quinta-feira, 31 de agosto de 2017

Figos (verdadeiramente) biológicos






A terceira apanha deste ano em duas ou três semanas.
Grandes, saborosos, doces e a amadurecerem bem, saíram de uma figueira que precisou de sete anos para atingir este estado de produção.

"Mort sur le Tage": voilà!...


Traduzido, impresso, com uma capa bem sugestiva (reparem na figura de camisa enrugada, punho fechado e "facies" soturno), eis a versão francesa do meu "Ulianov e o Diabo": "Mort sur le Tage", lançado pela dinâmica editora francesa Chandeigne, que tem divulgado a literatura em português em França, com os exemplares acabadinhos de sair das mãos da sua directora, Anne Lima, num encontro em Lisboa.






Uma primeira impressão

E, para já, registo aqui uma primeira opinião muito animadora da autoria de Pascal Didier, representante de editores franceses na empresa Diffusion Volumen Interforum, publicada no Facebook em 20 de Julho:


«Je rentre à l'instant de Lisboa (Lisbonne) après quelques heures passées au bord du Tage, du côté de Cais do Sodré.
Je ne suis pas parti pour de vrai mais j'y étais quand même pour de bon. Dans les pages de "Mort sur le Tage" de Pedro Garcia Rosado. Un polar sombre, rythmé, très bien écrit et absolument captivant. Où passent quelques soldats perdus de l'ex-KGB - l'analyse est passionnante et intéressera sûrement Alexis Prokopiev, Emmanuel Graff et Nicolas Auzanneau - et des ombres effrayantes.
C'est la première fois que cet écrivain de 62 ans, auteur de plusieurs polars, est traduit en français (par Myriam Benarroch) et son livre publié par les Editions Chandeigne sera en librairie le 5 octobre prochain.
Je reconnais un bon polar au moment où pris par l'intrigue, l'écriture et la force des personnages, j'accélère ma lecture pour la ralentir progressivement vers la fin car je sais qu'hélas l'histoire va se terminer, le livre se refermer et qu'il va falloir attendre quelques mois pour relire à nouveau du Pedro Garcia Rosado.
Si vous aimez le polar islandais, suédois, argentin, italien, danois ou vosgien (là c'est un clin d'oeil à Nicolas Mathieu et à son "Aux animaux la guerre"), vous adorerez le polar portugais !
Du lourd et du bon.»

Merci, Pascal Didier... et Anne Lima!





Regresso ao Monte Horeb

Um dos mais agradáveis recantos do Monte Horeb
 






O restaurante Monte Horeb, numa encosta acima da Lagoa de Óbidos, na  freguesia do Nadadouro, foi, durante alguns anos, um delicioso porto de abrigo nas minhas vindas para a casa nova no concelho de Caldas da Rainha. 
Chegávamos à quinta-feira ou à sexta-feira à noite e íamos para lá, por vezes já um pouco para o tarde.
Havia um chefe de mesa simpatiquíssimo, uma decoração primorosa e pratos indianos, da tradição goesa.
Os preços eram relativamente elevados mas, como às vezes acontece, pagava-se tudo: a comida, a decoração, a localização, a simpatia do atendimento.
Algum tempo depois, o Monte Horeb começou a funcionar irregularmente e acabou por fechar. 
Agora, felizmente, reabriu.
Mantém-se quase tudo na mesma (da cozinha à simpatia, passando pela decoração) mas nota-se que há um arranque lento, embora seguro.
Que prospere e recupere a glória de outros tempos é o que espero. Para já, tendo ido lá uma vez, hei de voltar mais vezes. 



quarta-feira, 30 de agosto de 2017

Ler jornais já não é saber mais (30): ninguém se acusa?!



Este título, relativamente discreto, do "Jornal de Notícias" oculta as "press junkets" 
com estrelas de cinema que são "pagas" com viagens 

A imprensa (toda ela) e os jornalistas (todos eles) não saem bem desta história das viagens (e outras coisas) pagas por empresas interessadas.
E isto porque há notícias, entrevistas e até mesmo reportagens que ainda devem ser, como já foram, produto de viagens, estadias, visitas turísticas e brindes que têm destinatários jornalistas e outros colaboradores dos órgãos de comunicação social.
O escrutínio destes casos de exercício de influências e de benesses associadas não pode ficar apenas por dirigentes políticos. 
A honestidade e a confiança (ainda?!) da imprensa exigem transparência.

Porque é que Costa e o seu PS precisam de eleições antecipadas



O actual chefe do Governo e secretário-geral do PS precisa, tal como o seu partido, de eleições legislativas até ao final deste ano ou no começo do próximo, dois anos depois das eleições legislativas de Outubro de 2015 e dois anos antes das eleições de 2019.

