terça-feira, 27 de junho de 2017

Ler jornais já não é saber mais (23): a arte perdida dos títulos


O jornalismo devia ser conciso. Os títulos deviam ser claros e fáceis de ler. As primeiras páginas deviam poder ser entendidas rapidamente. Os jornalistas sabiam, em geral, escrever.
Nesses tempos escrever-se-ia assim, numa primeira página, e mantendo o truque de isolar "Beja" para se venderem mais exemplares (um? dois?) nessa cidade: "Obras na estrada / põem a descoberta / necrópole romana".
E não consigo perceber porque é que se prefere usar "colocar" (7 letras, 3 sílabas) em vez do português "pôr" (3 letras, 1 sílaba).



"Público", 27.06.17

Também é para isto que servem os aumentos na Função Pública

Causa-me alguma impressão, até pela profissão que exercem, a falta de sensibilidade social de alguns que desculpam o Governo pelo escândalo dos mortos e feridos de Pedrógão Grande mas se encarniçam contra o líder da oposição porque cometeu um erro.
Porque a culpa, afinal, é dos "amigos" deles, que até lhes dão mais dinheiro ao fim do mês e os 64 mortos e mais de 200 feridos são para esquecer.
Que importância têm estas vítimas? Nenhuma, para tais hipócritas.

domingo, 25 de junho de 2017

Notas de prova



Quinta do Escudial — Tinto 2013 Touriga Nacional  DOC Dão
Touriga Nacional
Quinta do Escudial, Vodra (Seia)
14% vol.
Excelente.

Notas de prova


Encostas do Enxoé — Branco 2008  Vinho regional alentejano
Roupeiro (e outras?)
Sociedade Agrícola de Pias (Pias)
14% vol.
Muito bom.

Coisas que ainda vale a pena discutir em Caldas da Rainha


Hospital termal de Caldas da Rainha (© "Gazeta das Caldas"/Solange Filipe)

A Câmara Municipal de Caldas da Rainha vai ceder o Hospital Termal e o Balneário Novo (que fazem parte do património termal do concelho) ao Montepio Rainha D. Leonor (que pode ser considerado um hospital privado local).
A câmara, beneficiária da concessão das termas que o Estado lhe outorgou, não tem capacidade nem competência para gerir este património.
Quis que ele fosse seu mas andou vários anos a fazer planos, projectos e contactos com entidades do sector da saúde (de preferência, ricas) e não conseguiu. Com as eleições à porta, optou rapidamente pelo Montepio, que aparenta uma boa saúde financeira. Parece um "ovo de Colombo" mas o negócio tem aspectos demasiado sombrios para ser satisfatório.
O PS e o CDS já avançaram com as suas dúvidas, com a "Gazeta das Caldas" a fazer um resumo das posições desta parte da oposição (o resto da oposição, como é hábito, anda distraída) e o PS a pormenorizar, num trabalho bem feito, todas as suas apreensões, trabalho que, no entanto, passa à margem do seu candidato oficial (de que apenas se conhecem visitas a empresas)
Agitada como bandeira fundamental para o concelho, a questão termal devia ser um dos temas obrigatórios da campanha eleitoral. A candidatura do PSD local (que domina a Câmara Municipal) vai apresentá-la como um grande feito seu. Infelizmente, o resultado é negativo. Eis um ponto que exigiria maior atenção por parte dos protagonistas políticos e sociais.
Mas não só, claro. Ao contrário do que pretende fazer crer a desastrosa gestão municipal, o balanço destes quatro anos do que, numa ironia tristonha, foi designado por "nova dinâmica", acumulam-se problemas por resolver, e vão surgindo outros.
A rede viária deficiente, o mau estado das entradas da capital do concelho, o abandono do interior do concelho (inclusivamente da costa atlântica), o abastecimento de água, o clientelismo em vez do apoio rigoroso às associações necessitadas e a destruição das freguesias rurais são alguns exemplos de como tudo consegue estar pior em quatro anos do que já esteve.

