OLX.
Entretanto, o exame de Português é previamente conhecido por uma parte dos alunos sujeitos a exame, que com isso terão maiores possibilidades de obter melhores notas para entrarem no ensino superior, ao contrário dos seus colegas que de nada souberam. Para o ministro da Educação, que não gosta de exames nem de avaliação de conhecimentos, está tudo bem.
E o primeiro-ministro, não fosse alguém pensar que fugira, até se viu obrigado a confirmar que tinha ido de férias.
Este tipo de descontrolo costuma acontecer no final dos ciclos governamentais e é habitual chamar-se-lhe “fim de regime”. Este governo tem ano e meio de existência. Soube governar pela negativa. Não sabe governar pela afirmativa. Nem tão pouco gerir crises. Há quem considere o primeiro-ministro um sobrevivente. É, sim, um fugitivo, incapaz de dar o peito às balas. E nisso está bem acompanhado.




(Publicado no Tomate.)

segunda-feira, 3 de julho de 2017

3 meses


Tinta Ferreira (PSD, actual presidente da Câmara Municipal de Caldas da Rainha), Rui Patacho (PS) e Rui Gonçalves (CDS): a três meses das eleições autárquicas, já se sabe que Tinta Ferreira (infelizmente) ganha. A seguir, o importante será apurar quem fica em segundo lugar e quem é que vai recuperar os votos dos "independentes" de 2013.
São estes os protagonistas das eleições autárquicas em Caldas da Rainha, que se realizam no próximo dia 1 de Outubro. Não há outros.

Mais traduções minhas


Temas e Debates/Círculo de Leitores



("It Seemed Like a Good Idea")
Clube do Autor



("Das Erbe der Welt")
Círculo de Leitores



("Det grovmaskiga nätet")
Topseller



("Grit: The Power of Passion and Perseverance")
Vogais

sábado, 1 de julho de 2017

Tal como previ...


... aqui e segundo a "Gazeta das Caldas", o Ministério Público abriu uma investigação às contas da Junta de Freguesia da Foz do Arelho. O desfecho é óbvio.





E, já agora, uma perguntinha: o MVC (que quis limpar-se, enlameando o "seu" presidente) andou tão de cabeça no ar que nunca percebeu o que se passava, até outros o descobrirem?

terça-feira, 27 de junho de 2017

Ler jornais já não é saber mais (23): a arte perdida dos títulos


O jornalismo devia ser conciso. Os títulos deviam ser claros e fáceis de ler. As primeiras páginas deviam poder ser entendidas rapidamente. Os jornalistas sabiam, em geral, escrever.
Nesses tempos escrever-se-ia assim, numa primeira página, e mantendo o truque de isolar "Beja" para se venderem mais exemplares (um? dois?) nessa cidade: "Obras na estrada / põem a descoberta / necrópole romana".
E não consigo perceber porque é que se prefere usar "colocar" (7 letras, 3 sílabas) em vez do português "pôr" (3 letras, 1 sílaba).



"Público", 27.06.17

Também é para isto que servem os aumentos na Função Pública

Causa-me alguma impressão, até pela profissão que exercem, a falta de sensibilidade social de alguns que desculpam o Governo pelo escândalo dos mortos e feridos de Pedrógão Grande mas se encarniçam contra o líder da oposição porque cometeu um erro.
Porque a culpa, afinal, é dos "amigos" deles, que até lhes dão mais dinheiro ao fim do mês e os 64 mortos e mais de 200 feridos são para esquecer.
Que importância têm estas vítimas? Nenhuma, para tais hipócritas.

domingo, 25 de junho de 2017

Notas de prova



Quinta do Escudial — Tinto 2013 Touriga Nacional  DOC Dão
Touriga Nacional
Quinta do Escudial, Vodra (Seia)
14% vol.
Excelente.

Notas de prova


Encostas do Enxoé — Branco 2008  Vinho regional alentejano
Roupeiro (e outras?)
Sociedade Agrícola de Pias (Pias)
14% vol.
Muito bom.