E eis porquê:

1


O PS foi derrotado nas eleições de Outubro de 2015. Mas está no Governo porque o seu secretário-geral que perdeu as eleições fez um arranjo com os dois partidos da extrema-esquerda parlamentar para lhe sustentarem um governo.
O Governo em funções, e que decorre desse arranjo, tem legitimidade constitucional mas não tem legitimidade democrática. O seu poder não decorre dos votos expressos.
O actual chefe do Governo, depois de dois anos de coligação parlamentar e de um Governo que diz não ter problemas, precisa de legitimar o seu poder nas urnas.
Já mostrou tudo aquilo que pode fazer – tem agora de consultar o eleitorado sobre se deve ser esse o rumo.


2


O PS tem beneficiado do silêncio cúmplice do BE e do PCP, que perante tudo se calam e a tudo dizem que sim. Há uma zona de sombra: estes partidos fazem-no convictamente, consideram que é isto que quer o seu eleitorado ou estão a “pagar” alguma coisa do negócio político que fizeram?
Indo a eleições, o PS tornará completamente clara a relação que mantém com a extrema-esquerda parlamentar (e esta clarificará a sua posição perante o seu próprio eleitorado).


3


Este Governo está, em algumas coisas que até parecem ser essenciais, dependente dos seus aliados da extrema-esquerda. Novas eleições legislativas também esclareceria a situação: o eleitorado quer que o PS governe em minoria no Parlamento ou acha que deve ter a maioria absoluta? Só eleições podem responder a esta pergunta.

4

Foi o PSD do então primeiro-ministro Pedro Passos Coelho que ganhou as eleições de Outubro de 2015. 
Desde então, as sondagens (de uma ou duas empresas) que vão sendo publicadas indicam que o PSD está bastante atrás do PS em termos eleitorais.
No entanto, o chefe do Governo continua a atirar-se ao PSD como se receasse que este partido pudesse recuperar o lugar de vencedor de Outubro de 2015.
A realização de eleições antecipadas também seria clarificadora neste aspecto: uma derrota do PSD seria, obviamente, uma derrota de Pedro Passos Coelho, que poderia, nesse caso, sair do palco político.
É certo que o PS precisa de um bode expiatório para tudo o que lhe corre mal e que esse bode expiatório é o anterior Governo, mas já está na altura de o PS se libertar desse complexo e assumir, com a legitimidade das urnas, tudo aquilo que tem sido e é seu desde Outubro de 2015.


5


O PS aparece demasiado dependente do Presidente da República que, às vezes, até parece ser o primeiro-ministro do primeiro-ministro. Também é certo que, por outro lado, é muitas vezes o PR que parece demasiado dependente deste Governo e do PS, como se alguma coisa houvesse que o estivesse a fazer refém do PS.
Também neste domínio a legitimidade democrática das urnas resolveria o problema e evitaria, caso o PS ganhasse (como o indicam as sondagens, de uma ou duas empresas, que têm sido publicadas), que um dia o PR, por hipótese, lhe atirasse à cara que ele, o PR, ganhou as eleições nas urnas e que o PS só ganhou o Governo nas secretarias parlamentares.


6


As eleições autárquicas de 1 de Outubro traduzir-se-ão numa vitória do PS ou numa vitória do PSD e, respectivamente, numa derrota do PSD ou numa derrota do PS. Ao indicar desde já, e antes de 1 de Outubro, a sua vontade de ir para eleições antecipadas, o secretário-geral do PS e chefe do Governo daria o passo lógico em qualquer um dos cenários: se perder as eleições autárquicas, pode desforrar-se nas urnas nacionais; se ganhar, pode reforçar o seu poder.


7


Derrotado nas urnas em 2015, o PS não pode ter medo de se sujeitar a novo escrutínio.
O seu secretário-geral e chefe do Governo tem de mostrar, com toda a clareza, que não é um homem com medo.
Se não se lançar a eleições para legitimar o seu poder, toda a gente pode concluir que ele é, realmente, um homem medroso.







terça-feira, 29 de agosto de 2017

Ler jornais já não é saber mais (29): copy/paste/traduz... mal


"Diário de Notícias", 28.08.17, link aqui:
As primeiras seis temporadas da série, que estreou em abril de 2011, foram sempre transmitidas de forma consistente na primavera de cada ano, à exceção da temporada atual, transmitida durante o verão. O atraso nas filmagens e produção foi propositado para acomodar os meses de inverno, de forma a facilitar e tornar mais realista as filmagens ao ar livre.