As palavras do presidente da Câmara
e a sua falta de palavra

Neste panorama sombrio há um exemplo que caracteriza toda esta gestão (revelado também pelo PS): o presidente da Câmara Municipal foi-se comprometendo com a construção de um canil e gatil municipal. Foi dizendo que sim, que ele existiria. E que até haveria a inauguração antes do final do mandato (agora, por outras palavras). Mas não há canil nem gatil.
A situação dos cães e dos gatos (perdidos, abandonados, a viverem na rua, a sobreviverem como podem, doentes e mortos sem qualquer tipo de assistência) é grave neste concelho. Os problemas da saúde pública associados são também graves. 
Há associações particulares que fazem o que podem. Os seus projectos não conseguem entrar na pequena farsa do "orçamento participativo". A mentalidade dominante, urbana e rural, não ajuda.
Uma iniciativa como a que foi propagandeada e depois abandonada seria fundamental. Mas não daria votos ao presidente da câmara. A falta de palavra também não, mas nem toda a gente repara.


Pedrógão Grande: os nus e os mortos


Os incêndios florestais são uma rotina. Afectam todos os governos. As responsabilidades são públicas e privadas. São lá longe, no interior, mais ou menos esquecido. Tem sido sempre assim. Mas nunca com tantos mortos.
É isso, até, o que mais impressiona no caso de Pedrógão Grande. Além do facto de as mortes ocorridas (64, pelo menos, com todas as dúvidas que advêm da não identificação de corpos carbonizados e destroços por revolver) não terem sido, na sua maioria, em locais directamente afectados pelas chamas mas numa estrada pelo meio de árvores. Que se incendiaram. E para onde a GNR desviou o trânsito.
Uma semana depois não há resposta para todos os enigmas. Nada parece claro. Não se percebe como as autoridades civis, policiais e políticas não agiram, agiram mal ou descoordenadamente. Olha-se para os números e as suspeitas de encobrimento são mais do que muitas. Não se percebe como é que falharam os sistemas da “protecção civil”. Não se aceita, ao mesmo tempo, a leviandade, a demagogia e a irresponsabilidade dos dirigentes políticos do Estado e de um Presidente da República atraído simultaneamente por acidentes graves e câmaras de televisão. Tudo falhou. E os mortos, transportados num camião-frigorífico como se isto fosse um país do Terceiro Mundo, mostram-no bem.
Tudo isto pôs a nu a imensa hipocrisia oportunista da extrema-esquerda que temos: o BE e o PCP, em tempos tão loquazes em épocas de fogos, calam-se, escondem-se, fingem que não existem. Venderam-se por uma migalha de poder, venderam os seus, venderam a honra que ainda lhes restava. É um espanto como tantas boas almas ainda os seguem, em silêncio, como rebanhos. Fazem, à sua maneira, o percurso de uma “estrada da morte” política.
Das chamas, no entanto, renasceu uma fénix… embora talvez por pouco tempo. O jornalismo voltou à ribalta. Fizeram-se perguntas, relataram-se tragédias pequenas e grandes, mostraram-se as imagens necessariamente chocantes, deixaram-se verter algumas lágrimas, fizeram-se boas capas e primeiras páginas. Longe de Lisboa e do Porto, longe de directores, patrões e chefes, os jornalistas estiveram a fazer o que lhes competia, o que é difícil numa imprensa tão controlada.
De que é exemplo o “caso Sebastião Pereira”.
Sebastião Pereira é, segundo o jornal espanhol “El Mundo” (que publicou reportagens sobre o caso de Pedrógão Grande assinados por Sebastião Pereira), o pseudónimo de um jornalista português. Numa das suas matérias escreveu uma verdade óbvia: António Costa sai politicamente chamuscado das chamas de Pedrógão Grande. Foi o que bastou para que muita gente (com o inacreditável Sindicato dos Jornalistas português à cabeça) exigisse saber quem ele é. 
O pseudónimo até se pode justificar no plano profissional (o autor pode estar impedido de assinar com o seu nome noutros órgãos de comunicação social, por exemplo). Não é caso único. O que aqui é único é a fúria pidesca dos que se lançaram à caça do autor. Por simples motivos políticos: não gostaram dessa verdade óbvia. Nunca isto aconteceu desde o 25 de Abril.
A esquerda, esta esquerda que vai do PS ao PCP, passando pelo BE, só lida bem com a imprensa quando a controla, de modo “soft” ou “hard” e o “caso Sebastião Pereira” põe a nu a ameaças que pesam sobre a nossa democracia quando ela está capturada por gente deste calibre. 