Coisas que ainda vale a pena discutir em Caldas da Rainha


Hospital termal de Caldas da Rainha (© "Gazeta das Caldas"/Solange Filipe)

A Câmara Municipal de Caldas da Rainha vai ceder o Hospital Termal e o Balneário Novo (que fazem parte do património termal do concelho) ao Montepio Rainha D. Leonor (que pode ser considerado um hospital privado local).
A câmara, beneficiária da concessão das termas que o Estado lhe outorgou, não tem capacidade nem competência para gerir este património.
Quis que ele fosse seu mas andou vários anos a fazer planos, projectos e contactos com entidades do sector da saúde (de preferência, ricas) e não conseguiu. Com as eleições à porta, optou rapidamente pelo Montepio, que aparenta uma boa saúde financeira. Parece um "ovo de Colombo" mas o negócio tem aspectos demasiado sombrios para ser satisfatório.
O PS e o CDS já avançaram com as suas dúvidas, com a "Gazeta das Caldas" a fazer um resumo das posições desta parte da oposição (o resto da oposição, como é hábito, anda distraída) e o PS a pormenorizar, num trabalho bem feito, todas as suas apreensões, trabalho que, no entanto, passa à margem do seu candidato oficial (de que apenas se conhecem visitas a empresas)
Agitada como bandeira fundamental para o concelho, a questão termal devia ser um dos temas obrigatórios da campanha eleitoral. A candidatura do PSD local (que domina a Câmara Municipal) vai apresentá-la como um grande feito seu. Infelizmente, o resultado é negativo. Eis um ponto que exigiria maior atenção por parte dos protagonistas políticos e sociais.
Mas não só, claro. Ao contrário do que pretende fazer crer a desastrosa gestão municipal, o balanço destes quatro anos do que, numa ironia tristonha, foi designado por "nova dinâmica", acumulam-se problemas por resolver, e vão surgindo outros.
A rede viária deficiente, o mau estado das entradas da capital do concelho, o abandono do interior do concelho (inclusivamente da costa atlântica), o abastecimento de água, o clientelismo em vez do apoio rigoroso às associações necessitadas e a destruição das freguesias rurais são alguns exemplos de como tudo consegue estar pior em quatro anos do que já esteve.

As palavras do presidente da Câmara
e a sua falta de palavra

Neste panorama sombrio há um exemplo que caracteriza toda esta gestão (revelado também pelo PS): o presidente da Câmara Municipal foi-se comprometendo com a construção de um canil e gatil municipal. Foi dizendo que sim, que ele existiria. E que até haveria a inauguração antes do final do mandato (agora, por outras palavras). Mas não há canil nem gatil.
A situação dos cães e dos gatos (perdidos, abandonados, a viverem na rua, a sobreviverem como podem, doentes e mortos sem qualquer tipo de assistência) é grave neste concelho. Os problemas da saúde pública associados são também graves. 
Há associações particulares que fazem o que podem. Os seus projectos não conseguem entrar na pequena farsa do "orçamento participativo". A mentalidade dominante, urbana e rural, não ajuda.
Uma iniciativa como a que foi propagandeada e depois abandonada seria fundamental. Mas não daria votos ao presidente da câmara. A falta de palavra também não, mas nem toda a gente repara.