"Business Insider", 27.08.17, link aqui:
For its first six seasons, "Game of Thrones" consistently aired in the spring of each year. 2017 was the first year the show returned during the summer instead. This was due to production being pushed back to accommodate the "winter" needs for outdoor filming.

segunda-feira, 28 de agosto de 2017

Wall of fame









As capas dos meus dez thrillers com duas edições estrangeiras, em Espanha ("Robo a um Banquero", de "Vermelho da Cor do Sangue") e França ("Mort sur le Tage", de "Ulianov e o Diabo").

domingo, 27 de agosto de 2017

Notas de prova

Encosta dos Arcos — Tinto 2013 Vinho Regional Península de Setúbal
Castelão e Trincadeira
Parras Vinhos, Maiorga, Alcobaça
13,5% vol.
Bom!

Ler jornais já não é saber mais (28): os burrinhos na água

O desvario estatístico do "cada vez há mais" e não-sei-quantos-por-hora-por-dia-etc. dá nisto: os pés pelas mãos, os burrinhos na água e uma rectificação. 
Não deve ter sido o único caso de estatísticas manipuladas em nome do sensacionalismo mas, neste caso, o "Expresso" até deu a mão à palmatória, embora num texto revelador das confusões que existem naquelas cabeças.


"Expresso", 26.08.17

Notas de prova


Rendeiro — Tinto, sem indicação de data
Sem indicação de castas
Caves Rendeiro, Freixial do Meio, Aldeia Gavinha
13% vol.
Bom!

Notas de prova


Mundus Escolha — Tinto 2012 Vinho Regional Lisboa
Syrah, Alicante Bouchet e Aragonês
Adega Cooperativa da Vermelha, Cadaval
13,5% vol.
Bom.

Notas de prova



Mundus Aragonez — Tinto 2015 Vinho Regional Lisboa
Aragonês
Adega Cooperativa da Vermelha, Cadaval
13% vol.
Bom!

A dinâmica das ilusões (1): em campanha eleitoral há quatro anos




O presidente da Câmara Municipal de Caldas da Rainha, Tinta Ferreira, aparece em seis fotografias na edição desta semana (23.08.17) do "Jornal das Caldas", uma das quais na primeira página.
No outro jornal que se publica no concelho, a "Gazeta das Caldas" (edição de 25.08.17), a mesma figura aparece em três fotografias.


Uma campanha eleitoral que começou há quatros anos


A maior parte destas fotografias foi tirada num certame agrícola chamado "Frutos - Feira Nacional de Hortofruticultura 2017", organizado pela câmara.
A multiplicação de imagens do presidente camarário é, em certa medida, natural. Mas, se considerarmos que há eleições autárquicas dentro de cerca de um mês, essa multiplicação adquire dois significados: é, como até agora mas mais claramente, uma intervenção de campanha eleitoral e evidencia o carácter dominante da estrutura autárquica por uma das partes interessadas nesta eleição.
Tinta Ferreira é um dos cinco candidatos à presidência da Câmara Municipal de Caldas da Rainha. É do PSD. Foi herdeiro do dinâmico Fernando Costa e, nas eleições de 2013 (que obviamente ganhou), a campanha do PSD teve como lema "Nova Dinâmica". Mas a dinâmica não aconteceu e, aliás, nem era nova.
A única dinâmica evidenciada pelos quatro anos da gestão de Tinta Ferreira foi a da propaganda: eventos e obras.
Os eventos foram aproveitados à exaustão para o discreto burocrata (que só saiu da sombra de Fernando Costa depois de ter "morto o pai") se promover. Quanto às obras (só na capital do concelho e que deixaram a pesada impressão de serem lentas, morosas, atrasadas, inconsequentes, inúteis e perdulárias) só beneficiaram as empresas que foram escolhidas para as fazer, e que não raras vezes deixaram prazos por cumprir.
A gigantesca dimensão da influência da Câmara Municipal (e do seu presidente) não se esgota nos palcos dos eventos nem no seu contributo para a felicidade económica das empresas seleccionadas. Os funcionários dos serviços oficiais e as suas famílias, as associações públicas, as colectividades e a rede urbana de ligações sociais compõem essa dimensão.
Num concelho como este, onde a iniciativa privada é débil e em muito depende do favor público, é fácil de ver como, na rotina das circunstâncias habituais, um presidente de câmara nem precisa de ir a votos.
Em termos práticos, o que temos nestas eleições é um candidato que está há quatro anos a pensar na sua reeleição e um partido que, à conta disso, se deixa estar no conforto da ilusão de que é tudo dele. 
E esta ilusão é alimentada pelo défice de intervenção pública do que, por comodidade, se costuma designar por oposição. 
Dela, de três dos quatro candidatos que gerou, do seu défice de intervenção e das suas ilusões falaremos nas próximas crónicas. 


O fascínio pela publicidade pessoal tem levado a alguns excessos

sábado, 26 de agosto de 2017

Os novos amigos do terrorismo islâmico já não "são Charlie"...