(Publicado no Tomate. Capas das revistas "Visão" e "Sábado", de 22.06.17)

quarta-feira, 21 de junho de 2017

Lixívia na água

A água que sai das torneiras da freguesia rural onde moro, no concelho de Caldas da Rainha, sabe a lixívia.
Telefonei para os Serviços Municipalizados de Água e Saneamento às 17 horas.
São 23 horas e a água continua a saber a lixívia.

segunda-feira, 19 de junho de 2017

Uma atitude abjecta




O caso da Junta de Freguesia da Foz do Arelho não expõe só o descontrolo das contas numa estrutura do Estado, cujas responsabilidades, espera-se, serão apuradas nas instâncias judiciais (conforme será natural, depois da decisão de remeter a auditoria para o Ministério Público).
Ele expõe também a atitude abjecta do grupo de independentes que, organizados no Movimento Viver o Concelho (MVC), foi uma surpresa nas eleições autárquicas em Caldas da Rainha em 2013, conseguindo eleger o seu candidato... na Foz do Arelho.
É agora este candidato, a quem deram confiança e que foi sempre muito acarinhado, que se apressam a arrasar, num comunicado onde se pode ler: "O conteúdo do relatório [da auditoria] é absolutamente demolidor no que concerne à competência, isenção e honorabilidade dos membros da Junta de Freguesia da Foz do Arelho, sendo particularmente gravoso para as pessoas do presidente e da secretária do executivo" e "não podemos deixar de manifestar o nosso repúdio, moral e político, pelos atos alegadamente praticados por aqueles que não foram capazes de estar à altura da confiança que os eleitores neles depositaram".
Nada justifica esta atitude do MVC relativamente ao lamentável "caso" da Foz do Arelho.
Nem a pressa em se distanciarem do caso, a pensarem que vão continuar a ganhar votos (se, por acaso, ainda aparecerem nas eleições deste ano).
Nem a defesa de pruridos que agora se revelam ocos de significado.
Mas ela também serve de aviso para outra coisa: que tenham cuidado os que forem na conversa deste tipo de associações que reivindicam um estatuto de "independentes" como se isso fosse uma garantia de santidade.
À menor contrariedade, suspeita ou indício de erro ou procedimento doloso, podem ser atirados para a lama e espezinhados. Mantenham-se à distância!

Cinco dias depois



O semanário "Jornal das Caldas", cuja assinatura está paga até ao mês de Agosto, sai à quarta-feira.
Ultimamente chega-me à caixa do correio, a cerca de 15 quilómetros da sua sede, à segunda-feira. De pouco me serve.

Notas de prova


Paço dos Cunhas de Santar/Nature - Tinto 2012 - DOC Dão
Touriga Nacional e Tinta Roriz
Paço de Santar (Santar)
14% vol.
(Biológico, sem estágio em barrica)
Muito bom.

sábado, 17 de junho de 2017

"Mort sur le Tage"...



... (ou seja, "Morte no Tejo") é o título da edição francesa do meu "Ulianov e o Diabo". Sai a 5 de Outubro em França, pela editora Chandeigne.


Um olhar ameaçador, um punho fechado: Ulianov




Do catálogo da Chandeigne


quinta-feira, 15 de junho de 2017

Notas de prova



Quinta da Giesta - Tinto 2014 - DOC Dão
Touriga Nacional (45%), Tinta Roriz (35%), Jaen (20%)
Sociedade Agrícola Boas Quintas (Mortágua)
13% vol.
Bom!

Ou não se faz ou fica por fazer

Esta rua da capital do concelho de Caldas da Rainha foi alcatroada mas o passeio, de um dos lados, nicles. É cascalho.




Esta placa toponímica, numa das freguesias, foi derrubada por quem está a construir uma moradia. Não a puseram de pé, que nem estão para isso, e as autoridades municipais nem conhecem o concelho, nem querem saber, se conhecessem.