Pedrógão Grande: os nus e os mortos


Os incêndios florestais são uma rotina. Afectam todos os governos. As responsabilidades são públicas e privadas. São lá longe, no interior, mais ou menos esquecido. Tem sido sempre assim. Mas nunca com tantos mortos.
É isso, até, o que mais impressiona no caso de Pedrógão Grande. Além do facto de as mortes ocorridas (64, pelo menos, com todas as dúvidas que advêm da não identificação de corpos carbonizados e destroços por revolver) não terem sido, na sua maioria, em locais directamente afectados pelas chamas mas numa estrada pelo meio de árvores. Que se incendiaram. E para onde a GNR desviou o trânsito.
Uma semana depois não há resposta para todos os enigmas. Nada parece claro. Não se percebe como as autoridades civis, policiais e políticas não agiram, agiram mal ou descoordenadamente. Olha-se para os números e as suspeitas de encobrimento são mais do que muitas. Não se percebe como é que falharam os sistemas da “protecção civil”. Não se aceita, ao mesmo tempo, a leviandade, a demagogia e a irresponsabilidade dos dirigentes políticos do Estado e de um Presidente da República atraído simultaneamente por acidentes graves e câmaras de televisão. Tudo falhou. E os mortos, transportados num camião-frigorífico como se isto fosse um país do Terceiro Mundo, mostram-no bem.
Tudo isto pôs a nu a imensa hipocrisia oportunista da extrema-esquerda que temos: o BE e o PCP, em tempos tão loquazes em épocas de fogos, calam-se, escondem-se, fingem que não existem. Venderam-se por uma migalha de poder, venderam os seus, venderam a honra que ainda lhes restava. É um espanto como tantas boas almas ainda os seguem, em silêncio, como rebanhos. Fazem, à sua maneira, o percurso de uma “estrada da morte” política.
Das chamas, no entanto, renasceu uma fénix… embora talvez por pouco tempo. O jornalismo voltou à ribalta. Fizeram-se perguntas, relataram-se tragédias pequenas e grandes, mostraram-se as imagens necessariamente chocantes, deixaram-se verter algumas lágrimas, fizeram-se boas capas e primeiras páginas. Longe de Lisboa e do Porto, longe de directores, patrões e chefes, os jornalistas estiveram a fazer o que lhes competia, o que é difícil numa imprensa tão controlada.
De que é exemplo o “caso Sebastião Pereira”.
Sebastião Pereira é, segundo o jornal espanhol “El Mundo” (que publicou reportagens sobre o caso de Pedrógão Grande assinados por Sebastião Pereira), o pseudónimo de um jornalista português. Numa das suas matérias escreveu uma verdade óbvia: António Costa sai politicamente chamuscado das chamas de Pedrógão Grande. Foi o que bastou para que muita gente (com o inacreditável Sindicato dos Jornalistas português à cabeça) exigisse saber quem ele é. 
O pseudónimo até se pode justificar no plano profissional (o autor pode estar impedido de assinar com o seu nome noutros órgãos de comunicação social, por exemplo). Não é caso único. O que aqui é único é a fúria pidesca dos que se lançaram à caça do autor. Por simples motivos políticos: não gostaram dessa verdade óbvia. Nunca isto aconteceu desde o 25 de Abril.
A esquerda, esta esquerda que vai do PS ao PCP, passando pelo BE, só lida bem com a imprensa quando a controla, de modo “soft” ou “hard” e o “caso Sebastião Pereira” põe a nu a ameaças que pesam sobre a nossa democracia quando ela está capturada por gente deste calibre. 

(Publicado no Tomate. Capas das revistas "Visão" e "Sábado", de 22.06.17)

quarta-feira, 21 de junho de 2017

Lixívia na água

A água que sai das torneiras da freguesia rural onde moro, no concelho de Caldas da Rainha, sabe a lixívia.
Telefonei para os Serviços Municipalizados de Água e Saneamento às 17 horas.
São 23 horas e a água continua a saber a lixívia.

segunda-feira, 19 de junho de 2017

Uma atitude abjecta




O caso da Junta de Freguesia da Foz do Arelho não expõe só o descontrolo das contas numa estrutura do Estado, cujas responsabilidades, espera-se, serão apuradas nas instâncias judiciais (conforme será natural, depois da decisão de remeter a auditoria para o Ministério Público).
Ele expõe também a atitude abjecta do grupo de independentes que, organizados no Movimento Viver o Concelho (MVC), foi uma surpresa nas eleições autárquicas em Caldas da Rainha em 2013, conseguindo eleger o seu candidato... na Foz do Arelho.
É agora este candidato, a quem deram confiança e que foi sempre muito acarinhado, que se apressam a arrasar, num comunicado onde se pode ler: "O conteúdo do relatório [da auditoria] é absolutamente demolidor no que concerne à competência, isenção e honorabilidade dos membros da Junta de Freguesia da Foz do Arelho, sendo particularmente gravoso para as pessoas do presidente e da secretária do executivo" e "não podemos deixar de manifestar o nosso repúdio, moral e político, pelos atos alegadamente praticados por aqueles que não foram capazes de estar à altura da confiança que os eleitores neles depositaram".
Nada justifica esta atitude do MVC relativamente ao lamentável "caso" da Foz do Arelho.
Nem a pressa em se distanciarem do caso, a pensarem que vão continuar a ganhar votos (se, por acaso, ainda aparecerem nas eleições deste ano).
Nem a defesa de pruridos que agora se revelam ocos de significado.
Mas ela também serve de aviso para outra coisa: que tenham cuidado os que forem na conversa deste tipo de associações que reivindicam um estatuto de "independentes" como se isso fosse uma garantia de santidade.
À menor contrariedade, suspeita ou indício de erro ou procedimento doloso, podem ser atirados para a lama e espezinhados. Mantenham-se à distância!