O semanário satírico francês "Charlie Hebdo" foi atacado por um comando terrorista islâmico em plena cidade de Paris em Janeiro de 2015.
A selvajaria do ataque, a tiro, que provocou várias mortes, teve um outro simbolismo: era a liberdade de expressão do pensamento na capital da "Liberdade, Igualdade, Fraternidade" que estava em causa.
O "Charlie Hebdo" é herdeiro e sobrevivente de uma tradição humorística da imprensa francesa. Nas suas páginas, e de outras publicações semelhantes, nunca faltaram as piadas à religião católica. E a Igreja Católica teve de aceitá-las. Se as combateu não foi a tiro mas com palavras.
O ataque terrorista ao "Charlie Hebdo" deu origem à famosa frase de solidariedade e de homenagem "Je suis Charlie".
Mas hoje, dois anos e meio depois, com o terrorismo islâmico cada vez mais inflamado e sempre imparável, capa de matar por todo o lado, o "Charlie Hebdo" foi sumariamente condenado por algumas correntes de opinião em França... por ter feito mais uma sátira ao islamismo. 
O terrorismo tem cúmplices desta natureza: os apóstolos do "politicamente correcto". Estão por todo o lado e são mais perigosos e nocivos do que aquilo que podemos pensar. Mesmo que não matem... por enquanto.


A capa do "Charlie Hebdo" que incomodou os amigos do terrorismo islâmico

segunda-feira, 21 de agosto de 2017

À descoberta: o Cavalo Negro

Uma das coisas interessantes do supermercado Pingo Doce, que frequento, é a promoção regular de vinhos, com preços mais baixos do que o preço de venda ao público. Os alentejanos estão em maioria mas não esses que me interessam. E um dos vinhos que descobri foi o Cavalo Negro (tinto).
Comecei pelo de 2016, interessado pela combinação de castas (Castelão, Trincadeira e Aragonês). Seria bom? À cautela comprei uma garrafa. Quando a abri, e provei o vinho, lamentei de imediato não ter trazido mais. Sem notas adocicadas, perfeitamente equilibrado, entusiasmou-me. Na vez seguinte em que fui ao supermercado vi-o lá e pus de imediato uma caixa de seis garrafas no carrinho. Na caixa desisti: uma das castas era a Touriga Nacional (excelente no Dão e no Douro mas “extraviada” noutras regiões). Não trouxe… o que foi um erro.
Situada a empresa (Parras Wines) a cerca de meia hora de casa, perto de Alcobaça, telefonei e disseram-me que sim, que havia Cavalo Negro de 2016. Lá fui. Não havia ainda engarrafado, a loja ia abrir na semana seguinte e já haveria… podia trazer uma garrafa do de 2014 (Castelão, Trincadeira e Aragonês). Trouxe uma caixa, abri uma garrafa uma semana depois e… não me entusiasmou. Mais ou menos nessa altura voltei à loja, já aberta. Trouxe o de 2016 e, para provar, um Dão (Evidência) e um Quinta de Gradil (de que mais tarde falarei).
Tendo confirmado as muito boas impressões do Cavalo Negro de 2016, voltei entretanto ao de 2014. E foi uma surpresa: o vinho, descansando mais duas ou três semanas, melhorara. A seguir aventurei-me a outras edições, detendo-me apenas no tinto (do branco falaremos mais tarde): o de de 2015 (Touriga Nacional, Alicante Bouchet e Aragonês), vendido com a designação de Premium, é um vinho muito bom, de qualidade superior, acima do Reserva e totalmente estagiado em carvalho francês; o Reserva de 2016 (Touriga Nacional, Aragonês e Castelão), tão bom como o “colheita” do mesmo ano (e que talvez só possa melhor apreciado um pouco mais tarde); e, finalmente, o Reserva de 2014. E este tinto fechou com chave de ouro o meu contacto com o Cavalo Negro: É um vinho tinto absolutamente notável e memorável de sabor e aromas.
Sendo um vinho regional do Tejo, o rótulo não indica em concreto a sua origem (o seu “terroir”) mas, nomeadamente no caso do de 2016, fiquei a pensar que poderia ser oriundo de uma região de Alcoentre, Tagarro, de cujos vinhos tintos guardo excelentes recordações.  Não é, segundo me informou depois a Parras Wines, mas não errei por muito: as uvas do Cavalo Negro são de Almeirim, a cerca de 40 quilómetros de Tagarro e a caminho da Serra de Aires e dos Candeeiros, região que é também famosa pelos seus vinhos. E a Touriga Nacional, imigrante de outras paragens, aclimatou-se aqui bem, tendo uma presença digna.
Vendido em exclusivo ao Pingo Doce, o Cavalo Negro é um exemplo perfeito do vinho que pode sair das terras do noroeste de Lisboa, longe dos padrões abaunilhados que mancham outros vinhos e com um potencial interessante. O vinho aprecia-se talvez melhor assim: à descoberta, de garrafa em garrafa, saboreando-o e examinando-o, indo pelos nossos próprios passos, aprendendo, aprendendo sempre.