Perspectivas e realidades


Chega-me, por acaso, a informação de um "policial passado em Portugal".
Parecendo autoedição, não é. A editora é respeitável. Mas depois a sinopse é risível, com uma impressionante densidade de lugares-comuns e a suspeita de que toda a história vai viver de alusões e com personagens decalcadas a grosso. O nome do autor parece um pseudónimo mal enjorcado, a atirar para o nome-estrangeiro-para-disfarçar.
Pode ser que a historieta tenha sorte e que, apesar de não parecer recomendável, também ajude a que um dia, talvez quando já nem houver livros e antes mesmo de haver cinema e televisão a sério em Portugal, haja uma "literatura policial" autóctone, inteligentemente autóctone, que tenha lugar e público que a compre, entre a muita porcaria que vem de fora e que vai saindo, num mercado que me parece bastante desorientado.

("Dor de cotovelo", dirá o leitor ocasional. Não é. Já cumpri a minha parte. E não sofro de "bloqueio de escritor", nem de falta de imaginação, nem de disciplina de trabalho. Agora vou traduzir duas páginas de um livro sobre urologia e depois tenho de ir passear os cães, antes que o tempo aqueça demais.)

terça-feira, 13 de junho de 2017

Trump: e se nos informassem?

Num dos seus espaços de comentário na SIC, Miguel Sousa Tavares (que dificilmente se poderá considerar um modelo) proclamou que Donald Trump “não podia” ser presidente dos EUA porque — por estas palavras ou outras de sentido idêntico — vestia-se mal. Tanto quanto me recordo, não se referiu ao cabelo nem ao tamanho das gravatas do alvo da sua ira. Mas podia tê-lo feito.
Este tipo de comentário é hoje o paradigma do que a imprensa portuguesa, em geral, publica sobre o presidente dos EUA e sobre tudo aquilo que é americano e que tem a ver com o domínio do poder executivo local (do aparelho de Estado às decisões de governo, passando pela política externa). Mas não só: é porque a mulher não lhe dá a mão, ou porque uma actriz famosa o critica, ou porque — lá chegaremos, se isso se souber — ele deixa o tampo da retrete levantado depois de urinar.
Com Trump na presidência há meio ano, é quase impossível saber pela imprensa portuguesa o que realmente se passa na política interna e na política externa desse país. 
O desvario da imprensa portuguesa chega ao ponto de, babando-se perante qualquer figura internacional que critique Trump, nem perceber que está um curso um processo, inevitavelmente muito lento, que irá levar a uma proposta de “impeachment”. O presidente norte-americano, nas suas extravagâncias, põe-se a jeito, é certo, mas a opinião é uma coisa e a informação é outra.
Em tempos que já lá vão, e foi isso que eu aprendi e pratiquei nas áreas jornalísticas onde ganhei o direito a ter opinião, separava-se a notícia do comentário. O jornalista dava a informação e, se entendesse fazê-lo, no âmbito do seu trabalho, comentava a informação. 
Não é o que acontece hoje. A falta de memória política e histórica, a ignorância, a incompetência profissional, a depreciação do trabalho jornalístico e o desespero económico de um jornalismo que preferiu vender-se a fazer por vender jornais, entre outros factores, deram origem a este miserável quadro.
A figura do presidente dos EUA não me é simpática. Tenho as maiores dúvidas sobre a bondade das suas medidas. Mas sei que ele governa porque foi eleito (não é o caso, cá…) e que a democracia, como aliás está a ver-se, tem meios próprios de se defender de eventuais entorses ou ameaças. E quando quero saber mais à procura de informação na imprensa estrangeira. Posso fazê-lo e sei fazê-lo mas, francamente, preferia encontrar as notícias na imprensa portuguesa que frequento.


segunda-feira, 12 de junho de 2017

Notas de prova


Cavalo Negro — Tinto 2016 — Vinho Regional Tejo
Castelão, Trincadeira e Aragonez
Parras Wines (Maiorga, Alcobaça)
13% vol.
Muito bom!

Notas de prova



Visconde de Garcez Vinhas Velhas — Tinto 2013 — DOC Douro
Sem indicação de castas (vinhas velhas)
Sociedade Agrícola Casa de Vila Nova, Lda. (Penafiel)
14% vol.
Muito bom.

sexta-feira, 9 de junho de 2017

E agora?