Cinco dias depois



O semanário "Jornal das Caldas", cuja assinatura está paga até ao mês de Agosto, sai à quarta-feira.
Ultimamente chega-me à caixa do correio, a cerca de 15 quilómetros da sua sede, à segunda-feira. De pouco me serve.

Notas de prova


Paço dos Cunhas de Santar/Nature - Tinto 2012 - DOC Dão
Touriga Nacional e Tinta Roriz
Paço de Santar (Santar)
14% vol.
(Biológico, sem estágio em barrica)
Muito bom.

sábado, 17 de junho de 2017

"Mort sur le Tage"...



... (ou seja, "Morte no Tejo") é o título da edição francesa do meu "Ulianov e o Diabo". Sai a 5 de Outubro em França, pela editora Chandeigne.


Um olhar ameaçador, um punho fechado: Ulianov




Do catálogo da Chandeigne


quinta-feira, 15 de junho de 2017

Notas de prova



Quinta da Giesta - Tinto 2014 - DOC Dão
Touriga Nacional (45%), Tinta Roriz (35%), Jaen (20%)
Sociedade Agrícola Boas Quintas (Mortágua)
13% vol.
Bom!

Ou não se faz ou fica por fazer

Esta rua da capital do concelho de Caldas da Rainha foi alcatroada mas o passeio, de um dos lados, nicles. É cascalho.




Esta placa toponímica, numa das freguesias, foi derrubada por quem está a construir uma moradia. Não a puseram de pé, que nem estão para isso, e as autoridades municipais nem conhecem o concelho, nem querem saber, se conhecessem.

Perspectivas e realidades


Chega-me, por acaso, a informação de um "policial passado em Portugal".
Parecendo autoedição, não é. A editora é respeitável. Mas depois a sinopse é risível, com uma impressionante densidade de lugares-comuns e a suspeita de que toda a história vai viver de alusões e com personagens decalcadas a grosso. O nome do autor parece um pseudónimo mal enjorcado, a atirar para o nome-estrangeiro-para-disfarçar.
Pode ser que a historieta tenha sorte e que, apesar de não parecer recomendável, também ajude a que um dia, talvez quando já nem houver livros e antes mesmo de haver cinema e televisão a sério em Portugal, haja uma "literatura policial" autóctone, inteligentemente autóctone, que tenha lugar e público que a compre, entre a muita porcaria que vem de fora e que vai saindo, num mercado que me parece bastante desorientado.

("Dor de cotovelo", dirá o leitor ocasional. Não é. Já cumpri a minha parte. E não sofro de "bloqueio de escritor", nem de falta de imaginação, nem de disciplina de trabalho. Agora vou traduzir duas páginas de um livro sobre urologia e depois tenho de ir passear os cães, antes que o tempo aqueça demais.)

terça-feira, 13 de junho de 2017

Trump: e se nos informassem?