Um belo vinho tinto da região de Almeirim







Notas de prova



Cavalo Negro — Tinto Reserva 2016 Vinho Regional Tejo
Touriga Nacional, Aragonês e Castelão 
Parras Wines, Alcobaça
13,5% vol.
Bom!

Notas de prova


Cavalo Negro — Tinto Reserva 2014 Vinho Regional Tejo
Touriga Nacional, Aragonês e Castelão 
Parras Wines, Alcobaça
13,5% vol.
Muito bom.

Notas de prova



Vinha dos Santos — Tinto 2013 Douro DOC
Touriga Franca, Touriga Nacional e Tinta Roriz 
Fracastel, Folgosa do Douro (Armamar)
14,5% vol.
Muito bom.

Grotesco


Nada justifica este passeio grotesco a Barcelona (nem mesmo o terrorismo) e a exibição pública da descontração despreocupada, quando o País continua a arder. 



"JN", 21.08.17

domingo, 20 de agosto de 2017

Favoritismo expresso


Porque é que o orgulhoso "Expresso" favorece tanto a Netflix? 




E não são só as promoções. Agora até já há entrevista, em formato de alfinete de peito.

Embeleze, senhor candidato Jorge Varela, embeleze...





O candidato à presidência da Junta de Freguesia das acasaladas freguesias da Serra do Bouro e Santo Onofre (de Caldas da Rainha) disse que queria "embelezar" a Serra do Bouro, que é uma freguesia interior.
Pode começar por aqui, pela fonte do Cabeço da Vela (uma ideia de um seu antecessor), onde flores murchas e vasos de plástico com lixo ilustram bem o abandono das terras do interior que ficam a uns astronómicos... 12 quilómetros da capital do concelho.


sábado, 19 de agosto de 2017

Ler jornais já não é saber mais (27): mistura grossa

Ensinava-se (e, em geral, conseguia praticar-se) que o jornalismo não pode misturar a informação com a opinião.
O jornalista pode noticiar uma coisa e comentá-la em separado, nunca no mesmo texto.
E o mesmo se aplica aos jornais: há um espaço para a notícia e outro para o comentário.
Não se trata de esconder. Trata-se de, com o maior respeito pelo leitor, dizer-lhe que uma coisa é aquilo que realmente aconteceu (o que sustenta a legitimidade e a idoneidade do meio de comunicação) e outra é a interpretação, a crítica, o remoque, a ironia que o meio de comunicação ou o jornalista podem fazer, com todo o direito.
Com Donald Trump, a distinção desapareceu. Agora prevalece a mistura e a traço grosso.
Tudo é comentário. Desfavorável, claro, porque o jornalismo agora é só "causas".
A informação sobre os acontecimentos, sobre as políticas, sobre os factos em si, desapareceu. Agora é só a opinião, por escrito ou por imagem.
Jornalismo, isto? Não, neojornalismo. O tal que, um dia, fechará definitivamente todos os jornais e todos os empregos do sector.



Portugal a arder

sexta-feira, 18 de agosto de 2017

Turistas


Engarrafamentos, à escala da região e em estradas secundárias mas engarrafamentos, de qualquer modo; percursos que demoram sempre o dobro do tempo a fazer (um que eu faço habitualmente e que demora 10 minutos em estrada secundária e autoestrada demora-me agora em média 20 minutos); mais gente nos supermercados (não é uma pessoa a fazer uma compra mas famílias inteiras para fazerem a mesma compra); com as manhã geralmente nevoentas e mais frias, enchem-se de gente a cidade de Caldas da Rainha, os supermercados, o centro comercial; por todo o lado há autocaravanas.
Na povoação onde moro a população parece ter triplicado. São estrangeiros e talvez emigrantes, todos eles alojados por aqui, em casas, ou partes delas. Há mais pessoas e há mais cães.
Calculo que na praia (a da Foz do Arelho, que os visitantes não conhecem Salir do Porto) a situação deve ser, como sempre é, insuportável. É o que sugerem os muitos carros amontoados nas proximidades, onde não há estacionamento, como nunca houve.
Isto é o turismo em Caldas da Rainha, sobretudo em Agosto.
E, sendo incómodo, dá para perceber que os visitantes são uma boa fonte de receita, formal e informal. Mesmo com pouco à disposição deles. E que, se a situação melhorasse (e nem é difícil) muito maior seria a receita, e com mais emprego.
Não há percursos sugeridos no concelho, não há infraestruturas culturais apresentadas de forma clara. Não há roteiros abrangentes. A Lagoa de Óbidos, suja e de águas escuras, está escondida, Salir do Porto e a ligação por praia com São Martinho do Porto também.
A festa das "Tasquinhas", na capital do concelho nunca deixa de ser um restaurante colectivo onde o cheiro a fritos se embebe nas roupas, sem nada que se venda ou se compre. O comércio mantém os horários rígidos, pouco convidativo. A famosa Praça da Fruta é um inferno de trânsito que não tem onde parar.
Nem a estrada panorâmica da costa atlântica e a sua paisagem são aproveitadas. E dá para perceber, pelos carros de matrícula estrangeira e de aluguer e outros que nunca por aqui se viram, que há uma certa vontade de explorar o interior do concelho.
Só que, além da praia, dos supermercados e do centro comercial, o que é activamente oferecido aos visitantes é lixo nas estradas e pendurado das árvores. As autoridades locais parece que é o que conhecem.