O "caso" das contas da Junta de Freguesia da Foz do Arelho e o relatório da auditoria que revela um "desvio" de cerca de 200 mil euros ocupou naturalmente as primeiras páginas do "Jornal das Caldas" (que não foi além do relatório e que tem declarações do presidente da junta) e da "Gazetas das Caldas" (que ouviu as várias forças políticas, incluindo o MVC).

Nesta altura já há 6 conclusões que se podem tirar:

1 - A gestão da Junta de Freguesia sai, obviamente, mal e, perante o que é apurado, é normal o envio de todos os elementos para o Ministério Público. Será natural que haja inquérito, arguidos, processo judicial e julgamento.
2 - As declarações do presidente da Junta da Freguesia, arguindo "desconhecimento" dos procedimentos formais, são infelizes e precipitadas. Não ajudam, em nada, a sua defesa. Apesar de tudo, tem o direito de se defender. Mas terá de se defender melhor.
3 - O presidente da Junta de Freguesia foi eleito numa lista do movimento de independentes MVC que, há quatro anos, prometia ser diferente dos partidos tradicionais. Essa diferença exigiria alguma cautela ao MVC, ao pronunciar-se sobre a questão. Como os partidos tradicionais, o MVC apressou-se a condenar e a "deixar cair" o seu eleito. É feio, muito feio.
4 - Os restantes partidos tenderão a identificar tudo o que aconteceu com o MVC. Não vale a pena. O MVC transformou-se num verdadeiro cadáver... esquisito. Depois disto, ainda menos recomendável se torna que queira regressar à vida política. Não será mais do que um zombie político.
5 - Houve muita coisa de positivo que foi feito na freguesia da Foz do Arelho ao longo dos últimos quatro anos. É pena que este caso ensombre tudo o que foi feito.
6 - É necessário não ter medo, e desde já, de fazer também uma auditoria à Associação para a Promoção e Desenvolvimento Turístico da Foz do Arelho, se é verdade que há ligações (ou suspeitas delas) com a gestão da Junta de Freguesia. De qualquer modo, a ser aberto inquérito pelo Ministério Público, será natural que também a queiram ver de perto. Podem é chegar tarde demais.

A questão, pelo menos em circunstâncias normais, não acabará aqui. E a ela voltaremos.

Porque não gosto dos CTT (118): como o feriado é no sábado...


... hoje não trabalharam, para compensar.
Não vejo outra explicação para o facto de hoje, sexta-feira, 9 de Junho, não ter havido distribuição de correio.

quarta-feira, 7 de junho de 2017

Notas de prova


Lua Nova em Vinhas Velhas — Tinto 2009 — DOC Douro
Sem indicação de castas (vinhas velhas)
Wines & Winemakers 
14% vol.
Muito bom!

Notas de prova


Bacelo Novo — Branco 2015 — Vinho Regional Lisboa
Chardonnay e Arinto
Quinta da Barreira (Carvoeira) — Enoteca 
12% vol.
Bom!