Num dos seus espaços de comentário na SIC, Miguel Sousa Tavares (que dificilmente se poderá considerar um modelo) proclamou que Donald Trump “não podia” ser presidente dos EUA porque — por estas palavras ou outras de sentido idêntico — vestia-se mal. Tanto quanto me recordo, não se referiu ao cabelo nem ao tamanho das gravatas do alvo da sua ira. Mas podia tê-lo feito.
Este tipo de comentário é hoje o paradigma do que a imprensa portuguesa, em geral, publica sobre o presidente dos EUA e sobre tudo aquilo que é americano e que tem a ver com o domínio do poder executivo local (do aparelho de Estado às decisões de governo, passando pela política externa). Mas não só: é porque a mulher não lhe dá a mão, ou porque uma actriz famosa o critica, ou porque — lá chegaremos, se isso se souber — ele deixa o tampo da retrete levantado depois de urinar.
Com Trump na presidência há meio ano, é quase impossível saber pela imprensa portuguesa o que realmente se passa na política interna e na política externa desse país. 
O desvario da imprensa portuguesa chega ao ponto de, babando-se perante qualquer figura internacional que critique Trump, nem perceber que está um curso um processo, inevitavelmente muito lento, que irá levar a uma proposta de “impeachment”. O presidente norte-americano, nas suas extravagâncias, põe-se a jeito, é certo, mas a opinião é uma coisa e a informação é outra.
Em tempos que já lá vão, e foi isso que eu aprendi e pratiquei nas áreas jornalísticas onde ganhei o direito a ter opinião, separava-se a notícia do comentário. O jornalista dava a informação e, se entendesse fazê-lo, no âmbito do seu trabalho, comentava a informação. 
Não é o que acontece hoje. A falta de memória política e histórica, a ignorância, a incompetência profissional, a depreciação do trabalho jornalístico e o desespero económico de um jornalismo que preferiu vender-se a fazer por vender jornais, entre outros factores, deram origem a este miserável quadro.
A figura do presidente dos EUA não me é simpática. Tenho as maiores dúvidas sobre a bondade das suas medidas. Mas sei que ele governa porque foi eleito (não é o caso, cá…) e que a democracia, como aliás está a ver-se, tem meios próprios de se defender de eventuais entorses ou ameaças. E quando quero saber mais à procura de informação na imprensa estrangeira. Posso fazê-lo e sei fazê-lo mas, francamente, preferia encontrar as notícias na imprensa portuguesa que frequento.


segunda-feira, 12 de junho de 2017

Notas de prova


Cavalo Negro — Tinto 2016 — Vinho Regional Tejo
Castelão, Trincadeira e Aragonez
Parras Wines (Maiorga, Alcobaça)
13% vol.
Muito bom.

Notas de prova



Visconde de Garcez Vinhas Velhas — Tinto 2013 — DOC Douro
Sem indicação de castas (vinhas velhas)
Sociedade Agrícola Casa de Vila Nova, Lda. (Penafiel)
14% vol.
Muito bom.

sexta-feira, 9 de junho de 2017

E agora?




O "caso" das contas da Junta de Freguesia da Foz do Arelho e o relatório da auditoria que revela um "desvio" de cerca de 200 mil euros ocupou naturalmente as primeiras páginas do "Jornal das Caldas" (que não foi além do relatório e que tem declarações do presidente da junta) e da "Gazetas das Caldas" (que ouviu as várias forças políticas, incluindo o MVC).

Nesta altura já há 6 conclusões que se podem tirar:

1 - A gestão da Junta de Freguesia sai, obviamente, mal e, perante o que é apurado, é normal o envio de todos os elementos para o Ministério Público. Será natural que haja inquérito, arguidos, processo judicial e julgamento.
2 - As declarações do presidente da Junta da Freguesia, arguindo "desconhecimento" dos procedimentos formais, são infelizes e precipitadas. Não ajudam, em nada, a sua defesa. Apesar de tudo, tem o direito de se defender. Mas terá de se defender melhor.
3 - O presidente da Junta de Freguesia foi eleito numa lista do movimento de independentes MVC que, há quatro anos, prometia ser diferente dos partidos tradicionais. Essa diferença exigiria alguma cautela ao MVC, ao pronunciar-se sobre a questão. Como os partidos tradicionais, o MVC apressou-se a condenar e a "deixar cair" o seu eleito. É feio, muito feio.
4 - Os restantes partidos tenderão a identificar tudo o que aconteceu com o MVC. Não vale a pena. O MVC transformou-se num verdadeiro cadáver... esquisito. Depois disto, ainda menos recomendável se torna que queira regressar à vida política. Não será mais do que um zombie político.
5 - Houve muita coisa de positivo que foi feito na freguesia da Foz do Arelho ao longo dos últimos quatro anos. É pena que este caso ensombre tudo o que foi feito.
6 - É necessário não ter medo, e desde já, de fazer também uma auditoria à Associação para a Promoção e Desenvolvimento Turístico da Foz do Arelho, se é verdade que há ligações (ou suspeitas delas) com a gestão da Junta de Freguesia. De qualquer modo, a ser aberto inquérito pelo Ministério Público, será natural que também a queiram ver de perto. Podem é chegar tarde demais.

A questão, pelo menos em circunstâncias normais, não acabará aqui. E a ela voltaremos.