O lixo em que se transformam os anúncios de plástico deixados nas árvores...

... e a Lagoa de Óbidos são duas faces deste concelho mal gerido e mal aproveitado em termos turísticos.

quinta-feira, 17 de agosto de 2017

EDP - A Crónica das Trevas (72)

Há cerca de dez minutos houve um apagão.
Anteontem, à hoje do jantar, já tinha havido outra.
Ao longo do dia sucedem-se as flutuações da corrente eléctrica.
Não é só o incómodo. É uma maneira de dar cabo dos electrodomésticos.
Pode haver um milhão de motivos externos (desde o aumento da população em época de férias e grande turismo à seca). Mas nenhum esconde o principal: a tremenda debilidade das infraestruturas da EDP.

Expressamente uma só...



Gostava tanto de ver o "Expresso" a dedicar às séries de televisão em geral o carinho que dedica às séries de uma só empresa, a Netflix.

terça-feira, 15 de agosto de 2017

Notas de prova


Portas do Tejo — Tinto 2014 Vinho Regional Tejo
Castelão e Aragonez
Adega Cooperativa de Almeirim, Almeirim
12,5% vol.
Decepcionante

Notas de prova



Monte Serra — Tinto 2015 Dão DOP (Sub-região Serra da Estrela)
Tinta Roriz, Alfrocheiro e Jaen 
Sea Campo, Vila Nova de Tazem
13% vol.
Bom.

Embeleze, senhor candidato Jorge Varela, embeleze...


À atenção do senhor candidato Jorge Varela, que quer "embelezar" a Serra do Bouro.
Talvez uns vasinhos revestidos a lamé com umas flores de plástico (que é do que gostam) fiquem bem aqui, nestas manifestações de desprezo do poder autárquico pelas freguesias do interior: 






quinta-feira, 10 de agosto de 2017

Ei-los... e para quê?




Adaptado do "Jornal das Caldas", 9/09/17.

Está, portanto, o plantel completo para as eleições de 1 de Outubro em Caldas da Rainha.
Neste friso, retirado da edição de 9/08/17 do "Jornal das Caldas" (e de onde entendi rasurar uma irrelevância) falta, relativamente, às eleições de 2013, a representação do então promissor grupo de independentes agrupados sob a designação de "Movimento Viver o Concelho" (MVC).
Por respeito para com os que neles votaram em 2013, os dirigentes e dinamizadores do MVC deviam ter explicado a sua ausência. Não o quiseram fazer, depois de se distanciarem do concelho que queriam "viver" no sonho das eleições presidenciais de 2016.
Com esta sua atitude não deixam saudades nem qualquer sugestão de futuro. O que deixam, para estas eleições, é a situação bizarra da Foz do Arelho. É, e será, a única bitola para fazer o óbito do MVC.
Já há por aí cartazes de alguns dos candidatos à Câmara Municipal. Começaram a aparecer há cerca de um mês. Mas para quê? 
Se quisessem ganhar estas eleições teriam procurado um entendimento alargado contra o candidato que é presidente da Câmara Municipal.
Teriam começado a fazer trabalho político há muito tempo. Não apareciam agora.
Não é em mês e meio que se muda o sentido de voto num concelho onde, como infelizmente vai acontecer, o presidente da câmara ganha nas calmas porque... está lá. Porque nunca deixou de estar. Porque é o poder.
Porque (como acontece nesta edição do "Jornal das Caldas") a dita criatura não precisa de cartazes porque facilmente arranja meia-dúzia de fotografias para que ninguém se esqueça de que é ele que está no topo da pirâmide de onde saem contratações de empresas para obras, subsídios para associações e empregos para muita gente.
Darei alguma atenção às eleições autárquicas neste concelho, que de livre vontade escolhi para morar. Mas não muita. Porque nem vale a pena.
As eleições estão ganhas pelo PSD local e ninguém quis, verdadeiramente, que isso não acontecesse. Portanto, à partida, nem sequer se justifica ir votar em eleições cujo desfecho previsível abomino.
E não é por causa do PSD, como partido nacional, mas por causa deste PSD, especificamente.