Como o politicamente correcto está a matar a democracia


A nova censura

Às 22h08 de ontem, sábado, dia 3 de Junho de 2017, houve mais um atentado terrorista que, à hora em que escrevo, tinha provocado 7 mortos e 48 feridos. Algumas testemunhas ouviram os gritos dos atacantes a referirem-se a Alá. Às 00h25 a Polícia londrina informava ter-se tratado de um ataque terrorista.
Não sei a que horas fechará a edição diária do jornal “Público” mas não deve ser, decerto, antes da meia-noite. E, como em todos os jornais, haverá seguramente alguma margem horária, se houver notícias de última hora que o justifiquem.
Portanto, o “Público” poderia ter noticiado o atentado, como tal. Mas não o fez. O que fez, em vez disso, foi uma pérola do jornalismo dos nossos dias (ou, melhor, de um neojornalismo que está a substituir o jornalismo em Portugal): no canto inferior esquerdo da primeira página, publicou o título “Várias pessoas atropeladas e esfaqueadas em Londres” e o texto “Novo ataque no centro da capital britânica fez várias vítimas na Ponte de Londres e num mercado próximo”.
Talvez não haja melhor exemplo do que este para retratar uma realidade da imprensa portuguesa dos nossos dias: a omissão de informações relevantes para o conhecimento de um dado acontecimento por motivos. E as informações omitidas são deste género: um atentado terrorista não é um atentado terrorista, os seus autores não podem ser terroristas islâmicos, a relevância (cultura, religiosa ou social) da etnia não pode ser aludida (como acontece com incidentes em zonas suburbanas e rurais, em que as etnias africana e cigana dos envolvidos são silenciadas). Quem e pratica este tipo de atentado à liberdade de informação e de expressão parece invocar a necessidade de não ferir credos ou raças, de não contribuir para a segregação ou para o racismo. 
Mas a sonegação de informação não contribui para o esclarecimento da realidade.  É uma nova censura. Parcelar, voluntária, ainda não decretada pelo Estado. Mas um dia, se o “politicamente correcto” continuar a fazer escola, é onde chegaremos.
Se ainda houver jornais, claro. Porque, convenhamos, alguém vai comprar um jornal que informe menos (pela diferença de tempo mas também por sonegar informação) do que as televisões e a imprensa “on line”? Claro que não. E, se calhar, ainda bem.


O protofascismo

Há pouco tempo, tendo chegado à fila do supermercado com meia-dúzia de compras, fui interpelado pela empregada com um esforçado “Olhe, não se importa de dar prioridade?”. Ela apontou e eu vi a pessoa a que eu devia – por lei, já lá vamos – “dar prioridade”: uma jovem de vinte ou trinta anos com uma criança, que parecia ter talvez uns dois anos, num carrinho de bebé dos que parecem verdadeiros veículos de combate.
Cedi. A criatura, que eu já tinha visto a passear-se calmamente no supermercado, pagou as suas ou três compras, e passou. Sem olhar para mim, sem agradecer. Mas, talvez apanhada de surpresa, produziu um “Obrigada” contrariado quando eu a interpelei: “Ao menos, agradeça.”
A explicação de base para esta atitude está numa lei recente (Decreto-Lei n.º 58/2016, de 29 de Agosto), que define uma prioridade que é praticamente absoluta para todas as filas de espera. Abrange idosos, deficientes, grávidas e “‘Pessoa acompanhada de criança de colo’, aquela que se faça acompanhar de criança até aos dois anos de idade”: passa tudo à frente. Mesmo que a “criança de colo” venha tranquilamente instalada num carrinho que, para a pessoa que a traz, não exija mais do que o esforço de o empurrar.
A lei, como tantas vezes acontece quando se tenta legislar à pressão, é deficiente. Por que raio é que uma pessoa que empurra um carrinho com uma criança há de passar à frente dos outros? Está a ter de suportar o peso da criança?! 
Em termos racionais, esta lei deveria especificar a diferença entre transportar a criança em braços e transportá-la por meios mecânicos. Mas, como é apanágio da legislação portuguesa, isso iria dar origem a múltiplos diplomas que classificariam e certificariam os carrinhos de bebés e todos os seus acessórios. 
A democracia é caracterizada pela igualdade, em sentido mais lato ou mais restrito. Neste caso, cria-se uma elite de potenciais “deficientes” que precisam de uma lei para se imporem aos outros, num domínio onde seria suficiente usar critérios mínimos de boa educação e de cortesia social. E estas coisas, numa sociedade saudável, não precisam de decretos-leis.
Esta imposição do “politicamente correcto”, dando mais direitos a uns (por serem voluntária, temporária, contínua ou cirurgicamente) “diferentes” é um passo em direcção à fasciszação da nossa sociedade. 
Quando, na fila do supermercado, fui obrigado a ceder o lugar à mulher com a criança no carrinho, lembrei-me dos judeus ostracizados pelos arianos nazis: tinham sempre de ficar em segundo plano… se por acaso ainda estivessem vivos.

terça-feira, 6 de junho de 2017

"Auditoria revela buraco de 193 mil euros na Junta de Freguesia da Foz do Arelho "


Título do público com a  notícia completa aqui e este "lead": "Relatório aponta 'fortes indícios' de fraudes contabilísticas, crimes tributários, apropriação indevida de dinheiro e peculato. Documento segue para o Ministério Público."
Isto não é bonito e o MVC ainda está a tempo de se pronunciar. Não lhe basta votar favoravelmente este relatório tão critico para com o seu único presidente de junta de freguesia e fazer de conta de que nada aconteceu.

segunda-feira, 5 de junho de 2017

Notas de prova


Quinta da Fata - Tinto Reserva 2011 - DOC Dão

Touriga Nacional e Tinta Roriz
13% vol.
Quinta da Fata - Vilar Seco (Nelas)
Muito bom!