quarta-feira, 9 de agosto de 2017

A SEUR é uma merda metastizada



A empresa transportadora SEUR é um cancro, um cancro metastisado.
Comecei a comprar no site eBay e comecei a receber encomendas transportadas pela SEUR, com os atrasos e confusões inerentes. Voltei à Amazon (de onde fugi quando as encomendas caíram nas mãos da SEUR) e eis que me sai a mesma merda, como o que já aqui descrevi.
Desta vez é uma encomenda que parte (de barco? a pé?) de Inglaterra para Madrid e que depois parece estar em trânsito para ser entregue... no dia 4 de Agosto. Na sexta-feira passada.
Ontem inquiri a Amazon.
Responderam-me de lá com um grande relambório com duas informações aproveitáveis: (a) houve "delays in their network" (ou seja, "atrasos na rede da SEUR) pelo que a encomenda será entregue... no dia 18 de Agosto!; e (b) oferecem-me um desconto de 4.35€ pelo incómodo.
Quanto a um "refund" (o reembolso do dinheiro pago), que o peça já ou que espere pelo dia 18.
Vou esperar. Mas repetindo: a SEUR é uma merda, um verdadeiro cancro cheio de metástases.

terça-feira, 8 de agosto de 2017

Bracinho

Se bem me lembro, as duas mãos devem ir no volante, com a direita a beneficiar de escapadelas para a alavanca das mudanças.
Também há uma variante: a mão esquerda no volante e a direita na alavanca das mudanças em regime quase permanente. Mas não é para todos, claro.
Esta variante do bracinho direito de fora é que eu não consigo perceber. Mas até se pode dar o caso de a criatura ter três braços...




Resposta aberta ao senhor candidato Jorge Varela

Já tinha reparado no agora candidato autárquico Jorge Varela (e não se pode dizer que tenha sido por boas razões) e uma "carta aberta" que dirigiu aos “caldenses de Santo Onofre e da Serra do Bouro” ("Jornal das Caldas", 2.08.17) recordou-mo.
Candidato à presidência (pelo PSD de Caldas da Rainha) da Junta de Freguesia que resultou do acasalamento forçado das freguesias de Santo Onofre e Serra do Bouro, Jorge Varela (como é típico da "nomenklatura" caldense) conhece bem "a cidade" que é apenas a capital do concelho e mal o resto do concelho. Aliás, nota-se bem de novo na sua "carta aberta", onde consegue espremer algumas palavras de circunstância sobre a Serra do Bouro.
Por essas e por outros, dirigi-lhe uma resposta aberta (ao cuidado do "Jornal das Caldas") que aqui reproduzo:


Escreveu o Sr. Jorge Varela, na qualidade de candidato autárquico à Junta de Freguesia que resultou da união das freguesias de Santo Onofre e Serra do Bouro, de Caldas da Rainha, uma “carta aberta” aos “caldenses de Santo Onofre e da Serra do Bouro”.

Permita-me o “Jornal das Caldas”, que a publica na sua edição de 2 de Agosto de 2017, que dê ao senhor candidato uma resposta aberta, o que faço nos seguintes termos:

1. Sou caldense por opção de residência, na Serra do Bouro, desde 2002, encontrando-me recenseado nesta freguesia, onde voto quando assim o entendo fazer.   

2. A freguesia da Serra do Bouro tem, efectivamente, “beleza natural” e “vistas fantásticas (…) sobre o mar”. Não é, no entanto, a única freguesia do concelho de Caldas da Rainha nestas condições. Salir do Porto, Foz do Arelho e Nadadouro são as outras freguesias que compõem toda a “fronteira” oriental, encostada ao Oceano Atlântico, deste concelho. Dado que os políticos da “cidade” caldense conhecem mal o interior do concelho, espero que esta informação lhe seja útil.
3. A Serra do Bouro não precisa de “ser complementada com um embelezamento de que já é merecedora”. Ela precisa, sim, como as restantes freguesias rurais, de estradas utilizáveis, de placas toponímicas dignas, de equipamento público mínimo, de limpeza capaz, de sinalização útil, de uma rede de abastecimento de água devidamente funcional e, sobretudo para os seus cidadãos mais idosos, de meios viáveis de acesso à capital do concelho, onde são obrigados a tratar de tudo. Espero, também, que esta informação lhe seja útil.
4. Não há, fora isto, nenhumas “vantagens” em estarmos “unidos a uma freguesia urbana”, sobretudo quando (pelo acasalamento forçado de freguesias), a Serra do Bouro e Santo Onofre até estão geograficamente separadas por uma terceira freguesia. A associação entre as duas freguesias teve uma única desvantagem (e nenhuma vantagem): o agravamento da situação isolada desta freguesia e o seu esquecimento por parte do poder vigente.