Notas de prova

Duque de Viseu — Tinto 2014 — DOC Dão
Touriga Nacional e Tinta Roriz
Sogrape
13% vol.
Bom!

Notas de prova


Quinta da Garrida — Tinto 2013  DOC Dão
Touriga Nacional, Tinta Roriz e Jaen
Aliança
13,5% vol.
(Bebido no restaurante O Cabeço) 
Bom.

Ler jornais já não é saber mais (21): a estatística idiota do "cada vez há mais" (2)














































Já não é preciso fazer notícias, ouvir fontes, escrever reportagens, oferecer pistas para compreender fenómenos, criar títulos apelativos mas inteligentes e bem construídos.
Para esta gente basta fazer contas de aritmética e temos o jornalismo instantâneo, o neojornalismo que acabará com os jornais, que na época dos micro-ondas já nem servem para manter o arroz quente.
O primeiro lugar, neste delírio estatístico, é do "Jornal de Notícias", seguindo-se-lhe o "Diário de Notícias" e o "Público".

domingo, 4 de junho de 2017

EDP - A Crónica das Trevas (72): blackout

E, de repente, não há electricidade.
O tempo está seco, não há tempestades nem trovoadas (que era a grande desculpa), o vento até amainou. Mas talvez a EDP entenda que não devemos esquecer-nos dos tempos negros dos apagões grandes e pequenos.
Uma informação automática, que felizmente me poupa aos irritantes atendedores humanos, diz-me que a previsão do regresso ao século XXI está para as 13h30.
Como de costume, nunca se saberá o que terá acontecido.

Ler jornais já não é saber mais (20): ocultação de informação


Às 22h08 de ontem (a mesma hora de Londres e de Lisboa) houve mais um atentado terrorista em Londres. Segundo relatos de testemunhas, os atacantes invocavam Alá, à medida que iam atacando. Às 00h25 a Polícia londrina confirmava que era um atentado terrorista.
A primeira página do "Público" de hoje (cuja edição não deve ter sido fechada antes da meia-noite) esconde o assunto. Oculta a informação. Apresenta uma notícia deturpada. Cospe no jornalismo. Não há outras palavras que o descrevam.


sábado, 3 de junho de 2017

4 meses


Daqui a quatro meses, em 1 de Outubro, haverá eleições autárquicas (câmaras e assembleias municipais, juntas e assembleias de freguesia).
No concelho de Caldas da Rainha, e por responsabilidade dos seus protagonistas, elas são uma formalidade.
Sabe-se, antecipadamente, quem vai ganhar e quem vai perder. Mas a campanha eleitoral já começou, num desfile de fingimentos, de presenças e ausências dignas de nota, de jogos partidários pouco limpos e de um ambiente de animação artificial movido pela necessidade de ganhar votos.


PSD: a nova vitória da velha "dinâmica"



Mais uma manchete amiga, que vai servindo para o actual presidente camarário, Tinta Ferreira, fazer de conta que é "dinâmico".

O PSD caldense vai ganhar as eleições, não por mérito mas por "estar".
Estão (com Fernando Costa e este seu delfim de escolha aziaga) há dezenas de anos nas malhas do poder local. Conhecem-na toda: as festas e as obras pouco antes das eleições, os lugares que se abrem, as empresas que se contratam, os subsídios que se dão, as amabilidades.
Durante três anos gerem mal o que existe e no quarto atiram com tudo aquilo que possa servir para ganhar votos beneficiando de um efeito acrescido: como as oposições, em geral, também praticam o mesmo tipo de sazonalidade, até vão buscar votos a eleitores que não são os seus, à conta do "antes estes que outros".



PS: desdobramento de personalidade















Dois mundos diferentes: o PS que está nos órgãos autárquicos e o candidato do PS aos novos órgãos autárquicos.

Não há no blogue dos vereadores do PS nada que se refira ao herdeiro destes eleitos em 2013: irregularmente atentos ao que de mau se vai passando na capital do concelho e dos seus subúrbios, foram capazes de fazer um balanço e uma análise do Plano Estratégico que são interessantes mas, por motivos que por inteiro se desconhecessem, ignoram a "sua" candidatura à presidência da Câmara Municipal, protagonizada por um camarada seu, Luís Patacho.
E este vai fazendo um circuito de contactos institucionais que, podendo ser-lhe útil em termos pessoais, não serve para ganhar votos.
Rodando nos candidatos, sem coerência, indo com dificuldade além das provas de vida mais ou menos periódicas, fazendo esquecer a sua capacidade de intervenção, o PS não conseguirá vencer estas eleições e só será interessante saber se esta sua candidatura tem mais ou menos votos do que a outra, a de 2013.


PCP: falta de vergonha


Como há eleições, já aparecem: uma prova de vida com lata a mais.

O PCP tem tido, regularmente, atividades públicas na capital do concelho de Caldas da Rainha e nos seus arredores.
Só que elas, fora dos períodos eleitorais, seguem sempre a agenda de âmbito nacional e, das comemorações aos casos políticos pontuais, ignoram o que se passa no concelho.
É por isso que esta iniciativa dos "edifício abandonados" é tão pouco séria. Quer se trate das ruínas que enfeitam uma das entradas da capital do concelho, quer se trate de prédios na própria cidade (mas ficam esquecidos os das freguesias do interior, e não só), tudo isto já existe e há muitos anos. E é, obviamente, lamentável.
Desde, pelo menos, 2013 que o PCP nunca se preocupou com isto. Fazê-lo agora, e só porque há eleições, revela lata a mais e vergonha a menos.



CDS: a tentar ganhar fôlego?


Rui Gonçalves pode ser um bom candidato mas a realidade dos números não o favorece.

Rui Gonçalves, o arquitecto que o CDS apresenta pela primeira vez como candidato a presidente da Câmara Municipal parece ser o candidato que melhor conhece o concelho, desdobrando-se numa atividade social intensa que terá de aproveitar para as eleições.
Depois de uma apresentação programática muito exaustiva, tem de fazer subir de tom a sua intervenção e começar a apresentar propostas e projectos, afirmando a sua diferença relativamente ao poder vigente e aos restantes candidatos.
As eleições deste ano podem ser o seu primeiro passo. E não devem ser só um fim, em si. Isto, se quiser mesmo chegar à presidência da Câmara Municipal, um dia.


BE: dispensável

Uma nulidade.

O berloque que diz que é de esquerda não faz falta nenhuma. Não se deu pela sua falta na Assembleia Municipal.



MVC: e depois do adeus?



O futuro destes "independentes" é sombrio.

Correm duas versões para a ausência, até agora, do ex-promissor Movimento Viver o Concelho: já não conseguiu criar uma estrutura, com apoio popular, como em 2013, devido à sua debilidade e/ou à embrulhada situação económica e financeira da única junta de freguesia onde venceu as eleições; e (b) as pessoas com quem poderia contar, entre as quais alguns eleitos, vão aparecer noutras candidaturas.
Seja qual for o motivo, o certo é que o MVC, na prática, saiu de cena. Nunca conseguiu afirmar-se politicamente, nem parece tê-lo querido fazer, depois das eleições; optou por se enfiar (com os votos conquistados nas autárquicas) numa candidatura presidencial muito discutível; desapareceu.
Não entrar nestas eleições pode ser o que melhor faz. Porque terão sempre de contabilizar-se, para serem comparados, os votos de 2017 com os de 2013.
O resultado, a haver candidatura, será pior e não apenas por causa da Foz do Arelho. Que, aliás, a ser esse o caso, será sempre um pretexto muito cobarde para não avançar. Ter medo, em política como no resto da vida, pode ser muito natural mas é sempre um erro.