Aceite, senhor candidato, os meus cumprimentos, como eleitor livre da Serra do Bouro,
Pedro Garcia Rosado
Cabeço da Vela, Serra do Bouro, 4 de Agosto de 2017



"Jornal das Caldas", 9.08.17



Em tempo:
O senhor candidato respondeu-me, com cortesia, informando-me de que a sua "carta aberta" se destinava "a apresentar os motivos pelos quais [se candidata], pelo que não deve ser confundida com um programa eleitoral" e que a sua candidatura está "aberta a todos os caldenses, de origem ou adoptados".
Fiquei a saber, portanto, que sou "adoptado". Estamos sempre a aprender.


sexta-feira, 4 de agosto de 2017

Notas de prova



Cavalo Negro Tinto 2014 Vinho Regional Tejo
Castelão, Trincadeira e Aragonez
Parras Wine (Alcobaça)
13% vol.
Bom!

Notas de prova


Porta 6 Tinto 2015 Vinho Regional Lisboa
Sem indicação de castas
Vidigal WInes, Cortes (Leiria)
13,5% vol.
Bom.

O dia do juízo final para o MVC


O ainda presidente da Junta de Freguesia da Foz do Arelho (Caldas da Rainha) tem sobre si a sombra de uma auditoria às contas da junta que lhe atribui irregularidades financeiras graves. Não é, que se saiba, arguido em nenhum processo judicial nem foi declarado culpado seja do que for por qualquer decisão judicial.
A sua decisão de se recandidatar ao cargo (se arranjar os devidos apoios, claro) é legítima. Seria talvez mais recomendável que não o fizesse, mas o certo é que, não o fazendo, estaria a dar razão aos resultados da auditoria.
Se apresentar a sua candidatura, o pequeno eleitorado local decidirá se o penaliza pelas suspeitas ou se o apoia pelo que fez como presidente da Junta de Freguesia.
O resultado que a sua eventual recandidatura obtiver será também uma espécie de "julgamento final" do grupo independente MVC. Estreou-se, e bem, nas eleições de 2013 e, tendo desistido destas, acaba por ir a votos na pessoa de Fernando Sousa. O que disseram não apaga o passado.


"Gazeta das Caldas", 4.08.17



A perfeição é isto: "Fargo"






A terceira temporada de "Fargo", a série inspirada pela longa-metragem de Joel e Ethan Coen com o mesmo título (que aqui aparecem só como produtores executivos), é a perfeição televisiva em estado puro e um exemplo excepcional do modo como a ficção televisa de elevada qualidade pode suplantar muito do cinema que hoje se faz.
São dez episódios (de 50 e poucos minutos cada) com um história que se desenrola sem pressas mas sem um momento morto, com uma banda sonora admiravelmente articulada com as imagens e em todos os registos (até "Pedro e o Lobo", de Prokofiev, numa espécie de alegoria!).
Ewan McGregor (em dois papéis, perfeito), Carrie Coon (uma das polícias dessa estranha terra gelada onde tudo acontece) e, em especial, David Thewlis (um dos melhores "maus" de sempre, espantoso!) são, num leque de interpretações muito sólidas, os cabeças de cartaz desta temporada e tudo passa por eles, e em quase todos os registos. E por Noah Hawley, criador da série, autor e produtor, cujo trabalho até agora não conhecia mas que aqui se destaca em grande estilo.
No actual e riquíssimo panorama da produção televisiva de ficção, esta temporada de "Fargo" (como também o recente "The Night Of") é exemplar.
Daqui por cem ou duzentos anos talvez se faça algo parecido em Portugal e talvez quem escreve sobre cinema nos jornais perceba que o mundo do audiovisual evoluiu como talvez nem se pudesse ter imaginado.



Ler jornais já não é saber mais (26): a estatística idiota do "cada vez há mais" (3)


Pode haver outras explicações, mesmo as mais fantásticas, mas há uma que me parece evidente e muito lógica: a enorme quantidade de jornalistas com um assinalável grau de iliteracia em matemática e traumas profundos relacionados com a aprendizagem das ciências exactas na escola que se excitam (e sabe-se lá a que nível) com uma qualquer ordem de grandeza estatística.
O "Jornal de Notícias" é o campeão da coisa e pode inaugurar a terceira entrada do meu blogue dedicada a estas coisas. Decerto que não ficaremos por aqui.




Do "Público" (20.08.17): uma variante para o "cada vez mais"


Do "Jornal de Notícias" (20.08.17): uma variante para o "cada vez mais"


"JN" (20.08.17): deve haver no "JN" quem tenha orgasmos com estes títulos...


Do "Diário de Notícias" (3.09.17): pelo menos conjugaram bem o verbo reflexivo

Do "Público" (19.08.17): estatística utilitária